terça-feira, 30 de novembro de 2010

A infiltrada

O Ocidente exultou com a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. O que os europeus não imaginavam é que, 20 anos depois, uma contabilista nascida na RDA haveria de dirigir a Alemanha unificada e prosseguir uma política que pode conduzir à destruição das bases da União Europeia.

Banho de espuma


Nos idos de 70, pouco depois de terminado o PREC, tive um colega de trabalho que me acusava de ser burguês, porque tomava banho todos os dias. Dois banhos por mês para ele era suficiente e tinham de ser sempre duches muito rápidos. Ria-me bastante com aquela infantilidade revolucionária de um finalista de economia que jurava fidelidade à causa do proletariado e odiava na mesma proporção os revisionista e os burgueses como eu que se davam ao luxo de tomar banho todos os dias.
Passaram 33 anos. Não sei se o jovem revolucionário toma banho diariamente mas, se não o faz, deve ser o único resquício revolucionário que ainda alimenta. Hoje é quadro superior num banco, só veste roupa de marca ( embora de gosto duvidoso) do seu corpo exala um aroma de perfumes caros e conduz um Audi topo de gama.
Lembrei-me dele porque li no “i” uma reportagem sobre uma tendência que está a aumentar nos Estados Unidos: tomar banho é desnecessário, lavar o cabelo um disparate e usar desodorizante um desperdício. Segundo Jenefer Palmer, uma entusiasta deste novo modelo de higiene, para estar limpo basta passar uma toalha embebida em sabão debaixo dos braços, nas solas dos pés e entre as pernas!
Quando acabei de ler a reportagem dobrei as páginas, meti-as num envelope e enviei-as para o banco onde trabalha este meu ex-colega, com um cartãozinho onde escrevi:

Caro J
Mais de 30 anos depois devo reconhecer que tinhas razão. Tomar banho todos os dias é mesmo um luxo burguês, como podes ler nesta reportagem. Como me dizias na altura, um revolucionário tem sempre razão, é tudo uma questão de tempo. Quem havia de dizer , meu caro,que seriam os imperialistas americanos os primeiros a reconhecer ( a seguir aos belgas, irredutíveis badalhocos) o acerto dessa tua fervorosa teoria revolucionária?Olha, fico-me por aqui, porque tenho de ir tomar banho. Continuo um irredutível burguês.
Grande abraço

PS: Envio-te esta fotografia de um banho. Imagina o que perdeste ao longo da vida! Eu sei que estes banhos não são muito ecológicos, mas são tão revigorantes...


Mais uma oportunidade perdida?


Ano passado, durante a cimeira de Copenhague sobre as alterações climáticas, manifestei desconfiança quanto à possibilidade de a cimeira de Cancún- que ontem se iniciou - vir a alterar o panorama de pessimismo que se instalou na capital dinamarquesa.
Escrevi na altura:
"Acredito que ( apenas) em 2012 seja possível chegar a uma plataforma de acordos mínimos, mas não mais do que isso. A crise económica e financeira não estará ainda resolvida em 2012 e os senhores que governam o mundo continuarão a privilegiar o desenvolvimento económico em detrimento da sustentabilidade do Planeta.
Um dia- talvez não muito distante- as gerações mais jovens vão cobrar a esta geração de políticos acéfalos a sua incúria com a preservação da nossa casa comum e perguntarão para que serviu garantir a sustentabilidade económica e financeira, se a vida na Terra se tornou insustentável mas, muito provavelmente, a maioria dos responsáveis pela degradação das condições ambientais, não estarão cá para lhes responder."
Antes de se iniciar a cimeira de Cancun, as expectaivas eram muito reduzidas. Ninguém espera grandes resultados. Nem pactos, nem consensos alargados, parecem possíveis. Continuaremos alegremente a olhar para o futuro com indiferença, negligenciando os efeitos da nossa incúria sobre as gerações vindouras. Salvaguardadas as diferenças climáticas, o balanço da Cimeira não andará muito longe deste cenário.

Pelo país dos blogs

Fez dois anos há poucos dias esta Candeia, cuja luz ilumina a blogosfera com grande intensidade. Todos os posts nos proporcionam belos momentos de reflexão, ou imagens de grande beleza, mas optei por destacar este, porque aborda um tema que muito me tem preocupado nos últimos dias

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Perguntar, por perguntar

Há 40 anos os americanos foram à Lua. Se não foi para arranjarem uma alternativa a este planeta, o que é que foram lá fazer?

Toma lá qu'é democrático!


O acordo do Centrão para aprovar o OE deixou de fora o aumento das taxas sobre as mais valias bolsistas, mas aumentou de 20%, para 21,5%, a taxa sobre os depósitos bancários. Resumindo: penaliza os pequenos aforradores e premeia os especuladores. Nada mau para um governo socialista moderno, que aposta nas novas tecnologias... das calças na mão.
Esta protecção aos especuladores promovida pelo Centrão, com o apoio encapotado do apêndice Paulo Portas, é bem reveladora da classe política que nos governa, ou pretende ser alternativa aos proto-socialistas: um grupo de infames, que protege sempre o lado mais forte. Estou certo que os irmãos Metralha teriam vergonha de se confrontar um dia em tribunal com tão miseráveis colegas de profissão.
Há, no entanto, algo que convém não deixar escapar no meio desta mixórdia de acordo.Enquanto o PS acusa o PSD de ser responsável pelo não aumento das mais valias bolsistas, o partido laranja remete-se ao silêncio (“quem cala consente”) e procura fazer de conta que nada tem a ver com este OE miserável. O CDS finge estar contra , mas põe o seu euro deputado Nuno Melo a fazer discursos incendiários, dizendo que compreende a especulação dos mercados financeiros, porque Portugal não poderá honrar os seus compromissos.
PSD e CDS estão em campanha eleitoral, unidos no objectivo de criar uma nova AD, cujo mote será apoiar os especuladores e vender os portugueses aos seus amigos mafiosos, com quem há muito entabularam conversações nos meandros de Bruxelas. Só se deixa enganar por este "ménage à trois" ( versão política do POLIAMOR) quem quiser.

A figura da semana


Durante os três anos do seu mandato, Marinho Pinto foi sistematicamente atacado pela oposição interna que encontrou, em alguma comunicação social, eco para as suas críticas. Poucas vezes, ao longo deste tempo, vi artigos na imprensa enaltecendo a actuação do Bastonário.Na sexta-feira os advogados foram a votos e reconduziram no cargo o actual Bastonário. Nem sequer foi uma eleição renhida, pois Marinho recolheu praticamente o mesmo número de votos dos seus dois adversários.
Três anos depois, o "advogado dos descamisados" volta a dar uma chapada a Marcelo.

Pelo país dos blogs

Há coisas que me encanitam e deixam a ferver. Uma delas é que tentem impôr-me padrões de vida que outros vêem como consensuais, mas eu rejeito. Por isso não podia estar mais de acordo com esta reflexão da Blonde.

domingo, 28 de novembro de 2010

Num cinema perto de si...

Noite de insónia no Porto, dias depois do massacre no Dragão. Faço zapping e vou parar a um programa desportivo na RTP N . Fico a saber que António Pedro Vasconcelos considera Jorge Jesus o melhor treinador do Mundo, o único melhor do que Mourinho. Percebo melhor os filmes de alguns realizadores de cinema. E o de um árbitro com Paixão, que hoje arbitrou o Beira-Mar - Benfica, abrindo caminho a uma vitória que os encarnados começavam a ver fugir.

Esquina da Memória (11) -Regresso ao futuro

Em Janeiro tive este delírio. Quase a chegar ao fim do ano, parece-me cada vez mais real.

Parabéns, Sporting!

Era previsível que o Sporting iria fazer, esta noite, o jogo da sua vida. Fez... durante a primeira parte. Jogou empolgado, triturou o Porto que esteve apagado, principalmente por culpa de Paulo Sérgio, que soube secar Hulk, a fonte inesgotável de futebol ofensivo dos azuis e brancos.
Na segunda parte o Porto começou por cima, empatou e se não tivesse sido a expulsão ( justa) de Maicon, certamente teria ganho o jogo.
A última derrota do FC. Porto para a Liga acontecera precisamente em Alvalade, na época passada, à 21ª jornada. Não voltou a acontecer. O Porto aguentou o empate, a agressividade a roçar a violência de alguns jogadores do Sporting e conseguiu, merecidamente, trazer um empate de Alvalade. Sem contestação.
Não há que esconder: o Porto está num período menos bom, que conseguiu mascarar na segunda parte, até ficar reduzido a 10. Espero que tenha aprendido a lição e recupere depressa, porque ainda há muito campeonato pela frente, até Maio.
Quanto ao Sporting: com tudo a seu favor e a jogar contra 10 durante meia hora, foi incapaz de vencer, o que não deve deixar os seus adeptos descansados em relação ao futuro.

sábado, 27 de novembro de 2010

Humor fim de semana

Um funcionário público, desejoso de agradar a Oliveira Salazar, diz ao Presidente do Conselho:
Senhor presidente, "hoje não apanhei o eléctrico, vim a correr atrás dele e poupei oito tostões"
O ditador respondeu de imediato: "fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo".

O fotógrafo estava lá...


Depois da aprovação do OE 2011, os 3 Porquinhos reuniram-se para festejar. Ardiloso, ao ver o olhar atento e guloso do Lobo Mau especulador, Paulo disfarçou-se de trabalhador responsável, fingindo criticar a euforia dos manos Zé e Pedro.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Criativos, precisam-se!

A campanha eleitoral na Catalunha tem demonstrado que a criatividade dos catalães, em termos políticos, está nivelada abaixo de cão.
Os jovens socialistas, cada vez mais afastados da realidade e talvez inspirados na campanha da JS portuguesa dos anos 90 que gerou grande polémica ( “Deixa-me Seduzir-te”) produziram um vídeo onde uma eleitora simula um orgasmo no momento em que introduz na urna o boletim de voto.
Os jovens do Partido Popular ( a quem Pedro Passos Coelho correu a beijar a mão, pouco tempo depois de ter sido eleito líder do PSD) foram mais pragmáticos e, quiçá, sintonizados com a sua ideologia. Produziram um jogo de computador em que a sua candidata vai acumulando pontos, à medida que dispara contra os independentistas e imigrantes ilegais.Dois bons exemplos da falta de sanidade mental que parece ter atingido, inexoravelmente, “nuestros hermanos”.
No dia 28, de acordo com as sondagens, a CiU regressará ao poder.

