sábado, 31 de julho de 2010

Humor fim de semana

Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: Joaquim Gonçalves. Um era sacerdote e o outro taxista. Quis o destino que ambos morressem no mesmo dia.
Quando chegaram ao céu, São Pedro esperava-os.
- O teu nome?
- Joaquim Gonçalves.
- És o sacerdote?
- Não, sou o taxista.
São Pedro consulta as suas notas e diz:
- Bom, ganhaste o paraíso. Levas esta túnica com fios de ouro e este ceptro de platina com incrustações de rubis. Podes entrar.
Então, perguntou ao outro:
- O teu nome?
- Joaquim Gonçalves.
- És o sacerdote?
- Sim, sou eu mesmo.- Muito bem, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e este ceptro de ferro.
O sacerdote, atónito, diz:
- Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!
- Sim, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e...
- Não pode ser! Eu conheço o outro senhor. Era taxista, vivia na minha aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia. Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu... isto?
- Não é nenhum engano - responde São Pedro. Aqui no céu, estamos a fazer uma gestão mais profissional, como a que vocês fazem lá na Terra.
- Não entendo!
- Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar. Resultados! Percebeste? Gestão por objectivos! O que interessa são os resultados, a forma de lá chegar é completamente secundária.

Imagens da nossa memória

Julho está a chegar ao fim, a partir de amanhã mete-se agosto e é uma rapidinha até ao fim do Verão, o regresso às aulas e à labuta diária. Assim, antes que se faça tarde, inicio amanhã uma nova série de posts. Vou publicar umas imagens do passado e pedir-vos que digam o que elas vos sugerem, que recordações vos trazem.
Depois do Rochedo da Memórias ( onde fiz a história do século XXI) e do Rochedo de Memórias Musical, chegou a vez do Rochedo das Memórias em imagens. Estas, são da minha responsabilidade. As palavras ficam por vossa conta.
Continuação de boas férias.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Crónicas do meu baú (10)

Um sonho em Euros
1 de Janeiro de 2002. Com os 10 euros que pudera levantar do meu banco uns dias antes, dispus-me a fazer a minha primeira compra em euros. Felizmente, o café da Isabel estava aberto e a minha primeira compra seria ali, no local onde todos os fins-de- semana fazia a primeira leitura dos jornais. E, naquele dia, havia uma compra especialmente entusiasmante. Os sonhos que a própria Isabel confeccionava e que não tinham rival na cidade inteira.Decidido, entrei. Olhei para a Isabel e descortinei, no seu olhar, restos de um “réveilon” consumido com entusiasmo, mas certamente também com pressa, porque fora preciso levantar cedo para ter a porta aberta. Esta constatação refreou-me um pouco o entusiasmo. Seriam os sonhos iguais aos que me acostumara, ou teria Isabel, na ressaca do “reveillon”, desleixado um pouco a sua confecção? Decidi arriscar.
-Isabel! Pode-me embrulhar um sonho, por favor?
- Como posso embrulhar-lhe um sonho?- respondeu sem esconder a malícia que nos olhos amendoados. Os sonhos não se embrulham...
-Não é desses que está a pensar. Esses são cor de rosa e desses eu já não tenho há muito tempo, Isabel!
-Quer então dizer que só tem pesadelos?
-Sim... mas esses também não são sonhos, não é?
-Está, bem, está bem... Quer então um sonho para comer! Normal ou miniatura?
-Pode ser miniatura. Com esta idade, já não tenho direito a grandes sonhos. Mas talvez esse me ajude, logo à noite, a ter um sonho cor de rosa.
- Se fosse a si levava um dos grandes, sempre é capaz de fazer mais efeito! Mas o senhor é que sabe...São 85 escudos, por favor!
- Bem, mas eu não tenho escudos...só euros!
-Ah! Pois... já me esquecia. Deixe cá ver quanto é que isso dá em euros. Onde está a máquina do euro, Manel?
(Solícito, Manuel entra em cena com a euro calculadora em riste, que entrega a Isabel. Operação feita, vem a sentença...)
-São 42 cêntimos...
Entreguei uma moeda de 50 cêntimos e esperava pelo troco, quando a voz do Manuel ecoa da cozinha:
-Fizeste mal as contas, Isabel! O preço em euros é de 43 cêntimos!
-Mas eu fiz as contas com a calculadora do Euro, Manel, e o que lá está é 42 cêntimos!
-É? Então vê lá quanto é que são 42 cêntimos em escudos!
Isabel pegou de novo na euro calculadora, arregalou os olhos e exclamou surpreeendida:
-Pois é! 42 cêntimos são 84escudos. Assim sendo, tenho de lhe cobrar 43 cêntimos!
-Alto lá!- vociferei. Então quanto é que são 43 cêntimos em escudos?
( Mãos nervosas mexendo na calculadora e a resposta incrédula):
-43 cêntimos são 86 escudos!
-Então em que ficamos? Se me cobra 42 cêntimos fica a perder 1 escudo, se me cobra 43, fico eu a perder um escudo. Como não quero ficar a perder, o melhor é voltar cá amanhã e pagar-lhe em escudos...
-Mas tem outra solução- alvitrou Isabel sem tirar os olhos da euro calculadora.
-Então qual é?-perguntei.
-Leve 2 sonhos em vez de 1. Paga 85 cêntimos, que são exactamente 170 escudos, o preço de dois sonhos...
Acedi e levei comigo os dois sonhos. Afinal (pensei com os meus botões...) sempre poderei fazer feliz alguém que, logo à noite, aspire a ter um sonho cor –de – rosa! O pesadelo da inflação pode esperar.

