quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O mundo mudou hoje?

Será que hoje é mesmo o dia em que o mundo vai mudar? São tantas e tão promissoras as expectativas, que custa acreditar. Espero para ver, mas a revolução na forma de consumir informação pode ter começado hoje. Voltarei ao assunto com mais tempo.

30 Minutos

Vejo pouca televisão. No entanto, sempre que posso, não perco o "30 Minutos", um programa de reportagens curtas da RTP 1,que contam pequenas histórias de vida.
Ontem, duas histórias distintas, relatavam casos de exploração, mas hoje só vos vou falar de uma. A primeira.
É a história de uma criança pobre, que nasceu e viveu os primeiros anos de vida numa roulotte. Aos seis anos a vida mudou. Com as canções de Quim Barreiros na ponta da língua, ar reguila e resposta pronta, começou a actuar em feiras encantando as audiências.
Rapidamente, a sua presença assídua na televisão conferiu-lhe enorme popularidade. Este miúdo chamava-se Saul e muitos certamente o recordarão, como o pequeno Quim Barreiros, porque só cantava músicas do cantautor de Vila Praia de Âncora.
O pequeno Saul era o sustento da família. Ganhou imenso dinheiro, suficiente para viver uma vida desafogada. Só que a vida reservara-lhe uma surpresa. No dia em que completou 18 anos, quando pensava poder utilizar o dinheiro que ganhara, descobriu que a sua conta bancária tinha apenas 14 euros. Na altura acusou os pais de serem os autores do desfalque e terem fugido para Inglaterra com o dinheiro. Hoje, recusa-se a falar do assunto.
Já aqui contei algumas histórias de crianças exploradas pelos pais, mas lembram-se qual era o sonho de Saul , quando tinha 10 anos?

Nas Nuvens


No sábado fui ver Nas Nuvens. Ia sem grandes expectativas e saí de lá sem grande entusiasmo. Depois comecei a pensar no filme noutra perspectiva e discuti-o com alguns amigos. Curioso que alguns deles tinham visto “o mesmo filme que eu”, mas não tinham pensado mais no assunto.
Lembrei-me das tertúlias que, quando era jovem, fazia com um grupo de amigos. Eram calorosos e prolongados debates que se arrastavam pela madrugada, nos obrigavam a pensar, discutir, reflectir e ajudavam a ver os filmes e os lvros através da cabeça de cada um.
Há anos que não particpo- a não ser esporadicamente- em tertúlias sobre filmes. Vejo mais filmes em casa do que no cinema, desde que as pipocas entraram nas salas.
Creio que, hoje em dia, a maioria dos jovens também não organiza tertúlias para discutir um livro ou um filme. Consomem-nos como um hamburguer, de forma mais ou menos passiva. Tiram as suas conclusões e ficam com elas ou, quando muito, falam com dois ou três amigos. Será que os discutem no Facebook? Talvez, mas certamente não é a mesma coisa.
Tenho saudades do tempo em que tinha dias marcados para as tertúlias. Depois de regressar a Portugal, tinha duas tertúlias semanais, com grupos diferentes. Numa discutiam-se filmes, noutra discutiam-se livros. Eram momentos muito ricos. Ambas morreram de morte natural. O mesmo que dizer, estiolaram por falta de quorum. Em minha opinião fazem falta. E vocês o que pensam das tertúlias?

PS: Como escrevi no início, o filme tem várias interpretações, merecendo por isso uma boa reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Isso não justifica, porém, a disparidade das sinopses que tenho lido na imprensa. Uma sinopse não é uma crítica nem uma reflexão sobre o filme. É apenas um resumo Os jornais deviam saber isso e deixar de inventar.