Aduzinda, aliás, Maria


No tempo em que as empregadas domésticas se chamavam criadas, usavam fardas e grinaldas, trocavam a casa dos pais pela casa dos patrões e havia mais candidatas a criadas de servir do que hoje em dia há candidatos a jornalistas à procura de um emprego, Aduzinda foi oferecer-se a casa de D. Amélia.
Levava uma carta de recomendação de D. Benvinda, amiga de D. Amélia desde o tempo em que tinham andado a estudar para boas mães, no colégio do Rosário. D. Amélia despedira na véspera aquela que há dez anos a servia fielmente, por ter cometido o crime de deixar esturrar a carne do jantar e salgado as batatas fritas.
Aduzinda- lia-se na carta de recomendação que deveria usar, no caso de não agradar a D. Amélia -era honesta, de uma fidelidade canina (sic) e cozinhava maravilhosamente. Estava desempregada, porque D Benvinda, a anterior patroa, se ia mudar de armas e bagagens para Lisboa, acompanhando o marido convidado para ministro de Salazar.
D. Amélia não precisou de ler a carta de recomendação. Olhou para Aduzinda, lembrou-lhe com ar severo as regras da casa e disse:
- Terei muito gosto em que trabalhes aqui, mas há um problema…
-….???
- Todas as criadas que trabalharam cá em casa, anteriormente, se chamavam Marias. Se quiseres que eu te aceite, terei que te chamar também Maria, porque o teu nome é muito difícil de pronunciar.
Aduzinda agradeceu com um brilhozinho nos olhos e apenas respondeu, de olhar baixo:
- Não faz mal, minha senhora. Eu também não gosto do meu nome.
E foi assim que Aduzinda foi crismada, para o resto da vida, sem necessidade de ir à Igreja, nem formalidades burocráticas.

Pelo país dos blogs

Se já havia sobejas razões para visitar o Rogério, agora à sexta-feira há uma razão suplementar para passar por lá.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Porque não te calas?

Dizia a jornalista com ar compenetrado, desde Bragança:

" Aqui os efeitos da greve estão a sentir-se de uma forma muito limitada. No hospital, por exemplo, no primeiro turno da noite, dos 27 enfermeiros que deveriam estar de serviço, 19 fizeram greve".

Não será razão para despedimento com justa causa, mas explica muito bem o jornalismo que se vai fazendo por aí.

Violência contra as mulheres

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. Os “Dias de…” valem o que valem, mas vale sempre a pena lembrar que a violência contra as mulheres em Portugal não tem parado de aumentar desde 2004, ano em que se fizeram os primeiros registos. Só o facto de apenas em 2004 ter passado a haver registos seria suficiente para percebermos o atraso civilizacional do país, mas adiante…
Desde 2004 morreram 247 mulheres vítimas de violência. Algumas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se as autoridades reagissem mais pró activamente às queixas apresentadas pelas vítimas. Juízes que justificam sentenças benévolas com retrógrados argumentos machistas, ou deputados ( este, ainda por cima é coordenador da Campanha contra a Violência Doméstica) que fazem como a avestruz, em nada contribuem para diminuir os casos de violência.
Este ano já morreram em Portugal 39 mulheres vítimas de maus tratos conjugais e, só na Madeira, foram assistidas 172 mulheres vítimas de violência doméstica.Vivemos numa sociedade machista e hipócrita que promete acção, mas se fica pelas promessas, e onde a mulher, muitas vezes, acaba por ser conivente, por esconder ou desculpar a violência de que é vítima. Começa pela sua mudança de atitude o combate a este flagelo.

As tentações


José Saramago disse um dia numa entrevista:
“ Devíamos estar a aprender até aos 50 anos e, a partir daí, aplicar os nossos conhecimentos na nossa actividade profissional”.
Não só estou de acordo, como vou mais longe. É possível começar uma vida nova aos 60 anos, desde que se encare essa etapa da nossa vida com o entusiasmo e o dinamismo de um recomeço e não com a amargura da proximidade do fim. A terceira idade não é o fim da linha das nossas vidas.
Há dias lia um estudo do IAPMEI, onde se revela que 2,9% dos empreendedores portugueses são reformados e 1,6% tem mais de 65 anos.Estava a pensar nisso e no novo rumo que decidi dar à minha vida, quando aquela tosse opressora que nos cola o peito às costas e percorre o corpo numa dor intensa que ameaça desventrar-nos, me lembrou que o maior erro da minha vida talvez tenha sido não conseguir renunciar ao tabaco. Mesmo quando temos confiança no futuro e acreditamos que recomeçar é possível, essa presença demoníaca do tabaco faz questão de nos lembrar que talvez não tenhamos muito tempo para pôr em prática os planos que traçámos para o futuro. Olho para a caixa das cigarrilhas e hesito. Vale a pena resistir ao prazer de uma fumaça a seguir à refeição, depois de tantos anos a fumar?
Prescindi da cigarrilha e fui para o computador fazer uns acertos num projecto, que vou amanhã apresentar. Fiquei durante alguns minutos bloqueado. O telefone tocou. Fui atender. Alguém pedia a minha colaboração para responder a um inquérito sobre hábitos tabágicos. Expliquei que não podia responder, em virtude da minha actividade profissional. Ao regressar ao meu escritório, a caixa das cigarrilhas atravessou-se no meu olhar. Cedi. Dei duas fumaças prolongadas e regressei ao computador. As ideias saíram com fluência, como no tempo em que acendia um cigarro com o argumento de que me ajudava a concentrar no estudo.
Senti um leve sopro no pescoço. Olhei, mas não havia ninguém. Pareceu-me ouvir umas risadas. Apurei o ouvido, mas só "ouvi" o silêncio. No espelho, formou-se uma névoa e a paz regressou ao escritório. O mafarrico terá ido pregar partidas para casa do vizinho?

O caso da Auto Europa


A Auto- Europa vai aumentar os salários dos seus trabalhadores em 3,9%.
Num panorama de cortes gerais de salários, este aumento pode surpreender muita gente, mas não quem perceba que é o modelo de gestão ( bem diferente do adoptado pelos gananciosos empresários portugueses) a consciencialização dos trabalhadores e dos sindicatos que está na base do sucesso da empresa.
Teria sido fácil à administração da Auto-Europa fazer como os nossos empresários e, escudando-se com a crise, rejeitar o aumento de salários ou tentar pelo menos um aumento ao nível da inflação. Não o fez.
Teria sido cómodo, para os trabalhadores da Auto-Europa, não aderir à greve, argumentando que as práticas seguidas pela empresa não justificavam a greve. No entanto, os trabalhadores aderiram à greve em massa, invocando a solidariedade com os trabalhadores de outros sectores e familiares que estão a ser vítimas da política seguida por este governo.
O direito à greve e à não greve é essencial para o funcionamento de uma democracia e cada um deve agir de acordo com a sua consciência. Agora, o que é inadmissível, é que haja pessoas com lata de ir para as câmaras de televisão dizer que estão solidários com a greve, mas não a fazem, porque isso representaria a perda de um dia de salário. Ou quem utilize as mesmas câmaras para afirmar que os grevistas são calaceiros. Gente desta não devia ter direito a votar, porque não percebe nada da sociedade em que vive e, assim sendo, quando mete o voto na urna, está a votar apenas num clube e não num modelo de sociedade que pretende para o país.

Pelo país dos blogs

Revejo-me neste texto da SHE que, em minha opinião, merece um forte aplauso. Ide ler, ide ler!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve geral e o Pato Donald


Não me vou debruçar sobre as manobras das administrações de algumas empresas, para impedirem os trabalhadores de fazer greve. Não me vou pronunciar sobre as declarações da ministra do trabalho, pois uma sindicalista que aceita exercer essas funções, pondo-se ao lado do patronato, faz-me lembrar aqueles comunistas arrependidos, como Pina Moura, que assim que se desvincularam do PCP correram para os braços do capital, como Patos Donald deslumbrados com a fortuna do Tio Patinhas. Reconheça-se, porém a diferença entre a reacção deste governo e a reacção abjecta de Cavaco Silva em 1988 ( que a TVI fez o favor de reproduzir, para que não nos esqueçamos...)
Não vou perder tempo a comentar as declarações do secretário de estado da administração pública, porque não perco tempo com pessoas irrelevantes.Não vou fazer links para aqueles blogs de direita onde figurinhas das jotas em bicos de pés fazem perguntas idiotas sobre a greve geral, demonstrando uma ignorância confrangedora.
Vou-me centrar na resposta que uma parda funcionária pública, promovida a dirigente, pela Rede de conluios onde se move dentro do PS, me deu quando lhe perguntei a razão de não fazer greve:
“ Eu agora sou dirigente, não posso fazer greve, porque os dirigentes não têm esse direito”.
Os funcionários públicos, como todos os trabalhadores, têm o direito de fazer ou não fazer greve, de acordo com aquilo que lhes dita a consciência. O cargo que desempenham é irrelevante. O problema é que, tal como acontece com esta dirigente ( que conheço de longa data e cuja incapacidade para dirigir seja o que for, foi diversas vezes reconhecida) há muitos funcionários públicos que têm a consciência pesada e não fizeram greve, porque consideram isso uma desfeita a quem lhes arranjou o lugar, através de concursos públicos feitos à medida, onde apenas faltou a identificação da cor dos olhos e o peso, para se perceber quem era o candidato que se pretendia recrutar para determinado posto de trabalho.
Estes casos são mais notórios em organismos pequenos, inicialmente criados cheios de boas intenções, mas que se transformaram, com o decorrer do tempo, em albergue de militantes do Centrão, imprestáveis e ineficazes. Servem apenas os interesses de famílias, não o dos cidadãos ou do país. Resultado: ninguém tem coragem de acabar com eles, porque são o asilo das clientelas partidárias que alimentam os partidos do Centrão.

