terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Postais de Paris (2)- Descobertas

A casa é hoje parte de um hotel que ocupa os nº 50 a 52
Como já aqui vos disse diversas vezes, o meu maior prazer quando visito uma cidade é "perder-me dentro dela" para melhor a poder descobrir e desfrutar. Paris não é excepção e há sempre alguma coisa que nos surpreende. Desta vez não foi um recanto, uma esplanada, uma mansarda ou um beco. Foi uma lápide.
Deixara para trás os Jardins du Luxembourg e caminhava pela rue Gay-Lussac em direcção ao coração do Quartier Latin, quando sou atraído por uma placa de mármore onde se lia:


DANS CET IMMEUBLE A VÉCU
DE 1969 À 1974

AMORIM DE CARVALHO

POÈTE ET PHILOSOPHE PORTUGAIS
MORT À PARIS LE 15 AVRIL 1976

Fiquei a magicar. Como era possível ter-me escapado esta placa em passeatas anteriores por esta rua? Já em Lisboa, fiquei a saber que a placa foi ali colocada apenas em 2008, por decisão do Perfeito de Paris, razão que explica a minha surpresa.
Confesso-vos ( ignorância minha) que não sabia quem era Amorim de Carvalho e foi a leitura daquela lápide que me levou a investigar. Descobri, graças ao amigo Google, que era bisneto do poeta Pinheiro Caldas e nasceu no Porto em 1904, tendo vivido em Lisboa entre 1953 e 1965, ano em que ,” desiludido com a situação intelectual da Pátria” emigrou para Paris, onde viria a falecer.
Autodidacta, viu reconhecido, pela Sorbonne, o grau de doutor. Se quiserem saber mais sobre esta curiosa personalidade basta seguirem este link, que vos conduzirá ao site da Casa Amorim de Carvalho, no Porto. Para mim foi um prazer descobri-lo e verificar, uma vez mais, que durante as nossas viagens lá por fora é sempre possível aprender um pouco sobre Portugal e os portugueses.
A curiosidade, porém, não acaba aqui. Amorim de Carvalho nasceu na Foz em 1904, na Rua Senhora da Luz, nº 224, quase pegado à casa onde nasceria a minha mãe 10 anos depois.

Vamos aos Saldos?


Iniciou-se, no dia 28 de Dezembro, a época de saldos de Inverno, que terminará em 28 de Fevereiro. Durante os próximos dois meses, muita gente se deixará atrair pelas lojas exibindo nas montras coloridos cartazers onde se lê a palavra mágica: SALDOS.
É natural- principalmente em tempo de crise- que os consumidores procurem os saldos, na tentativa de encontrar produtos de marca, tantas vezes namorados com "um brilhozinho nos olhos", mas cuja compra não foi possível concretizar, porque a bolsa não estica e os meses estão cada vez mais longos. Só que...
Os saldos já não são o que eram, o seu tempo já lá vai.Dantes, saldo era sinónimo de longas filas de senhoras nervosas, esperando a abertura das lojas para se precipitarem no seu interior em busca da melhor pechincha.Saldos eram reuniões de senhoras combinando uma excursão conjunta ao Grandella, a que se seguia um lanche na Ferrari ou na Império. Saldos era no tempo em que o Rui Veloso ainda não cantava “A rapariguinha do shopping”, quando os centros comerciais se chamavam “drugstores” e o Sr. Viegas não tinha a concorrência do hipermercado.Saldos era quando a minha mãe comprava tecido para a nova farda de uma empregada doméstica - que ao tempo se chamava “criada”- a qual pedia uma folga para ir aos saldos da rua de Cedofeita, e regressava a casa com os olhos marejados de lágrimas porque o namorado lhe acabara de dizer que tinha sido mobilizado para Angola.
Saldos era quando não havia TV Shops, vendas por correspondência ou ao domicílio, catálogos da La Redoute ou hipermercados a “oferecer” BMW ou Mercedes, os telefones serviam para namorar, não havia linhas de Valor Acrescentado, nem oferta de viagens por “dá cá aquela palha”, não existiam cartões de crédito e a publicidade apenas garantia que “OMO LAVA MAIS BRANCO”.
Saldos eram, enfim, para um reduzidíssimo número de senhoras, partir para Londres nos primeiros dias de Janeiro e de lá regressar com as malas carregadas de artigos comprados nos saldos do C&A, Marks and Spencer e similares que depois vendiam nas suas boutiques como a última novidade londrina.
Hoje, saldo é- muitas vezes- sinónimo de refugo, dos últimos artigos que não se conseguiram vender na época das promoções, uma espécie de saldos clandestinos que se antecipam, cerca de um mês, às épocas regulamentadas por lei.
Hoje, saldo significa comprar “produtos de marca” a preço de contrafacções à venda nas feiras.Os saldos hoje em dia já não são o que eram . Dizem alguns que a culpa é da concorrência. Para outros é da invasão chinesa. Cá para mim, a culpa é do clima. Com as altereações climáticas, quem acredita nos cartazes anunciando “Saldos fim de estação”?

Primeira prenda de 2010

Aqui está a primeira penda que recebi este ano. Uma oferta da sempre gentil Bluevelvet. Obrigado, vizinha!