quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nascidos para sofrer...




O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente (1804), depois de ferozes lutas com os colonizadores franceses. Hoje, além de ser um dos países mais pobres do mundo, a sua História, é feita de períodos muito conturbados, com muitos dos seus governantes a serem depostos e assassinados, quer pelas potências colonizadoras ( França e Espanha ), quer pelas forças de oposição ao regime.
Os EUA ocuparam o território durante quase 20 anos (1915/1934), sob o pretexto de protegerem os interesses norte-americanos na ilha ( um must dos americanos em toda a América Latina, quando os governos dos países vizinhos não são do seu agrado).
Em 1957, François Duvalier, que o mundo inteiro ficou a conhecer pelo sugestivo nome de Papa Doc, foi eleito presidente do Haiti. Instalou uma demoníaca ditadura, cuja figura mais sinistra era a sua guarda pessoal ( os tonton macoute). Em 1964, perante a indiferença ocidental, proclamou-se presidente vitalício, mas morreria em 1971.
Deixou o país como “herança” ao seu filho Baby Doc que governou até 1986, ano em que teve de fugir para França, onde se exilou. Após a eleição democrática de Aristide, em 1990, o Haiti viveu um período muito semelhante ao que hoje se vive nas Honduras. Depois de Aristide ter sido deposto por um golpe militar em 1991, as instâncias internacionais, encabeçadas pela OEA, impusram sanções económicas ao país, tendo-se iniciado uma forte corrente migratória dos haitianos, para os Estados Unidos. Desde então, nunca mais o Haiti viveu em paz, nem pôde ser um estado soberano, dada a presença de uma força de segurança da ONU que assumiu os destinos do país, considerado uma ameaça à paz.
Como se tudo isto não bastasse, o Haiti foi agora assolado por um violentíssimo terramoto que provocou mais de cem mil mortos ( números ainda provisórios) e afectou a vida de três milhões de pessoas ( um terço da população do país).Leio as notícias. Vejo imagens desoladoras. A recente leitura de Caim atiça-me os neurónios. Blasfemos, é o que eles são ( os neurónios, é evidente…)

As convicções da justiça

Li no “Público” ( sem link) que o Ministério Público está convencido que Armando Vara recebeu 25 mil euros ( e não 10 mil, como vinha sendo afirmado na comunicação social) do empresário Manuel Godinho. Li e espantei-me, porque entre a convicção e a prova vai uma grande distância e pensava que não seria possível constituir uma pessoa como arguido com base apenas em convicções.
Mas eu devo ser ingénuo, porque também arregalei os olhos quando li, há dias, que no processo Casa Pia, o MP alterou algumas das acusações formuladas contra alguns dos arguidos. Durante cinco anos, o MP defendeu que alguns actos de pedofilia teriam ocorrido num determinado local e em datas precisas. Foi com base nesses dados que sustentou a acusação. Cinco anos depois vem dizer que afinal os casos ocorreram noutro local e noutras datas…
Acredito que se trate de uma situação normal, mas assusto-me só de pensar que uma pessoa pode ser constituída arguida, ficar parcialmente privada da sua liberdade e sob suspeita durante anos, com base em convicções e, no momento em que acredita que vai ser considerada inocente, o MP altera os pressupostos da acusação. Pode ser normal, repito, mas lá que também deve ser incómodo, não duvido.

Arca de Noé


Imagem roubada ao Blog do Rebolinho


Como a maioria dos leitores do Rochedo saberá adoro animais, particularmente cães e gatos. Tenho lido, nos blogs de alguma vizinhança, histórias deliciosas, comoventes ou bem humoradas sobre animais e tenho guardadas, num recanto da minha memória, algumas histórias sobre cães que fizeram parte da minha história de vida, que um dia começarei a compartilhar convosco.
Serve este preâmbulo de aviso a quem pensar que o relato que se segue resulta de uma eventual animosidade da minha parte para com os animais. Nada disso... No entanto, aAesar de gostar muito de animais, dispensava a sua companhia numa viagem de avião, como me aconteceu na última ida a Paris.
À minha volta ( fila dianteira e traseira) viajavam quatro simpáticos exemplares da raça canina. Três deles viajavam em sacos com rede. Assim que o avião começou as manobras para levantar voo, os animais iniciaram um incomodativo concerto de gemidos mas, pelo menos duas das proprietárias dos cachorros, foram lestas acomodá-los de forma conveniente, tendo de imediato terminado os queixumes. Atrás de mim, no entanto, uma senhora- perante a complacência das hospedeiras- recusou-se a acondicionar o seu cão na casota improvisada e iniciou um diálogo com o seu “Bobby”, tentando acalmá-lo.Durante toda a viagem tive de suportar diálogos tão ridículos, que me fizeram suspeitar da sanidade mental da senhora.
Não vou criticar o transporte de animais em aviões, nem exigir a sua proibição mas, caramba, não viajei numa low cost, por isso sinto-me no direito de exigir uma viagem tranquila. Nunca tinha tido experiência semelhante mas agora, que a vivi, chegou a altura de a repudiar de forma veemente. Não está em causa o direito de os animais viajarem em aviões ( embora ninguém me convença que perante tantas medidas sanitárias de mau gosto decretadas pela União Europeia, seja aceitável que os animais viajem livremente ao lado dos passageiros, farejando-os durante toda a viagem, ameaçando uma chichizada espontânea). Sinto-me, porém, no direito de exigir às transportadoras aéreas que juntem as pessoas que viajam com animais numa determinada zona do avião, evitando assim incómodos a todos os passageiros.
Já agora, seria também oportuno estabelecer quotas para animais, caso contrário, um dia ainda entro num avião e penso que vou viajar na Arca de Noé.
Talvez tenha ficado sugestionado pelo facto de ter escolhido para livro de leitura, durante a viagem, o Caim, do Saramago ( leitura diversas vezes interrompida pelas investidas do Bobby e pelos monó(diá)logos espasmódicos da sua proprietária) mas vai ser difícil convencerem-me a voar novamente na Aigle Azur.

Bolsa de Valores Sociais

Neste Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão, há uma nova Bolsa de Valores de que vale a pena falar: a Bolsa de Valores Sociais (BVS)Depois do Brasil, em 2003, Portugal é o segundo país do mundo a criar a BVS, cujo objectivo é o financiamento de projectos de luta contra a pobreza e a exclusão.A iniciativa é da ATITUDE (Associação pelo Desenvolvimento do Investimento Social ) e tem o apoio da Euronext e das Fundações EDP e Gulbenkian.Na altura da apresentação foram lançados em Bolsa quatro projectos, dos quais o mais mediático é “Rir é o Melhor Remédio” da Operação Nariz Vermelho. “As boas acções estão sempre em alta” é a frase chave da BVS, que pretende elevar a qualidade de resposta aos problemas da pobreza e da exclusão social, apoiando o desenvolvimento de soluções inovadoras .Os projectos só são cotados em bolsa depois de um exigente processo de selecção e avaliação, que permita à BVS garantir a eficácia dos investimentos e a possibilidade de acompanhar os resultados por parte dos investidores.
Se quer investir num projecto , vá a http://www.bvs.org.pt/ e torne-se um investidor social. O retorno é garantido (no mínimo) pela satisfação de estar a ajudar quem precisa.

Formiguitas assexuadas

Está explicada a razão de as formigas serem tão trabalhadoras. Um grupo de cientistas americanos e brasileiros descobriu uma espécie de formigas que se reproduz sem fazer sexo. Não sei qual é o interesse, mas presumo que lhes tenha aumentado a produtividade...