Da mercearia ao ministério das finanças: a mesma luta

Neste dia de greve geral, enquanto fazia uma revisão das causas que a ela conduziram, lembrei-me do sr Viegas, merceeiro da rua de Costa Cabral, onde a minha mãe fazia uma boa parte das compras mensais. O sr. Viegas – pensava eu - era uma pessoa pouco simpática, mas generosa. Todas as semanas passava por lá com mais quatro amigos, para comprar os “cromos da bola”.Às vezes, quando saía da escola sozinho, passava pela mercearia que distava escassos metros. Entrava, perguntava se a minha mãe estava lá e o sr Viegas, fingindo não perceber o meu estratagema, metia a mão numa daquelas caixas de vidro onde guardava os rebuçados e oferecia-me uma mão cheia deles. Melhor: no princípio era assim, mas quando eu passei a fazer a visita semanalmente, o sr. Viegas começou gradualmente a diminuir a oferta, até chegar o dia em que pegou em dois rebuçados, estendeu-mos e disse:
- Não voltes cá tão depressa, porque a vida está má. Se quiseres rebuçados, pede à mãezinha que os compre.
Determinado, recusei os rebuçados. Sem uma palavra saí da mercearia encanitado com a prédica e cheguei a casa cabisbaixo e carrancudo, originando de imediato um bombardeamento de perguntas sobre as causas da má disposição que, perante a minha recusa em responder, a minha mãe entendeu atribuir a mau comportamento na escola, ou briga com algum colega. Devia ter-me calado e deixá-la convencida de que acertara no vaticínio, mas acabei por confessar o meu procedimento- que se arrastava há alguns meses - e contar a reacção do sr. Viegas naquele dia, que me deixara envergonhado e ofendido.
Para minha surpresa, em vez de receber o apoio da minha mãe, ouvi uma forte reprimenda e fui proibido de ir brincar, nessa tarde, para o jardim. Peguei nos meus carrinhos da Dinky Toys, refugiei-me na sala onde devia estudar e fazer os trabalhos de casa e, inconformado com a impossibilidade da competição diária com os meus primos, organizei corridas solitárias, à volta do tapete da sala, onde Juan Manuel Fangio ganhava sempre a Stirling Moss. Aprendi, nessa tarde, a fazer batota. Para garantir a vitória de Fangio, despistava propositadamente todos os adversários que ameaçavam impedir o sucesso do meu ídolo.
À noite, depois do jantar, o meu pai chamou-me ao seu escritório. A minha mãe tinha-lhe contado o meu pecado e tive de ouvir nova reprimenda, seguida de ameaça de medidas mais drásticas, se voltasse a visitar o sr. Viegas, para lhe pedir guloseimas. Bem insisti que nunca pedia nada, ele é que me dava, mas de nada valeu a minha argumentação.
No dia seguinte, quando cheguei à escola, os colegas com quem repartia a oferenda semanal vieram ter comigo, na expectativa de receber o seu quinhão. Contei-lhes o que se tinha passado. Tão descoroçoados quanto eu, os meus amigos fizeram uma proposta de boicote à mercearia do sr. Viegas. Ninguém mais iria lá comprar “os cromos da bola”, passaríamos a fazer a compra na recentemente aberta mercearia do sr. Óscar.
Assim foi. O Viegas perdia cinco clientes que, de uma assentada, transferiam a sua semanada para as mãos do sr. Óscar, em troca dos “cromos da bola”. Quando íamos comprar os cromos, ficávamos nas imediações da mercearia abrindo nervosamente as carteiras de cromos, na esperança de encontrar o carimbado. Depois da decepção reuníamo-nos para fazer as trocas dos repetidos, em animados leilões.
Um dia, durante uma destas operações, ouvimos algumas empregadas domésticas ( na altura chamavam-lhes criadas) conversar animadamente sobre a mercearia do sr.Óscar. Estavam encantadas com os seus dotes físicos e comparavam a sua delicadeza com a arrogância do sr. Viegas. Uma delas queixava-se que sempre que lá ia ele tentava apalpá-la, outra afirmava peremptoriamente que ele era um ladrão. Roubava no peso do fiambre e em tudo o que podia, enganava-se nas contas sempre a seu favor, mas para as patroas era só mesuras e vénias. “ E depois, no Natal, oferece-lhes sempre uma caixinha de bolachas e outra de bombons e assim as vai enganando”- alvitrou uma anafada. Outra, exaltada, garantia que tinha sido despedida por causa do sr Viegas:

“ Um dia, quando ele começou com os avanços dei-lhe uma chapada. No dia seguinte, foi dizer à minha patroa para ter cuidado comigo, porque sempre que ela estava fora de casa, eu metia um homem lá em casa. Chorei de raiva, porque a senhora não acreditou em mim e despediu-me. Estive um mês na Casa das Zitas* até encontrar outro emprego, porque a patroa nunca me passou uma carta de recomendação e dizia a toda a gente que eu era uma desavergonhada”. Em uníssono, lamentavam-se das patroas que não lhes davam ouvidos sobre as virtudes do sr. Óscar, encantadas que andavam com as mesuras do sr. Viegas e desconfiadas quanto às qualidades que elas exaltavam ao proprietário do novo estabelecimento.
Selámos um acordo secreto. Iríamos apoiar as criadas e convencer as nossas mães que o sr. Viegas era um ladrão e o sr. Óscar um homem muito honesto. Todos os dias encontrávamos um pretexto para convencer as nossas mães a trocar o sr. Viegas pelo sr. Óscar que, quando íamos lá comprar as cadernetas de cromos nos oferecia sempre uma guloseima.Não posso agora afiançar se a nossa estratégia deu resultado. Em relação à minha mãe, lembro-me que ela apenas trocou o sr. Viegas pelo sr. Óscar, quando eu já andava no liceu. A causa foi uma caixa de bombons estragados que ele lhe ofereceu num Natal.Anos mais tarde, quando o sr. Óscar já era o fornecedor de lá de casa, a mercearia fechou. O sr. Óscar foi preso por vender produtos adulterados.


Neste momento, muitos leitores já terão perguntado, enfadados, o que tem esta história a ver com a greve geral. Sem mais delongas, passo a explicar.
Quando Teixeira dos Santos foi para o governo, eu já sabia que ele não era socialista e duvidava que fosse um democrata. Sabia que era o homem que Cavaco sonhava ter a chefiar um governo, mas sempre o vi como uma pessoa justa e honesta. Foi essa a imagem que construí dele ao longo destes anos, apesar de não concordar com muitas das medidas que tomou.. Cinco anos volvidos, já não consigo ver Teixeira dos Santos como uma pessoa justa e honesta. Não é só pelos cortes dos salários dos funcionários públicos que, num momento de crise como o que Portugal vive até compreenderia se fosse temporal. É pela desfaçatez e frieza com que afirma que os cortes serão para sempre, tão contrastante com a falta de coragem em cortar nas mordomias das empresas públicas e em atacar as grandes fortunas. É pelo facto de anunciar que se acabaram os concursos, mas continuar diariamente a ler no DR nomeações e aberturas de novos concursos. É por continuar a pactuar com a existência de lugares de chefia, cuja única justificação é a necessidade de alimentar clientelas partidárias. É pelos cortes que se propõe fazer na ADSE e no SNS em geral.É pelo pedido de corte nos salários dos privados, enquanto aumenta as despesas de representação e alimenta a gordura excessiva dos gabinetes ministeriais. É pela indiferença que manifesta pela pobreza, pelo corte de pensões acima de 1550 euros que se propunha fazer, contrastando com o temor reverencial à alta finança e ao grande capital.
É, enfim, por ter deixado de acreditar na sua palavra, por ter feito tábua rasa dos acordos que o Estado celebrou com os sindicatos.Podem dizer-me, talvez com razão, que no dia em que Pedro Passos Coelho nomear Nogueira Leite para ministro das finanças, ainda iremos ter saudades de Teixeira dos Santos. Não será isso, porém, que justifica que hoje não protestemos todos nas ruas contra esta ignomínia das medidas persecutórias contra os trabalhadores, decididas por Teixeira dos Santos e apoiadas por Sócrates, com o alto patrocínio de Pedro Passos Coelho. Teixeira dos Santos é como o sr. Viegas. Lixa os trabalhadores, enquanto distribui véneas ao patronato. Nunca lhe compraria uma caderneta de cromos.Nogueira Leite será bem parecido como o sr. Óscar e até talvez venha a suscitar muitos suspiros das sopeiras de serviço que o apaparicam nalguns blogs, mas o mais provável é que o seu fim seja igual ao do sr. Óscar. O que precisamos, hoje, é de protestar contra ambos.Porque roubam no peso dos nossos salários, andam a apalpar-nos enquanto distribuem véneas aos patrões e nem rebuçados nos oferecem.
É urgente e encontrar uma alternativa aos merceeeiros, que não seja a dos hipermercados que PPC propõe. Chegou a altura de voltar a dar crédito às cooperativas de consumo. Porque só essas são do Povo.




Greve Geral



Começou há 1 minuto e já "ouvi" esta conversa entre dois empresários:

-Então os teus empregados aderiram à greve geral?

- Claro! 100 por cento de adesões. Se não fizessem greve despedia-os, porque quem não defende os seus direitos, também não defende a empresa, se um dia estiver em dificuldades...

( Não precisam de me enviar os comprimidos, porque já tomei)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Procura-se Tigre Celta

(Antes de recorrer à assistência médica do FMI, foi visto na companhia de Paulo Portas e Medina Carreira)
Pronto, já está! A Irlanda recorreu mesmo ao FMI dando assim razão a todos os que, durante anos, a apontaram como um exemplo a seguir por Portugal ( pausa para pigarrear).
Que terão agora a dizer Paulo Portas, o grande Medina Carreira e outros embevecidos, sobre o milagre económico da Irlanda?
Depois de ter cortado os salários dos funcionários públicos em 15 a 20 por cento, de ter aumentado os impostos e cortado nos benefícios sociais ( medidas que Medina Carreira recomendou repetidamente deveriam ser seguidas por Portugal), o Tigre Celta está ferido de morte e o povo saiu à rua para protestar com violência.
Espero que os inebriados com o “milagre irlandês” façam “mea culpa”, desçam à Terra e peçam desculpa aos portugueses por terem andado a enganá-los com os repetidos Hossanas à coragem de Brian Cowen.

