segunda-feira, 3 de maio de 2010

Informações sobre a visita Papal


O CR irá estar atento à visita de Bento XVI a Portugal, procurando dar aos leitores informações úteis sobre a visita de Sua Santidade. Para começar, aqui fica o novo sinal de trânsito que, a partir da meia noite de hoje, poderá ser visto ao longo dos percursos que serão percorridos por Sua Eminência e respectiva comitiva.

Que grande lata!

Hoje tive de ir a uma unidade do Exército nos arredores de Lisboa.
Quando entrei , senti um maravilhoso silêncio conventual e desaguei num jardim acolhedor, com bancos de pedra revestidos a azulejos, protegidos pela sombra generosa de árvores frondosas. Apesar de não ser um jardim público, havia pessoas a ler, desfrutando daquela atmosfera que me transportou, por breves momentos, aos jardins de Alhambra, ou ao Parque Güel.
O problema é que o serviço onde pretendia tratar dos meus assuntos estava deserto. Lá consegui que a funcionária do front desk chamasse alguém para me atender e, passados alguns minutos, estava de novo no carro, pronto para regressar a Lisboa. Estava a invejar aquela qualidade de vida e preparava-me para arrancar, quando um automóvel pára atrás de mim, obstruindo-me a passagem. Buzinei e pedi ao condutor para me deixar sair.
Movendo-se à velocidade de um elefante bêbado, um gordalhufo vestindo uma t –shirt encarnada saiu da sua viatura e fez-me sinal, imperativo, para sair pelo outro lado. É óbvio que tinha espaço para sair, mas isso obrigou-me a fazer uma manobra complicada que teria evitado se o paquiderme se tivesse disposto a retardar o parqueamento por 30 segundos. Em vez disso optou por se colocar à porta do quartel , fazendo malabarismos com as chaves entre os dedos, enquanto observava, com ar de comando, a minha manobra.
A princípio irritei-me, depois atribuí a atitude ao calor e consequente necessidade de matar a sede, mas acabei por compreender que aquela atitude rasca se devia à falta de um submarino para brincar todas as noites na banheira.
Quando já regressava a Lisboa, lembrei-me que não me tinham devolvido o BI. Inverto a marcha e, chegado à porta, constato que o gordalhufo permanecia imóvel no seu posto. Bem, imóvel, não estava... continuava a brincar com as chaves do carro entre os dedos, como que alheado do mundo. Arrumei o carro atrás do dele e entrei sem o cumprimentar. Uma voz de Superbock Abadia rosnou:
- Está a obstruir a minha viatura.
Fiz de conta que não ouvi e fui buscar o BI. Quando voltei a passar por ele, rosnou novamente:
- Que falta de civismo! Tem sorte de não ter chamado a polícia para o rebocar.
Voltei a entrar no carro sem lhe passar cartão e regressei a Lisboa sem mais incidentes.

A Rua dos Cafés (1)


Em quase todas as cidades e vilas portuguesas existiu um Café que se tornou ex-libris da resistência ao Estado Novo, local de tertúlia vigiado pelos pressurosos agentes da PIDE, estabelecimentos que serviram de mote para a magnífica trilogia de Álvaro Guerra ( Café Central, Café República e Café 25 de Abril).
Pertenço a uma geração que convivia, tertuliava, conspirava e estudava em cafés. O Velásquez ou o Piolho no Porto, o Monte Carlo ou o Gelo em Lisboa, são apenas alguns dos cafés cujas cadeiras contribuíram para puir as minhas calças e arejar a minha mente.
Talvez por isso, quando visito qualquer lugar, procuro descobrir cafés ligados à História desses locais. Hoje, em Portugal, são poucos os cafés simbólicos. A maioria deles virou local de roteiro turístico, como o Majestic no Porto, a Brasileira em Lisboa, o El Greco em Roma ou o Tortoni em Buenos Aires. No entanto, qualquer um deles faz parte da minha história de vida. Foi sentado nas mesas do Monte Carlo ou do Majestic, a ouvir as conversas dos mais velhos, como o Carlos Oliveira, ou o Zé Cardoso Pires, que me fui moldando. Foi nas mesas do Tortoni e do Café de La Paix que aprendi a amar a América do Sul e especialmente a Argentina.
Embora este mês o CR não tenha um tema específico, vou aqui trazer alguns dos cafés que fazem parte da minha memória. Ou porque fazem parte da minha história, ou porque através deles conheci melhor a história de outras pessoas.
Não vou abusar da vossa paciência, desafiando-vos a escrever sobre os cafés que fazem parte da história das vossas vidas, ou de algum café que vos tenha marcado particularmente, mas quem quiser contar uma experiência vivida num café, ou falar de um café que o tenha marcado de forma muito especial e queira partilhar connosco essa experiência, pode comunicar isso aqui ao CR e eu terei o maior prazer em fazer um link para o vosso post.
Por falta de tempo não vou trazer aqui histórias vividas em cafés. Apenas imagens e, sempre que possível, links que vos permitam conhecer a sua história. Foi o que se pôde arranjar...

