terça-feira, 31 de agosto de 2010

Famílias (re)unidas


Le Pen comprou uma casa no campo, para que os filhos possam ver as vacas em vez dos imigrantes árabes. Compreende-se. A família deve estar sempre junta...

Imagens da nossa memória (31)


Prelúdio

Um ano depois de ter escrito este Gracias a la Vida, percebi que tinha de lhe dar continuidade, porque aquilo era um post inacabado. É isso mesmo que amanhã começarei a fazer.

Crónicas do meu bairro

Quando vim para Portugal fui trabalhar para a loja de um indiano a ganhar 348 euros por mês. Depois saí, porque prometeram-me um contrato de trabalho. Fui trabalhar como empregada de limpeza na (...)a ganhar 178 euros, mas os sacanas nunca me fizeram contrato e ao fim de dois anos mandaram-me embora...
- Como se vive em Lisboa com esse ordenado?
- “Virava-me... ”
- Que fazias no Brasil?
- Era funcionária pública.
- Porque vieste então para Portugal, se tinhas emprego no Brasil?
- A minha irmã estava cá e disse-me para vir.
- Ela não te pode ajudar?
- Já voltou para o Brasil. Casou cá com um português e estão os dois bem na vida.
- O que queres então fazer?
- Preciso que me ajudes...
- Diz lá...
- Quero que fales à B para me deixar trabalhar lá em casa
- Nem penses nisso! Já não tens idade para andar a vender o teu corpo.
- Não vou vender, só vou alugar. Aos 43 anos ainda estou bem, não achas? E os portugueses gostam de brasileiras...
- Eu podia fazer-te feliz...
- Isso é o que todos dizem. Não tenho feitio para me entregar a um homem e ficar dependente dele. Quero ser independente, arranjar algum dinheiro e tratar da minha filha. Além disso és casado, que é que posso esperar de ti?
- Que idade tem a tua filha?
- Vinte e um. Queres ver?
- É gira... Porque é que não a mandas vir ? Talvez se arranje alguma coisa em casa da B. Sempre é uma ajuda ...
- Vai-te foder!

Pausa para publicidade (20)

Como os tempos mudam! Quando apareceu este achocolatado, as pessoas coleccionavam os rótulos para ganhar um automóvel. Agora, oferecem apenas aventuras radicais. Pelintras!

Sinais exteriores de riqueza

Eugostava de acreditar que isto é fruto do laxismo e da incompetência de uns quantos funcionários públicos. Mas, infelizmente, não é. Todos sabemos que não é, mas faz um jeito dos diabos fingir que acreditamos que é.

Pelo país dos blogs (84)

Imperdível a leitura destas Histórias de Ciganos. São histórias de ouro...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Relativismo cultural

Relativismo cultural não é pretender justificar mortes por lapidação, com hábitos e costumes, sejam eles religiosos ou não. É cruzarmo-nos com um habitante de Goroka (Papua Nova Guiné) que veste apenas uma tanga e tresanda a bosta por todos os lados e perceber que ele vai para uma festa tribal e se untou de caca, com a mesma naturalidade com que uma figura do jet set mergulha num frasco de Channel antes de ir para uma vernissage.

Imagens da nossa memória (30)

Vamos lá engomar? Ou será brunir?

Direitos Humanos

O direito à alimentação, à água, ao saneamento básico, à habitação, à segurança social, a cuidados de saúde, ao trabalho ou à educação são, para qualquer português que não sofra de claustrofobia mental, direitos básicos e inquestionáveis, não é verdade? São aquilo a que convencionalmente chamamos direitos básicos. Por isso, a necessidade de assegurar a sua satisfação é tão óbvia que não merece qualquer contestação. Se alguém decidisse organizar uma manifestação que visasse a garantia destes direitos a todos os portugueses, muitos leitores não deixariam de esboçar um sorriso.
No entanto, talvez muitos não saibam que estes direitos só recentemente foram incluídos no Tratado de Direitos Humanos da ONU! Porquê? Porque muitos países ( incluindo alguns ocidentais ) não contemplam esses direitos na suas leis fundamentais. Pelo contrário, nos países de Leste, pertencentes ao antigo bloco soviético, esses direitos estavam consagrados em lei desde os anos 20 do século passado, mas sempre foram considerados, pelos países ricos, como direitos menores.
Curiosamente, insurgimo-nos contra os países onde não há direito à liberdade de expressão, de reunião, ou de religião, mas não nos manifestamos contra os países onde, por exemplo, o direito de acesso à água – um bem essencial à vida - não está garantido a todos os cidadãos.
Ignoramos – porque nos convém?- que a luta pelo acesso à água é uma das maiores causas de guerras neste século XXI , e já provocou milhares de mortos, mas aqui d’el-rei se Chavez encerra uma televisão ou um jornal.
Manifestamos o nosso pesar face à guerra do Darfur- cuja origem está na luta pela água- mas vamos passar férias para um resort de luxo All Inclusive nas Caraíbas, com todas as comodidades, várias piscinas e comida à fartazana, ignorando que os habitantes de algumas dessas localidades onde estão instalados esses resorts não têm acesso a água potável, porque foi desviada para satisfazer as necessidades dos turistas.
O relativismo cultural também é isto. Não é apenas uma questão de direito à liberdade de expressão, ou à liberdade religiosa. Há quem não compreenda isso e viva confortado na sua superioridade moral.

Contos do Gin Tónico

Revolvo os livros do meu baú, escolhendo alguns que quero levar comigo. Entre algumas relíquias esquecidas fui lá encontrar os "Contos do Gin Tónico" do Mário Henrique Leiria (editado em 1973) .Uma preciosidade. Ao reler alguns dos contos veio-me à memória o Mário Viegas a dizê-los numa noite inesquecível em Macau. Não consegui separar a leitura da sonoridade e da plástica que ele emprestava aos textos. Um autêntico dois em um!
Já agora, aqui ficam três exemplos para recordar quem os leu e aguçar o apetite a quem os desconhece!...

TORAH
Jeová achou que era altura de pôr as coisas no seu devido lugar. Lá de cima acenou a Moisés. Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça ardente. Quando chegou ao cimo, tiveram os dois uma conferência, cimeira, claro. A primeira, se não estou em erro. No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei. Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:
- Está aqui tudo escrito. Tudo. É assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser, que se vá embora. Já. Alguns foram. Então começou o serviço militar obrigatório e fez-se o primeiro discurso patriótico. Depois disso, é o que se vê.

