quinta-feira, 15 de abril de 2010

Batalha Naval

Paulo Portas disse que o negócio dos submarinos foi feito pelo governo de Guterres e que se limitou a avalizá-lo, “assinando de cruz”. Sendo Paulo Portas tão zeloso com a coisa pública, causa uma certa estranheza esta negligência. Foi tiro no porta aviões, ou submarino ao fundo?

Cidades da minha vida (9)

Washington DC ( National Mall)
Talvez estranhem esta escolha, mas não podia deixar de escrever sobre uma cidade onde estudei e fui muito feliz, apesar de ter ido para lá um pouco contrariado pois, em 1976, os Estados Unidos não estavam na minha lista de prioridades. Mas aconteceu e o acaso por vezes traz-nos belíssimas surpresas... Não só tenho belíssimas recordações desse tempo, como passei a ter uma visão diferente dos americanos.
Já lá não vou há muitos anos, por isso a visão que vos desse de Washington seria certamente uma visão deturpada. Em passo de corrida, aqui ficam três episódios me ligam a Washington.
Washington D.C. (Downtown)
Primeiro: Foi lá que, depois de uma noite de copos em Georgetown, decidi atravessar os Estados Unidos de costa a costa, percorrendo a mítica Route 66. Demorei alguns anos a concretizar o desejo mas, quando finalmente cumpri, pensei que tinha acabado de ter a maior aventura da minha vida. Felizmente, o futuro reservar-me-ia outras aventuras ainda mais fascinantes
Segundo: Passei lá o 4 de Julho no ano do Centenário, o que foi uma experiência fantástica e inolvidável.
Terceiro:Certa noite passeava com um amigo em Georgetown, em prospecção típica de latinos na casa dos 20, que pensavam ter o universo feminino a seus pés, quando fomos abordados por três “piquenas”, passeando de carro, que nos convidaram a dar uma volta e dançar um bocado. Olhámos um para o outro, um bocado desconfiados, entabulámos conversa para nos certificarmos se não seriam prostitutas. Ao fim de alguns minutos, desfeitas as dúvidas, decidimos aceitar o convite.
Antes de arrancar fizeram muitas perguntas sobre a razão da nossa estadia em Washington e, a determinada altura, quiseram saber onde morávamos. Quando lhes dissemos, puseram o carro em andamento, deram umas voltas por Georgetown e, quando esperávamos que elas fossem parar numa discoteca, ou num bar, começaram a conduzir em direcção à cidade. Protestámos, porque não queríamos ir directos para casa. Antes, era preciso “criar clima”. Entre muita galhofa, explicaram que não estavam vestidas convenientemente para ir a uma discoteca e queriam ir a casa trocar de roupa.
Continuaram a fazer inúmeras perguntas sobre a nossa vida e, entre avanços e recuos que prometiam uma noite animada, apercebemo-nos que estávamos próximos de nossa casa. Comecei a falar com o meu amigo em português. Ambos estávamos desconfiados com aquele abuso e começámos a admitir a hipótese de algo pouco agradável, hipótese que se adensou quando a condutora começou a falar numa linguagem que nos parecia cifrada através de um “walkie talkie”. Chegados à porta de casa, estranhámos a presença de um carro da polícia, mas a dúvida logo se desfez quando a condutora nos disse que as três eram polícias e tinham chamado os colegas para nos identificarem e fazer a confirmação de que tudo o que tínhamos dito era verdade!
Como era possível acontecer uma coisa destas a dois tipos que tinham acabado de viver o glorioso período do PREC e não estavam preparados para estas práticas policiais?
Como não levávamos identificação ( percebíamos agora a razão de uma conversa que terminou com uma delas a pedir para lhes mostrarmos o passaporte, porque nunca tinham visto um passaporte português), um dos polícias acompanhou-me até dentro de casa, de onde trouxe os passaportes. Depois, entre muitos sorrisos, justificaram a sua atitude com a necessidade de protegerem convenientemente os estrangeiros.

Georgetown

“Sabem, é muito perigoso andar pelos sítios onde vocês andavam. Nunca andem a pé à noite, sozihos, em Washington” e blá, blá, blá.
Quando se foram embora, estávamos os dois furiosos. Quase nos iam estragando aquela noite de sábado. Deixámos passar uns minutos, para termos a certeza que já estariam longe e voltámos a meter-nos ao caminho, calcorreando a 23th street em direcção a Georgetown. A penantes, como quase sempre haveríamos de fazer enquanto estivemos em Washington. Quando não tínhamos “boleia” para regressar a casa, suspirávamos sempre que aparecesse a polícia. E a verdade é que isso aconteceu algumas vezes, para nossa satisfação e conforto.

Apesar dos constantes avisos para os perigos de andar a pé à noite, nunca fomos assaltados nem importunados ( excepto pela polícia). Na véspera de nos virmos embora, porém, o meu amigo foi assaltado por volta do meio dia em pleno centro da cidade....
Ah pois, acabei por não vos contar nada sobre a cidade, não foi?
Bem, o Smithsonion, com os belíssimos museus e os reconfortantes jardins, o cemitério de Arlington, a Casa Branca, o Pentágono, o Capitólio, o George Washington Memorial e o rio Potomac ainda lá estão de certeza e merecem uma visita. Quanto ao resto, é melhor não dizer nada, pois podia induzir-vos em erro. Só faço votos para que sejam ( ou tenham sido) tão felizes por lá como eu fui.

Mais vale tarde...

Ontem foi Dia Mundial do Café, efeméride que desconhecia. Não tive tempo para preparar um café como deve ser para oferecer a todos no entanto, não querendo deixar de assinalar o dia, aqui vos deixo este "Cimbalino" um bocadinho requentado... Desculpem lá , mas foi o que se pôde arranjar.

As cidades dos outros (9)

Eu já sabia que esta era a cidade da vida da Annie Hall. Para mim é, também, a mais bela cidade do país de Berlusconi. Uma autêntica peça de museu.

Sugestão do dia

O Bilhete de Ida vai dar agora a outro destino, mas mantém a qualidade de sempre. E depois de umas curtas férias, espera-se ainda mais apelativo.