quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Figura Internacional da década


Porfiou e conseguiu. Em Janeiro de 2003 Lula da Silva era investido presidente do Brasil, depois de cinco tentativas falhadas. Olhado com desconfiança nos meios económicos internacionais, obrigado a enfrentar alguns escândalos dos seus correligionários do PT, que poderiam ter minado a sua credibilidade, Lula da Silva impôs-se à opinião pública internacional, pagando as dívidas ao FMI, reformando as finanças do Brasil e lançando variados programas sociais de combate à pobreza.
Na cena política internacional. o Brasil já não é o país que aparece na posição de pedinte privilegiado, que concita a simpatia geral. Lula ganhou peso negocial e marca presença nos principais eventos mundiais. Obama não dispensa a sua opinião.
Talvez nenhum presidente brasileiro tenha sido tão escrutinado como ele, mas Lula da Silva não só criou uma imagem de seriedade pessoal, impondo-se no Brasil com uma popularidade próxima dos 80%, como conseguiu projectar a imagem do Brasil no seio da comunidade internacional. Se o Brasil é hoje um dos quatro países emergentes mais falados no mundo inteiro, a par da Índia, China e Rússia, muito deve à forma hábil como Lula da Silva comandou os destinos do país durante os últimos sete anos.
Lula é a imagem do Brasil de progresso. Do Brasil que deu o salto em frente e se tornou protagonista privilegiado na cena in ternacional. Ainda recentemente, em Copenhaga, manteve uma posição dura nas negociações durante a Cimeira sobre as Alterações Climáticas. A capital dinamarquesa revelou-se um talismã para Lula em 2009, pois foi lá que foi atribuída ao Brasil a organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula contribuiu igualmente para construir uma imagem diferente da América Latina no mundo. Mais solidária, mais actuante, mais comprometida com o futuro, mais ambiciosa e mais democrática.
Em Dezembro Lula da Silva terminará o seu segundo mandato e não poderá recandidatar-se. A sua imagem e prestígio deverão, no entanto, assegurar-lhe um cargo de relevo na cena política internacional.
O operário metalúrgico que um dia chegou a Presidente e se tornou figura incontornável nos palcos internacionais, onde expõe com firmeza as suas convicções, personifica o enredo de uma telenovela em que o Brasil é fértil. Só que desta vez, o conto de fadas virou realidade. E, visto do hemisfério norte, apenas me apetece dizer: ainda bem!

Postais de Paris (3)- À mesa com Gerard Depardieu

No dia de Ano Novo, cerca do meio dia, começaram a cair do céu uns finos flocos de gelo, que me salpicaram a roupa e conferiram o aspecto de árvore de Natal andante. Caminhava a essa hora pela Rue Saint Denis em direcção ao Fórum Les Halles onde, por estes dias, a imagem – e o cinema em particular- é rainha.Vencido pela temperatura gélida procurei abrigo num pequeno bistrot para um chá e um “amuse bouche”. Já meio desfalecido sentei-me na esplanada e peguei na lista. Passados breves instantes, uma voz pergunta o que quero tomar. Levanto os olhos e quem vejo diante de mim? Nada mais nada menos que Gerard Depardieu, no papel de Obélix!
A aparência física, o ar alapardado, a voz abrutalhada, tudo combinava na perfeição com a figura do gaulês. Procurei em redor, mas não encontrei o Astérix. Fiquei convencido que este exemplar de Obélix saíra nessa manhã do Fórum Les Halles, no intuito de atrair turistas para a exposição de Henry Bresson e a“Cidade das Imagens” .
Espero que não se cumpra o que diz a tradição, caso contrário vou passar o ano inteiro com alucinações ...

A frase do ano

'Um dia li que fumar fazia mal, deixei de fumar;no outro dia li que beber fazia mal, deixei de beber; quando li que fazer sexo fazia mal, deixei de ler'.
(Anónimo)