(Crónica escrita em Novembro de 2001, para uma campanha de divulgação do euro, na revista "Consumidores")

Esquina da Memória (10)


O Porto foi, noutros tempos, uma cidade cheia de pujança económica e cultural . Hoje, apesar da sua inigualável beleza, parece estar moribunda. Há quem culpe o "traidor" Fernando Gomes e a falta de amor ao Porto, de Rui Rio, como os principais culpados do estado a que o Porto chegou. Há também quem aponte o dedo ao governo de José Sócrates, acusando-o de ter abandonado o Porto à sua sorte, ao negar o apoio a alguns investimentos na cidade ( o caso mais recente da esmola para a requalificação da zona ribeirinha, parece dar-lhes razão).
Independentemente das culpas que possam caber aos autarcas que têm servido (mal ) a cidade e aos governos que a têm ignorado, a verdade é que os portuenses também pouco têm feito para evitar o descalabro.
É certo que o Porto se levantou em protesto ( dizem-mo, mas não estava em Portugal para testemunhar) quando quiseram entregar um dos seus ex-libris- o Coliseu- à Igreja Maná. Alguns ( poucos) protestaram contra a decisão de Rui Rio entregar o Rivoli a Filipe La Féria e outros houve ( também poucos) que ergueram a sua voz contra o encerramento do Mercado do Bolhão. Não serão, porém, as reacçõos pontuais dos portuenses que permitirão evitar o que se adivinha: a perda de influência da cidade nos destinos do País. Não foi certamente por culpa do poder político que desapareceram quase todos os jornais do Porto. Foi o desinteresse dos portuenses em relação àqueles títulos.
Os portuenses estão muito orgulhosos- e com razão- com o Museu de Serralves e com a Casa da Música, apontando-os como exemplos de uma cidade voltada para cultura. Ficam orgulhosos da sua Ribeira, do seu repovoado centro histórico ( o atentado perpretado por Rui Rio na Av. dos Aliados parece ter-lhes passado à margem...) e do seu papel em defesa da liberdade, em momentos determinantes da nossa História. Mas isso chega? Não me parece.
Exibir algumas Jóias da Coroa como prova de vitalidade é próprio de famílias arruinadas que se agarram a elas para demonstrar que ainda estão vivos. Infelizmente, não estão... O Porto está moribundo e os portuenses comprazem-se em culpar terceiros da doença, adiando a procura da receita certa, para recuperar a cidade enferma.O Porto precisa de uma transfusão de sangue , não de placebos! Precisa de rejeitar o bairrismo provinciano que ainda corre nas suas veias e substituí-lo pela "intelligentsia", pelo empreendedorismo local, revitalizando a indústria e o comércio locais. Precisa de conservar os vultos da sua cultura, evitando a sua sangria para Lisboa ou para paragens ainda mais longínquas na Europa e além -mar. O Porto precisa de gente que goste da cidade, que a ame e a queira voltar a colocar no mapa. Os portuenses não podem continuar a olhar indiferentes para a fuga do seu mais importante capital- as pessoas.O Porto não pode ficar indiferente ao desaparecimento da sua imprensa, porque nela reside a sua força. Como não pode ficar indiferente ao desaparecimento de um clube como o Boavista FC , uma instituição com mais de 100 anos que faz parte da sua história. Os portuenses têm de expulsar dos centros de decisão os Miguéis de Vasconcelos que estão a contribuir para o seu descrédito- chamem-se eles Ricardo Costa, Sílvio Cervan, Fernando Gomes ou Rui Rio- e apoiar quem, vivendo na cidade a tempo inteiro, está interessado em revitalizá-la.Depois, é engavetar o bairrismo, meter as mãos à obra e lutar para que a cidade recupere o seu prestígio e a sua influência. O Porto merece que os portuenses lutem por ela!
( Post escrito em Agosto de 2008. Recordo-o enquanto escrevo outro post. Os três candidatos à presidência do PSD, nas últimas directas, são todos do Norte. Tinham necessidade de ir para Lisboa discutir o futuro do Porto?)