Primeiro banho de Inverno

Há quem festeje o primeiro banho de Verão, com pompa e circunstância. Eu estou mais habituado a lamentar o primeiro banho de Inverno. Foi hoje. Estava parado numa passadeira, na 5 de Outubro, à espera do sinal verde para atravessar. Como havia uma poça de água, afastei-me da berma tanto quanto pude, para evitar levar um banho. Inútil! Um simpático automobilista passou em grande velocidade, fazendo com que a água fosse projectada para cima dos peões. Valeu-me, apesar de tudo, estar protegido por outros peões que, mais incautos, aguardavam o sinal verde bem junto à berma.

Aula de oftalmologia

Não fumava. Não bebia. Era tímido no contacto com as mulheres. Uma tarde, na Ateneia, deixou-se enfeitiçar pelos óculos pendurados num nariz protuberante. Casaram. Nasceram três dioptrias.

Pelo país dos blogs

Atrocidades sobre os animais ocorrem todos os dias, infelizmente, mas o que a Helena aqui nos relata é barbárie. Ainda por cima numa Universidade!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

De mão estendida ( mas só às vezes...)


Quando Ramos Horta manifestou disponibilidade para Timor Leste vir a comprar alguma dívida portuguesa, Cavaco Silva respondeu que “Portugal não estava de mão estendida”.
Ao receber Obama durante a cimeira da Nato, o actual e futuro PR mudou de opinião. De mão estendida pediu-lhe que exercesse os seus empenhos para que os EUA comprassem mais produtos portugueses.
O que me espanta não é a mudança de atitude de Cavaco. Nem a sua ignorância quanto à impossibilidade de Obama poder satisfazer o seu pedido, porque as empresas americanas não são dependentes do Estado ( ao contrário do que acontece com a maioria das empresas portuguesas, cuja sobrevivência depende dos subsídios e das compras feitas pelo Estado).O que me espanta, preocupa e envergonha, é saber que os portugueses vão reconduzir Cavaco no cargo de PR, por mais cinco anos.

Privatização da RTP e direito à informação

A televisão pública holandesa ( NOS) não foi privatizada. No entanto, por iniciativa do partido de extrema-direita que integra a coligação governamental, vai deixar de ter site na Internet a partir de 2011. O pretexto invocado pelo PVV é que a NOS está a fazer concorrência desleal aos jornais on line.Provavelmente sou muito burro e não percebi o argumento, mas a motivação para esta medida é bem perceptível.
Pedro Passos Coelho já se declarou favorável à privatização da RTP sendo essa, muito provavelmente, uma das primeiras decisões que tomará quando se instalar em S. Bento. Compreendo que a direita rejubile com a medida. Vejo com mais apreensão que haja jornalistas que a apoiem fervorosamente. É que privatizar a RTP significa coarctar o direito dos portugueses à informação. Por muitos argumentos que alguns jornalistas invoquem, em defesa da privatização da RTP, não poderão ignorar que a televisão pública é o único canal aberto que dá aos portugueses uma programação alternativa às telenovelas em horário nobre. Desde documentários a seriados sobre a nossa História, passando por debates políticos, programas sobre ambiente, questões sociais e solidárias, a RTP oferece um leque agradável de opções a quem não tem televisão por cabo. Poder-se-á questionar se programas como “Quem quer ser milionário” ou “ O Preço Certo” devem fazer parte da programação de uma televisão pública. Pessoalmente, penso que sim, pois o entretenimento não deve ser afastado da programação de um canal público.
As audiências demonstram que os portugueses vêem na RTP uma alternativa. A televisão pública aparece de forma quase constante à frente da SIC ( terminará o ano no segundo lugar, a seguir à TVI), o Telejornal da RTP é, quase sempre, o mais visto pelos portugueses e, se somarmos as audiências dos dois canais públicos, a RTP é a televisão com mais audência quase todos os dias.
A RTP África e a RTP Internacional desempenham um papel importante na lusofonia e são um elo de ligação dos PALOP. A RTP Memória ( embora não disponível em canal aberto- o que em minha opinião é lamentável) é um manancial de memórias de bons momentos de televisão que se fez em Portugal . Claro que eram dispensáveis aqueles jogos de futebol de há 40 anos, mas isso é outra história... Finalmente, vários estudos de opinião têm demonstrado que a RTP é uma das marcas que merece mais confiança dos portugueses.
Por tudo isto tenho alguma dificuldade em entender ( ou talvez não…) as razões que levam alguns jornalistas, tão preocupados com a liberdade de expressão, a fazer uma defesa acérrima da privatização da RTP, esquecendo que é o único canal que assegura o direito à informação. Será porque convivem mal com o anonimato e vêem na privatização da RTP uma janela de oportunidade, que essses jornalistas tanto pugnam pelo fim da televisão pública?

Portugal não é só fado...


Nos anos 80 o país, entusiasmado, cantava e dançava ao som desta canção dos GNR.
Em 1986 cumpriu-se o desejo. A CEE passou a CE e depois a UE. Vinte e cinco anos depois, acabada a teta dos milhões diários vindos de Bruxelas, com as finanças exauridas pelo desperdício dos que nos governaram na última década e ameaçados por uma GNR vinda do Leste europeu,a canção que muitos portugueses entoam hoje em dia é esta.
De qualquer modo, não exagerem e párem a tempo...

Pelo país dos blogs

Retomo hoje a rubrica Pelo país dos blogs. Começo com uma visita a um gabinete onde sou sempre muito bem recebido. Esta estória de vida é, infelizmente, um retrato actual do drama vivido por muitas pessoas em Portugal. Ide ler, ide ler!

domingo, 21 de novembro de 2010

Não percam a esperança

Depois de Bento XVI ter (FINALMENTE!) admitido o uso do preservativo,a pergunta que se impõe é esta: quando é que Luís Filipe Vieira e os anti-portistas vão admitir o mérito incontestável das vitórias do FC do Porto nos últimos anos?

Remodelação para quê?

Contra a corrente, com a lucidez que o caracteriza, José Leite Pereira explica por que a remodelação governamental tão propalada nos últimos dias é despropositada e, a concretizar-se, terá como resultado um governo ainda pior do que o actual.

Pronúncia do Norte


No último domingo, depois de assistir ao jogo no Dragão, fui com uns amigos comer uma francesinha. O tempo tinha arrefecido bastante, chovia a espaços e decidimos que a melhor opção seria ficar pelas Antas.
Posta de parte a hipótese do Velásquez, onde as francesinhas deixam muito a desejar, alguém sugeriu o Your Palace, quase paredes meias com o emblemático café das Antas. Torci o nariz mas, face à falta de alternativas, aceitei o repto. Em boa hora, pois a experiência foi magnífica e digna de repetição. Molho nos trinques, pão com textura a preceito e um recheio de carnes variado e abundante.
Apesar de o preço não ser módico ( 8 a 10 euros), deixo-vos mais uma sugestão a acrescentar a todas as que os leitores deixaram aqui, na sequência deste post. É que, como já por diversas vezes vos disse, sou francófono e ir ao Porto e não comer uma francesinha, é como ir a Roma e não ver o Papa. Pode-se ir ao Porto e não comer uma francesinha? Poder, pode, mas não é a mesma coisa…

Da política para o cinema

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas vão assistir, lado a lado, a estreia da primeira co-produção da nova Aliança Democrática: Camarate. O género escolhido (ficção política) ajusta-se perfeitamente ao comportamento dos líderes da direita portuguesa durante esta crise e permite aos portugueses avaliar o que os espera nos próximos tempos.

sábado, 20 de novembro de 2010

A democracia é porreira, pá!

Estiveram reunidos em Lisboa os países que andam a exportar a democracia pelo mundo, nem que seja pela força das armas. Para darem o exemplo, fecharam as fronteiras, proibiram a entrada de quem trouxesse panos pretos, inundaram as ruas de polícia, semearam uns barcos pelo Tejo e enviaram uns aviões para patrulhar o céu. Entretanto, discutiram a forma de melhor defender os narcotraficantes que governam o Afeganistão, responsável por centenas de crimes contra a Humanidade.
A democracia assim é porreira, pá, não tás a ver? Só é pena que não lhe dêem o mesmo uso que dão aos supositórios.

Humor ao fim de semana

Após uma consulta popular "sobre tanta loja chinesa", realizada por iniciativa de Pedro Passos Coelho, depois de se ter alapado em S. Bento, Portugal enviou uma mensagem à República Popular da China:
"Chinos tarrequinhos:
Declaramo-vos guerra. Temos 85 tanques, 27 caças , 4 navios, 2 submarinos (ainda só temos um, mas vem outro a caminho) e 5.221 soldados".
O Estado chinês respondeu:
"Aceitamos. Temos 38.000 tanques, 16.000 aviões, 790 navios, 455 submarinos e 300 milhões de soldados. "
Portugal respondeu:
"Retiramos a declaração de guerra... Não temos como alojar tantos prisioneiros".

