segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Assédios


A Joana andava a ser assediada pelo chefe. Nunca se queixou à APAV, porque achava piada à situação e sabia que podia tirar dividendos dela. Enquanto permitisse as investidas do chefe, correspondendo com um sorriso enigmático e aceitasse um ou outro convite para almoçar, permitindo umas carícias, podia baldar-se à sexta-feira a seguir ao almoço, desleixar um pouco o serviço e até fazer umas gazetas, para ir até à praia.
O chefe, porém, jogava em mais do que um tabuleiro e começou também a assediar a Mariana. Só que Mariana reagiu de forma diferente... Em vez de se aproveitar da situação, avisou- o de que não tolerava os avanços. O chefe insistiu e ela apresentou queixa à APAV. Numa tentativa de conciliação, o chefe prometeu promovê-la e acabar de vez com o assédio.
Quando Joana soube da história, decidiu também apresentar queixa. Alguns colegas apoiaram-na. Outros deixaram de lhe falar e chamaram-lhe oportunista. Qual é a sua opinião?
( texto já editado)

11 comentários:

  1. Caro Carlos, a questão do assédio sexual no trabalho é demasiado complexa e grave e nem sempre o que parece é embora os casos que apresenta aparentemente não ofereçam dúvidas. Mas o meu comentário tem apenas a ver com o facto de achar fantástica e muito oportuna a colocação do cartaz do filme «Revelação» [1994] para que se perceba aquilo de que falo. E neste barco as posições podem ser assumidas diferentemente por homens e mulheres.


    Um abraço.

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  2. Carlos
    Apetece dizer que a Mariana tinha-os no sítio e a Joana onde mais lhe convinha.
    Extravasando para o comportamento das pessoas em geral, há gente e gentinha...

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  3. Os jogos entre macho e fêmea tem tantas "nuances", dá dramas românticos autênticos romances. Dá também filmes de terror ou ridiculos contos de amor trepador. Entre o adulador com poder e a adulada que também o sabe exercer vai um mundo de coisas... Umas boas outras más e ainda outras piores.
    O grave está na gravidez,
    que raramente aparece. Gracas à pilula?
    Talvez!
    Mas há mulhes e homens que sabem ser mais que simples macho e fêmea...

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  4. Eu cá não sou de intrigas...mas lá que há situações verdadeirmente kafkianaslá isso...

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  5. - Sinto Joana como a mulher oportunista encontrada em tantos lugares que, na falta de talento profissional, vale-se da beleza que Deus lhe deu para galgar postos, obter favores. Tão oportunista que valeu-se da atitude da Mariana e dos resultados dessa atitude, para tentar conseguir novos favores...
    Tenha uma boa semana, Carlos.

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  6. Não é assunto de sim ou sopas. É complexo e, possivelmente, só o lugar comum "depende, cada caso é um caso" serve como resposta a aplicar judiciosamente.

    :)))

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  7. E é assédio, quando ela permite esses comportamentos do chefe? Por mim, acho que não... ;)

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  8. De pu@#$s e oportunistas está o mundo cheio, Carlos.
    Esta menina é só mais um exemplo.
    E um exemplar.

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  9. A Joana parece realmente um bocadinho oportunista...

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  10. Este fim-de-semana, li um artigo que me despertou um pouco para a realidade e percebi, tristemente, que também eu recuso reconhecer alguns casos de assédio e violência, por me parecerem situações normais, coisas feitas de cabeça quente ou meras brincadeiras de mau gosto. Nada mais errado. Acontece que tanto eu, como muitas da minha geração ainda aprendemos que devemos aceitar e perdoar certos machismos e não só. Escusado será dizer que este artigo foi uma verdadeira epifania. :)
    Quanto ao seu post, faltam muitos detalhes, para poder avaliar a situação. Nunca me passou pela cabeça que ela fosse uma oportunista, ou outras coisas piores como foi aqui referido. Primeiro, pensei, talvez inocentemente, que ela estava apaixonada. Quem sabe?
    Depois pensei que no fundo a Joana tem um perfil de vítima. Uma mulher engraçadinha, que até pode ter capacidade para vencer profissionalmente, mas a quem as bases são automaticamente cortadas, por ser bonitinha. Não terá sido a primeira vez que isto lhe aconteceu, mas viu na coragem da colega um incentivo para poder vencer da forma que realmente merece.
    Isto é realmente um assunto sério e existe sim o medo de perder o emprego. São incontáveis as vezes em que fui vítima de assédio, e tenho amigas que sofreram na pele situações que eu nunca admitiria, mas nunca, mesmo nunca, nos passou pela cabeça fazer uma denúncia à APAV. Porque estamos habituadas a estas coisas e não devíamos estar. Porque nem sequer sabemos que é caso para fazer denúncia à APAV. Porque as retaliações podem ser desastrosas, desde o emprego perdido, a boatos destruidores e o fim de uma carreira promissora.
    Só reflectindo assim no assunto, percebo a sua gravidade, e tenho consciencia de que enquanto eu sempre tive coragem de meter rapidamente qualquer patrão, chefe ou colega atrevido no seu devido lugar, muitas não o terão.

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