Pelo país dos blogs (67)

Bem analisado o dilema de Pedro Passos Coelho, por Luís M. Jorge.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Saramago no Porto


Um grupo de personalidades ligadas à cultura portuense apresentou uma petição na câmara do Porto, pedindo a atribuição do nome de José Saramago a uma rua da cidade.
A petição - entregue pelo escritor Mário Cláudio- pretende reparar a injustiça do executivo portuense que, numa atitude do mais retrógrado provincianismo grunho, rejeitou a proposta nesse sentido apresentada pelo vereador Rui Sá.

Esquina da Memória (9)

Mulheres vítimas de escravatura sexual. Crianças traficadas e sodomizadas para deleite de adultos perversos. Traficante de droga abatido a tiro pela GNR. Mulher espancada pelo filho, por se recusar a dar-lhe dinheiro para comprar droga. Padre guarda armas na Igreja onde celebra missa e, provavelmente, apregoa aos fiéis o amor e a paz, perante o silêncio da Igreja, tão lesta a criticar as palavras de Saramago sobre a Bíblia, mas sempre remetida ao silêncio quando algum dos seus pastores se vê envolvido em actos criminosos. Juiz manda em paz um pedófilo acusado de abusar sexualmente da sobrinha, por considerar que o acto não justifica uma medida coerciva pesada.
São notícias deste maravilhoso mundo novo que leio em jornais abandonados numa mesa de café, enquanto espero a hora de iniciar uma entrevista numa recôndita aldeia barrosã. A que mais me impressiona, pela leveza da decisão do juiz, é a medida de “Termo de Identidade e Residência “ aplicada ao pedófilo. Haverá razões que a justifiquem, mas dá-me a impressão que os crimes começam a ser tão banalizados, que os juízes se comportam perante as vítimas coma indiferença de um médico legista perante um cadáver.
Também não estranho, por isso, a notícia de um grupo de portugueses que angaria trabalhadores para labutar em quintas espanholas, com a promessa de salários atractivos. Aí chegados, prendem-nos, roubam-lhes a documentação e ficam com o dinheiro pago pelos empregadores. Estes casos começam também a tornar-se tão frequentes, que geram apenas 30 segundos de emoção e zero de reflexão.
Resisto a entrar na onda conformista. Quero uma sociedade mais justa. Quero regras e punições exemplares para os criminosos. Não aceito esta sociedade miserável, de comportamento medievo, que os ultra-liberais prometem como “El Dorado”, onde a iniciativa privada é a única regra aplicável. O resto é o salve-se quem puder, onde cada um fica entregue às contingências do destino, porque a justiça é morosa, quando não inexistente.
Na mesa ao lado da minha, um sexagenário desdentado saca o valete de trunfo e, triunfante, diz “toma lá, esta é para comer o teu ás de copas”. A “mine” estatela-se no lajedo com estrondo, derrubada pelo gesto vigoroso do ancião. “Traz mais outra, Manel, que os patinhos pagam”.