NOIVADO
Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias deternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.É o que faz a miopia.

ÚLTIMA TENTAÇÃO
E então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida. Ficaram os dois numa desesperante frustração. Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!

Pausa para publicidade (19)


Aproveitem enquanto o calor anda por aí...

domingo, 29 de agosto de 2010

Perguntar não ofende...

A propósito desta imagem da nossa memória, ocorreu-me fazer uma pergunta:

Nunca estiveram a bordo de um daqueles carrinhos à espera de ver "uma baleia de óculos", ou a assistir a uma "corrida de submarinos"? No meu tempo praticavam-se bastante essas actividades em Leça e na Foz, depois do sol posto...

Five o' clock tea

Recebi da Teresa mais este selo que me encheu de orgulho e aqueceu o coração.
Como sempre, há regras a seguir. Neste caso devo:
Responder a duas questões
1- Que tipo de chá prefiro?
Preto
2- Quantas colheres de açúcar costumo usar?
Nenhuma. Chá só é chá se não tiver açúcar
Convidar seis pessoas para tomar café no CR.
Peço muita desculpa à Teresa, mas não consigo escolher seis convidados, entre os mais de 300 que me visitam diariamente. Por outro lado, como para o final da semana o CR comemorará o seu terceiro aniversário, aproveito desde já para convidar todos os leitores a estarem presentes.
Pode ser assim?

Imagens da nossa memória (29)


Pausa para publicidade (18)


Sugestão fim de semana


Se ainda lá não foram, de que estão à espera? A não perder!

sábado, 28 de agosto de 2010

Esquina da Memória (11)

Ali estava eu, deitado na espreguiçadeira da piscina do hotel, pedindo ao mar a devolução das palavras que se esgueiraram entre ondas de revolta, batendo na areia com desânimo.
Memórias de uma tarde de sábado de Outono

Pausa para publicidade (17)


Imagens da nossa memória (28)


Kodak Instamatic: quando a fotografia era uma aventura e os resultados, uma caixinha de surpresas....

Os sucessos de Quique

Quique Flores foi despedido do Benfica, com o estigma de um treinador falhado. Meses depois pegou num Atlético de Madrid em estertor, à beira da despromoção. Quase sem reforços, transformou uma equipa sem chama, sem as estrelas cintilantes do Benfica e ganhou a Liga Europa.
Ontem, perante um Inter que ganhou tudo com Mourinho, deu um banho de futebol ao seu compatriota Benitez, mostrou as debilidades dos italianos que no tempo de Mourinho eram forças e conquistou a Supertaça Europeia.
Tirem as ilações que quiserem, porque eu já tirei as minhas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Amanhã em (quase) todo o mundo


Não acredito que haja algum leitor do CR que não conheça a história desta mulher mas, na eventualidade de isso acontecer, sugiro-vos que leiam aqui

Pausa para publicidade (16)


Os animais são os nossos melhores amigos

O governo vai contratar 150 mil cabras para combater incêndios. Devo dizer que concordo em absoluto, porque os inconscientes que andam por aí a atear fogos são mesmo uns c…. e pode ser que as cabras os amansem.
Permito-me, no entanto, sugerir outras medidas complementares que teriam, entre outras, a virtude de contribuir para o repovoamento do país, onde não faltam animais, mas falam todos muito alto e não se ouvem uns aos outros. Assim, a minha proposta ínicial seria a seguinte:
- Contratar 9, 9 milhões de baratas para combater a carestia de vida.
- Contratar 5 milhões de cigarras para a luta anti-tabágica.
- Contratar um número indeterminado de cadelas , para combater o alcoolismo. ( Não esquecer que ao fim de semana é necessário reforçar a vigilância)
Quanto ao animal a quem deverá incumbir o combate à sinistralidade, aceito as vossas sugestões, mas permito-me avançar com a hipótese de serem contartadas umas tartarugas, para combater o excesso de velocidade. Só que isso não chega...

Olhos nos olhos


O painel plantado na parede da sala emitiu um sinal sonoro. Olhei. Era a minha vez. Avancei resoluto, cumprimentei , a senhora retribuiu o cumprimento sem tirar os olhos do computador. Expus-lhe a primeira questão. Imperturbável, respondeu-me sem desviar os olhos do ecrã. Segunda questão mais complexa. Depois de uma pausa respondeu com uma pergunta que me pareceu descontextualizada. Era notório que não percebera a questão que lhe colocava. Repeti a pergunta.
- Ah! Não lhe sei responder ao certo.
Como não podia responder a uma questão que, obviamente, só podia ser sim ou não? Pedi-lhe:
- Por favor, preste atenção. Olhe-me nos olhos. Não percebeu a minha questão pois não?Finalmente tirou os olhos do computador. Olhou-me e disse:
- Estava a pensar na sua pergunta.
Voltou a fixar os olhos no computador. Pausa. Ao fim de uns 30 segundos perguntou:
-Mais alguma coisa?
- Sim, mas só lhe posso fazer a pergunta seguinte se me responder a esta.
Sorriu. Qualquer coisa tinha corrido bem no que estava a fazer no computador. Finalmente olhou-me nos olhos.
-Então, diga lá. Qual é exactamente a sua questão?
Respirei fundo e repeti a pergunta.Voltou a colar os olhos ao ecrã e sugeriu:
-Porque não consulta o nosso site na Internet? Eu dou-lhe o endereço…
-Fui ao vosso site na Internet antes de vir aqui. Não encontrei resposta para a minha pergunta, porque a resposta depende de dados que eu lhe estou a dar e no site da Internet não é possível introduzir. Lá mesmo diz para consultar um balcão e colocar a questão, porque a resposta depende da situação de cada um.
- Espere um momento, por favor…
(Levantou-se a contragosto e foi falar com um colega. Voltou passado meio minuto com a resposta).
-Então, sendo assim, quero mudar o valor do seguro.
Finalmente tirou os olhos do ecrã.
- Nesse caso terá de tirar outra senha, para ser atendido pelo meu colega. Eu não posso fazer a alteração.
- Tirar outra senha? Esperar mais meia hora para ser atendido, porque a senhora não pode fazer a alteração? Isto é de loucos, não lhe parece?
- São ordens superiores, não posso fazer nada…
O colega com quem ela estivera a falar, para responder à minha questão, deve ter ficado atento ao desenrolar da conversa. Levantou-se com um papel na mão. Murmurou-lhe qualquer coisa ao ouvido que a deixou incomodada. Voltou-se para mim e começou a pedir-me os dados.
- Olhe, pensei melhor. Afinal, o que vou fazer é anular o seguro e tratar do assunto com outra companhia.

