quarta-feira, 10 de novembro de 2010

POLIAMOR


Desculpem a minha ignorância, mas só há dias conheci a existência de um movimento denominado POLIAMOR. No meu léxico do amor já conhecia o ménage à trois, o swing e outras práticas multifacetadas de intercâmbio amoroso mas, POLIAMOR, confesso, é uma palavra que ainda não tinha entrado no meu dicionário dos comportamentos amorosos.
Fui iniciado nas práticas do POLIAMOR, graças a uma reportagem exibida durante um serviço noticioso de um canal de televisão e fiquei impressionado com a naturalidade com que algumas miúdas reconheciam praticá-lo.
Para os ignorantes como eu, explico resumidamente que o POLIAMOR consiste no reconhecimento, por parte de uma pessoa que o seu parceiro (ou parceira) está apaixonado por duas (ou mais) pessoas simultaneamente. Não percebi ainda (mas espero lá chegar) se essa prática só é aceite durante o período de enamoramento, ou se prolonga depois do casamento. No entanto, porque acredito que a bigamia ainda não é permitida nas sociedades ocidentais, estou convencido que o casamento (quando exista) continua a ser um contrato apenas entre duas pessoas, mas no casamento POLIAMOR qualquer uma delas pode fazer um upgrade de afectos, mantendo um relacionamento íntimo com outra(s) pessoa(s), sem que o parceiro reaja como este marido troglodita
Fiquei também a perceber que os defensores do POLIAMOR sustentam que as relações íntimas devem ser encaradas como forma de vida duradoura ( flirts não valem) e responsável ( ao infidelidade não é permitida e pode provocar a expulsão), sendo aceite por todas as partes envolvidas.Presumo que a coisa funciona mais ou menos assim:
Três pessoas ( vou reduzir o POLIAMOR à sua expressão mais simples, deixando-vos a incumbência de fazerem as combinações que desejarem) vivem num triângulo amoroso, aceite por todas as partes. Exemplificando:O Rui está apaixonado pela Joana e pela Beatriz. Diz à Joana que está apaixonado por ela e pela Beatriz, e diz à Beatriz que está apaixonado por ela e pela Joana. A Joana e a Beatriz aceitam a situação e, a partir daí, ficam à espera que o Rui se decida qual delas o acompanhará na saída de sábado à noite, num jantar à luz a vela, a uma festa, ou numa ida às compras.
Também não percebi se no POLIAMOR é aceite que o Rui esteja apaixonado simultaneamente pela Beatriz e pelo Álvaro mas, pela descontracção com que as jovens entrevistadas falavam, creio que essa vertente não estará excluída.
No que todas as entrevistadas estavam de acordo, era no facto de considerarem a monogamia um disparate. Fiquei ainda a saber que os praticantes do POLIAMOR defendem o princípio cooperativo da adesão voluntária, tendo qualquer um dos participantes a possibilidade de abandonar quando desejar, porque no POLIAMOR não há lugar ao ciúme e as relações têm por base a confiança mútua e a fidelidade.
Quando acabei de ver a reportagem apercebi-me que realmente estou velho. Ainda sou do tempo em que existiam as palavras “ Amante e amásia”, “Corno” e “Encornar” , que o POLIAMOR atira para o caixote do lixo das recordações.
Fiquei também sem perceber por que razão não foi entrevistado nenhum rapaz, praticante do POLIAMOR, habilitado a dar a sua opinião… E já agora, confesso, dei graças a Deus por me ter proporcionado, nas minhas relações amorosas, aquelas pitadas de ciúme que, sendo na dose certa, funcionam como o sal na comida.
Pronto, mas isso sou eu que sou careta e já não tenho pedalada para aceitar com naturalidade estas novas formas de relação amorosa que, certamente, irão contribuir para a felicidade das gerações mais jovens. Já lhes chega terem de se preocupar com o desemprego e a factura que vão ter de pagar pela incúria da classe política, que lhes hipotecou o futuro, para quê dar importância a essa coisa de velhos caretas que é o amor a dois?

22 comentários:

  1. Desisto! Desisto! DEsisto!

    Estes conceitos são avançados demais para a minha cabeça!!

    Agradeço a informação sobe algo que desconhecia por completo.

    Um bom dia.

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  2. Ora Carlos, ...veja a coisa pela positiva...:)))
    Ainda por cima há a possibilidade do rendimento do agregado familiar subir exponêncialmente, o que nestes dias de crise, sempre dá algum jeito, em casa onde comem dois, comem três.... :)))
    Sintomático é que não tenha aparecido nenhum caso de menage à trois, em que os intervenientes são dois e uma...; muito expressivo deste nosso Portugal dos pequenos machos...

    :))))

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  3. Carlos,
    Visualizei, semelhantemente e, confesso que a surpresa e, a estupefacção tomaram de assalto o lado esquerdo do meu peito. Até á data da referida reportagem o POLIAMOR era devoluto do meu vocabulário.

    Sem pretender ferir susceptibilidades de quem o defende e, pratica confesso dificuldade no seu entendimento e, desacerto.

    Entristece-me que o AMOR tal como o sinto e, possuo – sublime e, requintado - se vulgarize na era actual.

    Delicado dia para si.

    Ana

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  4. Caríssimo Carlos,
    desconhecia por completo, embora seja uma jovem adolescente de quarenta e muitos anos:-)).
    Mas devemos ver sempre o lado positivo da questão, como diz Ariel:-))
    bjs

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  5. POLIAMOR ou "ménage à trois" é tudo a mesma coisa, o que interessa é que todas as partes estejam de acordo, o que não é fácil.

