segunda-feira, 26 de abril de 2010

A insensibilidade liberal

É quando leio notícias como esta que percebo ainda melhor a insensibilidade da direita liberal para a questão dos desempregados.
Não nego que haja pessoas que preferem viver com o subsídio de desemprego, a ter de trabalhar, mas isso não invalida que a ideia de obrigar os desempregados a "trabalhar para a comunidade" seja um rotundo disparate. Não é com demagogia, ou fazendo como a avestruz ,que se resolvem os problemas do desemprego. E muito menos fomentando os salários de miséria.

Cidades da minha vida (16)

USHUAIA
Apreciador de paraísos distantes, cedendo com facilidade aos prazeres de uma vida nómada que me arranque do turbilhão da urbe, “perdi-me” durante meses a explorar a Patagónia e foi com dificuldade que resisti ao apelo de por ali ficar “perdido para sempre”.
A Terra do Fogo foi a escala que escolhi para ponto de partida e não consigo descrever a emoção quando o pequeno avião aterrou em Ushuaia, a “Terra do Fim do Mundo”, colónia prisional para onde eram enviados presos políticos e perigosos bandidos, presos sem grades, porque dali ninguém pode fugir.
Eram quase vinte e três horas (ia a escrever onze da noite!) e um sol pálido espreitando de um céu esplendorosamente azul, esforçava-se por atenuar a temperatura gélida que se fazia sentir, apesar de estarmos em Fevereiro, pleno Verão argentino. À memória vieram-me as crónicas de Fernão de Magalhães quando atravessou o estreito que ainda hoje tem o seu nome e separa a Terra do Fogo do Continente. Nelas expressava o medo dos navegadores em demandar aquelas paragens , “habitadas por caçadores nómadas e salteadores” que descrevia como “criaturas quase repelentes”, opinião que seria secundada por Charles Darwin ao descrever os indígenas como “as criaturas mais abjectas que já vi”.
Confesso que de abjecto, na Terra do Fogo, apenas vi projectos de atentados ecológicos perpetrados por seres pretensamente evoluídos,ligados à indústria farmacêutica e petrolífera, que em nome do progresso ameaçam destruir em poucos anos imensas extensões de líquenes que demoraram milhares de anos a crescer.
Apesar da numerosa população de esquilos, não é a saga destruidora destes roedores que ameaça a Terra do Fogo, mas sim a cobiça das indústrias (especialmente a farmacêutica) e a incúria dos turistas que começavam, embora ainda em reduzido número, a procurar aquelas paragens, onde se desfrutam paisagens de rara beleza e de onde se pode demandar Cape Horn e a Antártida.
Quase senti necessidade de pedir desculpa de pisar terra tão imaculada e foi com um misto de pena e satisfação que, chegado a Cape Horn, decidi desistir da minha viagem até à Antártida, em nome do pudor, pois ao saber as condições em que a visita ia decorrer, achei por bem não engrossar o grupo de turistas(maioritariamente italianos e asiáticos) que aí se deslocavam como autênticos predadores.
Senti -me rapidamente recompensado quando, deixada para trás Ushuaia e a Terra do Fogo, com a beleza do seu Parque Natural e do Lago Fagnano, “desaguei” em pleno Parque Nacional de Los Glaciares, em cujo epicentro se ergue, majestática, essa maravilha do mundo que é o Perito Moreno, glaciar de enormes dimensões e beleza,capaz de provocar cortes de respiração.

Gente gira...