Imagens da nossa memória (27)

Eu odiava isto. E vocês?

Pelo país dos blogs (83)

Este vídeo, apesar de bárbaro, deu-me algum conforto. Eu explico. Há tempos escrevi isto e houve quem pensasse que a cena tinha sido fruto da minha imaginação. O video vem demonstrar que, por muito que nos custe acreditar, a realidade é, por vezes, muito mais violenta do que a ficção.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O nosso futuro europeu

Os leões foram heróis em Copenhaga e o FC do Porto cumpriu, não indo além dos serviços mínimos. No Mónaco, o sorteio sorriu a Benfica e Braga que têm tudo para seguir em frente ( embora os bracarenses tenham de ter cuidado com o Shaktar Donetsk).

Se amanhã o sorteio da Liga Europa for igualmente favorável a Porto e Sporting, estão reunidas as condições para uma grande campanha europeia das equipas portuguesas. Em sentido inverso parece caminhar a selecção nacional, envolvida em tricas, jogos de bastidores e algumas pulhices. Mas isso fica para outra ocasião...

Barroso, o compreensivo


O primeiro –ministro francês, François Fillon, foi ontem a Bruxelas explicar a Durão Barroso a expulsão dos ciganos. Tudo indica que tenha apresentado provas das acusações que impendem sobre os imigrantes roma e que Durão Barroso, tal como aconteceu na cimeira dos Açores, acredite na palavra e nas provas apresentadas por Fillon e o mande em paz, com um vigoroso “porreiro, pá!”.

Depois da manifestação de firmeza do líder europeu, será natural que Ângela Merkl convide Durão Barroso para tomar uma Pilsener , a fim de lhe explicar a razão da deportação de crianças rom (nascidas na Alemanha) para o Kosovo, e que um ministro italiano peça a Berlusconni para organizar uma daquelas festas que o líder italiano tanto aprecia, durante a qual explicará a Durão Barroso o significado das declarações xenófobas do seu ministro.

Confortado com as explicações, Durão Barroso irá a Estrasburgo explicar aos deputados europeus que a culpa de tanto alarido é de alguma comunicação social, empenhada em atacar os alicerces da democracia, lançando a infâmia e a suspeição sobre políticos que apenas pretendem o melhor para os seus povos.

“Infelizmente, há jornalistas que não ultrapassaram o esquerdismo dos 18 anos e vivem num planeta imaginário. Contra isso nada há a fazer. Temos de saber conviver com aqueles que nunca perceberão o grande esforço que a Europa está a fazer para garantir a segurança das gerações futuras, libertando-as das ameaças externas. Intoxicam a opinião pública, chamando expulsão ao repatriamento de cidadãos para os seus países de origem e ignorando a generosidade dos governos que apoiaram os repatriados com generosas compensações financeiras que chegaram a atingir os 300 euros por família!”- rematará Durão Barroso, empolgado.

Pausa para publicidade (15)


Carreguem na imagem para ampliar, porque os diálogos são imperdíveis!

Jerónimo "on the road"


Puxo de uma cigarrilha a seguir ao jantar e sinto-me a deslizar para fora da sala, levado pela voz de Kate Melua. Sentado no sofá ( ou estarei já a levitar?) resigno-me à minha condição de cidadão proscrito, por cometer duas vezes ao dia o pecado de fumar. Eu, que lamentava a sorte daqueles que tendo nascido nas ex-colónias tinham “gravada” no Bilhete de Identidade a sua condição de cidadãos de segunda ( ou de terceira, no caso de serem pretos), provo agora do mesmo veneno.Estava decidido a começar a elaborar uma lista telefónica dos restaurantes do País onde se pode fumar ( olha que boa ideia para abrir um negócio, jovens licenciados à procura do primeiro emprego precário neste País das Maravilhas à espera de ser envenenado com cicuta! Porque não se lembram de criar uma espécie de Páginas Amarelas ou de Roteiro com os restaurantes e bares onde se pode fumar neste País? Sejam empreendedores, vamos lá!) quando oiço as sirenes de carros da Polícia.
Regresso à Terra, já não sentado no sofá, mas com os pés na varanda. Lá em baixo há um grande ajuntamento, vozeares imperceptíveis, um grito, choros, espernear de um vulto.Não é uma cena típica do meu bairro, por isso é sem espanto que quando olho em redor vejo inúmeros rostos assomar às janelas de marquises que ocupam o lugar de varandas iguais à minha, para dar mais meia dúzia de metros a uma sala fechada. Volto a dirigir o olhar para a cena que se passa seis andares abaixo e vejo um polícia enfiar no carro um corpo que, apesar da distância, me parece ser de um jovem. O carro arranca com a sirene a tocar e aquele pirilampo espalhando a sua luz azulada, ao ritmo de compasso.
- Não me digas que era o Jerónimo... – ouço sair de uma marquise.
( O Jerónimo é um menino que escapou a ter “gravado” no seu BI cidadão de 3ª, mas que na vida não se libertou desse ferrete. É um bom menino, o Jerónimo! Toda a gente lhe conhece os bons modos, e tinha fama de ser aluno exemplar até ao momento em que o Pai se suicidou, depois de ter sido engrominado por um construtor civil sem escrúpulos que lhe roubou o salário e a fidelidade da mulher. Viviam numa casita modesta a cuja porta muita gente do meu bairro ia bater, para solicitar as habilidades do Julião, na prática do biscate.)
Não, não pode ser o Jerónimo” – pensei para os meus botões. Por que razão um miúdo tão afável - que apesar da desdita do pai, e de uma mãe a tentar em parte incerta cobrar com os favores do corpo as refeições de cada dia- a quem ninguém conhecia indícios de mau comportamento, ia agora preso?
Tirei mais uma fumaça, tentando afastar a ideia de tal sorte e deixei deslizar o olhar pelo horizonte, acompanhando a imagem “virtual” de Jerónimo a ser conduzido aos calabouços. Já não sei em que ponto estava, quando ouço uma voz ofegante a sair de uma qualquer marquise:
- Mãe, mãe! Era o Jerónimo!
- Como é que isso é possível, filha? O que é que o miúdo fez?
- Mãe, o Jerónimo andava metido na droga.
- Estás maluca! Onde é que ele tinha dinheiro para isso?
- “Eles caçaram-no” Mãe! Depois obrigavam-no a roubar carros e coisas assim. A gente já suspeitava que ele ‘tivesse metido em alhadas. ‘tava a assaltar a mercearia do sr. Casimiro com mais dois, os outros fugiram e ele veio tentar esconder-se nas obras do prédio aqui ao lado, porque alguém viu tudo e chamou a polícia ...
- Coitado do Jerónimo. Queres um chazinho para acalmar, minha filha?
- Não Mãe, quero ir à esquadra saber do Jerónimo!
- Estás completamente doida! Que é que vão pensar na esquadra se apareces lá a perguntar por um preto? Se calhar ainda julgam que também andas metida nisso. Não andas, pois não, minha filha? Ai meu Deus, para o que te havia de dar, querer ir agora atrás do Jerónimo. Anda mas é deitar-te, filhinha, que a Mãe faz-te um chazinho para acalmares.
Volto para dentro de casa.Na pantalha, a RTP anuncia o regresso de “Quem quer ser Milionário?”.


