domingo, 22 de agosto de 2010

Brites com o paparazzi que fotografou Passos Coelho no Algarve


Antes de voar até ao Brasil, para assistir a este casamento, vim até ao Allgarve, para ver os famosos em pelota. Tenho aproveitado o dia para ler as revistas cor de rosa que eles levam para a praia e dei por mim a pensar uma coisa: se durante o dia só lêem revistas do jet set e à noite vão para as discotecas, quando é que eles arranjam tempo para ler aqueles livros todos que dizem nas respostas aos inquéritos de Verão levar para férias?
Bem, mas isso agora não interessa nada, pois o que vos quero hoje dizer é que estou desolada. Um dia destes, apanhei um jovem actor de telenovela- habitual leitor da Caras- a ler a revista Pública. Achei estranho, mas resolvi dar uma espreitadela e qual não foi o meu espanto quando li o título do artigo em cuja leitura o rapaz estava mergulhado com grande concentração: “ No mundo cor de rosa, nem tudo é o que parece”.
Apesar de o “paparazzi” que há dois dias me faz companhia nesta árvore me assustar um pouco, porque tem uma máquina fotográfica com uma teleobjectiva maior que os Canhões de Navarone, deixei-me estar quietinha a ler o artigo. Sabem o que descobri? Que afinal a maioria daquelas fotografias e muitos dos artigos que as acompanham são previamente combinados entre as revistas e os famosos. Vejam lá o despautério! Ando eu por aqui sempre à coca, para ver se apanho uma cena inesperada para vos contar e sai-me uma destas na rifa!
Eu por acaso já tinha desconfiado que havia alguma coisa estranha… É que ainda ontem vi uma filha de uma famosa aqui no areal, logo pelas oito da manhã, que me deixou desconfiada. Passou o tempo todo a receber mensagens e, cada vez que lia uma, mudava de posição, punha-se em poses ou em posições pouco naturais para quem está sozinha. Ao fim de uma hora destas cenas vestiu-se, levantou o polegar e, passado dois minutos, saiu um tipo das dunas com uma máquina fotográfica parecida com a do paparazzi que está aqui ao meu lado. Correu em direcção a ela, deu-lhe um beijo na boca e depois foram-se embora juntos. Estranho, não vos parece? Fico curiosa de saber onde é que estas fotografias vão ser publicadas…
Começo a acreditar que o Carlos tinha razão quando me dizia que isto era tudo uma fantochada, mas gostava de saber o que é que este fulano que não desampara a árvore há dois dias está aqui a fazer. Bem tentei falar com ele, mas o tipo não percebe nada do meu gorjeio.
Esperem lá… o tipo pegou na máquina e começou a disparar à maluca. Ena pá!!!! Nem imaginam o que estou a ver daqui. O Pedro Passos Coelho em carne e osso. Está ao pé da piscina, em pé, parece que está á espera de alguém… Olha, acaba de chegar um fotógrafo, trocaram um grande abraço e estão a conversar animadamente.
( O maluco do paparazzi está eufórico! Daqui a nada cai-me da árvore com tanto disparo)
O fotógrafo foi-se embora e o Pedro Passos Coelho voltou a estender-se na cadeira. Pegou noutro livro ( sei que é diferente, por causa da cor da capa). Agora está a fazer sinais para alguém, mas eu não vejo quem é. Tirou uma catota do nariz e levantou o polegar em direcção a alguém
( O paparazzi ao meu lado continua a fotografar)
A cada sinal que faz para o interlocutor que eu não vejo, PPC muda de posição. Agora está muito concentrado na leitura. Pegou num bloco de notas e numa caneta. Parece que está a escrever qualque coisa.
(…)
Pronto, levantou-se. Olha,olha…lá está outra vez o tipo com quem estava a falar há bocado. Sentaram-se os dois numa mesa à beira da piscina e estão a conversar animadamente. Veio uma senhora com uma bandeja com bebidas e uns aperitivos.
( O paparazzi continua a disparar)
Vou-me mas é embora. Aproximo-me do paparazzi, bato as asas, mas o tipo não me liga nenhuma.
Deixou de fotografar. Deve estar tão farto desta cena como eu ,mas tenho a impressão que vou ver as fotografias do meu vizinho numa revista qualquer. Ouvi-o a telefonar para uma revista a oferecer as fotografias. Fiquei a saber o nome dele. Chama-se “freelancer”.
Nos próximos dias vou andar a cuscar as revistas todas, para ver as fotografias.
Ora bolas, afinal só saiu isto! Coitado do “freelancer”! Dois dias naquela árvore para nada… mais sorte teve aquele que fotografou a miúda , filha de famosos, na praia. Não só vai receber umas guitas, como ainda lhe conseguiu dar uns chochos.
Pronto, vou comprar uma máquina fotográfica.

7 comentários:

  1. já pensei muitas vezes nisto. e nem é preciso ser paparazzi. os fotografos tiram numa só reportagem dezenas e dezenas de fotos. conheço muitos. e depos na reportagem apenas sai uma ou dua que nem são assim grande coisa, penso eu. os paparazzi têm a mesma labuta. tiram fotos que em chineses e muitas vezes nem uma conseguem publicar. até que ponto ser paparazzi pode render, já que neste exemplo, um passa dois dias na arvore e nada, enquanto que alguem o fotografou na descontra numa cadeira de piscina...

    as aventuras de um empregado gourmet

    http://ohpirussas.blogspot.com/

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  2. a coisa não é fácil

    nem o coiso

    na loja dos chineses

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  3. Numa conversa telefónica com uma portuguesa, perguntei, quem é um certo Passos Coelho?

    - É um homem muito bonito.

    Carlos, essa mulher não é LOIRA!

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  4. Brites,
    querida, isto está difícil para todos..

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  5. Coitada da Brites, tanto tempo empoleirada naquela árvore para no fim aparecer isto...
    :)))

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  6. Brites querida...eu já te disse prá deixar essa coisa cor-de-rosa toda de lado.Isso ainda vai lhe fazer mal :o)

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  7. Em relação à questão da leitura, aqui para nós, eles não lêem os livros que dizem ler. Conclusão a que cheguei há alguns anos, quando não havia político nenhum que não dissesse que levava na bagagem o livro então em voga: "O Pêndulo de Foucault"!

    Bem sei que não sou exemplo para ninguém, que deixo de ler logo um livro se não o entendo ou ele me entedia. Nesse caso, não entendi nada até à página 30 e larguei. Mas conheço pessoas muito mais perseverantes, que lhes aconteceu exactamente o mesmo com este livro do Umberto Eco (li outros dois do autor que gostei bastante). Agora imagina que todos eles o leram? Desde o Santana Lopes a Cavaco Silva, passando por Macários Correias e quejandos? Ná, não me parece...

    Quanto a essa confraternização com paparazzis, oops... "freelancers", não é de agora e não é exclusivamente portuguesa.

    A Hola, aquela revista espanhola que bem deve conhecer, chegava a comprar a "história" aos próprios protagonistas, que por qualquer razão estavam curtos de massas para a sua vidinha de "jet set". Assim, um divórcio, uma zanga ou coisa, podia dar lucro ao próprio envolvido, sendo que se dava a entender que tinha havido uma grande investigação para o jornalista obter "o furo"... :)))

    Jornalismos duvidosos, é certo, mas se as revistas vendem... é porque têm compradores!

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