Há gente gira girando por aí . Mas há outra gente…
Há gente que se julga importante não pelo que é, ou pelo que faz, mas pelo cargo ocupado por um dos seus familiares. Gente que dorme descansada depois da sacanice da véspera. Gente capaz de ofender, desrespeitar e humilhar outra gente, porque sente a protecção de quem o guindou ao patamar da impunidade.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente capaz e vender a alma ao diabo, por meia dúzia de patacos e um lugarzito de chefia.Gente capaz de acusar pessoas sem lhe dar oportunidade de se defender e depois aliviar a consciência correndo para a Igreja a rezar 3 Avé Marias.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que teima em dizer que só quer ver os outros felizes, mas pratica a sacanice diária, protegendo-se atrás da imagem pública que conseguiu criar.Gente incapaz de respeitar quem ouse fazer-lhe frente e denuncie a sua hipocrisia.Gente que usa amigos como arma de defesa ou trampolim para subir na vida e depois os ignora.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que cultiva uma imagem de imparcialidade, esconde as suas opções políticas, mas vai fazendo fretes a um qualquer líder que lhe prometa uma recompensa.Gente que traiu quem nela confiou, mas não tem vergonha de se ver ao espelho todas as manhãs.Gente que se serve da imagem de credibilidade que criou em saraus de mentira, para acusar pessoas que ponham em causa a sua honestidade.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que esgrime o seu passado impoluto, para justificar actuações vergonhosas no presente, com as quais pretende garantir o seu futuro.Gente que para tudo tem dois pesos e duas medidas. Gente oportunista, que se refugia nos mails e sms porque é incapaz de olhar a outra gente olhos nos olhos e ouvir as verdades duras que a despertam do seu mundo de fantasia.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que se esqueceu que é gente ou é incapaz de o ser, porque vendeu a alma ao Diabo. Gente que da noite para o dia renega as suas ideologias, em troca de uma migalha de poder.Gente sem vida própria que se comporta como majorette de quem lhe der alguma visibilidade na vida.
Há gente gira girando por aí. Mas Portugal seria bem melhor se o 25 de Abril tivesse acabado com outra gente…

Cuidado com os abutres de 26 de Abril!

Ontem à noite a RTP1 transmitiu - em colaboração com a Associação 25 de Abril-um espectáculo alusivo ao 25 de Abril e ao centenário da República, onde o elo condutor foi a mulher. Ao longo de duas horas e meia, Sílvia Alberto e Júlio Isidro recordaram algumas mulheres que lutaram contra a discriminação ao longo deste século, conjugando episódios dessa luta com canções interpretadas por vozes ligadas a Abril.
Enquanto via o programa lembrei-me frequentes vezes que a sua realização só foi possível, porque ainda há serviço público de televisão. Como muitos já sabem, sou acérrimo defensor da televisão pública, como garante da nossa memória enquanto povo. Quando só houver televisão privada, não teremos a possibilidade de ver programas deste género que, independentemente das críticas de que possa ser alvo, foi um momento simultaneamente lúdico e educativo que contribuiu para preservar a nossa memória e lembrar a forma como evoluiram os direitos da mulher no último século.
Ontem, os canais privados remeteram o 25 de Abril a uma nota de rodapé nos serviços informativos. Uma vergonha! Mas também um susto…
Quando me lembro que o próximo PM de Portugal pode muito bem ser Pedro Passos Coelho, defensor da privatização da RTP e de tudo quanto é público, arrepio-me. O argumento de que quem quiser recordar estes episódios pode sempre ir à Internet (que já vi defendido por jornalistas apoiantes de Passos Coelho) é tão pífio como as mentes que o esgrimem.
Eu sei que a RTP é muito apetecível para os operadores privados – principalmente agora, que as audiências têm subido e, com frequência, ocupa primeiro lugar diário nos shares. Mas, por favor, tenham respeito por quem paga impostos e não quer ver as televisões entregues a interesses corporativos e empresariais de abutres sem escrúpulos, cujo único objectivo é o lucro ganancioso. Para destruir a informação e descredibilizar o jornalismo, já chega alguma imprensa que por aí temos, onde os princípios deontológicos e o dever de informar são mandados às malvas em nome de interesse empresariais, apresentados aos leitores em embrulhos demagógicos de interesse público.
Adenda: a privatização da RTP coloca também a questão de saber qual o destino dos riquíssimos arquivos da estação pública. Será legítimo que esses arquivos vão parar a uma epresa privada?
Este é um assunto demasiado sério, que merece profunda reflexão.Sobre ele me debruçarei oportunamente.

As cidades dos outros (16)

A esta belíssima cidade escolhida pela Zoe, espero ir mais uma vez dentro de poucas semanas. Neste ano é de visita obrigatória

Sugestão do dia

Hoje há Homem ao Mar.