Pois é. O mundo é um simples jogo de cartas. Quem tem a melhor mão ganha. Ou então, farto de esperar por uma mão ganhadora, faz “bluff”, vai a jogo e na impossibilidade de vencer com as cartas que lhe caíram em sorte, tenta fazer batota na esperança de não ser descoberto pelo adversário, ou merecer a complacência de quem for competente para julgar os seus actos. Os batoteiros são (quase) sempre premiados neste mundo ultra liberal, cujo ás de trunfo é o lema “A sorte protege os audazes”. Assim é. Os banqueiros que levaram o mundo à ruína confirmam-no no fausto das suas vidas de criminosos impunes. Com o fim da crise, preparam-se para recomeçar a sua vida de agiotas, perante a reverência dos poderes instituídos e tendo como companheiros de jornada alguns empresários sem escrúpulos. Quem trabalha continuará a sustentar-lhe os vícios, pagando os impostos.
Merda de mundo este que tanto tem evoluído em novas tecnologias e abastança, mas continua a regredir no respeito pela condição humana.
* Título pedido emprestado a um livro de Aldous Huxley, escrito em 1931
( este post foi escrito há um ano, mas podia ter sido hoje)

PSD discute o Porto em Lisboa

A caminho do Porto, numa tremideira pendular, vou navegando pela blogosfera. Estava a chegar ao Entroncamento quando leio este post no Nortadas. Vacilo. Provavelmente o melhor é apear-me em Coimbra e voltar para Lisboa. É que, pelos vistos, os assuntos que tenho de tratar no Porto, devem ser tratados em Lisboa. Na perspectiva do PSD, claro, mas como eles se preparam para governar o país, o melhor é ir-me habituando à ideia.
O futuro presidente da Câmara do Porto terá o seu gabinete na Lapa lisboeta?

Gravidade relativa

Carlos Queiroz foi acusado de factos graves - ofensas a uma equipa de controlo antidoping, ao que parece- por Laurentino Dias. Paira no ar a hipótese de despedimento com justa causa. Pelo menos, parece ser esse o consenso entre os responsáveis da FPF.
Resta saber se os factos graves que lhe são imputados continuariam a ser considerados assim tão graves, se Portugal tivesse chegado às meias- finais do Mundial.
Eu conheço o país em que vivo, por isso sei a resposta. E vocês?

O palhaço da t-shirt volta a atacar

A porqueira não se rende. Quando os jornalistas se armam em juízes só pode dar merda!

Pelo país dos blogs (66)

O 2711 está de parabéns. Aproveitando o defeso, fez duas contratações de alto gabarito: a Ana Lima e a Blonde. Parabéns à equipa do 2711 e votos de felicidades para os novos reforços

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Portugal (quase)...


