sábado, 4 de setembro de 2010

Comunicação ao país dos blogs

Ora então, como estava prometido, aqui está o chá, acompanhado de uns bolinhos. Sentem-se, estejam à vontade e sirvam-se sem cerimónias, porque tenho uma importante comunicação a fazer-vos, que espero tenham paciência de “ouvir” até ao fim.
O CR comemora hoje o seu terceiro aniversário. Não sei se é muito ou pouco, na vida de um blog, mas sei que para mim, habituado durante quase toda a vida a mudar de emprego de três em três anos, manter um blog durante três anos é um feito histórico.Comecei a escrever num período em que o trabalho era escasso, sem grandes expectativas de continuidade. Durante alguns meses estive por aqui sozinho, os visitantes eram poucos, davam uma olhadela e saíam sem uma palavra de incentivo, nem sequer cumprimentar.
Com a chegada da Primavera os vistantes começaram a afluir com mais frequência. Passaram a deixar sinais escritos da sua passagem, saudando e fazendo comentários. No dia do primeiro aniversário houve festa rija no Guincho, com as pessoas a chegar em limousines. Houve muita música, correu champagne e houve festa até às tantas. Nessa altura já pertencia a um blogobairro onde se foram tecendo amizades virtuais que falavam como bons vizinhos e se cumprimentavam diariamente.
No segundo aniversário, além da festa, houve fogo de artifício e a participação de muitos convidados vindos do outro lado do Atlântico. Desde então, a afluência não tem parado de crescer e, como já ontem vos disse, o mês de Agosto foi o mais frequentado de sempre, na vida deste Rochedo.
Tudo se conjugava para que a festa do terceiro aniversário fosse ainda mais retumbante do que as anteriores. Acontece, porém, que o ano 2010 foi um "anno horrobilis" e não vou poder estar presente, porque parti há umas horas do Rochedo, para uma viagem sem regresso marcado. Peço desculpa a todos por ter partido à francesa, sem ir a casa de cada um de vós para me despedir. Não foi possível de todo e eu também detesto despedidas.
Como vos disse, não sei quanto tempo irá durar a minha ausência. Se vão ser semanas ou meses. Espero voltar. Ou aqui, ou a um outro Rochedo ancorado noutras águas mas, se mudar definitivamente de endereço, não deixarei de vos indicar aqui a minha nova morada. Ainda não parti e já sinto imensas saudades do contacto diário que tenho mantido com todos vocês. Não se trata, porém, de uma despedida. Voltaremos a encontrar-nos aqui ou em qualquer outro lugar, dentro de algumas semanas ou meses. Obrigado a todos pelo carinho e amizade que me dispensaram e pela forma como contribuíram, com críticas e incentivos, para tornar este CR uma parte de mim. Dois mil setecentos e cinquenta posts e 180 mil visitas depois( (125 mil nos últimos 20 meses) é altura de fazer uma pausa e dizer "Hasta siempre"!
E agora, se me dão licença, vou aqui beber um pouco de Mate, porque tenho a garganta seca.

Hasta la vista!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Imagens da nossa memória (35)


E assim terminam as Imagens da nossa Memória. Com um convite para dançar o Twist.

Pausa para publicidade (23)

Tudo depende para onde se emigre, mas aqui fica a sugestão. Para mim, não dá...

Imagens da nossa memória (34)


Condenado à morte quando rebentou a guerra dos detergentes, protagonizada pelo Tide e pelo Omo, passaram-lhe a certidão de óbito com a descoberta dos "glutões" do Presto. Resistiu nos lavadouros, enquanto existiram lavadeiras, mas desapareceu dos cenários domésticos com a entrada em cena da máquina de lavar que destronou os velhos tanques de pedra.O outrora famoso sabão azul e branco ganhou um novo fôlego, graças à gripe A e à ministra da saúde, Ana Jorge, que o aconselhou para lavagem das mãos, como alternativa aos desinfectantes. Voltou a ser notícia nos jornais. Fico a saber que no Norte se vende em versão rosa. Vá lá saber-se porquê…A maior fatia da produção (seis mil toneladas) destina-se ao mercado africano, garantindo 26 postos de trabalho em Portugal. Depois do conselho da ministra, a empresa aumentou significativamente o volume de vendas em Portugal. É curioso constatar, no mercado das novas tecnologias, a ressurreição de “velharias” com novas potencialidades.
Debelada a gripe A, logo alguém - receoso de que se perdessem as potencialidades do sabão macaco- decidiu utilizá-lo no campo da literatura. O advogado Hugo Marçal lançará na próxima segunda-feira um livro com o sugestivo título "Sabão Azul e Branco". Hugo Marçal foi acusado de mais de 40 crimes no âmbito do processo Casa Pia, cuja sentença foi hoje proferida. Não poderia haver título mais sugestivo e imagem mais adequada ao dia de hoje.
O " Sabão Azul e Branco" - também conhecido como sabão macaco- é multifunções e serve para tudo. Bem... quase tudo... porque apesar das suas múltiplas potencialidades, nunca conseguirá apagar uma nódoa como Laurentino Dias. E é pena, porque sendo ele também secretário de estado da juventude, prestou, com a sua actuação no caso Queiroz um mau serviço prestado ao país e deu um mau exemplo aos nossos jovens, que mereciam ter como representante, alguém que, na sua forma de agir, não revelasse resquícios da Mocidade Portuguesa.