Conversas da Treta

Luís Filipe Vieira telefonou ontem, ao fim da tarde, ao ministro Rui Pereira. Disse-me fonte normalmente bem informada que estava irritadíssimo com o ministro a quem há umas semanas foi pedir protecção especial durante a deslocação do Benfica ao Porto no início do mês. Quase apoplético LFV gritava:
" Você prometeu-me protecção especial quando o Bnfica foi jogar com aqueles bárbaros do Porto mas, depois de ver o aparato que anda aqui em Lisboa por causa de uma porcaria de uma cimeira da NATO, percebi que você me enganou. Você não merece ser sócio deste grandioso clube, a maior instituição mundial, como já disse repetidas vezes. Na próxima assembleia-geral do SLB vou propôr que seja aprovada a sua expulsão, porque esta grande instituição não merece ser enxovalhada por um ministro. E na segunda-feira telefono ao Sócrates, a exigir que o demita e nomeie o Luís Nazaré para o seu lugar. Com o SLB ninguém brinca, ouviu?"
A mesma fonte confirmou-me que Rui Pereira pediu repetidas vezes desculpas a LFV, mas o presidente do Benfica desligou-lhe o telefone.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prémios Gazeta


Embora não me fique bem falar em causa própria ( como muitos saberão sou membro da Direcção do Clube de Jornalistas, entidade que atribui os prémios) não resisto a fazer uma referência aos prémios Gazeta -os mais prestigiados galardões atribuídos em Portugal, no âmbito do jornalismo.
Na última segunda feira, Miguel Carvalho ( jornalista da Visão) recebeu o Grande Prémio Gazeta 2009, pelo seu trabalho “ Os Segredos do Barro Branco”, que gira à volta de Joaquim Ferreira Torres, figura polémica da oposição violenta ao 25 de Abril, que viria a ser assassinado em 1979.João Paulo Guerra foi galardoado com o prémio Gazeta de Mérito, destinado a distinguir jornalistas que, ao longo da sua carreira, têm prestigiado o jornalismo.
Habitualmente é também atribuído o prémio Revelação, que destaca ao trabalho de jovens promessas do jornalismo em Portugal. Este ano, pela primeira vez ( pelo menos desde1998, data em que passei a integrar a direcção do CJ) este prémio não foi atribuído, porque o júri não encontrou trabalhos que merecessem essa distinção. Uma decisão que exige uma séria reflexão sobre o futuro do jornalismo em Portugal.

Blogosfera 1- DN - 0

Na sequência das dúvidas que deixei expressas neste post, o leitor (a?) Wildrose esclarece na caixa de comentários o que se passou em Verdelhos e a razão da reacção popular. Devo dizer que fico muio satisfeito por ter havido quem repondesse ao meu pedido e esclarecesse a situação, coisa que infelizmente o DN não fez. Fica assim demonstrado que a blogosfera é capaz de fazer aquilo que a imprensa às vezes não faz: repôr a verdade dos factos. Parece-me que a conclusão a tirar, depois de ler o comentário do referido leitor, é que teria sido melhor o DN não dar a notícia, a tê-lo feito da forma desconchavada como fez.Ter-se-ia evitado a confusão. No entanto, vale a pena ver o outro lado da situação. A blogosfera pode ajudar a esclarecer aquilo que às vezes os jornais não fazem. Isso é, em minha opinião, serviço público.

Ex-libris de um Porto Sentido

Livraria Lello ( fachada)

Ano passado, a Livaria Lello, no Porto, foi considerada pelo “The Guardian” uma das três mais belas do mundo. Este ano, foi a Lonely Planet a fazer igual distinção. Ainda há dias estive lá e pude constatar o ar de admiração dos inúmeros turistas que a visitavam e se detinham a tirar fotografias para a posteridade. Mais bonita do que a Lello, em minha opinião, só mesmo a Ateneo, em Buenos Aires, que na classificação da Lonely Planet ficou em segundo lugar. A mais bela das mais belas, segundo a LP é a City Light Books em S. Francisco. Que também conheço mas, em minha opinião, perde para as duas.
Depois de a Casa da Música ter sido classificada pela Times como um dos cinco mais belos edifícios da década e de o Buhle ter sido um dos cinco finalistas do concurso “Best New Restaurant” promovido pela Wallpaper, pode dizer-se que no trinómio leitura, cultura e gastronomia, não há cidade em Portugal que se assemelhe ao Porto.

Dia de Santa NATO

Hoje, alguns milhares de funcionários públicos não vão trabalhar. Muitos aproveitarão para fazer compras de Natal, outros gozarão um fim de semana prolongado num qualquer estabelecimento hoteleiro, ou aproveitarão para ir à terra. Ficarão gratos por esta tolerância de ponto, típica de um país subdesenvolvido que, apesar de estar à beira da bancarrota, se continua a comportar como a cigarra de La Fontaine. Alguns perguntarão: quem é essa NATO que nos deu folga hoje? Deve ser uma gaja importante! Será alemã? Outros irão à Missa para agradecer a benesse à Santa Nato ( apenas um irá agradecer à Santanette)Quantos perceberão que esta tolerância de ponto é um sinal de um país à beira da demência?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Abaixo a Nato, viva o Malato"

Chegar hoje a Lisboa de comboio e sair na estação do Oriente, dá a sensação de que estamos a viver uma nova revolução. Será que os espanhóis invadiram Portugal, para vingar a derrota de ontem e eu não me apercebi de nada, ou é a cimeira da NATO que justifica o alarido policial e militar?
Sejamos justos. Comparando com outras Cimeiras e reuniões do G-20 que cobri ( Seattle, Joanesburgo, Rio de Janeiro, Delhi, Buenos Aires, Londres, Copenhaga, Sydney ou Durban) o aparato que rodeia esta Cimeira fica muito aquém daquilo a que assisti noutros locais do globo. E manifestantes anti-NATO como estes, só mesmo em Portugal. Viva o bom humor!

A luta dos mineiros chilenos

Quando terminou o resgate dos 33 mineiros chilenos, escrevi:
"Enquanto os 33 mineiros soterrados eram içados por um vaivém subterrâneo que os ia trazendo um a um, de volta à vida, centenas de outros mineiros com salários em atraso viviam outros dramas de sobrevivência".
Referia-me aos despedimentos e salários em atraso que afectavam milhares de mineiros chilenos.Na altura, a nossa imprensa copy paste não se debruçou sobre o assunto mas, pouco mais de um mês após o resgate, 33 mulheres chilenas insistem em lembrar ao mundo que 12 mil mineiros perderam os seus postos de trabalho depois do sismo que abalou o Chile em Fevereiro.

Paixão, paixão, não fugirás de mim...

Luís teve pela primeira vez a sensação de ter amado.Não era sexo que buscava naquela relação. Era amor. Pediu-a em casamento. Um ano depois divorciou-se e viajou para a Tailândia com o amor da sua vida: Roberto

O Notícias de Verdelhos

Na aldeia de Verdelhos, concelho da Covilhã, a população saiu à rua para protestar. Contra o desemprego? Não! Contra o OE 2011? Frio! Contra a redução de salários? Gelado! A razão da revolta da população de Verdelhos deveu-se, tão somente, ao facto de a Segurança Social ter institucionalizado duas crianças,de 4 e 7 anos, com o acordo e consentimento da mãe. Desconheço a razão de fundo do protesto popular, pois a notícia do DN não é esclarecedora.
Sei, no entanto, que os protestos obrigaram a GNR a intervir, deslocando para o local 16 militares. E sei também que, no dia seguinte, a professora e educadora de infância não foram à escola, porque na véspera só tinham conseguido sair da aldeia com a ajuda da GNR. Gostaria que alguém me explicasse ( a começar pelo DN) o que leva uma população a descarregar a sua ira sobre duas técnicas da Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco, que (aparentemente) se limitaram a agir em defesa das crianças, com a concordância da mãe.
Das duas uma. Ou a população de Verdelhos é muito estúpida e está a meter-se num assunto para onde não é chamada, ou o DN fez uma notícia de um terço de página sobre um acontecimento que não soube explicar.
Seja qual for a resposta, há nesta notícia alguém que faria melhor se tivesse ficado calado. Resta saber se a população ou o jornalista...

Noite Mágica

Há muitos anos que não via uma exibição de encher o olho da selecção portuguesa. Esta noite, para além de uma vitória por 4-0 ( deveriam ter sido 5, se um gaulês vesgo não tivesse anulado um golo magistral de Cristiano Ronaldo), viu-se garra, empenho e arte.
Não me espanto se amanhã alguém vier dizer que a Espanha facilitou. Os velhos do Restelo nunca morrem. A verdade, porém, é que até ao 2-0 a Espanha lutou de igual para igual. Nenhuma selecção no mundo – especialmente sendo campeã europeia e mundial- facilita, nem aceita de bom grado ser goleada. Foi uma grande vitória. Infelizmente, foi só futebol, porque o que nós precisávamos era de onze políticos que dessem uma goleada à senhora Merkel. E já agora, por arrasto, ao senhor Sarkozy .

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pulmões de aluguer?


Assinalou-se hoje o Dia Mundial do Não Fumador. Comecei a fumar cedo, fumei muito, mas desde há cinco anos meti travões a fundo e, salvo raríssimos dias de excepção, sou um moderado fumador de cigarrilhas ( duas a três por dia).
Já aqui escrevi porque sou contra a Lei anti-tabágica que vigora em Portugal. Se pudesse voltar atrás não seria fumador, mas cresci numa sociedade onde me incutiram a fumar ( porque era chic) e é essa a única razão que me leva a compreender as campanhas anti-tabágicas: alertar o jovens para os efeitos nefastos do tabaco. Estudos recentes, como o do CRIOC, revelam que as campanhas anti-tabágicas padecem de eficáciaDiminuiu o consumo de cigarros, mas não o consumo de tabaco. Os medicamentos anti tabágicos vendem-se como pãezinhos quentes, mas os seus efeitos práticos estão por demonstrar.Hoje, andaram pelas ruas brigadas convidando os fumadores a apagarem os seus cigarros. O lema da campanha era: “ Não Fume Pelo Seu Pulmão”. Não percebo como é que isto se coaduna com a ideia de o governo reduzir as comparticipações para tratamentos anti-tabágicos, mas adiante...
Quando um brigadista se aproximou de mim, convidando-me a prescindir da minha cigarrilha a seguir ao almoço, a minha vontade foi perguntar-lhe se não me emprestava um dos seus pulmões para eu fumar por ele. Acabei por apagar a cigarrilha mas, minutos depois, fui fumar para um local mais recatado. Creio que muitos fumadores terão seguido o meu exemplo. Para benefício da “Tabaqueira” e do Estado, que arrecadou mais uns euros em impostos.

Azar ao jogo


Nunca foi jogador. Nunca tinha entrado num Casino. Naquela noite, porém, um apelo sussurrava com insistência ao seu ouvido. Indeciso, encaminhou-se para o Parque das Nações. Ficou durante uns minutos a olhar, inebriado, as luzes do Casino. Entrou. Avançou para a roleta. Apostou 10 euros no 17. Ganhou. Apostou mais dez no 23. Voltou a ganhar. Tinha 700 euros. Decidiu fazer uma última jogada. Indeciso, apostou 50 euros no 4. Ganhou uma vez mais.
No dia seguinte foi ao médico, mostrar os resultados das análises. Quando saiu, destroçado com a sentença, lembrou-se que o 4 em chinês significava MORTE. Passou pelo centro comercial e comprou-lhe um presente. Quando chegou a casa surpreendeu-a com um convite para jantar. Depois foram a uma discoteca. Ela sentiu que estava a ser abraçada como nunca. Chegados a casa amaram-se com uma intensidade que ela jamais sentira. No dia seguinte, depois dela sair para o trabalho, deixou-lhe um bilhete onde dizia: “Hasta Siempre!” . eteu meia dúzia de peças de roupa numa mala, fechou a porta de casa e partiu.

