segunda-feira, 29 de março de 2010

Que fazer com a vitória?

Como sabem estou há uns dias fora de Lisboa, o que equivale a dizer que estou fora do país. Na verdade, estar na China, nas Astúrias ou nos arredores de Bragança é a mesma coisa. As notícias sobre a política portuguesa são pouco estimulantes e têm um peso diminuto na vida das pessoas que vivem nessas paragens. Daí, que só ontem à noite tenha ido à Internet para saber quem ganhou as eleições no PSD.
Não fiquei surpreendido com a vitória de Pedro Passos Coelho. Para desgosto de MFL, os militantes do PSD desta vez escolheram mesmo pela aparência e presumo que alguma blogosfera tenha exultado com o feito. Como a escolha do novo líder do PSD me é (quase) tão indiferente como a um chinês, um asturiano ou um bragantino, não fui aos blogs dos apoiantes de PPC ( nem aos outros) ler as reacções que, presumo, terão sido disfarçadamente eufóricas. Estava na hora de ir dormir e por isso apenas tive tempo para tentar reflectir um pouco sobre a importância da vitória de PPC para o país. As conclusões que tirei não foram brilhantes, mas aqui ficam em jeito de resumo:
1- Os portugueses viram-se livres da política de maledicência protagonizada por MFL- o que em termos de higiene mental não deixa de ser uma boa notícia- mas parece-me parco consolo para um país em crise.
2- A vitória de PPC terminou com o cavaquismo no PSD, sendo por isso uma derrota do PR. Continua a ser pouco, porque o novo líder do PSD, para assegurar a sua manutenção à frente do partido, não terá outra solução que não seja apoiar a candidatura de Cavaco às presidenciais de Janeiro próximo.Como reagirão então os seus apoiantes?
3- Pedro Passos Coelho é o candidato que Sócrates mais temia, mas será uma alternativa credível a Sócrates? Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, em tempos, que PPC era uma nova versão de Sócrates, mas para pior, o que não pode deixar nenhum português tranquilo.
4- Pedro Passos Coelho é ultra –liberal e, se um dia vier a ser PM, os portugueses podem contar ainda com mais privatizações e o aniquilamento do que resta do Estado Social.
5- Pedro Passos Coelho cresceu na JSD, a mesma escola política de Sócrates, que como se viu ( e pode ser confirmado em alguma blogosfera) não é uma escola muito recomendável. Irá fazer ao PSD o que Sócrates fez ao PS? Ora aí está uma questão em que vale a pena pensar um pouco…mas que apenas preocupará os militantes do PSD.
6- PPC não vai ter vida fácil para chegar a PM. Cavaco não morre de amores por ele e não lhe irá dar de mão beijada a oportunidade de chegar ao poder, através de eleições antecipadas. Assim sendo, se Sócrates não continuar a persistir nos seus erros, o mais provável é que tenha de esperar até 2013. Resta saber se, até essa data, PPC conseguirá criar uma imagem de confiança, junto dos portugueses, que lhe confira a força de uma alternativa credível a Sócrates.
7- PPC não é deputado, a maioria do grupo parlamentar do PSD não lhe é afecta e vai ser interessante verificar se tem estaleca para dominar os barões do seu partido.
8- Tendo-lhe sido recusada por MFL a possibilidade de ser eleito deputado, como é que PPC vai conseguir fazer passar a sua mensagem, fora do principal palco de debate da política portuguesa? É certo que não lhe faltam apoios na comunicação social e na blogosfera, mas serão suficientes para lhe garantir uma vitória eleitoral?
9- Que irá fazer PPC para tentar apaziguar as hostes rangelistas que não deixarão de conspirar contra ele nos bastidores?
10- PPC não tem muito espaço de manobra. Por um lado precisa de tempo para se afirmar no país ( a vitória esmagadora nas eleições internas não deverá colocar em causa a liderança do PSD para já), mas se esperar até final da legislatura para se apresentar ao sufrágio dos portugueses, corre o risco de ser apeado pelos seus opositores internos.
11- Quais são as propostas alternativas de PPC ao famigerado PEC? E quais são as suas propostas para fazer o país sair desta crise? Qual irá ser a sua relação com o CDS que vê na sua vitória um travão ao crescimento que vinha conseguindo graças à liderança desastrosa de MFL?
Nada sabemos, sobre as respostas a estas questões, mas é sobre uma eventual alternativa que os portugueses se irão pronunciar em futuras eleições. Seria conveniente que começasse desde já a esclarecer os portugueses sobre as dúvidas que justamente colocam.
12- Por tudo isto, não me parece que a blogosfera que apoia PPC com alguns laivos de misticismo do Salvador da Pátria tenha grandes razões para sorrir. Mas na quarta-feira, de regresso a Lisboa, vou confirmar.

Os "negócios" de Blair


Tony Blair, o ideólogo da Terceira Via - agora "vendedor" da Vuitton- compincha de Bush com quem combinou a invasão do Iraque baseado em provas falsas, é um trapaceiro profissional.
Soube-se há dias, que o ex–primeiro ministro inglês, cujo nome chegou a ser ventilado para presidente da Comissão Europeia, recebeu comissões milionárias de investidores do Kuwait e da Coreia do Sul, a quem forneceu informação estratégica sobre exploração petrolífera, obtida graças ao cargo que exercia.
Embora não seja novidade esta promiscuidade entre poder político e interesses económicos ( Dick Cheeney, Frank Carlucci ou Gerard Schroeder também constam da lista de políticos que acumulam as funções governativas com a de informadores de grandes empresas) fica a perceber-se melhor que os interesses dos políticos que elegemos democraticamente não é a defesa dos interesses dos seus povos, mas sim os das empresas que lhes pagam principescamente, para obterem informação privilegiada para os seus negócios.

Portugal no feminino (21)

Teresa Ricou
( "mulher-palhaço")


O nome de Teresa Ricou é indissociável de "Chapitô". Foi ela que criou esse espaço de magia e de sonho, que é também um espaço de solidariedade que deu a Lisboa uma nova dimensão.

Foi durante muito tempo conhecida apenas como a "mulher-palhaço", mas a paixão de Teresa Ricou sempre foi o circo. E foi pelo amor ao circo que na encosta do Castelo decidiu criar o "Chapitô", um exemplo marcante do que de bom nos trouxe o 25 de Abril.

Numa época marcada por movimentos artísticos inovadores e criativos, com uma forte componente de intervenção sócio-cultural, o "Chapitô" começou por ser ( 1981) uma colectividade cultural e recreativa como tantas outras. Só mais tarde surgiria a Escola de Circo Mariano Franco, cujos objectivos se foram alargando e estiveram na origem da Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo.

Da intervenção social junto de centros educativos resultou a criação da Casa do Castelo que acolhe jovens necessitados de apoio que a instituição ajuda a construir um futuro. Hoje, o Chapitô é um polvo de solidariedade, que estende os seus tentáculos a diversas áreas de apoio social e educativo. Mas a sua actividade não pára e já estão em marcha novos projectos que darão ao Chapitô ainda maior dimensão.

Tudo isto nasceu da ideia desta mulher, filha de boas famílias, que não se aconchegou ao berço de ouro onde nasceu. Tinha um projecto diferente do que aquele que o destino aparentemente lhe tinha traçado e fez questão de o concretizar. Rodeou-se das pessoas certas e embarcou no projecto de concretizar sonhos. O dela e os de muitas crianças que,sem o Chapitô, teriam mais dificuldade em contrariar o destino.

Blogs no feminino (21)

A Helena e Cátia juntaram-se e fizeram A Conspirata