quarta-feira, 14 de abril de 2010

Não havia necessidade!

Ontem bombardearam-nos com notícias sobre as exigências de Bruxelas a medidas mais rigorosas no PEC. Ouvi 137 economistas apoiar as reacções de todos os partidos da Oposição e afirmar que não estavam nada surpreendidos, porque o PEC era um desastre.
Esta manhã, alguma imprensa avançava com a possibilidade de aumento de impostos, mais cortes nos benefícios fiscais e nas despesas sociais, medidas mais rigorosas para a função pública, com congelamento ( ou mesmo redução)dos salários por um período ainda mais longo do que o previsto.
À tarde Bruxelas deu o aval ao PEC. Palavras para quê?

Igreja lança nova série do Perdoa-me!

Fiquei a saber, através do José Leite Pereira , que 40 anos depois de terem sido condenados como banda satânica, os Beatles acabam de ser "perdoados" pela Igreja Católica. Talvez daqui a mais 40 venha a reconhecer - e condenar- os pedófilos que alberga nas suas fileiras, em vez de os encobrir. Há que ter esperança...

A última medida do PEC

Felizmente vem aí o Papa para nos tirar da crise. O governo vai poupar uns cobres com esta medida porque, em dias de tolerância de ponto, os funcionários públicos perdem o direito ao subsídio de almoço. As contas púbicas vão ficar mais equilibradas.

Cidades da minha vida (8)

Bairro das Fontainhas ( Pangim)
Os meus sentimentos em relação a Pangim, são muito semelhantes aos de Malaca. No entanto, já lá estive meia dúzia de vezes e, cada vez que lá vou, sinto que se perdeu mais um bocadinho da cultura portuguesa.
Podia aqui escrever sobre a estratégia seguida pelo governo indiano para tentar “apagar” os nossos vestígios, ou sobre a forma como nós contribuímos para isso, mas não vou por aí. Podia relatar-vos episódios em tudo semelhantes ao que vivi em Malaca, do bairro das Fontainhas , onde uns amigos brasileiros apanharam, numa noite de sábado, uma bebedeira memorável, da indisposição que lá tive na última vez que lá fui, que me impediu de sair do quarto do hotel durante um dia inteiro, das cálidas águas da praia D. Paula , da minha primeira ida a Goa, com um grupo de jornalistas para acompanhar a visita de um ex-presidente da República, da hospitalidade daquela gente maravilhosa, ou da profunda decepção da minha ex-mulher, (nascida goesa e crescida em África) quando lá chegou . Mas, sinceramente, não consigo falar de Pangim sem falar de Goa como um todo.
Velha Goa ( porta de entrada)
Apesar de ser a capital, não é Pangim isoladamente que me encanta . É aquele conjunto que vai da Velha Goa a Siolim ou a Margão, passando por Bancholim, Valpoi ou Calangute. São aquelas praias maravilhosas, as casas senhoriais de famílias goesas, aquele interior verdejante ainda imaculado com cheiro a Paraíso.
Não consigo dissociar Goa dos livros de Richard Zimmler ( Goa ou o Guardião da Aurora), mas também de Forte Aguada, da Basílica do Bom Jesus, das famílias goesas que por lá ficaram, onde passei serões maravilhosos, ouvindo contar histórias de outro tempo. E sempre que me falam de Goa, recordo um episódio picaresco passado na praia de Colva.
Praia de Colva ( Goa)
Daquela vez tinha ido com um grupo de finalistas do curso de Direito da Universidade de Macau. Alugámos alguns carros e partimos à descoberta da ilha. Era Abril e estava um calor tórrido. Os que iam comigo propuseram uma paragem em Calvo para beber qualquer coisa. Ficámos algum tempo à conversa, a praia estava deserta e a água convidava a um banho. Tinha comido uma bela carilada de caranguejo e não arrisquei.
Fiquei na esplanada com um dos alunos, mas as duas raparigas que iam connosco decidiram mesmo experimentar a água. Ficámos os dois à conversa. Passados uns minutos, olhei para a praia e vi uma multidão de homens formando um círculo. Imaginei de imediato a cena, mas ainda não tinha tido tempo de comentar quando vejo as duas a sair da praia em grande correria. Traziam as toalhas enroladas no corpo e quando chegaram ao pé de nós, ofegantes, nem as deixei falar. Apenas disse:
Quem vos mandou estender-se na areia em biquini?
Claro que uma cena destas hoje em dia, será improvável de ocorrer, mas naquela época, em que o turismo europeu ainda não descobrira as belezas de Goa, duas mulheres jovens ( e não por acaso belíssimas) estendidas no areal de Colva em biquini, não era um espectáculo comum para os indianos de Goa.
PS: Eu sei que desta vez fugi umbocadinho às regras, optando por vos falar de um Estado, e não de uma cidade, mas não poderia deixar de incluir Goa neste meu roteiro pelo mundo.

A pontualidade é uma coisa porreira, pá!

Em Novembro último apareceram num caixote do lixo, perto do Palácio de Justiça, vários processos judiciais com identificação e contactos dos intervenientes. A comunicação social deu grande relevo ao assunto, as pessoas indignaram-se e, como é hábito em Portugal, alguém no Ministério da Justiça mandou abrir um inquérito.
Como também sempre acontece, o caso caiu no esquecimento mas há dias, em meia dúzia de linhas, o “Público” noticiava finalmente os resultados do inquérito, divulgados pelo Ministério da Justiça:“ Tratou-se de um caso pontual”.
Pronto, podemos todos dormir descansados. Continuamos sem saber quem foi o responsável, se foi punido, se foram tomadas medidas para que não voltasse a suceder uma situação destas, mas isso agora não interessa nada. O importante é saber que os funcionários do Ministério da Justiça não têm por hábito acabar o seu dia de trabalho levando para o caixote do lixo alguns processos em curso. Só às vezes. Nos dias maus, quando alguém, farto de alguns processos se desfaz deles da forma mais fácil, enviando-os para o caixote do lixo. Porreiro, pá!

As cidades dos outros (8)

A proposta da Turmalina é quase uma viagem à volta do mundo, com uma conclusão muito interessante que, em parte, também partilho.

Sugestão do dia

É sempre com prazer que entro nestas Combustões. Neste momento "revolucionário" que se vive na Tailândia a sua leitura é imprescindível.