Adenda: Recupero este post escrito em Janeiro de 2008, porque o Jerónimo saiu a semana passada da prisão. Aqueles olhos antes tão vivos e curiosos, têm agora uma expressão baça e triste que esconde a amargura de tempos passados na prisão, de que não quer falar. Também não quer falar do futuro porque- afirma- a prisão tirou-lhe a esperança. Custou-me enfrentar um jovem de 20 anos que perdeu a esperança. Não encontrei palavras para o animar. Perguntei-lhe pela amiga, que já não vejo desde o Natal. Encolheu os ombros. Creio ter percebido, no seu olhar, a razão de ter perdido a esperança.
-Que vais fazer Jerónimo?
- Tentar tirar a minha Mãe daquela vida. Quero levá-la comigo para fora daqui.
- Para onde Jerónimo?
- Não sei, alguma coisa se há-de arranjar. Conheci um tipo "lá dentro" que me vai ajudar. Talvez vá para espanha trabalhar nas obras.
- E os estudos Jerónimo? Vais abandonar os estudos? Olha os sacrifícios que a tua Mãe passou para te pôr a estudar.
- No tempo que estive lá dentro, já aprendi tudo da vida...

Imagens da nossa memória (26)

Primeiro apareceram as caixas de fósforos....
Mais tarde surgiram as carteiras. Fui coleccionador de algumas belíssimas selecções de carteiras de fósforos. Até perceber que me tinha transformado num potencial pirómano.

O "jornalismo de investigação" compensa

Depois de um ano de baixa, uma indemnização milionária. Não é para quem sabe, é para quem pode...

Pelo país dos blogs (82)

O negócio de Roberto explicado por um indefectível benfiquista. A ler com muita atenção!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os glutões desmascarados

Já aqui critiquei várias vezes a DECO pelo marketing agressivo que pratica na divulgação das suas publicações. No entanto, é justo dizer que quando se trata de defender os interesses e direitos dos consumidores, a DECO vai à luta e consegue obter alguns frutos. Como aconteceu agora, ao denunciar as práticas de alguns bancos que "jogam" na falta de informação do consumidor para garantir para os lesar.

Alertada por alguns consumidores sobre as cláusulas abusivas incluídas nos contratos de crédito à habitação, que salvaguardam a possibilidade de aumentar as taxas de juro, unilateralmente, bastando-lhes invocar alterações da conjuntura económica, a DECO denunciou a situação ao Banco de Portugalque promete agir.

Poder-se-á lamentar o facto de ter sido necessário uma associação de defesa dos consumidores alertar a Entidade Reguladora, para que esta reagisse. Haveria, porventura, outras entidades que o deviam ter feito se não andassem a dormir, mas o importante é realçar que a DECO cumpriu bem o seu papel de informar e defender os consumidores.

O que tem de ser tem muita força...

Ao início da tarde dirijo-me a um serviço público. A entrada está obstruída, porque um grupo de jovens decidiu sentar-se nas escadas de acesso. Não satisfeitas com isso, as jovens espalharam mochilas, sacos e malas em frente à porta de entrada, dificultando a marcha de quem passa na rua. Peço licença para entrar, mas nenhuma delas faz menção de se afastar. Engrosso a voz e repito o pedido. Finalmente, enfadada, uma das jovens levanta-se.
Entro no edifício e de imediato sou barrado por um segurança.Pergunta ao que vou, pede-me identificação e dá-me um papel para ser assinado pela pessoa que vou entrevistar.Não resisto a indagar a razão da presença das jovens na escadaria. obstruindo a entrada. Recebo como resposta um encolher de ombros. Insisto.
- Desculpe, mas não é sua função desimpedir a entrada?
- Não. Só se elas estivessem cá dentro.
- As escadas não pertencem ao edifício?
- Sei lá! Devem pertencer, mas elas estão na rua, não posso fazer nada…
-Não pode porquê? Se estivessem ali a insultar o director desta casa, não as obrigava a sair dali?
- Ah, se fosse assim tinha de ser.

Pausa para publicidade (14)


Afinal, naquele tempo, já havia Viagra!

Piscinas ou escolas, a mesma luta


Quando os dinheiros da Europa começaram a chegar a Portugal, num pré anúncio de jackpot do Euromilhões, foi um regabofe. Todas as vilas, vilórias e aldeias quiseram ter a sua piscina, o seu pavilhão gimnodesportivo, ou o seu fontanário luminoso. Gastaram-se milhões em equipamentos cuja manutenção se tornou altamente dispendiosa para a maioria das autarquias. Chegou-se ao ridículo de construir pavilhões gimnodesportivos com capacidade para o dobro da população de um concelho, quando no concelho vizinho já existia equipamento idêntico, com capacidade para albergar a população inteira dos três concelhos vizinhos. Não pensem que estou a exagerar. É a verdade nua e crua e demonstra à saciedade a maneira de ser e estar dos portugueses.