Uma notícia que não queria ler...

Em Janeiro dei aqui a conhecer esta Bolsa, que me pareceu uma excelente iniciativa no âmbito do Ano Europeu de Luta contra Pobreza e Exclusão. É com bastante pesar que, ao chegar ao fim do ano, constato que os resultados ficaram muito aquém das expectativas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ora atão, faça o obséquio de escolher o local para a reforma!

Depois de mais um adiamento do julgamento, Oliveira e Costa foi posto em liberdade. Está obrigado a apresentar-se todas as semanas e proibido de se ausentar para o estrangeiro. Vale e Azevedo também foi posto em liberdade e sujeito a idêntica medida de coacção. Hoje, ninguém sabe onde ele pára. Começa a cumprir-se a profecia que fiz aqui em Dezembro de 2008!

Cenas de Táxis (8)


( Desta vez no Porto)
Cerca das 22 horas, na Praça Carlos Alberto, entro num táxi
- Para a praça de Velásquez, por favor.
O motorista olha-me pelo retrovisor com ar meditabundo e diz:
- Desculpe,mas não sei ondé..
- Nas Antas
- O senhor debe de estar enganado. Num há nenhuma praça com esse nome nas Antas!
- Não? Vivi lá até aos 17 anos e diz-me que não existe a praça de Velásquez?
- E agora onde bibe?
- Em Lisboa
- Atão é por isso que num sabe que já não há Praça de Belasques.
- Não, não sei. Sempre que venho ao Porto e apanho um táxi para lá, os motoristas sabem onde é. Mas deixe lá, páre aí que eu apanho o táxi seguinte...
- Num será praça Sá Carneiro?
Finjo-me desentendido e respondo:
-Não. É praça de Velásquez!!! Até há lá um café com esse nome.
O taxista deixa escapar uma gargalhada
- Bocê é tramado! Num gosta do Sá Carneiro?
- Mesmo que goste, isso não me obriga a chamar Sá Carneiro à praça de Velasquez
Já estamos a subir Santa Catarina quando confirmo que o taxista bebeu um copito a mais, mas não consigo evitar a resposta a nova pergunta:
- Sabe que há lá uma estátua do Sá Carneiro, num sabe?
- Não. Quem foi que a fez?
- Num sei, parece que foi o Cavaco.
- Ah! Bem me parecia que o Cavaco tinha pinta de artista
- Um grande presidente, num acha?
- Gosta de arroz de lingueirão?
-Bocê é pândego. Eu acho que o conheço de qualquer lado. Bocê num faz um programa de telebisom?

( Lembrei-me desta cena e estremeci. Não estava com disposição para repetir a graça. Por isso, permaneci em silêncio)
- Está chateado? O Benfica apanhou cinco…
- Deviam ter sido seis, porque à dúzia é mais barato
- Bocê num é do Benfica?
- Não, sou portista
- Bem me parecia, carago!Foi uma joga do camandro, não foi?
- Foi. Até os comemos!
- O Hulk papou-os e deixou o Jesus a rezar à senhora de Fátima
- Quem é essa? Alguma amiga da Carolina Salgado?
- Bocê é mesmo um gajo do carago. Lá em Lisboa não o f…. com esse paleio?
- Não, que eu não deixo.
- Bocê pirou-se p’ra França ou p’rá Suíça, no tempo da outra sinhora, qu’eu li isso em qualquer lado.
-Não, amigo. Pirei-me para a Argentina. Fui eu que trouxe o Lucho e o Lisandro.

- Ganda pândego! Na telebisom bocê num fala assim. Desculpe a franqueza, mas parece um murcon.
- Sou mesmo murcon.
Chegámos à Praça de Velásquez
- Ondé que bai ficar?
- Vire aí ao pé do Bom Dia
- Atão num é na praça de Belasques?
- Não, vou tomar um copo ao Barril antes de ir para casa.
- Bocê esteve a gozar-me este tempo todo, num foi? Bocê bibe aqui no Porto e eu é qu'estou a confundi-lo c'aquele tipo da telebisom...
- Não, não vivo. Mas às tantas tenho pena e ainda não percebi.

Obrigado, José!

Parabéns, José! No dia em que celebrarias 88 anos, não nos esquecemos de te agradecer as belas páginas que nos deixaste e o que fizeste pelo nome de Portugal.

Cheira-me a esturro...

Tenho as maiores dúvidas quanto à bondade da medida do governo que visa tornar facultativa a adesão dos funcionários públicos à ADSE. Por tudo quanto já foi escrito, porque me cheira que os funcionários públicos vão fazer ainda mais descontos para o seu sistema de saúde, mas também ( e acima de tudo) por isto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Povinho foleiro este (2)

Em tempos, manifestei aqui a minha discordância em relação à introdução do chip na matrículas. Pensava, na minha boa fé, que esse seria o limite para a intromissão do Estado na vida dos cidadãos. Estava longe de imaginar que, dois anos volvidos, alguém ousasse ir ainda mais longe e criasse um site onde qualquer cidadão pode denunciar, sob a capa do anonimato, actos de corrupção.
Já me surpreende menos que, em apenas 48 horas, uma centena de portugueses tivesse recorrido a este prestimoso serviço para efectuar denúncias. Afinal, em cada português habita um bufo frustrado.

Pobre e mal agradecido

Cavaco Silva farta-se de repetir que não devemos revoltar-nos contra os mercados. Eu prometo não me revoltar, se o PR se comprometer a não dizer mais barbaridades durante a pré-campanha eleitoral. São quase diárias, mas a de ontem deixou-me sobremaneira perplexo. Depois de Ramos Horta ter anunciado que Timor Leste poderia vir a comprar algua dívida portuguesa, Cavaco Silva respondeu com este brilhanismo:
" Não estamos de mão estendida..."
Alguém me explica a razão de Cavaco Silva não ter tido idêntica reacção quando países ricos como Inglaterra ou Alemanha compram a nossa dívida? Já agora, também gostaria de saber se Cavaco será tão afoito a rejeitar a compra da dívida pela China.

Que nunca descanse em paz!


Já escrevi aqui, diversas vezes, sobre a sangrenta ditadura argentina (1976-1983). Já enalteci a coragem do governo argentino ao decidir julgar e condenar os mais perversos executantes dessas páginas negras da história da Argentina. No passado dia 8 morreu o maior déspota desse período de tirania militar: Emílio Massera.
Foi ele o cérebro de uma das mais nauseabundas e sanguinárias práticas desse período. Daquela cabeça conspurcada brotou a ideia dos tristemente célebres “Voos da Morte”, que lançaram ao mar, vivos, milhares de resistentes argentinos.
Mas nem só os resistentes e adversários políticos eram alvo da sua tirania. O marido da sua amante também foi lançado ao mar, depois de ter sido convidado para uma cerimónia no iate da Marinha. Muitos bebés eram roubados às grávidas resistentes, para serem entregues a casais estéreis afectos ao regime.
Condenado a prisão perpétua em 1985, por crimes contra a humanidade, Massera foi amnistiado e mandado libertar por Carlos Menem, o vigarista que conduziu a Argentina à ruína no início deste século.
Voltaria a ser julgado e condenado anos mais tarde, acusado de outros crimes mas, em 2002, foi considerado demente e inimputável, tendo vivido em liberdade até à sua morte, na semana passada. Os argentinos viram-se finalmente livre de um dos seus maiores tiranos, mas nunca esquecerão os seus crimes.
Embora a cerimónia da cremação tenha sido rodeada de secretismo, para evitar manifestações populares, os comentários dos leitores nos jornais argentinos deixam transparecer de forma bem clara o júbilo com que a notícia da morte foi recebida pela população. O único lamento é que não seja possível cumprir os votos do historiador Osvaldo Bayer:
“Sobre a sua tumba cairá o cuspo de um povo ultrajado, como se fora chuva intermitente”.
Fica o consolo de saber que a sua morte foi antecedida de um longo período de sofrimento. Que nunca descanse em paz!

Ainda a Responsabilidade Social das Empresas

O post que fui obrigado a eliminar remetia para um artigo da “Sábado” que explica como as grandes empresas e bancos escapam ao fisco. Quem leu o artigo, pode argumentar que as empresas que localizam as suas sedes em países com regimes fiscais mais favoráveis estão apenas a aproveitar a oportunidade que a legislação lhes proporciona. Certo. No entanto, uma empresa que foge ao fisco ( no caso da PT, por exemplo, o pagamento dos impostos sobre a venda da Vivo representaria uma diminuição de 0,4% do défice) não pode proclamar ter práticas de Responsabilidade Social. Uma empresa que poupa milhões de euros no pagamento dos impostos está não só a lesar o Estado, como a enganar os seus clientes. Como pode escrever nos relatórios anuais de responsabildade social, que pratica uma política de transparência com os stakeholders?
Não é novidade que mutas empresas mentem sobre a RSE, como já alertara aqui No entanto,para que conste, aqui ficam os montantes que cada uma destas empresas ( há outras citadas no artigo e, provavelmente, muitas mais não mencionadas) roubou legalmente ao Estado:
PT- 570 milhõesBES – 23, 4 milhõesBPI-29,5 milhões.

