sábado, 13 de fevereiro de 2010

Rostos da Memória (1)

Humberto Delgado
(1906-1965)
Faz hoje 45 anos que foi assassinado Humberto Delgado. Opositor do Estado Novo, prometeu demitir Salazar se fosse eleito Presidente da República. Foi derrotado. Não pelos votos dos eleitores, mas por uma gigantesca fraude eleitoral engendrada pelo regime. Pagou caro a afirmação e a defesa intransigente dos valores da República que no dia 1 de Janeiro de 1962 pretendeu restaurar com a abortada revolta militar de Beja.
O Estado Novo não lhe perdoou e mandou a PIDE no seu encalço. Viria a ser assassinado no dia 13 de Fevereiro de 1965, nas imediações de Villanueva del Fresno (Espanha), atraído por uma cilada que a PIDE lhe montou. Morria assim, vítima de traição, um homem que lutou pelos ideais da liberdade e da justiça social e ousou enfrentar o ditador de peito aberto.
À força de tanto querer apagar das páginas da nossa História a memória do Estado Novo, o actual regime está a contribuir para que a actual geração e as futuras, percam as referências dessa máquina opressora das liberdades que foi o regime de Salazar, onde a PIDE e a Censura eram peças de charneira.
Quando hoje ouço algumas pessoas a gritar “ Ó da guarda, vem aí a Censura”, esperneio de raiva. Umas vezes por ignorância, outras por má fé, também eles estão a querer branquear um regime miserável que não pode ser esquecido.
Inicio hoje a série Rostos da Memória, com que pretendo homenagear pessoas já desaparecidas que, de uma ou outra forma, marcaram a sua época e nos deixaram um legado que não podemos desprezar. Esta série passará a ser publicada no mesmo dia em que, na Regra do Jogo, publicarei os "Rostos do Mundo".