Neste ano de 2010, que a União Europeia declarou de “Luta Contra a Pobreza e a Exclusão” vieram lembrar-nos, uma vez mais, que somos dos países europeus com maior risco de pobreza. Risco que aumentou no último ano, passando de 18 para 23 por cento nos jovens e crianças até aos 17 anos e atingindo os 22 por cento nos idosos com mais de 65 anos.Não sendo uma novidade, continua a causar-me algum incómodo que nos últimos 20 anos de Democracia,a situação se tenha sucessivamente agravado, aumentando o risco de pobreza e o fosso entre pobres e ricos. Ora, fazendo as contas, facilmente se conclui que a entrada de Portugal na União Europeia não conseguiu diminuir esse fosso. Ou seja: apesar de diariamente entrarem em Portugal milhões de euros para ajudar o país a reduzir as assimetrias com os restantes parceiros da UE, a verdade é que não o conseguimos.
Não é razão para espanto. Além de uma megalómana rede de auto-estradas, muito desse dinheiro foi aplicado em jeeps e casas com piscina, campos de golf e infra-estruturas que apenas criaram emprego pontual. Apostámos em obras de encher o olho, mas que não enchem barriga nem ajudam a combater as assimetrias sociais. Os nossos governantes comportaram-se como pacóvios. Não é difícil perceber a quem devem ser assacadas as culpas mas, mesmo assim, os portugueses teimam em escolher, para gerir os seus destinos, os partidos responsáveis pelo estado a que chegámos.