O dia começou bem com as três atletas da marcha a classificarem-se entre as 10 primeiras, mas foi ao final do dia que chegaram as grandes emoções.
A elegantíssima Naide Gomes, em quem todos depositavam as maiores esperanças, esteve bem e conquistou mais uma medalha- a segunda para Portugal nesta edição do europeus de atletismo. Medalha de prata que, no entanto, acabou por saber a pouco. Saltando os mesmos 6,92 metros da vencedora ( a lituana Irena Roderica), só não chegou à medalha de ouro, porque o segundo salto da lituana que corre ao serviço do F.C.Porto foi superior ao de Naide.
Depois do amargo da prata que quase foi ouro - e seria um merecido prémio para a portuguesa- veio a surpresa:
Jessica Augusto conquistou a medalha de bronze nos 10 mil metros. A namorada do nosso guarda -redes Eduardo esteve a poucos metros da prata, mas cedeu na última volta a uma atleta russa. Faltou o quase.
A terminar a noite, o recordista europeu Francis Obikwelu correu a final dos 100 metros. Sem a ponta final de outros tempos, o português esteve quase a ganhar uma medalha. O "photo finish" atribiu-lhe o quarto lugar com o mesmo tempo do terceiro e do quinto classificados, o que quer dizer que foi por milésimos de segundo que Portugal não ganhou a sua terceira medalha do dia. Esteve quase.
Balanço muito positivo mas, se não fosse o quase , poderíamos agora ter ainda mais razões para festejar. Não deixa de ser normal, porém, a nefasta influência do quase que nos persegue e afasta de maiores êxitos. Afinal, somos um quase país...
Adenda: depois de ler alguns comentários, percebi que o post pode dar a sensação de que estou a ser crítico em relação à prestação dos atletas portugueses. Não foi essa a intenção, bem pelo contrário. Estou felicíssimo e só tenho pena que Obikwelu não tenha trazido também uma medalha. De qualquer modo esta é, desde já, uma das melhores prestações do atletismo português em Campeonatos da Europa.

De vómitos (2)

José Manuel Fernandes, ex- director do "Público", decidiu armar-se em juiz e escreveu esta postiúncula própria de um invertebrado.
A insinuação define de forma assertiva o seu autor. O mesmo que lançou, há um ano, a polémica sobre as escutas, envolvendo um assesor do PR. É este jornalismo asqueroso que descredibiliza a profissão.

Democracia da treta


A crise da democracia já não se restringe ao mundo ocidental. A maior democracia do mundo também parece ter arrumado numa qualquer gaveta os valores democráticos, trocando-os pelos valores da economia.Pelo menos é isso que depreendo ao ler a notícia sobre a visita do ditador birmanês a Nova Deli.
Recebido com pompa e circunstância, Than Shwe falou com o primeiro-ministro indiano sobre negócios e depois foi depositar flores no túmulo de Gandhi. Presumo que a “homenagem” prestada pelo ditador birmanês – acusado das maiores atrocidades contra os seus opositores e de ter falsificado os resultados das eleições ganhas pela oposição- tenha obrigado Gandhi a revolver-se no túmulo. O herói da independência indiana e símbolo da luta contra a violência não merecia tal enxovalho mas, desgraçadamente, o poder do dinheiro fala mais alto do que os valores da democracia e Manmhoan Singh- primeiro ministro indiano- seguiu o exemplo do seu homólogo chinês (Wen Jiabao) e estendeu a passadeira vermelha ao ditador birmanês.
Digo vermelha, por estar manchada de sangue, já que este périplo do Than Shwe pelos países ricos da região visa também obter apoios para a farsa eleitoral anunciada para o final do ano, que se traduzirá numa vitória da mentira e no silenciamento dos opositores ao regime sanguinário de Myanmar.

De vómitos (1)

Portugal está a ficar perigoso e deprimente e os tugas cada vez mais nojentos. É óbvio que ninguém gosta de ser roubado, mas reagir assim é próprio de gente rasca.

Isto não teria qualquer importância se apenas estivesse em causa o futebol...

