quarta-feira, 7 de abril de 2010

As inocências da Brites

Um casal britânico foi preso no Dubai e condenado a um mês de prisão, por se ter beijado num restaurante. Diz a sentença que se tratou de "acto sexual em público". Eh pá, gosto destes gajos que ainda acreditam que as criancinhas vêm de Paris no bico de uma cegonha!

Geração chiclete


Os governos de Sócrates ficarão para a História como os que protagonizaram a mais feroz perseguição aos funcionários públicos de que há memória.
Sócrates não percebeu nunca o papel da Administração Pública, reduzindo-a a uma agência de empregos onde colocou alguns peões, protegeu e beneficiou amigos. Num dos próximos dias trarei aqui a minha opinião sobre a função pública mas, por agora, apenas pretendo opinar sobre os erros grosseiros de Sócrates.
Ao utilizar os funcionários públicos como forma de demonstrar ao país a sua força, o PM cometeu vários erros. É fácil mostrar força e determinação "malhando" num grupo de pessoas que tem fraquíssimo poder reivindicativo e onde muitos activos encaram o seu trabalho como uma " mesada" paga pelo Estado. É popular denegrir os funcionários públicos, quando a opinião pública tem deles uma péssima opinião e se compraz com a degradação da sua qualidade de vida.
Sabedor do terreno que estava pisar, Sócrates não hesitou em aproveitar a tradicional inveja dos portugueses para brilhar. Tirou-lhes regalias, congelou-lhes os salários, cerceou a progressão na carreira aos ditames do compadrio e, finalmente, penalizou-os de forma absolutamente infame nas reformas, mudando as regras contratuais quando muitos estavam a chegar ao final da sua carreira.
Sócrates agiu como um batoteiro e isso fica muito mal a um PM, mas ele sabe muito bem como os portugueses gostam de batota, por isso encolheu os ombros e seguiu em frente. Esqueceu-se de um pormenor... entre os funcionários públicos há muitos médicos que decidiram antecipar a sua reforma, desestabilizando o Serviço Nacional de Saúde. Ao constatar o erro, agiu como faz qualquer batoteiro. Propôs regras específicas para os médicos, acenando-lhes com a reforma por inteiro, desde que regressem ao serviço. A maioria dos médicos mandou-o às urtigas, possivelmente porque, para além de saberem o seu poder reivindicativo, não acreditam nas promessas de um PM que, em qualquer altura, muda displicentemente as regras do jogo, rasgando os acordos.
Quanto aos restantes funcionários públicos que começaram a meter reformas antecipadas a um ritmo nunca visto, Sócrates esfrega as mãos de contente. Vai substituí-los por estagiários que, durante um ano, trabalharão como escravos na mira de uma entrada para os quadros e, ao fim desse tempo, manda-os embora e substitui-os por outros. Claro que alguns, por força dos empenhos partidários, amiguismos e "concursos à medida" conseguirão entrar para os quadros, beneficiando da regra de " uma entrada para cada duas saídas". Os restantes irão engrossar a "geração chiclete" que se usa e deita fora com a displicência de quem está a desfazer-se de lixo não reciclável.
É esta a nova via para o socialismo engendrada por Sócrates e "sus muchachos" , que continuará a agir convicto de não haver ninguém com capacidade de o enviar para reciclagem.

Cidades da minha vida (3)

LONDRES

Foi a primeira cidade estrangeira onde vivi, primeira escala na minha vida de andarilho. Dela guardo inúmeras recordações da minha juventude mas agora, quando lá vou, sinto que perdeu a magia da década de 70 e deixou de ser a cidade de referência para os jovens europeus. Apesar de ter funcionado na minha vida como uma espécie de talismã, também foi madrasta, estando associada à morte de alguém que me era muito querido.
Será por isso um episódio mais ou menos caricato que vou partilhar convosco.
Em Dezembro de 2002 fui lá fazer a passagem de ano. Tencionava passar a meia noite na rua, em Trafalgar Square, mas ao final da tarde do dia 31 começou a chover copiosamente. Um casal amigo convenceu-me a ir jantar à casa do FC do Porto em Londres. Apesar de ser fervorosamente Dragão, era o último sítio onde me apetecia passar a meia noite, por isso avisei logo que iria jantar, mas depois me pirava para um pub em Chelsea.
Lá fui. O jantar prolongou-se mais do que seria desejável, com mais bebida do que comida e quando dei por mim faltavam poucos minutos para a meia noite. Não querendo correr o risco de entrar em 2003 dentro de um táxi ou nos transportes públicos, bebi o tradicional champagne e comi as passas rodeado de fervorosos adeptos do FC do Porto. Pediram-me para fazer um brinde, na qualidade de adepto a viver em Portugal. Claro que brindei aos sucessos do nosso clube. Nessa altura, alguém propõe uma aposta: o FC do Porto venceria a Taça UEFA nesse ano. Mais eufórico e optimista do que me é habitual, subi a parada, apostando na vitória na Liga dos Campeões em 2004.Ninguém aceitou a aposta, atendendo ao facto de eu estar um pouco toldado. Tive azar… não é que o FC do Porto ganhou mesmo a Taça UEFA e a Liga dos Campeões, coisa em que nem eu, em estado sóbrio, acreditava?

