quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Brites já lê jornais!

Para não andarem por ai a dizer que sou fútil e só me interesso pelas revistas cor de rosa e em dizer mal da Manuela Ferreira Leite, a partir de hoje também vou começar a falar da imprensa que vocês chamam séria. Como as coisas estão, não sei porque lhe dão esse nome, mas enfim…
Confesso-vos que não falo mais de jornais, porque sou um bocado lerda e às vezes não percebo os títulos. Espero que me ajudem a interpretar aquilo que não percebo, está bem?Muito agradecida.

Começo com um título em destaque na primeira página do “Público” de hoje:
“Grávidas. Quase 40% fizeram sexo antes do parto”.
Será que vocês me podem explicar como é que engravidaram as outras 60 por cento?

Conversas de café

“ Chegam os meninos de mota
Com a China na bota
E o papá na algibeira(…)”
( O Café- Fernando Tordo/ Ary dos Santos)

Um dos grandes problemas deste país, é o Centrão que nos governa ser dominado pela ideologia do capital, onde o conceito de lucro é de tal forma abrangente, que não olha a meios. Outro problema é que no Centrão emergem, cada vez mais, figuras que vieram da esquerda folclórica, excelente palco para tertúlias de café em tempos de Faculdade, mas onde a ténue barreira entre as convicções e a prática se quebra, assim que alguns dos seus seguidores entram na vida activa e se sentem atraídos pelo perfume do dinheiro.
Assim como um apreciador de café não resiste ao aroma de grãos acabados de moer, um esquerdista de tertúlia também não resiste ao apelo do dinheiro, quando entra na vida activa e deixa de ter o aconchego da generosa mesada do papá. Uma coisa é discutir acaloradamente Marx, com o respaldo do papá; outra, bem diferente, é conseguir manter o nível de vida a que a generosa mesada, a cama e as refeições gratuitas os habituou, quando se têm de fazer à vidinha e garantir o seu próprio sustento. Ao mínimo apelo do capital, lá se vai a ideologia e as convicções marxistas passam a ser encaradas como diatribes da juventude.
São muitos os exemplos na nossa classe política. A começar por Durão Barroso, fervoroso militante do MRPP nos tempos da Faculdade de Direito e hoje convertdo ao Bushismo, por via do qual conseguiu o seu exílio dourado em Bruxelas.
Felizmente há quem resista. Quem repudie entrar na engrenagem do sistema de vasos comunicantes entre PS e PSD, cujas desavenças apenas existem, porque um dos membros do casal sente que está fora do círculo do poder há muitos anos e a sua clientela ameaça debandar. Felizmente há quem se mantenha fiel às suas convicções e consiga singrar na vida, embora arrostando com dificuldades.
Não foi o caso de Rui Pedro Soares, o jovem turco que trocou as t-shirts com a imagem de Che Guevara, pelo fato de marca e gravata de seda , símbolos da ascensão meteórica. O perfume do dinheiro inebriou-o de tal forma, que se meteu em negociatas pouco consentâneas com quem se assumira como a “margem esquerda” da Juventude Socialista. Não sei se o fez por iniciativa própria, para mostrar serviço ao papá, ou para lhe agradecer a “benesse” da ascensão meteórica. Pouco importa para o caso. O importante é não esquecer que Rui Pedro Soares não é caso único. Não é a excepção, mas sim a regra, na sociedade em comandita que nos governa e dá pelo nome de Centrão, Ldª.
O caso de Rui Pedro Soares serviu para fazer esquecer o caso BPN onde figuras do PSD, como Dias Loureiro, Oliveira e Costa e outros ex-membros do governo de Cavaco Silva, emergem como responsáveis por uma mega fraude que está a ser paga por milhões de contribuintes portugueses cujo único rendimento provém dos seus salários.
Não nos iludamos. Não é por trocar Sócrates por Aguiar Branco, Passos Coelho, ou Paulo Rangel, que teremos uma solução para o país. Apenas mudam os clãs, não mudam as políticas. Em vez de Rui Pedro Soares, será um qualquer Zé das Quinquilhas a assumir o seu papel. Na mesma empresa, ou noutra, com o objectivo de dominar a comunicação social ou o sistema financeiro? Pouco importa.
Portugal precisa é de políticos a sério e não de arrivistas. De gente que seja capaz de colocar os interesses do país à frente dos seus próprios interesses e não faça figuras miseráveis que nos denigrem além fronteiras.
Portugal precisava de um outro Povo. A culpa do estado a que chegámos não pode deixar de ser assacada, também, ao espírito corporativo que nos molda com a mesma têmpera que nos foi incutida pela Constituição de 1933. E aos resquícios pidescos, que transformaram muitos portugueses em bufos bem remunerados.

Infidelidades


Quem sofre, são sempre as crianças