terça-feira, 13 de abril de 2010

Ah, pois é...

Todos se queixam, com razão, dos vencimentos e prémios dos gestores de empresas públicas. O governo ( ainda que tarde e a más horas) propõe travar as remunerações dos administradores dessas empresas. Que fazem os accionistas privados? Recusam essa hipótese. Estou a vê-los, daqui a alguns dias a lamentarem-se aos jornalistas, contra os excessos de gastos do Estado.

Pronúncia do Norte (27)

SAFA=
= BORRACHA


No meu tempo, usava mais as "safas" da esquerda, de função dupla para caneta e lápis . E vocês? Na escola primária usaram a da esquerda, ou a da direita? E diziam "safa" , ou simplesmente borracha?

Cidades da minha vida (7)

Xangai
Xangai era uma das duas cidades ( em breve ficarão a saber o nome da outra) que povoavam os meus sonhos desde miúdo. Só consegui cocretizar o desejo de lá ir em 1990 mas, desde então, voltei lá mais quatro ou cinco vezes- uma delas recentemente.Muito mudou em Xangai nos últimos 20 anos, mas a cidade continua a exercer sobre mim uma magia ímpar.
Esta cidade que no próximo mês acolherá a Expo-2010, é radicalmente diferente da que conheci em 1990. Xangai é o novo paraíso do mesclado capitalismo chinês. Pelas suas ruas circula um elevadíssimo número de automóveis topo de gama, conduzidos por yuppies chinese style, bastante diferentes dos ocidentais, mas notoriamente marcados pelos mesmos gostos, pelas mesmas marcas, pelo mesmo estilo de vida.
No antigo quarteirão francês, chinesas elegantíssimas, vestindo modelos das marcas europeias mais conceituadas, encaminham-se para os restaurantes, acompanhadas de executivos vestidos a rigor, a maioria deles provenientes de Taiwan. A escassos metros, deserdados da fortuna vasculham os caixotes do lixo em busca do sustento do dia. Riqueza e miséria convivem paredes meias, numa demonstração de que o capitalismo chinês não é diferente do ocidental, apenas difere nas roupagens.
A aproximação política entre a Mãe China e o filho rebelde ( Taiwan) fez-se através do capital que se instalou em força nas ruas da grande Metrópole e no caminho para o aeroporto, onde fica o parque tecnológico de Zhangjiang.Ao passar naquela zona, não deixo de recordar que ainda em meados dos anos 90 toda a área era ocupada por campos agrícolas e que os arredores de Xangai ainda apresentavam um ar medieval. Há muitos anos que não me restam dúvidas: a China está a mudar a uma velocidade vertiginosa.
Chego ao centro da cidade, a bordo do combóio Bala- o mais rápido do mundo. Foi construído gratuitamente pela Siemens, na tentativa de convencer os chineses a adoptarem-no. Foi um investimento bem sucedido, como o demonsta o facto de ter sido inaugurada, recentemente, a ligação Pequim/Xangai. Pela janela vejo viadutos que se sobrepõem, torres gigantescas inspiradas na arquitectura ocidental, hotéis de 5 estrelas das mais prestigias cadeias internacionais, o bairro de escritórios de Pudong, estaleiros imensos ultimando os peparativos para a Expo-2010, lojas das mais prestigiadas marcas europeias e americanas e duvido se não terei acabado de chegar a Nova Iorque. Os painéis publicitários, piscando em milhões de lâmpadas multicores onde se lêem caracteres chineses, desfazem-me todas as dúvidas. Apenas uma questão me fica a bailar nos neurónios: o que levou os chineses a abandonarem o seu isolamento secular, a prescindir da sua impermeabilidade à nefasta influência estrangeira e abraçar, de peito aberto, a volúpia ocidental? Admito que ainda vá demorar alguns anos a encontrar a resposta.Não me restam, porém, quaisquer dúvidas de que a velha China urbana, de cidades escuras e silenciosas pela noite está enterrada . Ou talvez não...



Xangai ( cidade velha)
Mergulho na cidade velha de Xangai e recupero uma parte da China de outros tempos. Naquele espaço respira-se sensualidade, ouve-se o barulho inconfundível das pedras de mah-jong e pairam no ar os cheiros de uma cultura milenar. Mas onde antes estavam casas de chá, se fumava ópio ou jogava xadrez, agora há estabelecimentos de marcas europeias conceituadas, misturadas com aquilo a que se pode chamar comércio tradicional. Apenas as fachadas, hábil e pacientemente retocadas, nos devolvem a poesia da Dama de Xangai. Nessa época, porém, Xangai já consumia mais energia eléctrica que Londres ou Paris.
Decido ir jantar ao Peace Hotel( talvez o mais emblemático hotel da China) para me deixar envolver pelo espírito dos anos 30, com o som de uma orquestra de jazz em fundo. Azar! Está encerrado para obras e só reabrirá em final de Abril,nas vésperas da Expo-2010. Afiança-me o guia que não vale a pena pensar em fazer reservas, porque a lotação está esgotada para todo o período da Exposição.
Mas sobre a Expo-2010 escreverei num outro dia.

Conversas com o Papalagui (45)

-Eh tuga, cada vez gosto mais do teu país!
-Então porquê?
-Por causa da Justiça...
-Mas nós, portugueses, estamos sempre a criticar a Justiça e vens agora tu dizer que ela é boa?
-Claro! Podes indicar-me outro país no mundo onde um tipo condenado por homicídio a 20 anos de cadeia, possa sair em liberdade condicional ao fim de 5?
-E achas isso bem?
Claro que acho. Isto é o que se chama um país tolerante, que dá aos criminosos novas oportunidades. Imagina, por exemplo, que eu quero matar um tipo, mas falho à primeira. Se for condenado a 5 anos, um ano mais tarde posso tentar de novo e se depois apanhar 25, ao fim de mais seis volto a sair em liberdade. Não acha que vale a pena viver num país assim?

As cidades dos outros (7)

A proposta da Maria Teresa é de uma cidade que fica numa região que há muito gostava de ter visitado. A descrição abriu-me ainda mais o apetite, mas ainda não será este ano que vou cocretizar esse desejo. Infelizmente...

Sugestão do dia

Com a luz acesa ou apagada, este blog mantém a qualidade a que sempre nos habituou. Anda apenas um bocadinho mais peguiçoso. Será para poupar energia?