
O Porto foi, noutros tempos, uma cidade cheia de pujança económica e cultural . Hoje, apesar da sua inigualável beleza, parece estar moribunda. Há quem culpe o "traidor" Fernando Gomes e a falta de amor ao Porto, de Rui Rio, como os principais culpados do estado a que o Porto chegou. Há também quem aponte o dedo ao governo de José Sócrates, acusando-o de ter abandonado o Porto à sua sorte, ao negar o apoio a alguns investimentos na cidade ( o caso mais recente da esmola para a requalificação da zona ribeirinha, parece dar-lhes razão).
Independentemente das culpas que possam caber aos autarcas que têm servido (mal ) a cidade e aos governos que a têm ignorado, a verdade é que os portuenses também pouco têm feito para evitar o descalabro.
É certo que o Porto se levantou em protesto ( dizem-mo, mas não estava em Portugal para testemunhar) quando quiseram entregar um dos seus ex-libris- o Coliseu- à Igreja Maná. Alguns ( poucos) protestaram contra a decisão de Rui Rio entregar o Rivoli a Filipe La Féria e outros houve ( também poucos) que ergueram a sua voz contra o encerramento do Mercado do Bolhão. Não serão, porém, as reacçõos pontuais dos portuenses que permitirão evitar o que se adivinha: a perda de influência da cidade nos destinos do País. Não foi certamente por culpa do poder político que desapareceram quase todos os jornais do Porto. Foi o desinteresse dos portuenses em relação àqueles títulos.
Os portuenses estão muito orgulhosos- e com razão- com o Museu de Serralves e com a Casa da Música, apontando-os como exemplos de uma cidade voltada para cultura. Ficam orgulhosos da sua Ribeira, do seu repovoado centro histórico ( o atentado perpretado por Rui Rio na Av. dos Aliados parece ter-lhes passado à margem...) e do seu papel em defesa da liberdade, em momentos determinantes da nossa História. Mas isso chega? Não me parece.
Exibir algumas Jóias da Coroa como prova de vitalidade é próprio de famílias arruinadas que se agarram a elas para demonstrar que ainda estão vivos. Infelizmente, não estão... O Porto está moribundo e os portuenses comprazem-se em culpar terceiros da doença, adiando a procura da receita certa, para recuperar a cidade enferma.O Porto precisa de uma transfusão de sangue , não de placebos! Precisa de rejeitar o bairrismo provinciano que ainda corre nas suas veias e substituí-lo pela "intelligentsia", pelo empreendedorismo local, revitalizando a indústria e o comércio locais. Precisa de conservar os vultos da sua cultura, evitando a sua sangria para Lisboa ou para paragens ainda mais longínquas na Europa e além -mar. O Porto precisa de gente que goste da cidade, que a ame e a queira voltar a colocar no mapa. Os portuenses não podem continuar a olhar indiferentes para a fuga do seu mais importante capital- as pessoas.O Porto não pode ficar indiferente ao desaparecimento da sua imprensa, porque nela reside a sua força. Como não pode ficar indiferente ao desaparecimento de um clube como o Boavista FC , uma instituição com mais de 100 anos que faz parte da sua história. Os portuenses têm de expulsar dos centros de decisão os Miguéis de Vasconcelos que estão a contribuir para o seu descrédito- chamem-se eles Ricardo Costa, Sílvio Cervan, Fernando Gomes ou Rui Rio- e apoiar quem, vivendo na cidade a tempo inteiro, está interessado em revitalizá-la.Depois, é engavetar o bairrismo, meter as mãos à obra e lutar para que a cidade recupere o seu prestígio e a sua influência. O Porto merece que os portuenses lutem por ela!
( Post escrito em Agosto de 2008. Recordo-o enquanto escrevo outro post. Os três candidatos à presidência do PSD, nas últimas directas, são todos do Norte. Tinham necessidade de ir para Lisboa discutir o futuro do Porto?)
É assunto com pano para mangas. As cidades distinguem-se pela sua diversidade histórica, cultural, das tradições à arquitectura, à gastronomia. Mas já não acho que o Porto esteja moribundo. O nosso Porto está a voltar a ter vida e recomenda-se. A “industria” do turismo é um exemplo disso e só falta que haja uma visão mais alargada dos empreendedores. Se já temos a diversidade populacional, temos alguns eventos (a inveja rói que se farta), temos equipamentos, vamos melhorá-los, ampliá-los, apostar no comércio tradicional, programas culturais, no movimento de massas. Mas já se sabe que a ambição desmesurada dos políticos da nossa praça tende a toldar-lhes o juízo e a sonhar com o “Job” partidário num qualquer governo central. O Porto precisa realmente de gente que goste da cidade e tenho ainda a esperança que os interesses, as instituições, o património seja efectivamente defendido como bem merece. E que um dia, alguém não tenha medo do comunista e Prémio Nobel Português da Literatura, José Saramago (parece que já nem come criancinhas ao pequeno-almoço) e dê o seu nome a uma rua portuense.
ResponderEliminarEscuto tanto falarem do Porto, seja bem ou seja mal, que está me dando uma pontinha de tristeza não incluí-lo no meu roteiro.
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