Um dia, acompanhando a então ministra Elisa Ferreira, numa visita pelo Oeste, ouvi-a pedir, numa reunião com autarcas, sobriedade nos projectos que candidatavam aos Quadros Comunitários de Apoio. Chamou a atenção para o desperdício e para as loucuras que estavam a ser cometidas, investindo em equipamentos sobredimensionados que seriam um sorvedouro de dinheiro para as autarquias, comprometendo gerações futuras. Pediu aos autarcas que se reunissem, cooperassem e planeassem o investimento. Propôs, por exemplo, que dois municípios vizinhos partilhassem equipamentos, em vez de cada um construir o seu. Pediu que investissem os recursos financeiros em projectos que contribuíssem para a melhoria das condições de vida das populações, sem estarem preocupados em obras de encher o olho e chamou a atenção para o facto de a torneira da Europa se fechar inevitavelmente um dia, deixando as autarquias com encargos que não poderiam suportar.
Na sala vi muitas cabeças abanar em sinal de concordância mas, assim que a sessão terminou, assisti a acaloradas discussões. Se o município vizinho tinha uma piscina, eles queriam uma piscina maior e um gimnodesportivo. A ministra que fosse defender isso para Lisboa, mas não pensasse que naquela zona do Oeste as suas palavras seriam ouvidas. ( atenção: estas situações não são exclusividade do Oeste. São um problema nacional).
Aqueles que criticam o encerramento de 700 escolas padecem do mesmo mal. Não estão a defender as crianças. Se o fizessem, aplaudiriam a medida, porque as crianças vão ter escolas com melhores condições, melhores equipamentos e ofertas pedagógicas mais satisfatórias, que lhes darão mais oportunidades de sucesso escolar. Os que são contra o encerramento, fazem-no essencialmente por inveja do vizinho que fica com a escola, ou por questões partidárias. A situação em que hoje nos encontramos é, também, fruto desta forma bairrista de estar na vida que os portugueses cultivam de forma exacerbada. Aplicada ao comportamento individual, resultou no endividamento de muitas famílias ( se o filho do vizinho tem um automóvel, porque é que o meu não há-de ter?) que hoje se debatem com dificuldades financeiras, mas não abdicam de consumos supérfluos.
Desiluda-se quem ainda acredita em algum governo capaz de mudar esta forma de pensar e ser português.

Imagens da nossa Memória (ESPECIAL)


Faz hoje 22 anos que ardeu o Chiado. Mesmo longe, não consegui conter as lágrimas quando soube a notícia. Felizmente, reergueu-se das cinzas.

Imagens da nossa memória (25)


Quando ia ao Palácio de Cristal, à Feira Popular, era obrigatório "fazer um furo". Ansiava pela bola amarela, que era retribuída com um maravilhoso chocolate de Nougat, ou outra ( salvo ero verde) que conferia o direito a regressar a casa com o " Comacompão".

Desculpem se me enganei....

Creio não andar muito longe da verdade se disser que esta candidatura desiludiu muitos comunistas. É, no entanto, uma boa notícia para Manuel Alegre e Fernando Nobre.

Yeeeeessssssssss!!!!


Grande Braga! Em Sevilha os arsenalistas exibiram-se como um grande europeu e prestigiaram o futebol português.
Infelizmente, andam por aí uns amanuenses que detestam futebol e estão empenhados em destruir o trabalho dos clubes. Com tanta erva daninha naquela Horta, não há nada que frutifique.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ele disse isso?


Quem quiser ( e souber) que responda

Agora, que os EUA estão a retirar as suas tropas do Iraque é altura de perguntar. O Iraque está melhor do que antes da invasão anglo-americana em 2003? Há mais democracia? Há paz? Sunitas e xiitas vivem em harmonia? Já não morrem diariamente dezenas de civis, em resultado da violência? O país está mais próspero? Diminuiu a pobreza? As receitas do petróleo estão a ser utilizadas em favor dos iraquianos? Quantas armas de destruição maciça foram encontradas? A morte de Saddam resolveu os problemas do terrorismo e trouxe paz ao Médio Oriente?
Algumas destas perguntas talvez sejam disparatadas, mas não são mais do que as feitas por alguns portugueses em relação ao actual governo.
"Estamos melhor do que há cinco anos?"- perguntam alguns. Claro que não estamos, mas qual é o país do mundo que está hoje melhor do que há cinco anos?

Imagens da nossa memória (24)


Quem é que não tem uma viagem (ou alguns momentos agradáveis) para recordar a bordo de um Citroen 2CV, de um Fiat 127, ou mesmo de um Fiat 500 ou de um Mini? Vá lá, contem-nos tudo...

Somos Livres

Postais de férias ( The End)

Terminou o passatempo de férias. Agradeço a todos os que participaram, por ordem de entrada em cena:
Teresa
Luísa
Turmalina
Rogério
MagyMay
Isa GT
Reflexos
Paulo
Pedro
Bacouca
Teté
Muito obrigado a todos(as) e faço votos para que no próximo ano tenham umas férias ainda melhores.
Entretanto, deixo a todos uns postais bem portugueses que me trazem à memória excelentes recordações. Ainda tenho mais uns quantos, mas estes simbolizam alguns dos locais por onde andei ao longo do ano...em trabalho! Embora sejam postais com mais de 50 anos, admito que a maioria dos leitores esteja a vê-los pela primeira vez e por isso os escolhi. Espero que gostem

Pelo país dos blogs (81)

Gosto muito desta série de posts que a Helena nos tem vindo a oferecer. Já vai quase em três dezenas, por isso aconselho-vos a percorrer o blog e descobrir todas as preciosidades que ela nos mostrou ( e certamente ainda terá muitas para mostrar). Alguns já conhecia, mas outros foram novidade absoluta e constituíram uma boa surpresa. Excelente ideia, Helena. Parabéns!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pausa para publicidade (13)


Sangue do meu sangue

Nelson Olim é o único homem que comercializa, em Portugal, um equipamento para a realização de testes de medição de hemoglobina. Este equipamento é inovador e mais barato do que os métodos actualmente usados em Portugal. O Instituto Português do Sangue (IPS) abriu um concurso para comprar estes equipamentos e poupar assim algum dinheiro.
O que parecia uma boa ideia, mas não mereceria sequer uma nota de rodapé em nenhum jornal, virou manchete de primeira página. Porquê? Porque Nelson Olim é filho do presidente do IPS. Azar!
O Estado português está proibido de poupar dinheiro e modernizar-se, quando os equipamentos são produzidos ou comercializados por um familiar de um dirigente de um organismo público. Mesmo quando esse familiar seja o único a comercializar ou produzir esse equipamento. Qual será então a melhor solução?
Despedir o presidente do IPS ou entregar ( por decreto) a comercialização do produto a um familiar de Pedro Passos Coelho?

