
Porfiou e conseguiu. Em Janeiro de 2003 Lula da Silva era investido presidente do Brasil, depois de cinco tentativas falhadas. Olhado com desconfiança nos meios económicos internacionais, obrigado a enfrentar alguns escândalos dos seus correligionários do PT, que poderiam ter minado a sua credibilidade, Lula da Silva impôs-se à opinião pública internacional, pagando as dívidas ao FMI, reformando as finanças do Brasil e lançando variados programas sociais de combate à pobreza.
Na cena política internacional. o Brasil já não é o país que aparece na posição de pedinte privilegiado, que concita a simpatia geral. Lula ganhou peso negocial e marca presença nos principais eventos mundiais. Obama não dispensa a sua opinião.
Talvez nenhum presidente brasileiro tenha sido tão escrutinado como ele, mas Lula da Silva não só criou uma imagem de seriedade pessoal, impondo-se no Brasil com uma popularidade próxima dos 80%, como conseguiu projectar a imagem do Brasil no seio da comunidade internacional. Se o Brasil é hoje um dos quatro países emergentes mais falados no mundo inteiro, a par da Índia, China e Rússia, muito deve à forma hábil como Lula da Silva comandou os destinos do país durante os últimos sete anos.
Lula é a imagem do Brasil de progresso. Do Brasil que deu o salto em frente e se tornou protagonista privilegiado na cena in ternacional. Ainda recentemente, em Copenhaga, manteve uma posição dura nas negociações durante a Cimeira sobre as Alterações Climáticas. A capital dinamarquesa revelou-se um talismã para Lula em 2009, pois foi lá que foi atribuída ao Brasil a organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula contribuiu igualmente para construir uma imagem diferente da América Latina no mundo. Mais solidária, mais actuante, mais comprometida com o futuro, mais ambiciosa e mais democrática.
Em Dezembro Lula da Silva terminará o seu segundo mandato e não poderá recandidatar-se. A sua imagem e prestígio deverão, no entanto, assegurar-lhe um cargo de relevo na cena política internacional.
O operário metalúrgico que um dia chegou a Presidente e se tornou figura incontornável nos palcos internacionais, onde expõe com firmeza as suas convicções, personifica o enredo de uma telenovela em que o Brasil é fértil. Só que desta vez, o conto de fadas virou realidade. E, visto do hemisfério norte, apenas me apetece dizer: ainda bem!