Promessas de um Coelho no País das Maravilhas (1)


Já sabemos que Pedro Passos Coelho nos promete um país feliz se chegar a Primeiro Ministro. Parece-me oportuno começar a analisar esse país paradisíaco, onde as privatizações serão o extraordinário passe de mágica que tornarão os portugueses mais felizes.
Comecemos, então, pela privatização da saúde.
Entre todos os serviços de urgência do país , só oito cumprem os critérios mínimos exigidos por lei para que os doentes sejam atendidos com segurança: a presença de dois médicos e dois enfermeiros.
No país idílico dos Coelhos quantas manifestações valencianas, emolduradas por bandeiras espanholas nas janelas iremos presenciar?
Pensem nisso, antes de entregar os vosso destinos nas mão do Coelho que vos promete o País das Maravilhas.

SIC laranja, SIC cristal...

(Duas formas de informar à sua escolha.)
A SIC decidiu fazer um inquérito aos portugueses, para saber se estão dispostos a abdicar de parte do seu subsídio de férias para ajudar o país.
Parece um inquérito feito de encomenda, com mandatário conhecido, mas não vou por aí. Prefiro recordar o tempo em que, estando o país mergulhado numa profunda crise, o então ministro do trabalho, Costa Martins, propôs que os portugueses abdicassem de um dia de trabalho para ajudar o país.
Nessa altura viviam-se dias de esperança, mas a direita portuguesa logo reagiu de forma abrupta, ridicularizando a proposta do “ ministro comunista”. O Estado que resolvesse o problema.
Hoje, mergulhados numa crise ainda mais grave, é um canal de televisão privado que lança a proposta que classifico, no mínimo, de indigna e um péssimo contributo para a democracia.Já todos sabemos como reagiram as empresas privadas com participação do Estado, perante a proposta apresentada pelo governo para a redução dos salários milionários dos seus gestores e a eliminação dos prémios: um não rotundo, dos accionistas privados.
A SIC parece não ter percebido e mordeu o isco, lançado por Pedro Passos Coelho, promovendo este inquérito-apelo aos trabalhadores portugueses.
Por mim respondo como os accionistas das empresas privadas com participação do estado:Não!!!!!!
A minha nega a tão esquizofrénica pergunta não se deve apenas ao facto de aqueles que mais ganham fazerem um manguito aos trabalhadores. As razões são mais vastas. Na verdade estaria disposto a abdicar de parte do meu subsídio de férias, ou do subsídio de Natal, se vivesse num país preocupado com a justiça social, onde os vampiros da economia não tivessem lugar. Seria dos primeiros a prescindir de parte dos meus parcos rendimentos mensais, se o governo desse o exemplo. Não peço aos ministros que reduzam os seus vencimentos, mas sim que abdiquem de mordomias de gabinete e, acima de tudo, que revelem lucidez quanto aos investimentos públicos. Enquanto o governo persistir na construção de um novo aeroporto, sem me explicar a razão de o aeroporto de Beja, concluído em Novembro, continuar inoperacional;
Enquanto o governo não me explicar a insistência na construção de uma supérflua terceira travessia rodoviária sobre o Tejo que só vai piorar a vida de quem vive em Lisboa;
Enquanto o governo se recusar a taxar as mais valias bolsistas e insistir em penalizar os salários de quem trabalha;
Enquanto o governo não der mostras de querer erradicar a corrupção;
Enquanto o governo não acabar com os gastos supérfluos da sua gestão;
Enquanto o governo não denunciar o negócio ruinoso com a Mota Engil;
Enquanto o governo mascarado de socialista persistir numa vergonhosa política de direita, penalizando sempre o elo mais fraco e enchendo de prebendas o grande capital…
Não contem com a minha solidariedade. O dinheiro que ganho faz-me falta, não ando a nadar nele como o António Mexia e uma parafernália de parasitas e corruptos que medraram à sombra do Centrão. Se quiserem parte do dinheiro que ganho honestamente, terão que mo roubar. De boa vontade, nunca o terão. Será que na SIC ninguém percebeu isso?

As cidades dos outros (21)

Aufwiedersehen, diz a Gi a propósito de uma cidade que só conheço de passagem.


Sugestão do dia

O Bacteriófago. O nome parece estranho, mas quando começamos a ler, o blog do Sérgio entranha-se nos nossos hábitos de leitura blogueira.