…mas aqui fala-se muito mais do que de bola.
"Quando a massa actua por si mesma, só o faz de um modo, porque não tem outro: lincha".
(Ortega y Gassett in "A Rebelião das Massas")

Estamos ainda no defeso, mas a época futebolística europeia já começou. O Marítimo já eliminou uma desconhecida equipa irlandesa e avança para a próxima pré-eliminatória. Os jornais desportivos dão pouca importância ao assunto, mas A Conchinha do Dragão volta a abrir-se em breve, para falar de bola. Daquela que gira nos relvados, não daquela onde escreve e exerce o seu magistério de influências, a claque benfiquista da imprensa.
Hoje apenas gostaria de vos lembrar que Valentim e João Loureiro foram absolvidos no processo relativo ao jogo Boavista-Estrela da Amadora, na sequência do qual o clube viria a ser despromovido. Mais importante do que a absolvição, foi a sentença da juíza. Arrasou por completo a acusação que- afirma- “limita-se a fazer presunções em cima de presunções” sem sustentar uma única prova com base em factos.
Lembro-me bem da forma como a imprensa desportiva - acompanhada por jornais como o CM- condenou previamente os Loureiros e Pinto da Costa, criando na opinião pública a ideia de que a condenação era inevitável, face à evidência das provas.Recordo algumas primeiras páginas que a imprensa fez com Carolina Salgado, erigida a Santa da Ladeira e escritora de tão elevados méritos, que chegou a colunista do CM.
Um atrás de outro, os processos foram sendo arquivados por falta de provas, mas a justiça desportiva digo, a imprensa desportiva, tem dado pouco relevo a isso. A sua sentença está dada, o melhor é colocar uma pedra sobre o assunto. Entretanto, um clube foi relegado para as divisões secundárias, porque os seus dirigentes foram acusados de crimes que, pelo menos, a justiça não conseguiu provar. Isso pouco interessa hoje em dia a um tipo de jornalismo que vive da lama e, em alguns casos, ainda recorre a colunistas de ocasião para lançar a suspeita sobre a falta de isenção da Justiça, se a sentença lhe não agrada.
Em 31 de Agosto de 2008, escrevia aqui:
“Pedir a um daqueles moços que escreve na “Bola” ou no “Record” que respeitem as elementares regras do jornalismo e sejam isentos nas análises que fazem a tudo quanto gira em torno dos interesses benfiquistas, é o mesmo que pedir a um heroinómano que deixe de chutar na veia de um dia para o outro. O benfiquismo está tão entranhado naqueles moços, que não conseguem distinguir entre realidade e ficção” (Continuar a ler)

Sei que as coisas não mudam e até compreendo que, em termos clubísticos, aqueles moçoilos escrevam só com um olho. No entanto, quando se trata de justiça e em causa estão pessoas, a sua condenação em praça pública é um péssimo serviço prestado ao jornalismo.

Isto podia ser uma crónica sobre futebol e não tinha qualquer importância. Mas não é. A imprensa dita séria condena frequentemente em praça pública gente sem culpa formada. Cria factos. Abre histericamente pretensos espaços informativos agitando provas de corrupção.Publica escutas em segredo de justiça. Viola a Lei. Tudo em nome de interesses que nos vendem como sendo de interesse público. Às vezes, porém, estas condenações jornalísticas não são mais do que jogos de interesses, onde política e interesses económicos andam de mão dada. Por isso se enchem primeiras páginas com acusações que não passam de suspeitas ou leves indícios, se aniquila a reputação e a vida profissional de uma pessoa e se reservam notas de rodapé quando o alvo que se pretendia atingir é absolvido. Ou- como no caso Freeport- o alvo de todas as acusações nem sequer foi constituído arguido.
Não foi esse o jornalismo de suspeição e linchamento em praça pública que me ensinaram… não foi por esse jornalismo que me apaixonei há quase 40 anos.

Perguntar não ofende

Não seria uma boa medida de combate à crise, acabar com o cargo de Governador Civil? Para além de apenas ser útil para contemplar os arregimentados dos partidos, o cargo é um sorvedouro de dinheiro. Em teoria parece simples mas, na prática, não deve ser , caso contrário Pedro Passos Coelho já tinha lançado a proposta. Há sempre que ter o cuidado de manter alguns cargos para satisfazer as clientelas, não é verdade?

