terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Face Oculta da União Europeia


Fruto do umbiguismo nacional que nos caracteriza, pensamos que a corrupção existe apenas em Portugal e, vá lá, nos países do sul da Europa, na América do Sul e, claro, em África. Nos países ricos, como Estados Unidos, França, ou Alemanha, a corrupção é apenas esporádica e os criminosos são de imediato presos.
Para desmistificar a ideia do “só neste país”, recomendo a leitura de um artigo do “Courrier Internacional” deste mês. Sob o título “Comissários ou Mercenários”, Frédéric Lemaire e Gildas Jossec, explicam , num excelente trabalho, como Bruxelas se tornou a capital mundial do tráfico de influências.
Para além dos cerca de 15 mil lobistas que circulam na cidade ao serviço de 2800 grandes empresas e gabinetes de consultoria , são cada vez mais os dirigentes europeus que, terminados os seus mandatos, são contratados para aplicar os seus contactos ao serviço de empresas privadas. Um exemplo: dos 13 comissários europeus que deixaram a Comissão em Fevereiro deste ano, seis já estão ao serviço de empresas privadas como a Ryanair, ou bancos de investimento. Como é o caso, por exemplo de Meglena Kouneva, comissária para a Defesa do Consumidor, que foi trabalhar para o BNP Paribas, depois de ter feito aprovar a Directiva do Crédito sobre empréstimos ao consumo, que suprime algumas das protecções dos mutuários.
O artigo cita diversos outros casos, explica como funciona este jogo de troca de influências que está a minar a credibilidade do executivo europeu, como a própria Comissão protege os infractores, pactuando com casos flagrantes de violação das regras comunitárias e remata com a citação de um compromisso assumido por Durão Barroso ( também conhecido por caniche da senhora Merkel) no início deste mandato:
“ Promover o interesse geral no seio da UE, sem permitir nenhuma pressão exterior ou interesse pessoal que tenham por objectivo exercer uma influência indevida sobre o processo de tomada de decisão”.
Palavras bonitas, que os autores deste artigo demonstram à saciedade, não terem qualquer aplicação prática. A "Nova Europa" está em marcha, sob o alto patrocínio de um tuga que chegou ao lugar, depois de ter legitimado a invasão do Iraque , numa tea party realizada nos Açores.
Créditos da fotografia: estradapoeirenta.blogspot.com

11 comentários:

  1. Excelente post! Vou ver se descubro o artigo no “Courrier Internacional”

    Abraço

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  2. Também gostava de ler o artigo do Courrier. Só mesmo um grande idiota para pensar que na União Europeia só há gente íntegra, mas idiotas há muitos.
    Faltam mencionar as trafulhices das farmacêuticas, os alimentos transgénicos, etc, etc.

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  3. Caríssimo amigo Carlos Barbosa de Oliveira,

    Na menção que faz do meu blogue no 'post' «Dardos x 5», que muito me apraz, não ficou agregado o meu link, talvez por alguma questão técnica. Vou também rectificar na minha lista de blogues preferidos a designação do CR.

    Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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  4. Sabe Carlos, é bom ler este tipo de coisa, ter contato com esse tipo de informação, pra não ficar achando que é só aqui no Brasil ou Portugal que há corruptos. A corrupção está entranhada no caráter humano. Faz parte do ser humano, onde quer que ele esteja. Seja numa pequena vila ou numa metrópole. No centro ou na periferia.

    Beijo

    Carla

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  5. Para mim, a criação da União Europeia foi, mesmo, o melhor processo para controlarem tudo com mais facilidade.De um sítio só... conseguem mexer todos os cordelinhos ;)
    Quanto a escolherem um tuga... mais maleável e obediente... não devia haver ;)

    Bjos

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  6. Caríssimo amigo Carlos Barbosa Oliveira,

    Muito obrigado! São coisas que acontecem. Não tem importância!

    Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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  7. Corrupção na Comissão Europeia? Quem preside "aquilo"?
    Mas é verdade que os portugueses pensam que só em Portugal acontecem coisas más que "lá fora" é que é bom. É preciso sair para perceber que também há muita coisa mal noutros locais.
    Um abraço

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  8. Não, não tenho nada essa ideia que a corrupção e o tráfico de influências não existe na Europa. Antes pelo contrário!

    Mais, para serem presos era preciso que se provasse em tribunal, e como é que esses casos iam lá chegar se ninguém der com a língua nos dentes, já que ambas as partes envolvidas não estão interessadas em divulgar as suas tramóias?

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  9. Uma instituição universal, Carlos.
    Mas, neste domínio, ao contrário de outros, muitas vezes temos a mania de citar o Manuel João Vieira - "nós estamos mal. Mas a....(era a Gunié Bissau, mas não se diz) está muito pior.

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  10. Vivo fora do meu País e, com conhecimento de causa, deixo aqui registada a minha opinião de que há coisas em Portugal muito superiores àquelas que são pratidadas noutros paídes da Europa, como Itália e Reino Unido. Por exemplo, o serviço de saúde (assistência a doentes), no Reino Unido, pessoalmente acho muito mau e a burocracia, em Itália, consegue ser muito pior do que em Portugal. Não vou alongar-me porque seria cansativo. Mas quem me dera, contudo, que em Portugal existisse a segurança económica que existe aqui no Reino Unido. Quanto ao teor do texto não me surpreende. A injustiça impera, por isso é que essas coisas continuam a acontecer, sem aparente solução. Salve-se quem puder, tentando conseguir o maior número possível de 'tachos', recorrendo a influências onde a corrupção é a mola real para o bom resultados de negociações feitas à margem da lei. Da lei? Que lei? Quem é que estará à altura de a fazer cumprir?

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