    Desde adolescente que sonhei ter uma relação amorosa como a de Simone de Beauvoir com o Jean Paul Sartre. Infelizmente, nunca encontrei um Sartre. Mais tarde soube, que houve grandes problemas/ciúmes nessa relação com o lindo nome: "amor livre".

    Meu caro Carlos, "everything goes" como o Rui estar apaixonado simultâneamente pela Beatriz e pelo Álvaro.

    ACEITO o movimento POLIAMOR!!!
    O que NÃO ACEITO é o procedimento do meu avô materno, que tinha amantes e mais amantes, de preferência coristas espanholas, enquanto a minha avó estava fechada na sua "gaiola dourada" com três filhos e cinco criadas (com as quais o meu avô também andava metido)!!!

    PS: Ao longo de toda a semana são realizadas procissões infantis de São Martinho. Hoje lá vou para Unterrath!!!

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  6. Pois... quando uma pessoa se depara com estas inovações é que percebe veradadeiramente que é de outra geração. Há uns anos atrás havia aquela coisa da "amizade colorida". O Poliamor deve ser um upgrade da dita. :)

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  7. Também vi a reportagem; o que achei curioso foi só terem mostrado mulheres (ou raparigas); será que o poliamor só existe no feminino? Pois!
    Se for ao contrário ... acho que se chama outra coisa que me coibo aqui de dizer. ;)

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  8. Eu já conhecia.
    São novas formas de se estar na vida e de encarar as relações. Desde que haja mútuo acordo, não há mal nenhum...

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  9. Carlos
    Eu até sou assi, um bocado pró liberal, partindo do pricipío de que quem se envolve em certo tipo de práticas está consciente do que faz.
    Mas na verdade sabe-se que há gente que se mete nestas "alhadas" e fica muito mal e com grandes dificuldades em voltar a ser a mesma (pelo menos do ponto de vista psicológico)pessoa.

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  10. Estive a ver no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=gR7N8b2UvnM.
    Falhou-me, no texto do Carlos, se o elemento feminino também poderia fazer o mesmo, tendo outros parceiros e, realmente, pode.
    Isto é das tais coisas: ou aceitas, ou sais da estrada. Eu nem entraria nela, quanto mais ter de aceitar. É tão bom amar, sem partilhar. O termo Poliamor está, incorrectamente, aplicado a esta opção de vida. Não vejo amor nestas ligações.

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  11. As coisas que tu descobres! Também devo estar a ficar velho.
    Um abraço

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  12. Carlos, onde está o AMOR do ¨Polia-
    mor¨? Esta denominação não serve pa
    ra o tipo de coisa,a que se propõe.
    Pobre geração!!! Jamais saberá o
    que é amar,de verdade, e a felicida
    de que nos traz este sentimento,
    quando é recíproco. Em qualquer tem
    po, viva o verdadeiro AMOR!!!
    Abraços

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  13. Eu também vejo a coisa pela positiva, apenas fiquei sem perceber se, por exemplo, a Joana e a Beatriz podiam sair 'as duas' no sábado à noite, no caso de o Rui estar cansado...

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  14. Carlos, pois... não sei o que diga. Estou aqui de boca aberta...
    Já sei! Sou cota. Eles que são novos, que se entendam :)
    Um abraço.

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  15. Já conhecia o conceito. Não me revejo, julgo dificil de praticar, mas se os interessados se sentirem felizes...

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  16. Não conheço uma relação à três, e que envolva amor, que tenha dado certo.Cresci na fase em que muito se falava do amor livre e nunca vi tanta gente sair magoada dos relacionamentos.Não importa quem você ama ou de que forma, sim, porque existem diversas maneiras, o amor que eu reconheço é o compartilhado sempre à dois.
    Eu até admito que você ame as pessoas de formas diferentes e que estabeleça relações diferentes com elas. Pode-se amar um amigo, uma amiga, um filho, uma amante, uma avó ou um sobrinho. E mesmo estas formas de amor não combinam com relações tão abertas assim.Mais que o ciúme existe o afeto específico que mantém feliz a relação de duas pessoas. E não três!
    E não é por ser careta que penso assim, mas é porque sei que no final alguém sempre sai magoado.Ou pelo menos era assim que acontecia...

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  17. Eheheh, também nunca tinha ouvido falar... :)

    Cá para mim também serve como desculpa para a rapaziada infiel - ah, eu gosto daquelas 10 ali, e sou-lhes muito fiel! Quem diz rapaziada, também diz raparigada, evidentemente! :D

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  18. Carlos,
    Quando a gente pensa que já viu tudo, que já conhece tudo, há sempre a possibilidade de aparecer um POLIAMOR para nos deixar de cara à banda.
    Como com o nuclear, respondo - "não, obrigado!"

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  19. Desconhecia por completo a palavra. Nao me revejo no Poliamor. Um ja me da trabalho, imagine dois ;)

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  20. POLIAMOR? Nunca tinha ouvido falar em tal. O trio de que sempre ouvi falar foi: marido + esposa + amante(dele) (ou, claro, esposa + marido + amante(dela)). A diferença é que o marido ou a mulher era o(a) último(a) a saber! Assumo, consequentemente, que esta versão é a modernizada. : )

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  21. Claro que compreendo perfeitamente que “poli” pode significar mais que três!... hummm. Que trabalheira gerir um relacionamento desses! : )

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  22. Quanta discriminação e incompreensão de pessoas tão "esclarecidas" que aqui andam...

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