terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mário Crespo:o lado B da história


A eventual censura do artigo de Mário Crespo é, aparentemente, condenável. No entanto, há qualquer coisa nesta história que não me parece bater certo e pode justificar a atitude de José Leite Pereira ( declaração de interesses: sou amigo do director do JN, mas não falei com ele sobre o assunto).
Não pondo em causa a veracidade do relato de Mário Crespo, há algo que me escapa e gostava de ver esclarecido. Por que razão não menciona o jornalista o local onde a cena se passou, nem indica o nome do executivo de televisão ( nem tão pouco o canal a que pertence), quando é tão expedito a mencionar os nomes dos membros do governo? Porque não aceitou a prova do contraditório e de imediato decidiu retirar o artigo?
Se eu fosse director do JN ( ou de qualquer outra publicação) e me visse perante um artigo daquele teor, de imediato colocaria essas questões ao articulista. Se as suas respostas respondessem de forma clara às minhas dúvidas, publicá-lo-ia. Caso contrário, agiria como José Leite Pereira. E porquê? Por duas razões.
Em primeiro lugar, porque o conteúdo é demasiado delicado e, não havendo provas da sua veracidade, o director do jornal corre o risco de ser processado ( solidariamente com o colunista) por difamação. Ora, a obrigação de um director de jornal é, antes de mais, garantir a credibilidade da publicação e evitar conflitos que a desacreditem. É certo que Mário Crespo invoca ter testemunho fidedigno (por escrito) dessa conversa – a que ele próprio não assistiu. Mas terá comunicado isso ao director do JN? Ter-se-á prontificado a apresentar-lhe as provas e sujeitar-se ao contraditório? Tudo indica que não.
Em segundo lugar, porque continuo a acreditar que o jornalismo só faz sentido quando é credível , rigoroso e responsável .Não escolheria, NUNCA, um espaço de opinião, num jornal, para me vitimizar( principalmente, em vésperas de lançar um livro com as minhas crónicas).
Os espaços de opinião são um espaço de liberdade, onde deve existir reciprocidade entre articulista e director. O director deve confiar no articulista e este deve ser responsável, não colocando em causa a credibilidade do jornal. Quando alguém falha nesta reciprocidade, a única solução é pôr termo à relação. Foi isso que aconteceu.
Quanto às reacções inflamadas que tenho lido na blogosfera, entristece-me que ponham em causa a honestidade profissional de JLP e o estejam a acusar de estar a fazer favores ao governo. Quanto a MC, temos de reconhecer que em vésperas de lançar um livro com as suas crónicas, esta história veio mesmo a calhar. Pelo menos, publicidade ao livro não lhe vai faltar.

Novos desafios

O convite tinha sido feito em Setembro mas, por razões várias,só agora o pude aceitar. Por isso, só hoje venho dar a notícia a todos os condóminos, leitores e amigos. Desde ontem, passei também a colaborar no blog "A Regra do Jogo".Fico a aguardar as vossas visitas e eventuais comentários a esta nova aventura blogueira, que enceto com o maior gosto.