A "Rentrée"

Lembro-me bem de um texto do meu livro de francês com este título. A palavra “rentrée” é uma das palavras francesas que sempre me fascinou. Não pela sua sonoridade, mas pelo seu significado, que não tem equivalência em português.
Li aquele texto vezes sem conta. O que me eriçava a epiderme quando pronunciava a palavra “rentrée” não era apenas a dificuldade da tradução, era também a impossibilidade material de transpor o conceito para o modelo de vida lusa da época, em que muito poucos tinham direito a um mês de férias.
Desde que a imprensa se apropriou da palavra para assinalar os comícios que marcam o regresso de férias dos políticos, que a palavra deixou de exercer em mim o mesmo “glamour”.Hoje, curiosamente, voltei a sentir o fascínio de outrora. Talvez por saber que neste fim de semana em que a maioria dos portugueses regress de férias e a vida volta às suas rotinas, para mais um ano de labuta, é a minha altura de partir. Mas a “Rentrée” continua a ser, inevitavelmente, no primeiro fim de semana de Setembro e continuo a vê-la assim:
Ei-los que chegam! Pele tisnada dos ares algarvios, carregando no acelerador o peso das amarguras, ou ensaiando malabarismos em ultrapassagens acrobáticas, num treino para o equilíbrio do orçamento mensal, desaguam nas ruas da grande cidade com o ar triste de quem regressa às rotinas diárias. Voltam a abarrotar –se os transportes; regressam as filas intermináveis caracoleando nos acessos à cidade; os balcões das pastelarias voltam a animar-se em refeições rápidas de come em pé, num menu “standard” SFB ( sopa, folhado e bica); as escolas voltam a ser palco de disputas entre professores e alunos e a ministra voltará à sua função de árbitro parcial numa contenda interminável.A cidade volta a tornar-se insuportável, os que cá ficaram suspiram pelo próximo Agosto, ou por aqueles dias de Natal e Ano Novo, quando a cidade se volta a esvaziar, para um encontro repetido de famílias, cumprindo o ritual de troca de presentes. Até lá suceder-se-ão fins de semana, num movimento de io-io entre a cidade e a “terrinha”, continuaremos a assistir ao regresso a casa de carros a abarrotar de mantimentos e agruras. Para a maioria das pessoas é assim que se renova a vida. Na sequência repetitiva do asfalto, nas areias de uma praia a abarrotar, no contar de mortos em acidentes de viação, provocados pela incúria e loucura de uns quantos. Para telenovela, o argumento até não me parece mau… mas para modo de vida parece-me curto de ambição!

Obrigado. Muito obrigado!

Ao contrário do que é habitual, o CR não sentiu a baixa de audiências durante o mês de Agosto. Bem pelo contrário... Agosto foi o mês com maior número de visitantes, ao longo destes quase três anos. Foram batidos todos os records, com quase 9 mil visitantes e mais de 17 mil page views. O meu muito obrigado pela vossa paciência em aturar os meus humores e terem, ao longo destes anos, contribuído para que esta maré não parasse de encher. Foi o melhor presente que me podiam dar em vésperas do 3º aniversário do CR. Não há vizinhos como vocês. Mil vezes obrigado.

