O direito à alimentação, à água, ao saneamento básico, à habitação, à segurança social, a cuidados de saúde, ao trabalho ou à educação são, para qualquer português que não sofra de claustrofobia mental, direitos básicos e inquestionáveis, não é verdade? São aquilo a que convencionalmente chamamos direitos básicos. Por isso, a necessidade de assegurar a sua satisfação é tão óbvia que não merece qualquer contestação. Se alguém decidisse organizar uma manifestação que visasse a garantia destes direitos a todos os portugueses, muitos leitores não deixariam de esboçar um sorriso.
No entanto, talvez muitos não saibam que estes direitos só recentemente foram incluídos no Tratado de Direitos Humanos da ONU! Porquê? Porque muitos países ( incluindo alguns ocidentais ) não contemplam esses direitos na suas leis fundamentais. Pelo contrário, nos países de Leste, pertencentes ao antigo bloco soviético, esses direitos estavam consagrados em lei desde os anos 20 do século passado, mas sempre foram considerados, pelos países ricos, como direitos menores.
Curiosamente, insurgimo-nos contra os países onde não há direito à liberdade de expressão, de reunião, ou de religião, mas não nos manifestamos contra os países onde, por exemplo, o direito de acesso à água – um bem essencial à vida - não está garantido a todos os cidadãos.
Ignoramos – porque nos convém?- que a luta pelo acesso à água é uma das maiores causas de guerras neste século XXI , e já provocou milhares de mortos, mas aqui d’el-rei se Chavez encerra uma televisão ou um jornal.
Manifestamos o nosso pesar face à guerra do Darfur- cuja origem está na luta pela água- mas vamos passar férias para um resort de luxo All Inclusive nas Caraíbas, com todas as comodidades, várias piscinas e comida à fartazana, ignorando que os habitantes de algumas dessas localidades onde estão instalados esses resorts não têm acesso a água potável, porque foi desviada para satisfazer as necessidades dos turistas.
O relativismo cultural também é isto. Não é apenas uma questão de direito à liberdade de expressão, ou à liberdade religiosa. Há quem não compreenda isso e viva confortado na sua superioridade moral.
No entanto, talvez muitos não saibam que estes direitos só recentemente foram incluídos no Tratado de Direitos Humanos da ONU! Porquê? Porque muitos países ( incluindo alguns ocidentais ) não contemplam esses direitos na suas leis fundamentais. Pelo contrário, nos países de Leste, pertencentes ao antigo bloco soviético, esses direitos estavam consagrados em lei desde os anos 20 do século passado, mas sempre foram considerados, pelos países ricos, como direitos menores.
Curiosamente, insurgimo-nos contra os países onde não há direito à liberdade de expressão, de reunião, ou de religião, mas não nos manifestamos contra os países onde, por exemplo, o direito de acesso à água – um bem essencial à vida - não está garantido a todos os cidadãos.
Ignoramos – porque nos convém?- que a luta pelo acesso à água é uma das maiores causas de guerras neste século XXI , e já provocou milhares de mortos, mas aqui d’el-rei se Chavez encerra uma televisão ou um jornal.
Manifestamos o nosso pesar face à guerra do Darfur- cuja origem está na luta pela água- mas vamos passar férias para um resort de luxo All Inclusive nas Caraíbas, com todas as comodidades, várias piscinas e comida à fartazana, ignorando que os habitantes de algumas dessas localidades onde estão instalados esses resorts não têm acesso a água potável, porque foi desviada para satisfazer as necessidades dos turistas.
O relativismo cultural também é isto. Não é apenas uma questão de direito à liberdade de expressão, ou à liberdade religiosa. Há quem não compreenda isso e viva confortado na sua superioridade moral.
Excelente, Carlos... farei link no próximo Leituras Cruzadas porque é, de facto, imperdível.
ResponderEliminarObrigado.
Um grande abraço.
O Carlos está sempre a fazer-me sentir mal por ter ido ao México... Bolas!
ResponderEliminarNão me arrependo do o ter feito, apenas veio confirmar aquilo que eu já pensava sobre esse tipo de férias. Mas isso é tema para outra conversa.
Este post faz lembrar-me daquela cantilena: "só damos valor às coisas, quando as perdemos."
Carlos,
ResponderEliminarUm "saltinho" ao Devaneios para ler as afirmações do director dos Serviços Laborais aqui de Macau.
Nem de propósito.
Ainda não percebi se aquele cabeça de atum é considerado inimputável ou intocável.
Carlos
ResponderEliminarNão sei bem porquê este post remeteu-me para aquela canção dos anos 70 cantada pelo Francisco Fanhais (não sei se originalmente)
"vemos ouvimos e lemos, não podemos ignorar"
Não me acho certa ou errada, porque afinal cada qual sabe a sua verdade.Eu critico sim a falta de liberdade de expressão, como critico a falta de alimentos, a falta d'água, a falta de respeito, a lapidação e as touradas entre outras coisas, porque de alguma forma tudo isso afeta a vida, seja ela humana ou animal.Tenho sim alguns pequenos luxos e mesmo assim muitas vezes não fui à resorts, parques e restaurantes por não concordar com o preço real do que aquilo estaria custando. Como exploração do trabalho humano e alguns exageros injustificáveis.E na verdade o que falta é uma maior divulgação sobre o que acontece além dos nossos olhos, porque afinal eu não posso falar sobre o que eu não conheço.
ResponderEliminarE você está certo, a pessoa não pode ter um discurso e fazer diferente dele.