sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Uma lição de velhice


Celebrara 92 anos dois dias antes e convidou duas amigas, que não tinham podido estar na festa de aniversário, para almoçar. Apesar de ser Outono, o dia estava ameno e o céu azul emprestava ao mar aquela tonalidade própria dos dias que anunciam a chegada do Inverno. Dirigiram-se para a Foz. Todas quiseram ir a uma pizzaria. Aí chegadas, pediram de imediato refrigerantes para matar a sede. Com o pedido, veio a lista. Perante a imensidão de variedades viram-se no embaraço da escolha. Demoraram a decidir. A empregada, ainda muito jovem, começou a impacientar-se.
“Vejam lá se decidem, que não vou estar a tarde toda a vir aqui à mesa…”
Retirou-se mais uma vez, deixando as senhoras algo embaraçadas com a admoestação. Quando voltou, a decisão estava tomada. Uma das senhoras esboçou um pedido de desculpas pelo atraso “ Não leve a mal, é que esta senhora faz 92 anos”
“92? Fogo!...”- exclamou a jovem com os olhos esbugalhados.
A aniversariante acrescentou “ Ai, menina, não queira ser velha…”
“Não quero, não. Se chegasse aos 70 dava um tiro nos miolos para não chatear ninguém”
Ignoraram o acinte. Comeram as pizzas. Pediram uns gelados e café. Eram quase quatro horas da tarde quando terminaram. Apenas um casal jovem permanecia na esplanada. As senhoras pediram a conta, que chegou prontamente. A aniversariante deixou 1€ de gorjeta e escreveu nas costas da factura: “A nossa contribuição para a compra da pistola”.
Saíram bem dispostas, com o ar de crianças que tinham acabado de fazer uma traquinice e foram aproveitar os restos de sol caminhando à beira mar. Quando chegou a casa, a aniversariante telefonou ao filho a contar-lhe a história. Riram-se os dois “a bandeiras despregadas”.

O candidato

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