Pelo país dos blogs (87)

Que não há limites para o ridículo, eu já sabia. Também sempre duvidei que houvesse gente tão estúpida como os conservadores americanos. Agora, fiquei a saber, pela Palmira, que a estupidez no "país mais civilizado do mundo (???)" é uma forma específica de apelar aos votos dos cretinos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Peixinhos da Horta

Fui dos que aplaudi a escolha de Queiroz, mas também fiquei decepcionado com a sua fraca prestação no Mundial da África do Sul. Isso não me impede de continuar a apreciar Queiroz, considerá-lo melhor treinador que Scolari e, simultaneamente, pensar que seria benéfico para a selecção ter outro seleccionador para a campanha europeia. Gostaria , no entanto, que a substituição se fizesse de forma transparente, pagando a Queiroz a indemnização contratual. Infelizmente, parece que a substituição será feita “à portuguesa”, ou seja, recorrendo a expedientes, para evitar cumprir um contrato.
Não me interessa, por agora, saber se há conluio entre a FPF e a ADoP, para tramar Queiroz e conseguir uma rescisão com justa causa. Mais importante do que isso é recordar toda a gama de pulhices que envolvem esta trama.A infracção de que Queiroz é acusado pela ADoP ( obstrução ao controlo anti doping) ocorreu em Maio, mas o processo só veio a ser conhecido depois da eliminação de Portugal, pela equipa que seria campeã mundial. Tivesse Portugal chegado às meias finais e o processo teria sido arrumado numa gaveta mas, como a prestação portuguesa foi fracota ( e Queiroz teve responsabilidades nisso) os amanuenses de serviço saíram a terreiro em defesa da dignidade ofendida. Fizeram-no respaldados nas palavras inoportunas e infelizes do secretário de estado do desporto Laurentino Dias que deveria ter-se remetido ao silêncio , mas não resistiu e pôs a boca no trombone, lançando suspeições para de seguida se escusar a esclarecer o alcance das suas afirmações. Não foi bonito…
O Conselho de Disciplina da FPF aplicou uma sanção a Queiroz, mas refutou a acusação de interferência do seleccionador nacional no controlo anti-doping. De qualquer modo, decidiu abrir desde logo novo processo a Queiroz , que poderá redundar em nova condenação e abrir caminho ao despedimento com justa causa.
Aconselharia o mais elementar bom senso que os amanuenses encartados e cheirando a perfume de rosas aceitassem a decisão do CD da FPF, mas há gente que gosta de mostrar serviço ao chefe e, por isso, a ADoP avocou o processo. Horta declarou-se impedido e passou a bola a Sardinha, presidente do Instituto do Desporto de Portugal, que aplicou uma suspensão de seis meses a Queiroz o que, entre outras consequências, permitirá satisfazer as pretensões da FPF.
A ADoP não ouviu Queiroz. Zurziu na FPF por ter concluído que não houvera obstrução oa controlo, reuniu o concílio de “lambe botas” e ditou a sentença. No Irão o processo não seria de espantar mas, num país que se reclama democrata, é obsceno. Não sei se Sardinhas de lata ligam bem com peixinhos da Horta, mas tenho a certeza que ambos se estão borrifando para a selecção nacional.
Esperemos que a ASAE do Desporto Internacional confisque as Sardinhas e os peixinhos da Horta e despeça o cozinheiro . A culpa até pode não ser da qualidade dos peixinhos mas é, certamente, da fraca qualidade do óleo que o cozinheiro usa para os fritar e da massa que os envolve, revolvendo-nos o estômago com tanta obscenidade.

Pausa para publicidade (22)


Na hora do adeus...

Depois deste episódio, deixei de frequentar a Versailles. Não me queria ir embora sem lá voltar. Hoje fui lá almoçar. Foi gratificante a forma calorosa como fui recebido pelos empregados que durante anos se habituaram a ver-me quase diariamente.