Pedro e o Lobo*

A OMS declarou o fim da pandemia de Gripe A. No dia seguinte era anunciada a chegada iminente de uma superbactéria resistente a todos os antibióticos existentes no mercado. Alguns dias depois, um cidadão paquistanês era anunciado como a primeira vítima da bactéria na Europa. Adivinhem lá quem vai descobrir o antibiótico milagroso que há-de derrotar esta superbactéria. Os laboratórios são uns sortudos. Todos os anos ganham o Euromilhões!

* Espero que entre os responsáveis da OMS haja alguém que se recorde da história de "Pedro e o Lobo". É que com a saúde não se brinca, tá?

Imagens da nossa memória (23)


Combate aos incêndios: uma solução (im)possível?


No dia 21 de Março- Dia Mundial da Floresta- divulguei aqui as propostas apresentadas pela Fenaflorestas visando a diminuição dos riscos de incêndios. Manifestei, então, a minha concordância em relação à possibilidade de os terrenos baldios abandonados pelos proprietários virem a ser geridos por cooperativas que assegurem a sua manutenção.
Na sequência dos incêndios que têm devastado a floresta portuguesa, com prejuízos incalculáveis e perda de vidas humanas, têm surgido diversas propostas com um denominador comum: a gestão dos baldios abandonados deverá ser assegurada pelo Estado.
Nem a proposta do Bloco de esquerda, nem a do governo me parecem apresentar soluções capazes de resolver o problema. Não seria mais curial aproveitar a estrutura da Fenaflorestas e implantar as medidas propostas por aquela organização cooperativa? Tenho a impressão que seria uma solução mais fácil, mais eficaz e menos dispendiosa para os contribuintes.

Sem comentários

Quando estão em causa figuras do jet set, as decisões dos tribunais têm estes resultados. Esta senhora também gosta de se exibir com peles de animais. Elucidativo!

domingo, 22 de agosto de 2010

Imagens da nossa memória (22)


Como hoje é domingo e estamos a falar de tempos passados, aqui fica uma recomendação ao estilo da época. Enquanto ELES colam os cromos, ELAS podem comer os caramelos. Valeu? ( Ok, ok, não é preciso correrem-me à pedrada, tá?)
Imagem anterior: Revistas

Acabaram-se os "frangos à Roberto"


Não me lembro de um guarda-redes que tenha sido tão crucificado pela imprensa. Roberto tem revelado fragilidades e dado alguns frangos, é verdade, mas se ontem Gaitán não tivesse falhado de forma escandalosa um golo de baliza aberta, a história do jogo na Madeira poderia ter sido bem diferente. Curiosamente, ninguém crucificou o avançado benfiquista e as críticas caíram todas sobre o guardião espanhol.
Dir-me-ão que é normal. Concedo…mas já não me parece tão normal que um guarda-redes que custou 8,5 milhões de euros e foi uma escolha do treinador, seja emprestado ao fim de três jogos e o Benfica esteja no mercado à procura de alguém que o substitua. Como também não percebo a razão de o Benfica não ter comprado Eduardo- que foi para Itália por 4,5 milhões de euros- em vez de Roberto.
Há coisas no futebol português que, sinceramente, não entendo. Como, por exemplo, que os grandes portugueses, com tantos olheiros, tenham deixado escapar para o futebol inglês um jogador (Bebé) que o Manchester United não hesitou em comprar por 9 milhões de euros, sem ter feito um único jgo oficial na Liga Portuguesa.
Em tempo: Benfica desmente empréstimo de Roberto, anunciado como certo por toda a comunicação social, mas confirma que anda à procura de outro guarda-redes.

Brites com o paparazzi que fotografou Passos Coelho no Algarve


Antes de voar até ao Brasil, para assistir a este casamento, vim até ao Allgarve, para ver os famosos em pelota. Tenho aproveitado o dia para ler as revistas cor de rosa que eles levam para a praia e dei por mim a pensar uma coisa: se durante o dia só lêem revistas do jet set e à noite vão para as discotecas, quando é que eles arranjam tempo para ler aqueles livros todos que dizem nas respostas aos inquéritos de Verão levar para férias?
Bem, mas isso agora não interessa nada, pois o que vos quero hoje dizer é que estou desolada. Um dia destes, apanhei um jovem actor de telenovela- habitual leitor da Caras- a ler a revista Pública. Achei estranho, mas resolvi dar uma espreitadela e qual não foi o meu espanto quando li o título do artigo em cuja leitura o rapaz estava mergulhado com grande concentração: “ No mundo cor de rosa, nem tudo é o que parece”.
Apesar de o “paparazzi” que há dois dias me faz companhia nesta árvore me assustar um pouco, porque tem uma máquina fotográfica com uma teleobjectiva maior que os Canhões de Navarone, deixei-me estar quietinha a ler o artigo. Sabem o que descobri? Que afinal a maioria daquelas fotografias e muitos dos artigos que as acompanham são previamente combinados entre as revistas e os famosos. Vejam lá o despautério! Ando eu por aqui sempre à coca, para ver se apanho uma cena inesperada para vos contar e sai-me uma destas na rifa!
Eu por acaso já tinha desconfiado que havia alguma coisa estranha… É que ainda ontem vi uma filha de uma famosa aqui no areal, logo pelas oito da manhã, que me deixou desconfiada. Passou o tempo todo a receber mensagens e, cada vez que lia uma, mudava de posição, punha-se em poses ou em posições pouco naturais para quem está sozinha. Ao fim de uma hora destas cenas vestiu-se, levantou o polegar e, passado dois minutos, saiu um tipo das dunas com uma máquina fotográfica parecida com a do paparazzi que está aqui ao meu lado. Correu em direcção a ela, deu-lhe um beijo na boca e depois foram-se embora juntos. Estranho, não vos parece? Fico curiosa de saber onde é que estas fotografias vão ser publicadas…
Começo a acreditar que o Carlos tinha razão quando me dizia que isto era tudo uma fantochada, mas gostava de saber o que é que este fulano que não desampara a árvore há dois dias está aqui a fazer. Bem tentei falar com ele, mas o tipo não percebe nada do meu gorjeio.
Esperem lá… o tipo pegou na máquina e começou a disparar à maluca. Ena pá!!!! Nem imaginam o que estou a ver daqui. O Pedro Passos Coelho em carne e osso. Está ao pé da piscina, em pé, parece que está á espera de alguém… Olha, acaba de chegar um fotógrafo, trocaram um grande abraço e estão a conversar animadamente.
( O maluco do paparazzi está eufórico! Daqui a nada cai-me da árvore com tanto disparo)
O fotógrafo foi-se embora e o Pedro Passos Coelho voltou a estender-se na cadeira. Pegou noutro livro ( sei que é diferente, por causa da cor da capa). Agora está a fazer sinais para alguém, mas eu não vejo quem é. Tirou uma catota do nariz e levantou o polegar em direcção a alguém
( O paparazzi ao meu lado continua a fotografar)
A cada sinal que faz para o interlocutor que eu não vejo, PPC muda de posição. Agora está muito concentrado na leitura. Pegou num bloco de notas e numa caneta. Parece que está a escrever qualque coisa.
(…)
Pronto, levantou-se. Olha,olha…lá está outra vez o tipo com quem estava a falar há bocado. Sentaram-se os dois numa mesa à beira da piscina e estão a conversar animadamente. Veio uma senhora com uma bandeja com bebidas e uns aperitivos.
( O paparazzi continua a disparar)
Vou-me mas é embora. Aproximo-me do paparazzi, bato as asas, mas o tipo não me liga nenhuma.
Deixou de fotografar. Deve estar tão farto desta cena como eu ,mas tenho a impressão que vou ver as fotografias do meu vizinho numa revista qualquer. Ouvi-o a telefonar para uma revista a oferecer as fotografias. Fiquei a saber o nome dele. Chama-se “freelancer”.
Nos próximos dias vou andar a cuscar as revistas todas, para ver as fotografias.
Ora bolas, afinal só saiu isto! Coitado do “freelancer”! Dois dias naquela árvore para nada… mais sorte teve aquele que fotografou a miúda , filha de famosos, na praia. Não só vai receber umas guitas, como ainda lhe conseguiu dar uns chochos.
Pronto, vou comprar uma máquina fotográfica.

