terça-feira, 27 de abril de 2010

Venham mais greves de transportes!


Deixem-me ser um bocadinho egoísta. Só um bocadinho, prometo. Quero mais greves de transportes públicos, mas não parem o Metro, por favor!
Graças à greve dos transportes e a ser um devoto frequentador do Metro, hoje o dia correu-me muito bem. Andava há uns tempos a adiar a ida a alguns serviços públicos, para tratar de assuntos pessoais, mas quando soube que hoje os transportes estariam em greve, pensei que seria o dia certo. Não me enganei. Numa manhã, resolvi os problemas todos e ainda me sobrou tempo. Num dia normal – sei por experiência própria – perderia uma manhã inteira só num desses serviços. Hoje, em menos de 20 minutos, tratei do que precisava. Talvez houvesse menos funcionários a atender do que é habitual, mas também não havia utentes e, assim que lá cheguei, fui logo atendido.
Neste meu périplo pelos serviços públicos constatei uma vez mais que, na generalidade, o pessoal de “front desk” do sexo masculino é mais simpático, calmo e eficiente do que o feminino. No entanto, há excepções. E uma delas encontrei-a onde menos esperava: no Ministério da Defesa. Em vez de um tipo forte e espadaúdo, parco nas palavras, quiçá um pouco lerdo, deparei com uma jovem militar que, benza-a Deus, era um verdadeiro colosso de beleza, boas maneiras e eficiência.
Se, quando cumpri o serviço militar, tivesse encontrado uma camarada de armas com aquela competência, teria jurado fidelidade eterna ao camuflado. Aquela praça é um autêntico míssil apontado aos corações masculinos. Espero que não seja destruída por nenhum anti-míssil ou arma nuclear...
Amanhã, vou ver se me aceitam de novo no serviço militar, mas só me alisto se me prometerem que vou trabalhar ao lado daquela praça.
Esta noite vou sonhar com guerras de secretaria…

Objecção de consciência e casamento


A objecção de consciência é um direito fundamental dos cidadãos, constitucionalmente consagrado, que substitui o serviço militar pelo cumprimento de um serviço cívico, quando forem invocadas razões de ordem religiosa, moral, humanística ou filosófica.
Por razões profissionais, estive em contacto com muitos objectores de consciência que, na sua esmagadora maioria, invocavam o facto de serem Testemunhas de Jeová, para obterem o estatuto de objectores. Foi então que percebi a grande implantação daquela crença na sociedade portuguesa, especialmente nas camadas mais jovens, em idade de cumprir o serviço militar…
Em 2007, a Lei da interrupção voluntária da gravidez alargou o âmbito da objecção de consciência aos médicos e restantes técnicos de saúde.
Agora, com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, alguns Conservadores querem saber se podem invocar a objecção de consciência para recusar o casamento entre homossexuais. Tal estatuto dependerá do que a lei vier a definir mas, se consagrar o direito dos Conservadores à objecção de consciência, ocorre-me perguntar se o próximo passo de alguns Conservadores será, por exemplo, a recusa em casar pretos. Ou imigrantes, sei lá…
Ironias à parte, penso que vale a pena reflectir bastante antes de alargar a objecção de consciência aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. É um assunto demasiado sério, que aconselha alguma prudência, caso contrário poderemos vir a assistir a situações bizarras como as que referi.
Os Conservadores têm o dever de obediência e- apesar das notícias veiculadas por alguma imprensa- não me parece razoável que pretendam obter o estatuto de objectores de consciência, que lhes permita recusar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se esse estatuto lhes for concedido, colocará situações de difícil compreensão. A singularidade do estatuto de objector de consciência não pode ser banalizada, sob o risco de criar conflitos na sociedade portuguesa, cada vez menos tolerante.
Fiquemo-nos pelo vínculo público que obriga os funcionários ao cumprimento da Lei e imaginemos a situação de um funcionário que, depois de se converter ao islamismo, alegue a objecção de consciência e recuse trabalhar à sexta –feira, ou exija pausa para fazer as suas orações diárias. Em que medida é que esse direito lhe pode ser recusado, à luz de uma alargada aplicação do estatuto de objector? Qual a razão que pode ser invocada para legitimar a aplicação do estatuto de objector de consciência a um Conservador que não quer celebrar casamentos entre homossexuais e recusar esse estatuto a um muçulmano, se em Portugal a Constituição consagra a liberdade religiosa? Já imaginaram onde poderia levar este tipo de raciocínio? O melhor é ficar por aqui…