Estranha forma de vida

São onze horas da manhã. Como acontece habitualmente, desde há dois anos, o protagonista desta estória está plantado entre o café e a mercearia do bairro, com uma “mini” na mão. Saber se está sóbrio ou bêbado, só é possível depois de trocar algumas palavras com ele e lhe sentir o bafo. Apesar de ter pouco mais de 40 anos, o álcool já há muito lhe marcou o rosto e condicionou os movimentos, num desequilíbrio e descoordenação permanentes, a que não faltam alguns tiques indiciadores de um distúrbio nervoso. Chamemos-lhe Américo.
Conheço-o há sete ou oito anos e desde sempre o vi de grão na asa. Os trabalhadores da construção civil- talvez pelo seu trabalho árduo- têm bastante propensão para se tornarem alcoólicos e Américo nunca foi excepção. No entanto, diz a toda a gente que o interpela sobre o assunto, que apenas começou a beber devido a um desgosto de amor. Só se engana a si próprio. Quem o conhece, sabe a sua história. Vivia com uma porteira de um prédio das imediações a quem fez quatro filhos, nos intervalos das tareias com que a mimoseava. O réu não era ele, pois agia em nome do interveniente líquido que lhe comandava o cérebro e impulsionava os gestos. Pelo menos era essa a justificação que sempre apresentava depois de cada sova e que a companheira foi aceitando, em troca de promessas de regeneração. Um dia, há um par de anos, percebendo que Américo e o álcool eram companheiros inseparáveis e tinham selado um pacto para a vida, ela chamou a polícia e despediu os dois.
Há umas semanas, Américo abordou-me na rua. Contou-me que tinha agora uma nova companheira e queria “endireitar a vida”. Queria voltar a trabalhar, mas já fizera inúmeras tentativas sem sucesso. Poderia eu ajudá-lo, com os conhecimentos que tinha? Pareceu-me sincera a vontade de Américo em se converter. Na sua exposição de motivos, os olhos embaciaram-se-lhe quando me falou dos filhos e da vergonha que sentia por não ter dinheiro sequer para lhes dar um presente no aniversário ou no Natal.
Poucos dias antes tinha terminado umas reformas no meu rochedo. Obras que se atrasaram porque a pessoa que contratara para as fazer, conhecida de longa data, se queixara da dificuldade em encontrar pessoas que quisessem trabalhar. “Vêm trabalhar uns dias, mas assim que têm dinheiro no bolso vão gastá-lo em copos e mulheres e deixam de aparecer, até acabar o dinheiro”- justificou-se. Aceitei as desculpas como boas.Perguntei a Américo se queria voltar a trabalhar na construção civil e disse-lhe que tinha uma pessoa amiga que talvez o pudesse contratar. Respondeu-me prontamente que sim, agradeceu-me inúmeras vezes e logo me convidou para lhe fazer companhia numa mini, por sua conta, numa manifestação de reconhecimento e celebração antecipada. Recusei polidamente. Ele insistiu. Talvez um uísque?.
Expliquei-lhe que bebia pouco e só depois do anoitecer. Aceitou a justificação, renovou os agradecimentos e rematou:
“Então, senhor doutor, já sabe onde me encontrar. Fico-lhe muito agradecido”.

Providenciei um encontro entre entidade patronal e candidato numa manhã de sábado, à mesa do café. Quando lá cheguei, acompanhado do empregador, já Américo estava sentado. Em vez da mini, tinha à sua frente uma chávena de café. Fiquei surpreendido mas, assim que me sentei, percebi que o café fora acompanhado por uma generosa dose de bagaço.
Américo não estava sozinho. Trazia consigo a nova companheira. O olhar baço não deixava dúvidas. Amélia ( chamemos-lhe assim) não era só companheira de cama. Também partilhava os copos com Américo. Algumas marcas negras bem visíveis também indiciavam que o seu corpo já experimentara o vigor das manifestações “afectivas” de Américo. Feitas as apresentações, passou-se ao assunto que nos convocara para aquela reunião magna.
Ouvida a proposta, Américo vacilou. Fez umas contas de cabeça, cochichou qualquer coisa com Amélia e respondeu:
- Bem, assim não vale a pena. Eu e a Amélia estamos a receber novecentos euros do Rendimento Social de Inserção e o que você me paga a mais não dá para o comer.
Senti-me incomodado e com vontade de lhe bater. Pedi desculpas ao potencial empregador pelo incómodo da deslocação. Olhei em redor tentando não denunciar a minha ira. Esbarrei o olhar numa simpática velhota que conheço há muitos anos e com quem costumo ter algumas conversas amigáveis. Era uma pessoa alegre, até ao dia em que a irmã morreu, mas mantém o sorriso doce que sempre me cativou. Era a reforma da irmã que sustentava a casa. Quando ela morreu, a vida da senhora, com 76 anos, ruiu. Vive de umas economias deixadas pela irmã e de uma reforma de subsistência pouco superior a 200 euros. Há dias contou-me que se tinha candidatado ao RSI, mas lhe fora recusado. Não tem sequer dinheiro para comprar os medicamentos de que precisa, mas não é pessoa de se queixar. Nas próximas eleições lá estará ela, como sempre, com a bandeira do PS, a distribuir autocolantes e propaganda.