Pausa para publicidade (12)


Divertimentos pós-modernos

Se estes putos não fossem completamente idiotas, eu até achava graça.

sábado, 21 de agosto de 2010

Pausa para publicidade (11)

A propósito da novela Queiroz lembrei-me da primeira rádio novela em Portugal. Era patrocinada pelo Tide e era transmitida às 17 horas. Não sei como se intitulava, nem faço a mínima ideia do enredo, mas lembro-me de lá por casa, haver umas discussões acaloradas entre uma costureira e uma empregada a propósito da "Coxinha" que, segundo creio, deveria ser a personagem principal.

Humor de fim de semana

Diz um médico para outro:
- Esse paciente deve ser operado imediatamente.
- O que é que ele tem?
- Dinheiro.

Imagens da nossa memória(21)

Porque hoje é sábado, aqui ficam algumas revistas portuguesas já desaparecidas. Qual era a vossa preferida?







Imagem anterior: Licença de isqueiro

Coisas que não entendo

Pedro Passos Coelho exige ao governo que tome medidas para evitar incêndios mas, entretanto, foi até ao Pontal fazer um discurso incendiário...

Pelo país dos blogs (81)

Querem uma boa sugestão para o fm de semana? Então aqui vai: vão Cirandar por aqui

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Noites de Lua Cheia


Descobri a razão de as pessoas se terem tornado menos românticas. Foi ao ler uma pequena notícia no JN, citando a revista Science: a Lua está a arrefecer e a encolher. . Eu bem me parecia que já não há noites de Lua Cheia como dantes!

Imagens da nossa memória (20)

Para quem não sabia ( ou não se lembrava), aqui fica a informação. Antes do 25 de Abril de 1974 era preciso pagar uma licença para ter isqueiro. E esta hein?
Imagem anterior: Matchbox Series

Crónicas de um país pimba (5)

-A senhora tem oito meses de atraso no pagamento do condomínio, não é verdade?
-Tenho sim senhor. Sabe como é, sr dr juiz , a vida está difícil, com esta crise não consigo pagar. Peço muita desculpa à administração do prédio, mas não tenho possibilidades financeiras para tanto...
-Não tem dinheiro para pagar 50 euros por mês, é isso?
-Ssiiiim...
-Tentou algum acordo com a administração?
-Que acordo poderia eu tentar, se não tenho dinheiro? Não vou tirar aos meus filhos para pagar as rendas…
-Não são rendas, minha senhora. Mas adiante. Sabe que essa é uma obrigação de qualquer condómino, não sabe?
-Sei sim, sr dr juiz, mas como já lhe expliquei...
-Não tem dinheiro. Quanto ganha por mês?
-Novecentos euros líquidos
-E que encargos tem?
-A alimentação, os estudos dos meus filhos, a roupa, os transportes, a gasolina…
-Gasolina? Então tem automóvel não é verdade?
-Teeennho sim.
-Quando o comprou?
-…..
-Não ouviu? Quando o comprou?
-Em Março senhor dr juiz
-Nessa altura já tinha condomínios em atraso, não é verdade?
-Ssiiimmm
-Quanto custou o carro?
-Foi barato, custou 15 mil euros
-Pagou a pronto?
-Não, estou a pagar ao Banco
-Não tinha carro antes?
-Tinha, mas já estava velhinho. Tinha quatro anos.
-E então, preferiu trocar de carro a cumprir os seus deveres de condómina…
-Não, sr dr juiz. Eu sei as minhas responsabilidades, mas o dinheiro não chega para tudo...
-Mas vai ter de o arranjar. A partir do próximo mês passa a pagar pontualmente os 50 euros mais uma percentagem da dívida que vamos acordar. Entendido?
( A Cena é só parcialmente fictícia. A sentença é pura imaginação. Não se passou num Julgado de Paz, mas sim no diálogo que a condómina teve com a administração do condomínio. O caso só vai agora para o Julgado de Paz, para apreciação, porque a condómina continua a recusar-se a pagar o condomínio).

Pausa para publicidade (10)

Sem açúcar!

