Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

Como um castelo de cartas...

Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necessitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.
Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.
Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.
( Recordo este post, escrito em 16 de Setembro de 2008, a propósito das pevisões de Paul Krugman sobre a Grande Depressão económica que se avizinha)

3 comentários:

  1. Viva!

    Há já algum tempo que o sigo aqui no blogue. Conheço-o pessoalmente, mas doutras "andanças".
    Gosto do que escreve. Os meus sinceros parabéns!

    http://insustentavelbelezadosseres.blogspot.com/

    Este é um pequeno convite para que visite este meu cantinho das liberdades! E do divertimento, também!

    Não precisa bater, a porta está sempre aberta!

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  2. Este assunto é sempre actual, infelizmente. Porque será que o ser humano tem uma memória tão curta?

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  3. Caríssimo Carlos Barbosa de Oliveira,

    Gostei muito da sua sublime sátira ao mundo apocalíptico em que vivemos, que embora escrito em 2008 se mantêm plenamente actual. É verdade esta crise do "capitalismo de casino" promete durar vários anos e se não houver tratamento de fundo esta situação naturalmente surgirá ciclicamente. A receita é pois a Keynesiana e a regulação dos mercados financeiros, mas como nos diz outras crises graves como a da eco-sustentabilidade do planeta está na ordem do dia sem que pouca gente lhe ligue muito.

    Saudações cordiais,
    Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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