Saí para apanhar ar, na companhia do empregador mal sucedido.
“ Espero que o senhor compreenda, mas não posso pagar mais. Ofereci-lhe o que pago aos meus empregados mais antigos”.
Não se preocupe. Já tinha visto este filme. Despedi-me. Voltei a entrar no café. Américo e Amélia estavam ainda sentados, mas a companhia agora era outra. Duas minis repousavam sobre a mesa.

Sento-me à mesa da velhota. Fico a saber as últimas “novidades” do PS. Entusiasmada, garante-me: “ se o Coelho quiser eleições antecipadas, vamos ganhar outra vez!”.
Na mesa do casal, Américo pediu mais duas "minis". Provavelmente para afogar as mágoas da sua desdita. Ainda não fora desta vez que arranjara emprego. Maldita sorte!
Aviso: embora por vezes possam parecer surreais, todos os posts com a etiqueta CENAS retratam episódios verídicos que presenciei ou vivi. Este, não escapa à regra.

Imagens da nossa memória (33)


Espero não ter esquecido nada para a viagem...

Pelo país dos blogs (86)

A Guerra Colonial e a querela entre militares e Lobo Antunes, não escapou à análise do jornalista. O meu amigo Arnaldo Gonçalves não gostou. E com razão, porque há momentos em que o silêncio dos jornalistas deveria ser de ouro, e não palavras lata.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pausa para publicidade (21)


Copos de vinho e pãezinhos sem sal


Já todos mofámos de e-mails alertando-nos para determinados riscos para a saúde, decorrentes de certas práticas alimentares. Já todos rimos com mails que nos perguntam como terão sobrevivido os nosso avós, arrostando contra os perigos para que hoje nos alertam permanentemente.
Chegou a altura de nos persignarmos perante algumas incoerências da segurança alimentar. Alguém me explica, por exemplo, qual a razão de ter sido imposto um limite para o sal no pão e ter sido permitida novamente a venda de vinho a copo, favorecendo a gula dos mixordeiros e aumentando desmesuradamente os lucros da restauração? E por que razão voltaram os galheteiros às mesas dos restaurantes, depois de uma enorme campanha contra a sua utilização? Há aqui qualquer coisa que não bate certo...
"É a economia, estúpido!" -ouço alguns leitores vozear ao longe

Imagens da nossa memória (32)


O meu primeiro computador era igual a este. Nem imaginam o que me custou trocar o velho Mac pelo PC!

O país a preto e branco


Estação de Metro da Cidade Universitária. O tempo não me permite comer mais do que uma bucha antes de ir ao Hospital. Decido parar no café do Metro. Ao balcão dois homens conversam alto, amparados em minis. Um é preto, o outro branco.
Enquanto sou aviado, ouço a conversa. O preto, de voz enrolada denunciando depósito atestado de álcool, vocifera contra “este país”. Reclama mais apoios do governo. Elogia o governo do seu país, que não deixa as pessoas ao abandono. O branco tem sotaque revelador das suas origens: o leste europeu. Ri-se e abana a cabeça, perante os argumentos do parceiro de conversa. A determinada altura pergunta:
- Onde você nasceu?
- Na Guiné.
- E quando veio para Portugal?
- Faz tempo. Há mais de vinte anos.
- Então porque não volta, se ali é tão bom e aqui tão mau?
O preto balbucia algo imperceptível, numa voz movida a álcool.
-Olhe, quer um conselho? Se isto é tão mau, pegue o metro e vá até ao rio. Lá tem muito barco. Apanhe um e volte para o seu país- recomenda o imigrante de Leste.
-Ah, isso não, que lá tem guerra e as pessoas andam nas ruas aos tiros, responde o africano.
O branco soltou uma sonora gargalhada e pediu mais uma mini.
O tempo escasseava. Paguei e fui em passo de corrida para o Hospital Santa Maria. Com pena de não ter assistido ao desenrolar da conversa.

A Bem da Nação

Mão amiga fez-me chegar a Resolução nº 21/ 2009 ( publicada no DR de 26 de Março ) da Assembleia da República sobre o regime de presenças e faltas ao Plenário em cujo nº7 se pode ler esta pérola preciosa:
“ A palavra do Deputado faz fé, não carecendo porisso de comprovativos adicionais. Quando for invocadoo motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana".
São estes regimes de excepção que credibilizam a democracia e a actividade dos deputados. A bem da Nação.

Pelo país dos blogs (85)

Por mais inesperada que seja, há sempre uma razão atendível que espera por si.