Noite Europeia

Depois da noite gloriosa do Braga ( Vamos lá aver se chega...)uma noite de pesadelo das equipas portuguesas na Liga Europa. Marítimo copiosamente derrotado na Bielorússia ( 3-0) e Sporting a perder em Alvalade com os dinamarqueses do Brondby ( 0-2) já podem dizer adeus à Europa e concentrar-se nas competições internas.
Salvou-se o FC Porto com uma vitória gorda na Bélgica ( 0-3), que contudo não disfarçou uma exibição pobre, que a ausência de Hulk não é suficiente para justificar. Sem qualquer pejo afirmo que o FC Porto foi bafejado pela sorte e pela inexperiência de um árbitro ( noutra ocasiões tem acontecido o inverso...), caso contrário o resultado poderia ter sido bem diferente. Uma noite negra para as equipas portugesas, portanto.

A condenação de Carlos Queiroz


Sempre tive um “feelling” de que alguém queria fazer a cama a Queiroz e arranjou um pretexto. Ideia que se avolumou quando comecei a ler os comentários de alguns anti-queirozianos que desde a chegada de Queiroz à selecção, não se cansaram de o torpedear.E que se confirmou quando vi Ferguson como testemunha.
Acreditar que Queiroz se tivesse oposto a uma acção anti-doping é desconhecer por completo o trabalho do actual seleccionador nacional nas camadas jovens. Mas, acima de tudo, é uma profissão de fé.
Queiroz foi suspenso por um mês e condenado ao pagamento de uma multa de mil euros por ter insultado um tipo qualquer do ADoP. Ou melhor... a mãe. Quando vamos conhecer os factos "extremamente graves" a que o secretário de estado do desporto aludiu quando foi instaurado o processo a Queirós? Haverá, muito provavelmente, mais do que um insulto que se ouve diariamente nos estádios, em relação aos árbitros. Não é bonito, mas daí a afirmar que é de extrema gravidade parece-me demasiado. Agora que o processo está concluído, será bom que Laurentino Dias se explique, como prometeu. Sem esperar a conclusão do novo processo disciplinar instaurado pela FPF, agora por causa de uma entrevista em que acusou o vice-presidente de liderar de ser "a cabeça do polvo" que o quer ver pelas costas.
É que, no meio de tudo isto, quem sai prejudicada é a selecção.

Pelo país dos blogs (80)

Já aqui me referi ao assunto, mas a leitura deste post da Fernanda e respectivos links é fundamental para se perceber a essência do problema. Não se trata de estar a favor ou contra um jornalista que se constitui assistente num processo. Trata-se de respeitar o jornalismo. Ponto final.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tenham maneiras, pá!

Aos poucos vou sabendo a ementa do jantar do Pontal. Depois do precioso contributo do Rogério, sobre o vinho, fiquei agora a saber, através do António Ribeiro Ferreira, citado no P2, qual foi o prato principal. "Analisada a ementa da festinha do Pontal, a culpa de tanto disparate só pode ser da vaca que forneceu a carne estufada. Estava louca” -escreve ele no CM.
Quando é que os coelhistas aprendem que carne estufada nunca deve ser acompanhada de palhete? Tenham maneiras, pá!

Pausa para publicidade (9)

Lembrei-me disto, a propósito do postal da Teté

Imagens da nossa memória (19)

Naquele tempo era mais para os meninos, mas havia meninas que também gostavam de brincar aos carrinhos.
Imagem anterior: Smarties

O azar de ser sósia de Tonico Basto


Em Portugal temos a mania de tratar toda a gente por doutores e engenheiros, como se os títulos académicos fossem mais importante do que o próprio nome. Há dias, contava num blog, a este propósito, a história de um colega de trabalho que tive há muitos anos. Quando atendia o telefone, ou fazia um telefonema sempre se anunciava como Dr. João Paulo ( o resto não digo para não o identificar…) . Todos brincávamos com ele e lhe fazíamos ver o ridículo da situação, mas o ainda jovem licenciado permanecia imperturbável, garboso do seu título recentemente conquistado.
As suas semelhanças - físicas e comportamentais- com uma figura muito conhecida de uma telenovela da época eram tão evidentes, que passou a ser conhecido por Tonico Bastos. Certo dia chegou uma nova colega que logo Tonico Bastos presenteou com a sua vasta gama de galanteios . Incomodada com o assédio do galanteador, a jovem deve ter prometido vingança. Um dia atendeu uma chamada dirigida ao Dr. João Paulo e decidiu pôr em prática o plano que urdira.
- Desculpe, pelo nome não estou a ver quem é. Pode descrever-me a pessoa com quem pretende falar?
Do lado de lá do fio fizeram uma descrição mais ou menos exaustiva do personagem. Imperturbável, a jovem respondeu:
- Ah, bom, então a senhora quer falar é com o Dr. Tonico Bastos! Só um momento que eu vou passar…

Sagres: uma escola de formação


A Sagres foi proibida de atracar em Macau por ser um navio de guerra. Parece, no mínimo, bizarro, que a proibição seja aplicável a Macau e não a Xangai, onde aportará nos próximos dias. Claro que as autoridades chinesas apresentam uma explicação, mas não me convence: Macau é uma região chinesa, mas com autonomia. Dito por outras palavras: as autoridades de Macau é que tomam a decisão, nós na mãe China não temos nada a ver com isso e, imaginem, até autorizamos que o navio atraque em Xangai.
Ao contrário do que alguns propalam- numa confrangedora revelação de ignorância - a Sagres "não anda por aí a fazer turismo". É uma importante escola de formação.
Há uns meses entrevistei o Almirante Rocha Carrilho (em tempos director do Museu da Marinha em Macau) comandante do Navio Escola Sagres entre 2001 e 2005, e falámos sobre o papel formativo desempenhado por esta unidade emblemática da Marinha.
As viagens têm objectivos muito bem definidos, sendo ministrada formação específica ao nível da vela, da marinharia prática e da manobra específica de um navio com características peculiares.
Todos os futuros oficiais passam por lá pelo menos uma vez na vida como cadetes, numa espécie de viagem de fim de curso que funciona, especialmente, como aplicação prática dos conhecimentos adquiridos na Escola Naval. “É a sua primeira grande viagem em que vão estar vários meses sem ver terra, o que ajuda a fortalecer a destreza e o espírito de camaradagem”.
Pelas suas características, a Sagres é também embaixatriz de Portugal em todo o mundo. Menos em Macau, onde é vista "apenas" como um barco de guerra.