domingo, 14 de novembro de 2010

Aconteceu no Oeste


Aproveitei o último fim de semana prolongado para uma incursão ao Oeste. Precisava de aliviar o espírito no meio de livros e escritos dispersos, num ambiente confortável e repousado, por isso fui para uma unidade hoteleira de 5 estrelas, beneficiando de uma promoção apelativa.
O hotel é agradável e está localizado num ambiente convidativo para as minhas caminhadas matinais. Tudo parecia correr de feição para me proporcionar o fim de semana tranquilo que procurava. No entanto, a surpresa veio na noite de sábado.
Terminado o jantar, despedi-me com um “até amanhã” e aí começaram as minhas surpresas. Fiquei a saber que o restaurante estaria fechado no domingo para o jantar e, à hora do almoço, só serviria um prato:cozido à portuguesa. Reagi de forma intempestiva, interrogando o chefe de mesa sobre as razões de o restaurante estar fechado ao jantar, na véspera de um feriado, e qual era a política gastronómica de uma unidade hoteleira que apenas disponibilizava cozido à portuguesa para um almoço de domingo.Entre explicações esfarrapadas e mesuras, o chefe de mesa chamou a directora do hotel que me explicou estar o hotel a iniciar, ( para meu azar nesse fim de semana) um novo conceito gastronómico.
“ É uma experiência que estamos a ensaiar”- disse-me, convicta da sua superioridade.
“E não há nenhuma alternativa para quem não seja apreciador de cozido?"- perguntei, na expectativa de uma solução airosa.
“ Só temos uma alternativa para crianças. Uns bifinhos moídos. Mas pode ir à nossa coffee- shop…”
Passar o dia a comer na coffee shop do hotel não era propriamente o que estava à espera daquele fim de semana, mas lá fui ver a ementa. A escolha resumia-se a um robalo, um bacalhau à Braz, pizzas e bifes. Descoroçoado insisti na falta de senso revelada pelos responsáveis do hotel, não só na escolha da ementa do almoço, como no encerramento numa noite de domingo, véspera de feriado. Inabalável, a senhora afivelou um sorriso de desprezo e voltou a aconselhar-me a coffee shop como alternativa.
Não devo ter sido o único a manifestar irritação. O hotel tinha bastantes hóspedes que também não devem ter apreciado este modelo de gestão e manifestaram o seu desapontamento. Foi por isso, com algum alívio, que na manhã de domingo fui informado que, excepcionalmente, iriam abrir para jantar.
Reconfortado com a notícia dirigi-me à recepção, depois do pequeno almoço, para saber onde podia comprar jornais.
- “ Que jornal deseja?”
- “O Público”.
- "São 2,90 €".
- “ Como? O preço do jornal é 1,60€!”
Devo ter ficado com um ar tão aparvalhado, que o homem se viu obrigado a dar-me uma explicação.
- “Nós não vendemos jornais, mas quando algum cliente está interessado nós fazemos a impressão do jornal que o cliente pretende. São todos ao mesmo preço”.
Os meus olhos arregalaram-se ainda mais. De espanto e indignação. Prescindi do serviço e perguntei onde podia arranjar um jornal nas imediações. Teria de ir a Torres Vedras. Saí para espairecer um pouco, aproveitando o amainar da intempérie que se fizera sentir durante a noite. Enquanto deambulava, não me saía da cabeça o slogan da campanha “Faça férias cá dentro”. Eu até gosto de fazer, mas detesto ser tratado desta maneira numa unidade hoteleira de 5 estrelas. Por norma, nestes hotéis, os jornais ( sem serem impressos) são oferecidos e colocados à porta dos quartos a horas temperanas. Mas estamos sempre a aprender com os novos modelos de gestão do turismo à portuguesa.

As minhas desculpas

Fui obrigado a eliminar o post anterior, sobre a Responsabilidade Social das Empresas (RSE), depois de um leitor me ter amavelmente chamado à atenção, para o facto de não conseguir abrir o link ( à revista Sábado) . Fiz a experiência e, embora conseguisse abrir, constatei que desligava automaticamente o computador, logo que pretendia sair. Peço desculpa a todos os leitores pelo incómodo que eventualmente terei causado e agradeço ao leitor a preciosa informação.Em breve, escreverei um novo post sobre o tema.

sábado, 13 de novembro de 2010

Humor fim de semana

Hermenegia vivia com o seu cachorro velho, único e fiel companheiro dos últimos anos. Um dia o cachorro morreu e Hermenegildo foi à Igreja:
"Padre, o meu cão morreu e eu quero que diga uma missa para ele"
O padre responde:
"Você não pode fazer um funeral para um animal na igreja, mas existem os Baptistas, no outro extremo da freguesia. Talvez eles possam fazer alguma coisa para a criatura. "
"Vou imediatamente, Padre. Obrigado pelo conselho. Acha que se eu lhes der 5.000 € será suficiente para este serviço?"
"Meu Deus, caro Hermenegildo, por que não me disse que o cachorro era católico?"

Verdades e consequências

Nuno Cardoso, ex-presidente da Câmara do Porto, foi absolvido no processo em que era acusado de lesar o município, em favor do FC do Porto, numa permuta de terrenos do Plano de Pormenor das Antas. Se este processo tivesse ficado concluído antes das últimas eleições autárquicas, certamente que Rui Rio não seria actualmente presidente da CMP e a cidade não seria dirigido pelo pior autarca que conheceu depois do 25 de Abril.
Independentemente dos ataques à política seguida por este executivo, a verdade é que a economia cresceu 1,5% no último trimestre, em relação ao período homólogo do ano passado, as exportações cresceram 14,9% e as importações aumentaram apenas 4% no último trimestre, em comparação com o trimestre anterior. Não haverá razões para entrar em euforias, mas transformar estas (aparentes) boas notícias em críticas (como li nalguma bloga do séquito coelhista ), é puro masoquismo. Ou idiotice.

Palpites

Mais um que, a breve trecho, irá fazer parte da Comissão de Honra de Cavaco.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O último adeus

Leitora amiga fez-me chegar esta notícia. Tal como ela, fiquei comovido com esta manifestação espontânea dos lisboetas a uma figura que se tornou um símbolo das noites da cidade.Nem a senhora Olinda - que há anos me delicia com as castanhas assadas com esmero no Saldanha- faltou ao último adeus que, durante duas horas, tornou Lisboa uma cidade mais humana. Há pequenos gestos que calam fundo e nos fazem acreditar que um mundo melhor é possível.
( Aconselho-vos a ver o video no fim da notícia).

Super Cholita, a heroína boliviana


Em 1992, o Nobel da Paz foi atribuído a Rigoberta, uma índia guatamelteca (cuja história de vida aqui trarei em breve) que graças à sua luta em defesa dos direitos dos indígenas, se tornou conhecida no mundo inteiro.
Quase 20 anos depois, na Bolívia de Evo Morales, surgiu uma nova heroína indígena:Super Cholita.
Criada por Rolando Valdez, um comerciante que ganhava a vida a vender discos pirata na feira da cidade boliviana de El Alto, no Altiplano, Super Cholita é uma figura de banda desenhada apostada em contribuir para a revalorização das culturas indígenas e realçando o papel da mulher na nova sociedade boliviana, que se vai afastando das influências norte-americanas e japonesas.
Baixa e gordinha, Super Cholita veste polleras ( saiotes coloridos usados pela alta sociedade crioula do século XIX) e uma capa com o sol inca bordado no peito.
Incansável lutadora, pugna por justiça e igualdade, pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores, mas é uma cidadã comum, por isso não se coíbe de subornar funcionários públicos ou roubar feirantes no mercado, alegando que a culpa é da crise que toca a todos. Gulosa e folgazona, gosta de dançar nos bailes populares e está-se marimbando para a linha e para as dietas, não resistindo ao chuño ou à tunta ( iguarias típicas do Altiplano, confeccionadas com produtos que apenas se encontram na Bolívia), ou às llauchas e salteñas, inolvidáveis empadas de recheios variados, onde muitas vezes não falta o aji, uma especiaria picante e aromática típica desta região.
O sucesso desta heroína de banda desenhada – que durante as suas aventuras vai aproveitando para dar umas bicadas nos gringos- tem sido estrondoso, mas não subiu à cabeça de Valdez, que não pensa enriquecer à sua custa. Habituado a ganhar dinheiro com a pirataria, afirma que não cobrará direitos de autor a quem a quiser dar a conhecer noutros países, porque o seu maior interesse é que o mundo compreenda o modo de viver e pensar dos bolivianos.

Crise? Qual crise?

Depois da vinda do Papa, mais uma tolerância de ponto. A NATO paga a despesa?

Coveiros

Chegou o momento de assumirmos que fomos os coveiros da sepultura em que atascámos o país. Uma justiça regendo-se com fequência por critérios políticos, amancebada com um jornalismo serôdio, uma opinião dita e publicada prenhe de conotações partidárias, sem um rasgo de inovação de pensamento, um sector empresarial ganancioso, uma classe política que pensa mais no seu futuro do que no futuro do país e um povo embrutecido pelos prazeres do consumismo, incapaz de reagir a outros estímulos que vão além das Redes Sociais e dos noticiários feitos à medida, são os responsáveis pelo estado deplorável a que chegámos.
Não há inocentes neste crime de auto-destruição insana a que nos propusemos e conseguimos almejar com pleno sucesso.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Gatos de contrafacção

Não sabia que estes gatos escreviam num jornal desportivo, até ao dia em que um leitor do CR teve a amabilidade de me enviar uma série de crónicas de RAP. Fiquei estupefacto com o que li. Era pago para falar de futebol com humor mas, além de nunca ter escrito sobre futebol, utilizava o espaço para destilar ódio e atacar dois colunistas afectos a um clube que odeia. Fazia as insinuações mais torpes e bandalhas que alguma vez li na comunicação social portuguesa mas, de futebol, nem uma linha.
Fiquei a saber, há um mês, que RAJ tinha outra alma gémea que afinava pelo mesmo estilo. Quem tiver lido algumas das crónicas de RAP e JDQ sabe que o que ali há é falta de carácter. Vítor Serpa terá levado tempo demais a perceber isso e talvez já esteja arrependido de um dia os ter convidado para escrever n”A Bola”. Mimados, ficaram muito ofendidos por Vítor Serpa não ter dado guarida a mais um insulto, amuaram e despediram-se. Não tenho dúvida de que a desistência se deve ao facto de o fanatismo clubista lhes ter tirado discernimento e não tolerarem que MST e Rui Moeira escrevessem apenas sobre futebol , reduzindo-os a um par de idiotas.
Agora armam-se em vitimas e dizem que foram censurados. Pobres diabos, que nem honram o nome dos gatos, animais com personalidade, altivez e, acima de tudo, muito carácter. Coisa que RAP e JDQ demonstraram desconhecer.

