terça-feira, 2 de março de 2010

Bufos à solta...

Já aqui afirmei que gosto do "i". Um jornal diferente, que prometia ser uma lufada de ar fresco na imprensa portuguesa. Escrevi "prometia". Enganei-me. A notícia de hoje sobre o autor do blog "O Jumento" veio mostrar que, afinal, quem por lá trabalha também não resistiu à tentação de vender jornais a qualquer preço.
Fazer notícias soprada por um bufo e dar emprego a bufos não é uma forma correcta de fazer jornalismo. E mais não digo, porque não gosto muito de falar de esterco. Já me é particularmente penoso constatar que o jornalismo em Portugal caminha a passos largos para o descrédito total, atolado que está na prática pidesca. Nojento!

Portugal ao espelho

Tem-me faltado a coragem para escrever sobre o terramoto no Chile, que devastou uma larga área do país, ceifando centenas de vidas e deixando milhares de pessoas desalojadas. Ao longo deste Inverno cinzento e húmido que ficará na memória de todos pelos piores motivos, têm sido várias as tragédias que têm assolado este planeta e sobre elas pensava já ter escrito o suficiente. O Chile está longe de ser um dos meus países de eleição. Apaixonado que sou pela América do Sul e apesar dede guardar na retina paisagens belíssimas da Patagónia chilena, do Chile retenho as piores lembranças.
Não é só a sangrenta e hedionda ditadura de Pinochet que me provoca uma profunda náusea. Na verdade, apesar de por lá ter bons amigos e de ter mantido até final de 2009 relações profissionais com o Chile, a semelhança dos chilenos com os portugueses, provoca-me algum mal estar. Cada vez que lá fui, pareceu-me ver Portugal retratado no espelho.
Já anteriormente tinha aqui aludido às semelhanças entre Portugal e o Chile. Ontem, ao ver na televisão as imagens das pilhagens a supermercados e a forma bruta e violenta como a polícia tratava os assaltantes, veio-me à memória um passado não muito distante. Mas foi quando vi alguns chilenos ufanos diante das câmaras, exibindo os frutos das pilhagens, que comecei a sentir um grande desconforto. Alegavam estar a pilhar por não terem em casa nada para comer e tardarem os abastecimentos mas, na verdade, roubavam por mero prazer e oportunismo. Ou não será oportunismo assaltar supermercados para roubar desde a garrafa de whiskey à máquina de lavar e ao frigorífico?
Nesse momento, lembrei-me que se um dia acontecer uma tragédia semelhante em Portugal, imagens com cenas idênticas correrão o mundo, dando uma pobre imagem do povo que somos. Não porque não seja verdadeira mas, precisamente, por isso.

Como é possível?

Não resisti a recuperar um texto ( via Jugular) publicado há dias no "Público". Como é possível que em pleno século XXI haja gente tão tacanha e homofóbica, capaz de escrever tanta barbaridade? A única coisa válida que extraio da leitura deste texto do tenente -coronel é confirmar que ainda há homens cuja mentalidade permaneceu no século XIX.

Portugal no feminino (2)

Carolina Beatriz Ângelo
(1877-1912)
Em 1911, as mulheres portuguesas não podiam votar . No entanto, Carolina Beatriz Ângelo votou nesse ano para a Assembleia Constituinte. Como?
A legislação em vigor, em 1911, determinava que apenas podiam votar cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família".
Médica, sufragista, fundadora da Associação de Propaganda Feminina, Carolina Beatriz Ângelo era viúva e mãe logo, chefe de família, pelo que requereu ao Tribunal autorização para votar. A autorização foi-lhe concedida mas, no ano seguinte, a lei foi alterada passando a ter a seguinte redacção:
"São cidadãos eleitores os cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que saibam ler e escrever e sejam chefes de família do sexo masculino".
Em 1931, a legislação portuguesa concedeu o direito de voto a um número muito restrito de mulheres. Só depois do 25 de Abril de 1974 é que todas as mulheres passaram a ter direito de voto.

Blogs no feminino (2)

O blog do dia chama-se Dias Imperfeitos mas, como poderão constatar se seguirem o link, os posts que por lá lemos ajudam-nos a tornar os dias melhores.