sexta-feira, 26 de março de 2010

Portugal no feminino (20)

Ivone Silva- actriz
(1935-1987)

"Com um simples vestido preto, nunca me comprometo" , foi uma frase criada por Ivone Silva que rapidamente foi adoptada e repetida à exaustão pelos portugueses.

Quem ficaria comprometido seria eu se terminasse esta rubrica sem uma homenagem à mais talentosa e versátil actriz de revista que os portugueses conheceram. "Manicure" em França, Ivone estreou-se no teatro apenas em 1963, na revista "Vamos à festa", que esteve em exibição no ABC ( Parque Mayer).

Morreu pematuramente, deixando um vazio que nunca mais foi preenchido, mas permanecem vivos na memória de todos, alguns dos momentos mais marcantes do teatro de revista, ou o célebre dueto que protagonizava com Camilo de Oliveira na RTP1, no programa "Sabadabadu"

A greve da TAP


Fernando Pinto disse que as greves são do século passado. Atendendo a que uma afirmação deste jaez é própria de um troglodita, lembro ao administrador delegado da TAP (que tivemos de ir buscar ao Brasil, por razões que ultrapassam a minha capacidade de raciocínio),que a greve é a única forma de protesto que resta aos trabalhadores, antes de entrarem na via do desespero que pode conduzir a convulsões sociais que ninguém deseja. Quer isto dizer que compreendo a greve dos pilotos da TAP? Nem de longe, nem de perto… mas aceito-a como um direito inalienável dos trabalhadores. Mas se alguém me conseguir explicar, muito bem explicadinho, por que razão uma das classes profissionais mais bem pagas deste país ( salários mensais a rondar os 8500 euros, acrescidos de uma série de regalias pessoais e familiares) se prepara para fazer uma greve de seis dias, talvez mude de opinião.Até lá, proponho-vos uma reflexão: justifica-se a existência de um sindicato dos pilotos?
Dou desde já a minha opinião sincera e frontal. Não!A génese dos sindicatos radica na luta de classes, quando hordas de trabalhadores explorados perceberam que era chegado o momento de dizer basta a um patronato que pagava salários de miséria e exigia horários laborais indignos. Dir-me-ão que retrocedemos e voltamos a esses tempos. Certo! Mas isso não se aplica aos pilotos. Têm salários principescos e não se pode dizer que o horário de trabalho seja muito exigente. Como se justifica que exijam aumentos salariais de 7,9%, quando a maioria dos trabalhadores portugueses tem os seus salários congelados e os restantes trabalhadores da TAP vão ter um aumento ( acordado entre administração e sindicatos) de 1,8%? A resposta é simples: os pilotos são profissionais privilegiados , sem consciência de classe, que utilizam o sindicato como arma de arremesso. Marcar uma greve de seis dias para um período em que a TAP mais factura, é contribuir para a destruição da empresa – que é uma das marcas portuguesas de maior prestígio além fronteiras- e pôr em causa os postos de trabalho de milhares de trabalhadores. É falta de consciência política e social.
Chamem-me o que quiserem, mas não posso deixar de dizer isto: a legislação que permite a classes privilegiadas organizar-se em sindicatos para boicotar e destruir uma empresa, equivale a oferecer uma arma a um bandido que pretende assaltar um banco. Há certas classes profissionais a quem o sindicalismo deveria estar vedado. Urge alterar a legislação e proceder à higienização da democracia que o ultraliberalismo selvagem reduziu a um conceito balofo. A greve da TAP não é luta de trabalhadores. É luta de um grupo de privilegiados que conspurcam a democracia, aproveitando de forma ignóbil ( e oportunista)os mecanismos que ela criou para defender os mais desfavorecidos.
Adenda: Este post foi pré agendado e pode acontecer que entretanto a greve da TAP tenha sido cancelada. De qualquer modo, a questão de fundo aqui abordada continua a ser pertinente. Sindicatos dos pilotos: sim ou não?

Blogs no feminino (20)

Embora esta série seja dedicada a blogs femininos que descobri recentemente, hoje abro uma excepção e indico-vos um que já conheço há bastante tempo, cuja autora vive numa das mais belas cidades portuguesas, de que guardo maravilhosas recordações. Da minha juventude, mas também de momentos bem recentes. Para quem ainda não conhece, aqui fica a sugestão de uma ida até Viana do Castelo, onde está a bacouca