sábado, 1 de maio de 2010

Humor com lógica

-Olá, Lili, estás doente?

- Não, porquê?

-É que ontem de manhã vi um médico a sair de tua casa...

- Essa é boa! Há dias vi um militar a sair da tua e que eu saiba não estamos em guerra...

Recordações de Maio

Manifestação do 1º de Maio de 1974 em Lisboa

Faz hoje 40 anos que celebrei pela primeira vez o 1º de Maio. Terminei os festejos subindo em corrida desenfreada a rua do Alecrim, perseguido pela polícia. Uma simpática velhinha, vendo-me a sair os bofes pela boca, condoeu-se e abriu-me uma porta milagrosa por onde escapei sem mais problemas. Ficámos à conversa até quase ao anoitecer , quando deixei de ver as “ Creme Nívea” ( nome dado às singulares carrinhas da polícia, azuis e brancas da época) nas redondezas e senti que podia regressar a casa sem problemas.
Reconfortado com um chá, acompanhado de deliciosos biscoitos de Maizena feitos pela simpática anfitriã de ocasião, cujo sabor o meu palato hoje parece recordar, acabei de subir a rua do Alecrim. Quando cheguei ao Chiado encontrei dois amigos que tinham ido comigo ao esboço de manif que era possível fazer durante o Estado Novo. Acabámos a noite na Portugália a contar as peripécias vividas por cada um, perante o testemunho de alguns “finos” e o então celebrizado bife à Portugália.
Em 1974, apesar de estar a cumprir serviço militar em Mafra, foi dada autorização de saída aos recrutas e assim pude celebrar o primeiro 1º de Maio em Liberdade. Só quem viveu esse dia na rua sentirá o mesmo que, neste momento em que escrevo, estou a sentir.
Lembro-me daquela multidão imensa que trocava beijos e abraços, dos rostos vertendo lágrimas de alegria, de gente que não se conhecia de lado nenhum mas que, marcada por um passado comum, parecia ter um longo historial de fraternidade.
Nunca vi - e provavelmente nunca voltarei a ver- uma manifestação como a do 1º de Maio de 74. Foi um dos dias mais inebriantes que se me ofereceu viver em toda a vida e jamais o esquecerei.

Há muitos anos que não vou a uma manifestação do 1º de Maio, mas hoje lá estarei a marcar presença, a gritar a minha revolta contra aqueles que nos destruíram o sonho e aqueles outros que, com falinhas mansas de beato, nos querem iludir, mas simbolizam o prolongamento do pesadelo, como Pedro Passos Coelho.
Hoje, subirei uma vez mais a Almirante Reis no meio de uma multidão anónima tão revoltada como eu, mas que perdeu a vontade de se abraçar e em cujos rostos rolarão lágrimas de revolta , sucedâneas das lágrimas de alegria daquele maio de 74. Nãodeixarei de lamentar que, à mesma hora, outros cidadãos portugueses, com a mesma revolta, as mesmas queixas, as mesmas desilusões, estejam a descer a Avenida da Liberdade, em vez de se juntarem na mesma luta.
Não sou comunista, por isso estou à vontade para dizer que não compreendo esta divisão dos trabalhadores, num momento em que, mais do que nunca, deveriam estar unidos na mesma luta. Mas adiante…
Há 36 anos os problemas não eram muito diversos dos que se vivem agora. A Europa estava mergulhada numa profunda crise energética, multiplicavam-se as greves com maquinistas, gasolineiros, transportes e mineiros a liderarem a contestação. Os países industrializados estavam à beira de um ataque de nervos e a energia nuclear era apontada como solução salvadora, para desespero dos ambientalistas. Falava-se em crise financeira e económica, provocada pela subida do preço do petróleo, que começara em 73. Só em Portugal havia festa. A Liberdade festejava-se na rua ao som de “Grândola Vila Morena” e as salas de cinema enchiam-se para ver “ O Último Tango em Paris”.
Trinta e seis anos depois o mundo mudou, mas as vítimas do progresso continuam a ser as mesmas e as razões para celebrar o 1º de Maio parecem tão pertinentes como naquela época., Por isso lá estarei.

Sugestões de fim de semana

Hoje não vos sugiro um blog. Opto por aconselhar uma ida à Feira do Livro ,que este ano apresenta a novidade da Happy Hour. Entre as 22.30 e as 23.30, os livros com mais de 18 meses de catálogo terão um desconto de 50 por cento. Aliciante, não?

Ao fim da manhã far-vos-ei aqui uma proposta para me acompanharem naquela que vai ser a minha principal actividade do fim de semana mas, para aqueles que prefiram os ambientes mais recatados de uma sala de cinema, sugiro uma ida até ao Indie Lisboa 2010.