

O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente (1804), depois de ferozes lutas com os colonizadores franceses. Hoje, além de ser um dos países mais pobres do mundo, a sua História, é feita de períodos muito conturbados, com muitos dos seus governantes a serem depostos e assassinados, quer pelas potências colonizadoras ( França e Espanha ), quer pelas forças de oposição ao regime.
Os EUA ocuparam o território durante quase 20 anos (1915/1934), sob o pretexto de protegerem os interesses norte-americanos na ilha ( um must dos americanos em toda a América Latina, quando os governos dos países vizinhos não são do seu agrado).
Em 1957, François Duvalier, que o mundo inteiro ficou a conhecer pelo sugestivo nome de Papa Doc, foi eleito presidente do Haiti. Instalou uma demoníaca ditadura, cuja figura mais sinistra era a sua guarda pessoal ( os tonton macoute). Em 1964, perante a indiferença ocidental, proclamou-se presidente vitalício, mas morreria em 1971.
Deixou o país como “herança” ao seu filho Baby Doc que governou até 1986, ano em que teve de fugir para França, onde se exilou. Após a eleição democrática de Aristide, em 1990, o Haiti viveu um período muito semelhante ao que hoje se vive nas Honduras. Depois de Aristide ter sido deposto por um golpe militar em 1991, as instâncias internacionais, encabeçadas pela OEA, impusram sanções económicas ao país, tendo-se iniciado uma forte corrente migratória dos haitianos, para os Estados Unidos. Desde então, nunca mais o Haiti viveu em paz, nem pôde ser um estado soberano, dada a presença de uma força de segurança da ONU que assumiu os destinos do país, considerado uma ameaça à paz.
Como se tudo isto não bastasse, o Haiti foi agora assolado por um violentíssimo terramoto que provocou mais de cem mil mortos ( números ainda provisórios) e afectou a vida de três milhões de pessoas ( um terço da população do país).Leio as notícias. Vejo imagens desoladoras. A recente leitura de Caim atiça-me os neurónios. Blasfemos, é o que eles são ( os neurónios, é evidente…)