Elixir da Juventude

Uma das notícias de hoje na nossa imprensa é o regresso de Herman José à RTP, que eu já noticiara aqui há três semanas. Mas não é para me gabar disso que escrevo este post. A razão é muito mais prosaica e tem a ver com o artigo de Nuno Azinheira hoje no DN, ( ainda não disponível on line) que li com a sensação de estar a beber a poção do "elixir da juventude".
Escreve ele, que os maiores fãs de Herman, hoje em dia, estão entre os 30 e os 40 anos, a geração que cresceu com "O Tal Canal" e "Humor de Perdição".
É verdade que já era crescidinho nessa época, mas continuo a considerar "O Tal Canal" como um dos melhores programas de humor alguma vez produzidos em Portugal. Isso não me impede de considerar o actual Herman um tipo brejeiro, que recorre à piada fácil e à ordinarice para conquistar audiências.
Aguardo, porém, com grande expectativa, o regresso de Herman em modelo "talk show" de curta duração. Tenho um pressentimento que será um grande sucesso de audiências. Mas, se me enganar, espero que o Nuno não me considere um velho caduco, à espera de depositar as minhas cinzas no Rio da Prata.

Evocação dos moinhos

Comemora-se hoje o Dia Nacional dos Moinhos. Quando era miúdo tinha um enorme fascínio por moinhos, fossem eles de vento ou de maré. Sempre que passava por algum, deixava a imaginação voar lá para dentro e sonhava em transformá-lo em habitação. Estive quase a concretizar o sonho no final dos anos 70 mas, quando um casal amigo comprou um e o transformou no seu ninho de fim de semana, percebi que o melhor seria mesmo poder frequentar os moinhos dos outros.
Nessa altura também já perdera o misticismo pelos moleiros que pensava serem trabalhadores braçais de vida dura, que nunca abandonava o moinho. Conhecera alguém que tinha uma dúzia de moinhos e pedi-lhe para falar com um moleiro. O pedido foi satisfeito mas quando cheguei à fala com o moleiro tive uma enorme decepção. Afinal ele não vivia no moinho. Nem sequer lá trabalhava. A conversa no entanto foi útil, porque desfez alguns mitos que eu construíra desde miúdo.
Aquele moleiro com quem conversei ao longo de umas horas num café em Ribamar explicou-me que a sua função era supervisionar os moinhos do proprietário, contratando gente para lá trabalhar e garantindo que quem lá trabalhava cumpria com afinco a tarefa de manejar os engenhos. Fiquei a saber que as coisas se passavam assim há muitas gerações e que o moinho era apenas mais um lugar onde a exploração do trabalho era feita em cadeia, sendo o elo mais fraco o “bandeja”, um trabalhador rural vindo do interior do país em demanda de melhores condições de vida.
Desde então perdi parte do fascínio pelos moinhos, mas ainda guardo na memória a recordação daquele seu rumorejar tão típico, que faz parte dos sons oníricos da minha infância.
Num futuro próximo, estes serão os únicos moinhos que as crianças conhecerão. Pergunto-me se vão despertar os mesmo sonhos e devaneios das crianças do meu tempo. Uma coisa tenho a certeza. Nenhuma criança sonhará em viver num destes moinhos, nem se deixará iludir pela figura mítica do moleiro. Ou estarei enganado?

As cidades dos outros (3)

A escolha da Papoila surpreendeu-me. Conheço mal a cidade, mas sei de alguém que costuma visitar o Rochedo e vai adorar a escolha.
Aviso:Estou muito satisfeito com a adesão que o meu desafio tem suscitado junto dos leitores, cuja participação uma vez mais agradeço. Entretanto, aproveito para responder a todos os que tiveram dúvidas: os posts sobre as cidades das vossas vidas deve ser editado nos vossos blogs. Peço-vos é que me avisem quando o fizerem, pois não tenho possibilidade de visitar diariamente todos os blogs e pode-me escapar algum.
A divulgação dos vossos posts será feita por ordem de chegada.

Sugestão do dia

Levar "A Carta a Garcia"