O senhor Procurador


Era uma vez um procurador adjunto do Mi(ni)stério Público que procurava na Madeira. Por razões não explicadas, mas certamente relacionadas com a solidão que ataca muitas pessoas que vivem em ilhas, o procurador-adjunto gostava de frequentar à noite casas de alterne e de se (ad) juntar às raparigas que ali ganhavam a vida.
Tudo parecia correr bem, até ao dia em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) efectuou uma rusga ao bar e algumas das raparigas brasileiras que lá trabalhavam identificaram o procurador como cliente habitual, com direito a bebidas e sexo grátis, em troca de informações sobre um processo que corria contra um dos proprietários do bar.
Consequência imediata da denúncia, foi levantado um processo disciplinar ao procurador que, face à evidência das provas, foi suspenso pelo Conselho Superior do Ministério Público por 210 dias e obrigatoriedade de transferência para uma comarca do distrito judicial de Lisboa.
Pena leve para tão torpe crime de um agente da justiça, pensarão alguns. Diferente, porém, foi a opinião do procurador. Inconformado com a pena, recorreu para o Supremo Tribunal da sua área que considerou a versão das raparigas “inverosímil” e “fantasiosa”, porque “o procurador nunca tinha sido alvo de um processo semelhante”.
Ora aqui está um argumento inteligente e bem fundamentado, que poderá vir a ser utilizado por advogados perspicazes, no dia em que lhes couber defender um energúmeno que matou à pancada a mulher.
“ O meu cliente culpado, senhor dr. Juiz? Ele nunca matou nem sequer uma mosca, nunca atropelou cão nem gato e trata com desvelo a amante, como é que pode ser acusado de tão nefando crime?”
Mas e o testemunho dos filhos?- retorquirá o juiz.
Confortado com o argumento dos doutos magistrados, de que não seria admissível que uma alternadeira estivesse à altura de extrair de um magistrado informações secretas, o perspicaz advogado reiterará:
“ Ora, os filhos, Meritíssimo! Gente nova que gosta de passar as noites em discotecas, beber uns shots , por vezes até fumar o seu charrozito e deitar-se quando o Sol vai alto, que credibilidade pode ter? Nos tempos que correm os filhos perderam o respeito pelos pais, se eles não os cumularem de presentes, são muito bem capazes de fazer chantagem. Deveremos dar-lhes credibilidade, Meritíssimo?"

Globalização: a verdade da mentira

Há uns anos prometeram-nos que a globalização traria bem estar para todos. Em Seatle, Nova Iorque, Durban, Joanesburgo, Londres ou Paris, milhares de pessoas manifestaram-se denunciando a mentira que estava escondida nas promessas. Foram acusados de agitadores, esquerdistas, inimigos do progresso. Hoje, a realidade não engana e a verdade é esta: a globalização apenas serviu para aumentar as desigualdades.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O exemplo grego

A Grécia vive uma crise de proporções muito superiores à portuguesa. Os gregos manifestaram-se violentamente nas ruas contra a política do governo socialista que segue, obedientemente, as directrizes de Bruxelas e dos mercados financeiros. No domingo os gregos foram chamados às urnas e o que fizeram? Derrubaram o governo socialista? Não... renovaram a sua legitimidade, conferindo-lhe a maioria. Uma mensagem que deve ser assimilada pelos coelhos, para não serem surpreendidos ao sair da toca.

POLIAMOR


Desculpem a minha ignorância, mas só há dias conheci a existência de um movimento denominado POLIAMOR. No meu léxico do amor já conhecia o ménage à trois, o swing e outras práticas multifacetadas de intercâmbio amoroso mas, POLIAMOR, confesso, é uma palavra que ainda não tinha entrado no meu dicionário dos comportamentos amorosos.
Fui iniciado nas práticas do POLIAMOR, graças a uma reportagem exibida durante um serviço noticioso de um canal de televisão e fiquei impressionado com a naturalidade com que algumas miúdas reconheciam praticá-lo.
Para os ignorantes como eu, explico resumidamente que o POLIAMOR consiste no reconhecimento, por parte de uma pessoa que o seu parceiro (ou parceira) está apaixonado por duas (ou mais) pessoas simultaneamente. Não percebi ainda (mas espero lá chegar) se essa prática só é aceite durante o período de enamoramento, ou se prolonga depois do casamento. No entanto, porque acredito que a bigamia ainda não é permitida nas sociedades ocidentais, estou convencido que o casamento (quando exista) continua a ser um contrato apenas entre duas pessoas, mas no casamento POLIAMOR qualquer uma delas pode fazer um upgrade de afectos, mantendo um relacionamento íntimo com outra(s) pessoa(s), sem que o parceiro reaja como este marido troglodita
Fiquei também a perceber que os defensores do POLIAMOR sustentam que as relações íntimas devem ser encaradas como forma de vida duradoura ( flirts não valem) e responsável ( ao infidelidade não é permitida e pode provocar a expulsão), sendo aceite por todas as partes envolvidas.Presumo que a coisa funciona mais ou menos assim:
Três pessoas ( vou reduzir o POLIAMOR à sua expressão mais simples, deixando-vos a incumbência de fazerem as combinações que desejarem) vivem num triângulo amoroso, aceite por todas as partes. Exemplificando:O Rui está apaixonado pela Joana e pela Beatriz. Diz à Joana que está apaixonado por ela e pela Beatriz, e diz à Beatriz que está apaixonado por ela e pela Joana. A Joana e a Beatriz aceitam a situação e, a partir daí, ficam à espera que o Rui se decida qual delas o acompanhará na saída de sábado à noite, num jantar à luz a vela, a uma festa, ou numa ida às compras.
Também não percebi se no POLIAMOR é aceite que o Rui esteja apaixonado simultaneamente pela Beatriz e pelo Álvaro mas, pela descontracção com que as jovens entrevistadas falavam, creio que essa vertente não estará excluída.
No que todas as entrevistadas estavam de acordo, era no facto de considerarem a monogamia um disparate. Fiquei ainda a saber que os praticantes do POLIAMOR defendem o princípio cooperativo da adesão voluntária, tendo qualquer um dos participantes a possibilidade de abandonar quando desejar, porque no POLIAMOR não há lugar ao ciúme e as relações têm por base a confiança mútua e a fidelidade.
Quando acabei de ver a reportagem apercebi-me que realmente estou velho. Ainda sou do tempo em que existiam as palavras “ Amante e amásia”, “Corno” e “Encornar” , que o POLIAMOR atira para o caixote do lixo das recordações.
Fiquei também sem perceber por que razão não foi entrevistado nenhum rapaz, praticante do POLIAMOR, habilitado a dar a sua opinião… E já agora, confesso, dei graças a Deus por me ter proporcionado, nas minhas relações amorosas, aquelas pitadas de ciúme que, sendo na dose certa, funcionam como o sal na comida.
Pronto, mas isso sou eu que sou careta e já não tenho pedalada para aceitar com naturalidade estas novas formas de relação amorosa que, certamente, irão contribuir para a felicidade das gerações mais jovens. Já lhes chega terem de se preocupar com o desemprego e a factura que vão ter de pagar pela incúria da classe política, que lhes hipotecou o futuro, para quê dar importância a essa coisa de velhos caretas que é o amor a dois?

O crime do Padre Solano

Mais um exemplo de caridade cristã.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Face Oculta da União Europeia


Fruto do umbiguismo nacional que nos caracteriza, pensamos que a corrupção existe apenas em Portugal e, vá lá, nos países do sul da Europa, na América do Sul e, claro, em África. Nos países ricos, como Estados Unidos, França, ou Alemanha, a corrupção é apenas esporádica e os criminosos são de imediato presos.
Para desmistificar a ideia do “só neste país”, recomendo a leitura de um artigo do “Courrier Internacional” deste mês. Sob o título “Comissários ou Mercenários”, Frédéric Lemaire e Gildas Jossec, explicam , num excelente trabalho, como Bruxelas se tornou a capital mundial do tráfico de influências.
Para além dos cerca de 15 mil lobistas que circulam na cidade ao serviço de 2800 grandes empresas e gabinetes de consultoria , são cada vez mais os dirigentes europeus que, terminados os seus mandatos, são contratados para aplicar os seus contactos ao serviço de empresas privadas. Um exemplo: dos 13 comissários europeus que deixaram a Comissão em Fevereiro deste ano, seis já estão ao serviço de empresas privadas como a Ryanair, ou bancos de investimento. Como é o caso, por exemplo de Meglena Kouneva, comissária para a Defesa do Consumidor, que foi trabalhar para o BNP Paribas, depois de ter feito aprovar a Directiva do Crédito sobre empréstimos ao consumo, que suprime algumas das protecções dos mutuários.
O artigo cita diversos outros casos, explica como funciona este jogo de troca de influências que está a minar a credibilidade do executivo europeu, como a própria Comissão protege os infractores, pactuando com casos flagrantes de violação das regras comunitárias e remata com a citação de um compromisso assumido por Durão Barroso ( também conhecido por caniche da senhora Merkel) no início deste mandato:
“ Promover o interesse geral no seio da UE, sem permitir nenhuma pressão exterior ou interesse pessoal que tenham por objectivo exercer uma influência indevida sobre o processo de tomada de decisão”.
Palavras bonitas, que os autores deste artigo demonstram à saciedade, não terem qualquer aplicação prática. A "Nova Europa" está em marcha, sob o alto patrocínio de um tuga que chegou ao lugar, depois de ter legitimado a invasão do Iraque , numa tea party realizada nos Açores.
Créditos da fotografia: estradapoeirenta.blogspot.com

Empresário de sucesso

Dizia a toda gente que tinha subido a pulso. Todos o admiravam e apontavam como exemplo a seguir . Até ao dia em que a PJ lhe entrou em casa e todos ficaram a saber que, afinal, o segredo do sucesso remontava aos tempos em que vendia chutos na veia, nos idos anos 80, num jardim de Lisboa.
Em tempo: qualquer semelhança desta história com a realidade é pura coincidência. Ou talvez não...