domingo, 21 de março de 2010

Brites no Congresso do PSD

Não tenho aparecido por aqui, porque nos últimos tempos tornei-me fã de um espectáculo de circo que está montado ali em S. Bento.
Nem imaginam o que me tenho divertido com uns tipos que por lá aparecem! Um dia apareceu um senhor a fazer propaganda a uma t-shirt feiota ( não gosto de t-shirts brancas) e a distribuir uns papéis pela assistência enquanto rezava uma oração que devia ser muito engraçada, porque havia muita gente a rir-se. Eu não me ri, porque só percebi a parte final em que ele dizia que não o deixavam escrever nos jornais e andava a ser perseguido porque não havia liberdade de expressão.
No dia seguinte apareceu outro senhor a dizer que o homem da t-shirt se fartava de lhe telefonar a meter cunhas e depois veio outro muito gabarolas que só dizia: " O Sócrates esteve a falar comigo ao telefone durante uma hora". Vi logo que era tanga, porque no tempo do Sócrates não havia telefones, mas ri-me bastante, porque a ideia me pareceu muito original.
Também vi por lá uma senhora com uma boca muito grande e olhos esbugalhados ( que eu até ja conhecia das revistas cor de rosa e me parece muito fixe, porque gosta tanto da noite, que até meteu atestado médico para a poder gozar melhor). Durante duas horas contou anedotas muito engraçadas. Uma delas metia o Rei de Espanha, mas não vou contar aqui, porque a achei um bocado ordinarota ( a anedota, não a senhora, coitada).Nos últimos dias aquilo ficou mais aborrecido, mas quando eu pensava voltar a aparecer por aqui, veio o congresso do PSD e lá fui eu para Mafra.
Confesso que não estive lá muito tempo porque, depois de tantos dias de chuva, passar aquele fim de semana de sol fechada num pavilhão, não me pareceu boa ideia. Fui para a Ericeira onde encontrei muita gente que devia estar no congresso, pelo que não notei grande diferença.
Tive pena de não ver aquele momento em que a MFL foi ao encontro de uma câmara de televisão, com a intenção óbvia de manipular a informação, mas felizmente estava no pavilhão quando foi aprovada aquela coisa da "Lei da Rolha". Digo-vos uma coisa... na altura não me pareceu nada estranho, mas quando comecei a ouvir os candidatos à liderança do PSD a protestar e a falar de "liberdade de expressão" pisguei-me logo dali e fui procurar um computador, para me ligar à Internet. É que imaginei que, naquele preciso momento, alguém deveria estar a redigir uma petição em defesa da liberdade de expressão e a convocar uma manifestação para a sede do PSD. Ora eu, que sou contra qualquer tipo de Censura, queria ser a primeira subscritora da petição.
Como sabem, foi tempo perdido... já lá vai uma semana e ainda ninguém convocou nehuma manif de protesto. O melhor, se calhar, é telefonar àqueles jeitosos que organizaram a outra "manif" a favor da liberdade de expressão, porque desta vez deviam estar todos distraídos e ninguém se deve ter apercebido da "Lei da Rolha". Às tantas, até houve algum deles que a aprovou... mas com aquele solzinho bom do fim de semana quem é que ia prestar atenção aos detalhes dos Estatutos?

Hoje é Dia Mundial da Floresta*

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Floresta. Aproveitando o facto de ser domingo, convido-vos a reflectir um pouco sobre a relação que cada um de nós mantém com a floresta.
Não interessa agora discutir se a opção do Estado Novo pelo pinheiro bravo foi um erro, por ser uma resinosa altamente combustível, contribuindo para que, depois da emigração dos anos 50, 60 e 70, essas áreas deixadas ao abandono, tenham feito aumentar o risco de incêndios florestais.
Também não vou agora pôr em causa a opção pelo eucaliptal que trouxe outro tipo de problemas.
Importa é que nos centremos na realidade portuguesa. E a realidade é esta:
Em Portugal, 8 por cento da área florestal é constituída por baldios na posse do Estado e mais de 90 por cento está nas mãos de proprietários individuais ( são cerca de 500 mil!), muitos dos quais não têm qualquer interesse na sua exploração. Há parcelas tão pequenas, que a sua exploração pelos proprietários não é rentável, mas se um conjunto de pequenos proprietários se organizar ou entregar a gestão das suas parcelas a cooperativas, há maior racionalidade e rentabilidade, porque se reduzem os custos de exploração e manutenção. Dir-me-ão que estou a esquecer o individualismo dos portugueses e não deixo de vos dar alguma razão.
No entanto, uma boa campanha de sensibilização pode levar muitos pequenos proprietários a organizarem-se em cooperativas, em vez de deixarem as suas parcelas ao abandono. Caso não o façam voluntariamente, devem ser obrigados a ceder os seus terrenos para o domínio público, ou a entregar a sua gestão a cooperativas. Neste caso, manteriam a posse dos terrenos, mas a gestão seria assegurada pela cooperativa. Cada associado ficaria com uma conta corrente com a cooperativa e poderia pagar a prazo as despesas efectuadas, através da venda dos produtos. Isso, porém, exigiria que o Estado garantisse às cooperativas o financiamento necessário. No caso de o Estado optar por ficar com a posse administrativa dos terrenos, entregaria a sua gestão às cooperativas e seria ele a pagar as despesas...Esta proposta não é minha… foi-me avançada pelo presidente da Fenaflorestas ( Federação Nacional das Cooperativas Florestais) durante uma entrevista que lhe fiz sobre os problemas da floresta portuguesa. Parece-me uma boa ideia… E vocês que têm a dizer sobre este assunto?
* Também se asinala hoje o Dia Mundial da Poesia. Se tiver tempo, engenho e arte, mais logo venho aqui falar-vos de poesia