terça-feira, 6 de abril de 2010

Os amigos de Alex



Durante o fim de semana tive oportunidade de me encontrar com alguns amigos da juventude. Há muito tempo que não nos reuníamos, porque a nossa vida de andarilhos tem dificultado o encontro conjunto. Aconteceu. A Páscoa é uma boa altura para estes encontros. Poucos ligam à data, apenas pretexto para um almoço de família no domingo. De preferência na aldeia onde a casa de um avô serve de albergue.
Foi na casa de um avô que nos encontrámos na tarde de sábado. Livres de filhos, maridos e mulheres, conversámos descontraidamente como naqueles tempos em que frequentávamos a Faculdade. Tertúlias a pretexto de nada, conversas fluindo ao ritmo de cerejas colhidas numa tarde de Maio, música de fundo, perfumes esquecidos espraiando-se no ar.Foi assim nesta tarde de Abril. Trinta anos depois de as nossas vidas se terem inexoravelmente separado, para apenas se encontrarem pontualmente. Opções partidárias, cuja diferença um outro Abril longínquo vincou, rumos de vida unidos apenas pela escolha da partida para outros países. Experiências de vida partilhadas entre a Europa, Ásia, África, Estados Unidos e América Latina. Opções entre a vida familiar e o celibato. Perspectivas de futuro diferenciadas consoante as opções políticas de cada um. Mas neste grupo heterogéneo, moldado na forma de um Estado Novo que Abril fez desabrochar para a vida, há um elo comum que parece indestrutível: a amizade. Respeitamos as diferenças de cada um, em memória de um passado que nos uniu. Compreendemos as fraquezas, reconhecemos até algumas traições aos nossos percursos, mas recusamos o conflito, a crítica gratuita e não levantamos o dedo acusador em direcção a quem optou por caminhos que não se cruzaram com os nossos.
Já a tarde se encaminhava para o seu encontro ritual com a noite, quando alguém irrompeu pela sala. Fez um gesto com a mão como querendo dissipar a nuvem de fumo que pairava no ar e perguntou:
“ Posso interromper os amigos de Alex? É só para saber se querem comer alguma coisa…”
Recusámos. Estávamos sobejamente alimentados pela conversa que mantínhamos desde o princípio da tarde. Olhámos para os relógios. Era hora de cada um partir para o seu destino. Ao encontro das suas famílias. Ou da solidão. Tinha combinado um encontro num bar com amigos de outros tempos mais recentes. Telefonei a anunciar que não iria comparecer. Não quis macular o prazer de uma tarde de sábado, num encontro com gente que não faz parte da minha história de vida. Tive medo da ressaca. Fui para casa curtir.

Cidades da minha vida (2)




Buenos Aires
Camiñito ( La Boca- Buenos Aires)
Não sei se é possível ser possuído por uma cidade, mas é isso que sinto em relação a Buenos Aires. Quando lá estive pela primeira vez, tive a sensação de já conhecer a cidade há muito tempo, como se tivesse reencontrado um amor entretanto perdido. Quando me perguntam a razão deste amor eterno, respondo assim.
No entanto, há muitas outras razões para explicar esta paixão, extensiva a toda a Argentina. Como esta, ou esta e ainda esta mas também muitas outras aqui já descritas ou em vias de serem divulgadas por outra via.

À boleia da indignação alheia


Os vencimentos e prémios pagos pela EDP a António Mexia são um ultraje a todos os portugueses que, em época de crise, ainda se vêem obrigados a contribuir com os seus impostos para pagar as mordomias dos gestores públicos? São.
As reacções indignadas de António José Seguro ou Mira Amaral merecem o meu aplauso? Não. Custa-me a crer que ambos tivessem tido conhecimento desta situação pelos jornais. Já a conheciam há muito e agora aproveitaram a boleia da imprensa para se indignarem e capitalizar simpatias. A ambos dou uma sugestão: divulguem o que sabem sobre casos similares antes de virem a público e indignem-se com as reformas milionárias permitidas pelos governos do Centrão. Insurjam-se contra as penalizações às reformas perpetradas pelo governo de Sócrates, na esteira da prática iniciada por MFL. Exijam que os governos reponham a legalidade e denunciem publicamente a batota da alteração das regras das reformas que atingiram milhares de funcionários públicos que, a escassos anos de se aposentarem, viram as suas reformas cortadas drasticamente, sem terem possibilidade de recorrer aos PPR que lhes permita completar o que o governo lhes roubou. Exijam a reposição da fraude. Denunciem as situações de escandaloso favorecimento que são as reformas dos deputados. Apresentem propostas para acabar com os salários e prémios escandalosos de gestores públicos. Ganhem credibilidade pela acção e recusem o caminho fácil de alinhar nas críticas da comunicação social, procurando o apoio de alguns incautos, crentes na boa fé da vossa indignação.
De indignados estamos todos fartos. Queremos pessoas que ajam!

As cidades dos outros (2)

Do blog Desvios recebi este contributo para o desafio "Cidades da Minha Vida". Uma visão muito próxima da que também tenho sobre a cidade onde cresci. Obrigado pela participação.

Sugestão do dia

Hoje sugiro-vos uma "Conversa avinagrada" para temperar o vosso dia.