Estavas linda Inês posta em sossego...


O Parlamento vai pagar as viagens semanais de Inês Medeiros entre Paris e Lisboa, bem como ajudas de custo diárias.O assunto já fez correr muita tinta. Os indignados do costume acusaram Inês Medeiros de forma serôdia, como se a deputada estivesse a cometer algum crime, exigindo o pagamento a que, legitimamente, julga ter direito. Obviamente que ela não teria aceite o cargo se, quando a convidaram, lhe tivessem dito que teria de pagar as despesas de deslocação semanais do seu próprio bolso.
Este caso, no entanto, ilustra bem a forma como os partidos ( não apenas o PS, como alguns nos querem fazer crer) se preocupam com as finanças públicas. Inês Medeiros irá custar um balúrdio aos contribuintes e teria sido uma atitude de bom senso poupar-nos a mais este encargo. Não sei se Inês Medeiros é uma boa deputada que justifique o esforço, mas penso que se fez justiça com esta decisão de Jaime Gama, assente em pareceres jurídicos por ele solicitados. De qualquer modo, o presidente da AR fez questão em deixar claro que esta decisão resulta de uma lacuna da Lei.
Urge, então, modificar a legislação, para evitar que casos destes se repitam, porque em nada contribuem para dignificar a AR. Para caixeiros-viajantes já nos chegam os exemplos dos deputados europeus que passam mais tempo em Portugal do que em Estrasburgo. Ou será que o caso de Paulo Rangel – ausente do Parlamento Europeu durante todo o período de campanha do PSD – ou de Nuno Melo, que todas as quintas-feiras vem a Lisboa para participar num debate na RTP 1, não são já exemplos suficientes de dinheiro mal gasto? E não me venham com o argumento de que essas despesas são suportadas por Bruxelas, porque somos cidadãos europeus e , como tal, também somos nós a suportar estas mordomias.

Cidades da minha vida (17)

Maputo

Tinha apenas oito anos quando me apaixonei por Lourenço Marques. A culpa foi do meu cunhado que, tendo lá vivido durante alguns anos, nos mostrava a cidade em inúmeros filmes Super 8 a preto e branco. Não sei porquê, mas percebi de imediato que aquilo era um mundo totalmente diferente da cidade do Porto onde vivia. Cada vez que o meu cunhado ia com a minha irmã ao Porto ficava deliciado a ouvi-lo contar episódios das suas peripécias em Lourenço Marques e a minha imaginação voava até lá.
Nunca conheci Lourenço Marques. Em 1969 estive quase a ir lá mas, por razões que já aqui contei, a viagem não se concretizou. Foi já nos anos 80 que o trabalho me levou a Maputo. Uma cidade provavelmente muito diferente da Lourenço Marques com que sonhava em miúdo, mas mesmo assim uma cidade que me encantou e onde voltaria em 2000, numa escala entre Durban e Lisboa.
Tenho imensa vontade de lá voltar como turista mas, por razões que agora não interessam, creio que Maputo ficará na história da minha vida, como a cidade encantada que nunca cheguei a conhecer como queria.

As cidades dos outros (17)

A Fê Blue Bird escolheu uma cidade alentejana onde eu também já fui muito feliz.

Sugestão do dia

Visitar o Deserto do Mundo. Depois de uma breve ausência, voltamos a poder desfrutar deste belíssimo oásis.