"Sou vovó , não ando de baloiço cheia de rugas , não compro rebuçados porque faz mal aos dentes , nem consolas pois vou ficar com netos sem imaginação ,ensino tudo o que ensinei aos meus filhos.- subir árvores, descer do escorrega de cabeça para baixo ,saltar das pranchas para dentro de agua, comer com a boca fechada , serem bem delicados com toda a gente etc .Tem uma vantagem enorme ser avó , quando chega ...vão para casa dos outros avós:))))Existem familias onde os meninos são tantos que de vez enquando ouvimos.-mas eu não sou o diogo...sou o dinis.....Depois existem estas familias normalizadas , com um rebento e onde Tem de haver Natal , prendas, dia dos avós , senão ninguem se lembra .Esta geração de netos tem avós ainda no "activo" ,mas com a baixa natalidade que existe actualmente e com a idade média da mulher ter o primeiro filho depois dos 35/38 , penso que vai haver uma geração que não vai ter avós . Não acha isso triste ? Muito assunto para uma boa conversa."
Além de achar triste, Annie, penso que dava mesmo uma excelente conversa, porque se fala muito pouco em Portugal dos " novos avós" e da sua relação com os netos, apesar de muitas vezes serem eles os educadores que se substituem aos pais.
Este é de facto um tema pelo qual tenho algum interesse , por variadissimas razões, sendo uma delas se deve ao facto de tentar perceber até que ponto os valores das familias se alteraram!
ResponderEliminarO comentario que refere neste post, permite, rever-me em tempos , quando era miuda e me perdia entre os meus primos que tão alegremente contavmos os minutos para nos encontrarmos em casa dos avós!
Recentemente ,em conjunto com uma amiga , fizemos uma pequena investigação de forma a tentarmos perceber , até que ponto os valores se alteraram e porque alteraram...
deixo aqui uma parte que me parece pertinente , de forma a dismistificar o porque , da alteração do "comportamento familiar".
Talcott Parsons, na sua análise funcionalista, pretendia caracterizar o tipo de famílias resultantes da revolução industrial.
A família tradicional ou família alargada (que era composta pelo menos por 3 gerações e/ou outros parentes, como tios ou núcleos familiares com origem no casamento dos filhos) era uma unidade multifuncional, que direccionava toda a sua vida para a comunidade e rede de familiares, representava uma unidade de produção que pretendia formar as novas gerações transmitindo os valores e modelos da geração anterior.
Com a revolução Industrial, as famílias depararam-se com novas necessidades, verificando-se um deslocamento da população do meio rural (onde predominavam as famílias alargadas) para o meio urbano, verificando-se uma deslocação da população, terminando as famílias com elementos de várias gerações, acabando por perder muitas das suas funções, surgindo as famílias nucleares constituídas pelos pais e pelos seus filhos solteiros.
O desenvolvimento capitalista originou que as famílias nucleares predominassem nas sociedades.
poderia continuar ....mas já tenho necessidade de pedir desculpa pelo enooorme comentario:)
Carlos , convido-o a si e a um grupo de interessados para fazermos uma tertulia , assim cara a cara , sentados num local agradavel , para falarmos destes e outros assuntos que com imensa generosidade nos vai oferencendo nesta sua crónica do rochedo.
ResponderEliminarConversar sobre assuntos , o debate no sentido de troca de ideias sem a finalidade de um sair vencedor mas todos mais informados , existe em portugal com a mesma frequência que os clubs de leitura.
Raquel,tudo o que escreveu baseado na leitura de Talcott Parsons ,não me convence na totalidade. Tudo o que ele relata da evolução da sociedade de rural para a dita urbana ,não explica tudo o que aconteceu no desmembrar da familia ou melhor dos laços familiares .E isto dava tambem para uma conversa bem agradavel e esperemos esclarecedora(pois o assunto é complexo).Mas veja o que acontece com essa migração da população para as cidades e a ruptura com o meio rural.Existem em portugal terras pequenas onde a agricultura podia ser rentavel , podia mesmo.No entanto os filhos migram para um andar na reboleira , vendem as terras ancestrais , metem os pais nos lares de terceira idade(o grande negocio dos finais do seculo XX , agora em transformação em centros de cuidados continuados (o grande negocio do inicio do seculo XXI).Esses filhos , um na reboleira outro em queluz de baixo e talvez o terceiro imigrado ou a viver nos arredores de almada , nunca se encontram.Os filhos desconhecem os primos , nas férias já não se juntam pois a casa da familia foi trocada por uns dinheiros que foram ajudar aos emprestimos bancarios .E Raquel , mesmo o tão famigerado natal já é feito cada um na sua casa (andarzeco ) e lá trocam um telefonema .
:)))) Hoje sou eu que peço desculpa por ter ocupado tantooooo espaço.Masgostei da oportunidade destatroca deimpressões .Bem-aja Carlos :)
Annie hall, adorei a sua in~tervenção!
ResponderEliminarFalei de Parsons , por entender que a sua "perspectiva" fundamenta maioritariamente todas as mudanças familiares, mas ainda vou a meio do estudo...
No entanto , gostei do enfoque que dá aos lares de terceira idade e conhecendo bem de perto essa realidade(...)questiono.me frequentemente o que seria de alguns avós , se não fossem estes lares?!
Adorava juntar-me a esse grupo que segere para trocar e discutir impressões, pois vejo , que tenho muiiito que aprender com quem sabe:))
Foi um prazer!
Carlos,
ResponderEliminarEu acho é que começam a ser...E ainda bem pois têm muito para darem em vez de estarem num lar durante o dia e quem sabe também à noite...
Concordo em absoluto com o comentário da Avó que referiu.
Beijo
Annie:o convite é aliciante e o tema não lhe fica atrás. Fico muito satisfeito, mas por vezes há "distâncias" que não é possível ultrapassar. Um destes dias explicarei melhor porquê...
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