terça-feira, 16 de março de 2010

The Special One: A vingança serve-se fria


Mourinho ganhou, no Chelsea, seis ou sete títuos. Dois campeonatos, Taças de Inglaterra e FA Cup. No entanto, como não conseguiu levar o Chelsea à final da Liga dos Campeões. Esteve quase lá, mas um erro do árbitro , (numa meia final validou um golo do Liverpool numa bola que não entrou na baliza) impediu que o objectivo fosse alcançado. No ano seguinte, quase no início da época, Abramovitch aproveitou um empate em casa com o Rosenborg, para o despedir, pagando-lhe uma indemnização milionária. Substituiu-o por um israelita cujo nome nem me lembro e que apenas veceu a FA Cup. Depois veio Scolari que nada ganhou e foi substituído ao fim de seis meses por Ancelotti, cujo ódio visceral por Mourinho é sobejamente conhecido. Até agora, nada ganhou.

Na primeira oportunidade, Mourinho desforrou-se. Foi esta noite. Com uma equipa fraquinha, montou uma táctica venenosa, conseguiu uma exibição soberba em Londres, durante a segunda parte, e eliminou o Chelsea. Em 90 minutos, Mourinho ajustou contas com o magnata russo e com o rival Ancelotti. A vingança serve-se fria.

Odiado em Itália, perseguido pelos árbitros, obrigado a enfrentar uma imprensa que lhe faz a vida negra e torcia pela eliminação do Inter, Mourinho manteve-se imperturbável. Soube esperar a sua hora para se poder vingar dos seus detractores. O momento chegou e em dose dupla. A paciência é uma grande virtude. Por isso é que gosto de Mourinho.

Spínola e o PREC



Terá passado despercebida a muita gente, uma discreta notícia divulgada pela Lusa na última quinta-feira (11 de Março).
Em declarações à agência, o jornalista alemão Guenter Wallraff ( famoso pelas suas reportagens undercover) revela ter-se encontrado em 1976 com o general Spínola, disfarçado de traficante de armas.
Não se tratou de um encontro casual. Já se conheciam, porque Wallraff infiltrara-se no MDLP, (partido liderado por Spínola) disfarçado de nacionalista germânico que se propunha fornecer armas ao partido. Na sequência do 11 de Março de 1975, o ex- Presidente da República foi obrigado a sair do país e, chegado à Alemanha, terá recuperado o contacto com o jornalista.
Durante o encontro - que decorreu em Dusseldorf- Spínola terá manifestado a Wallraff interesse em adquirir armas para regressar a Portugal, retomar o poder e exterminar fisicamente os seus adversários. Perante os factos, Wallraff entregou as provas às autoridades, o que resultaria na extradição de Spínola para o Brasil.
Recordo esta notícia porque, quando se fala do período pós 25 de Abril, a maioria das pessoas só fala do PREC, do perigo comunista , dos desvarios de Otelo e da extrema esquerda, ameaçando com execuções no Campo Pequeno, mas esquece sistematicamente os episódios envolvendo a direita e a extrema-direita, não menos ameaçadores para a instabilidade do país antes e durante o PREC.
Pergunto-me ( e gostaria de saber a vossa opinião) se alguma este episódio seria tornado público, no caso de as agências de notícias serem privadas.

Portugal no feminino (12)

Simone de Oliveira
( cantora e actriz)
Talvez muitos leitores se admirem e até torçam o nariz a esta escolha mas, como avisei logo no início desta rubrica, não escaparia à subjectividade.
Tenho uma enorme admiração por Simone de Oliveira, intérprete de uma das mais belas canções que Portugal um dia apresentou no Festival da Eurovisão- "A Desfolhada".
Para se impor teve de lutar contra inúmeros tabus, numa época onde a sua firmeza de carácter lhe valeu inúmeras críticas. Um dos maiores elogios que lhe pode ser feito é que muitos dos seus detractores de então, são hoje seus fiéis admiradores. Só uma mulher de muita fibra seria capaz de resistir aos ataques de que foi alvo.
Simone é um exemplo que deveria ser seguido por muitas mulheres portuguesas que nunca passarão de "majorettes". Perante um macho que lhes sirva de guia, abdicam dos seus valores e anulam a sua personalidade.
Simone nunca precisou de protectores. Foi ( e é ainda hoje) mulher íntegra a tempo inteiro, fiel aos seus valores e nunca abdicou daquilo em que acreditava,num tempo de Estado Novo em que as mulheres que quisessem ser independentes, não tinham vida fácil. Um grande beijo, Simone!

Blogs no feminino (12)

Doce ou Travessura faz lembrar o Dia das Bruxas, mas o que por ali há é uma boa reflexão sobre temas sérios do quotidiano feita,muitas vezes, com um sorriso nos lábios.