Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

E é que dava mesmo...

A propósito do post sobre o Dia dos Avós recebi alguns comentários, como acontece em quase todos os posts. Quase todos davam "pano para mangas", porque levantam questões pertinentes. Resolvi repescar este, porque toca precisamente nesse ponto:
"Sou vovó , não ando de baloiço cheia de rugas , não compro rebuçados porque faz mal aos dentes , nem consolas pois vou ficar com netos sem imaginação ,ensino tudo o que ensinei aos meus filhos.- subir árvores, descer do escorrega de cabeça para baixo ,saltar das pranchas para dentro de agua, comer com a boca fechada , serem bem delicados com toda a gente etc .Tem uma vantagem enorme ser avó , quando chega ...vão para casa dos outros avós:))))Existem familias onde os meninos são tantos que de vez enquando ouvimos.-mas eu não sou o diogo...sou o dinis.....Depois existem estas familias normalizadas , com um rebento e onde Tem de haver Natal , prendas, dia dos avós , senão ninguem se lembra .Esta geração de netos tem avós ainda no "activo" ,mas com a baixa natalidade que existe actualmente e com a idade média da mulher ter o primeiro filho depois dos 35/38 , penso que vai haver uma geração que não vai ter avós . Não acha isso triste ? Muito assunto para uma boa conversa."
Além de achar triste, Annie, penso que dava mesmo uma excelente conversa, porque se fala muito pouco em Portugal dos " novos avós" e da sua relação com os netos, apesar de muitas vezes serem eles os educadores que se substituem aos pais.

5 comentários:

  1. Este é de facto um tema pelo qual tenho algum interesse , por variadissimas razões, sendo uma delas se deve ao facto de tentar perceber até que ponto os valores das familias se alteraram!
    O comentario que refere neste post, permite, rever-me em tempos , quando era miuda e me perdia entre os meus primos que tão alegremente contavmos os minutos para nos encontrarmos em casa dos avós!
    Recentemente ,em conjunto com uma amiga , fizemos uma pequena investigação de forma a tentarmos perceber , até que ponto os valores se alteraram e porque alteraram...
    deixo aqui uma parte que me parece pertinente , de forma a dismistificar o porque , da alteração do "comportamento familiar".
    Talcott Parsons, na sua análise funcionalista, pretendia caracterizar o tipo de famílias resultantes da revolução industrial.
    A família tradicional ou família alargada (que era composta pelo menos por 3 gerações e/ou outros parentes, como tios ou núcleos familiares com origem no casamento dos filhos) era uma unidade multifuncional, que direccionava toda a sua vida para a comunidade e rede de familiares, representava uma unidade de produção que pretendia formar as novas gerações transmitindo os valores e modelos da geração anterior.
    Com a revolução Industrial, as famílias depararam-se com novas necessidades, verificando-se um deslocamento da população do meio rural (onde predominavam as famílias alargadas) para o meio urbano, verificando-se uma deslocação da população, terminando as famílias com elementos de várias gerações, acabando por perder muitas das suas funções, surgindo as famílias nucleares constituídas pelos pais e pelos seus filhos solteiros.
    O desenvolvimento capitalista originou que as famílias nucleares predominassem nas sociedades.

    poderia continuar ....mas já tenho necessidade de pedir desculpa pelo enooorme comentario:)

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  2. Carlos , convido-o a si e a um grupo de interessados para fazermos uma tertulia , assim cara a cara , sentados num local agradavel , para falarmos destes e outros assuntos que com imensa generosidade nos vai oferencendo nesta sua crónica do rochedo.
    Conversar sobre assuntos , o debate no sentido de troca de ideias sem a finalidade de um sair vencedor mas todos mais informados , existe em portugal com a mesma frequência que os clubs de leitura.
    Raquel,tudo o que escreveu baseado na leitura de Talcott Parsons ,não me convence na totalidade. Tudo o que ele relata da evolução da sociedade de rural para a dita urbana ,não explica tudo o que aconteceu no desmembrar da familia ou melhor dos laços familiares .E isto dava tambem para uma conversa bem agradavel e esperemos esclarecedora(pois o assunto é complexo).Mas veja o que acontece com essa migração da população para as cidades e a ruptura com o meio rural.Existem em portugal terras pequenas onde a agricultura podia ser rentavel , podia mesmo.No entanto os filhos migram para um andar na reboleira , vendem as terras ancestrais , metem os pais nos lares de terceira idade(o grande negocio dos finais do seculo XX , agora em transformação em centros de cuidados continuados (o grande negocio do inicio do seculo XXI).Esses filhos , um na reboleira outro em queluz de baixo e talvez o terceiro imigrado ou a viver nos arredores de almada , nunca se encontram.Os filhos desconhecem os primos , nas férias já não se juntam pois a casa da familia foi trocada por uns dinheiros que foram ajudar aos emprestimos bancarios .E Raquel , mesmo o tão famigerado natal já é feito cada um na sua casa (andarzeco ) e lá trocam um telefonema .
    :)))) Hoje sou eu que peço desculpa por ter ocupado tantooooo espaço.Masgostei da oportunidade destatroca deimpressões .Bem-aja Carlos :)

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  3. Annie hall, adorei a sua in~tervenção!
    Falei de Parsons , por entender que a sua "perspectiva" fundamenta maioritariamente todas as mudanças familiares, mas ainda vou a meio do estudo...
    No entanto , gostei do enfoque que dá aos lares de terceira idade e conhecendo bem de perto essa realidade(...)questiono.me frequentemente o que seria de alguns avós , se não fossem estes lares?!
    Adorava juntar-me a esse grupo que segere para trocar e discutir impressões, pois vejo , que tenho muiiito que aprender com quem sabe:))

    Foi um prazer!

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  4. Carlos,
    Eu acho é que começam a ser...E ainda bem pois têm muito para darem em vez de estarem num lar durante o dia e quem sabe também à noite...
    Concordo em absoluto com o comentário da Avó que referiu.
    Beijo

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  5. Annie:o convite é aliciante e o tema não lhe fica atrás. Fico muito satisfeito, mas por vezes há "distâncias" que não é possível ultrapassar. Um destes dias explicarei melhor porquê...

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