quarta-feira, 17 de março de 2010

Humor regressa à RTP


Estafado o modelo do "Dança Comigo" ( em quase todas as posições) e de uns pindéricos concursos de famílias que pretendiam reavivar - sem qualquer hipótese de sucesso, obviamente- "A Visita da Cornélia", a RTP vai regressar ao humor nas noites de fim de semana.
Ainda sem datas de início anunciadas, sabe-se que as noites de sábado irão ser preenchidas com um " talk show" de Bruno Nogueira ( um dos Contemporâneos) e as de domingo com Hermann José.
Depois da decepção que foi a sua passagem pela SIC, Hermann terá agora oportunidade de mostrar que ainda não está acabado e continua a ser capaz de fazer humor sem recorrrer à ordinarice vulgar e ao palavrão fácil. Será capaz de recriar figuras como Tony Silva ou Serafim Saudade e as suas "yes girls", tão actuais agora, como na época em que Herman as concebeu?

O Bordel

Bordel ( Nadir Afonso)

Um destes dias penso escrever sobre o PEC. Hoje, apenas queria dizer que lamento viver num país onde um governo socialista obriga os mais pobres a pagar a crise.
Lamento viver num país onde o governo, que se proclama socialista, permite que os gestores públicos recebam vencimentos e prémios pornográficos, que são um insulto a quem trabalha, e reduza drasticamente as pensões, os subsídios de desemprego e as despesas sociais.
Lamento viver num país onde o governo se proclama socialista, mas despreza as crianças e os velhos.
Lamento tudo isto, mas também lamento viver num país onde um “speaker” de serviço, numa cerimónia oficial, apresenta o PM com o nome por que é conhecido num programa televisivo de sátira política. Se o “speaker” estivesse no palco até lhe louvaria a coragem mas, como se protegeu pela “voz off”, considero um acto de cobardia cujas motivações poderão ter tido origem, por exemplo, numa aposta. Pode também tratar-se de uma pessoa com sede de protagonismo que, sabedora da curiosidade mórbida da nossa comunicação social, estará agora à espera que alguém sopre para um jornal a sua identidade, para depois atender os telefonemas com pedidos de entrevistas. Com sorte, um destes dias está a fazer um “talk show” e tem duas ou três colunas de opinião nos jornais.
Isto está a precisar de uma grande volta. Não tenho saudades dos tempos onde o temor reverencial nos obrigava a ser demasiadamente contidos, falar em surdina com medo de sermos ouvidos por um "bufo" que nos denunciasse, nas salas de aulas se podia ouvir o zumbido de uma mosca, cada vez que o professor fazia uma pausa na sua "prelecção".
Não gostava desse tempo e sempre o manifestei, mas também não aprecio estes tempos onde se perdeu a noção de respeito e o anonimato se tornou prática comum para quem pretende insultar outro, mas não tem coragem de dar a cara. Não gosto de cobardes.
Uma sociedade saudável não pode confundir a irreverência com falta de respeito aos professores, à Justiça e às instituições.Poderão dizer-me ( e concordo) que quando os exemplos de falta de respeito e decoro provêm de uma putativa candidata a Primeiro- Ministro que faz uma campanha eleitoral onde não apresenta uma única proposta para governar, mas chama mentiroso ao PM em exercício dez vezes por dia diante das câmaras de televisão, no que é secundada pelo mais respeitado comentador político, se está a legitimar (e até incitar) as pessoas a seguirem o seu exemplo. Tudo bem, mas não digam que isto é um país. Muito menos um país democrático. A linguagem e os comportamentos são mais próprios de um bordel rasca onde o cliente, que se recusa a pagar a conta porque foi "mal servido", arma uma zaragata.

Pior a emenda...


Morais Sarmento afirma que os militantes do PSD não estão preocupados com a “Lei da Rolha”. Terá toda a razão o ex-ministro da propaganda de Durão Barroso. Afinal a medida foi aprovada por larga maioria, nenhum dos candidatos à liderança, mesmo votando contra, levantou quaisquer objecções durante o Congresso, o assunto em termos de discussão interna morreu aí. Há , no entanto, um ”porém”. Assim que a blogosfera e a opinião pública começaram a criticar a “Lei da Rolha” todos os candidatos vieram para a praça pública fazer coro com os críticos. Se repudiam a medida do “ fecho éclair” , por que razão não manifestaram a sua repulsa perante os congressistas?
Só se justificam estas reacções “a posteriori” por cobardia ou hipocrisia. Ou tiveram medo de enfrentar as reacções dos congressistas, ou estão-se nas tintas ( e cada um deles até terá visto algumas vantagens, no caso de vir a ser o futuro presidente do PSD, o que os levou a votar contra, mas desejando, interiormente, que a medida fosse aprovada).
A conclusão a tirar desta postura dos candidatos à liderança do PSD é muito preocupante. Ficou demonstrado que, seja qual for o vencedor ( e eventualmente o próximo PM de Portugal) não escapará à pergunta: “ Se aceitam isto dentro do partido sem refilar, como vão comportar-se se um dia chegarem a PM?”
Antevendo esta hipótese, logo houve quem viesse defender que norma idêntica existe no PS. Mentira. A norma dos estatutos do PS não proibe os militantes de criticar os líderes, caso contrário, já Ana Gomes, João Cravinho e muitos outros teriam sido expulsos. Lançar esta atoarda dá jeito. Pelo menos, serve para calar alguns militantes que reagiram timidamente na blogosfera, com críticas fouxas e envergonhadas.
Estes episódios protagonizado pelo principal partido da oposição revelam que, à força de querer ser diferente, o PSD cada vez mais se assemelha ao PS de Sócrates. Os seus putativos futuros líderes evidenciam, porém,alguns defeitos ( hipocrisia e cobardia) a que o actual PM parece estar imune. Podem fazer-se muitas acusações a Sócrates ( eu próprio já aqui as tenho feito) mas ninguém o pode acusar de falta de coragem.
O que o país precisa é de alguém capaz de enfrentar com coragem os problemas, de impor a sua opinião nas instâncias internacionais e não de alguém que nem no interior do seu partido é capaz de levantar a voz e manifestar a sua indignação. A esta hora, os fervorosos apoiantes de Passo Coelho que acreditavam na renovação, devem estar um pouco descoroçoados. A não ser aqueles que, embora dando uma imagem exterior de coerência, se comportam exactamente como o seu amado líder.

Portugal no feminino (13)

Natália Correia
(1923-1993)
Tive o enorme privilégio de conviver de perto com esta mulher, que chegou a ser considerada a mais bela de Lisboa. Quantas noites saí do seuBotequim” já os primeiros raios solares dardejavam as janelas da Graça, depois de uma animada noite de tertúlia! Quantas histórias, quantas recordações, dos tempos em que as noites bem regadas a álcool e nubladas pelo fumo do tabaco, eram momentos de aprendizagem e enriquecimento que me faziam regressar a casa com uma extraordinária sensação de ter valido a pena.
Não há palavras para a descrever, mas deixo aqui como prova do seu indesmentível talento e da sua perspicácia, a célebre resposta poemada que Natália improvisou na AR ( 1982), como resposta a um deputado do CDS, cujas posições contra o aborto o levaram a afirmar que o acto sexual era apenas para procriar.
“Já que o coito -diz Morgado-
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca truca…
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou -parca ração- uma vez!
E se a função faz o órgão, diz o ditado,
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado”.
( Natália Correia, 1982)

Blogs no feminino (13)

Os conteúdos deste blog têm a dimensão do seu nome: Peso dos sentidos. Vão lá e vejam se não tenho razão...