Postais de férias (10)


Eu sei que não se trata de um postal, mas a excelência do texto da Bacouca obrigou-me a reunir o Conselho Editorial e propôr a aceitação desta foto para o passatempo do CR. Eles aceitaram e, por isso, aqui fica a fotografia da ilha de Hainan, onde passei umas mini-férias muito agradáveis.
Leiam o texto e ajuizem vocês mesmo, sobre a justeza desta excepção...
Obrigado, amiga, e boas férias.
Aviso: No sábado iniciarei um novo passatempo de Verão, mas podem continuar a enviar os vosso postais, cuja publicação prosseguirá até dia 22 de Agosto

E é que dava mesmo...

A propósito do post sobre o Dia dos Avós recebi alguns comentários, como acontece em quase todos os posts. Quase todos davam "pano para mangas", porque levantam questões pertinentes. Resolvi repescar este, porque toca precisamente nesse ponto:
"Sou vovó , não ando de baloiço cheia de rugas , não compro rebuçados porque faz mal aos dentes , nem consolas pois vou ficar com netos sem imaginação ,ensino tudo o que ensinei aos meus filhos.- subir árvores, descer do escorrega de cabeça para baixo ,saltar das pranchas para dentro de agua, comer com a boca fechada , serem bem delicados com toda a gente etc .Tem uma vantagem enorme ser avó , quando chega ...vão para casa dos outros avós:))))Existem familias onde os meninos são tantos que de vez enquando ouvimos.-mas eu não sou o diogo...sou o dinis.....Depois existem estas familias normalizadas , com um rebento e onde Tem de haver Natal , prendas, dia dos avós , senão ninguem se lembra .Esta geração de netos tem avós ainda no "activo" ,mas com a baixa natalidade que existe actualmente e com a idade média da mulher ter o primeiro filho depois dos 35/38 , penso que vai haver uma geração que não vai ter avós . Não acha isso triste ? Muito assunto para uma boa conversa."
Além de achar triste, Annie, penso que dava mesmo uma excelente conversa, porque se fala muito pouco em Portugal dos " novos avós" e da sua relação com os netos, apesar de muitas vezes serem eles os educadores que se substituem aos pais.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Jornalismo de investigação


Depois de o DIAP ter concluído a investigação do caso Freeport, e Sócrates ter sido ilibado, esperava uma palavrinha daqueles jornalistas blogueiros que tanto elogiaram o jornalismo de investigação de Manuela Moura Guedes, escreveram posts indignados contra o fim do Jornal da Sexta e se insurgiram conra a falta de liberdade de expressão. Nada. Refugiam-se no silêncio. Já não se trata apenas de cobardia, é também falta de dignidade e de ética.
Não gosto de Sócrates mas quando uma boa amiga, apoiante de Sócrates, me perguntou se acreditava no envolvimento de Sócrates "naquela estória" respondi que não. Para mim e para muitos jornalistas que não confundem jornalismo com "vendettas" , foi sempe claro ( e escrevi-o) que por detrás da alegada investigação, havia jogos de bastidores de jornalistas mais empenhados no jogo político do que na descoberta da verdade.
Voltarei ao assunto amanhã, depois de ler os jornais.

Portugal de Bronze



Começaram os europeus de atletismo e a estreia portuguesa foi auspiciosa. João Vieira conquistou a medalha de bronze nos 20 kms marcha. Pelo menos, já fizemos melhor do que naquelas Olimpídas de 92, na mesma cidade de Barcelona, de onde saímos de mãos a abanar e uma grande a decepção às costas. Acredito que venham por aí mais algumas medalhas.Força, malta!

Perdoai-lhes Senhor!


Depois do desastre do Golfo do México, chegou a vez da China. No Mar Amarelo foram derramadas 1500 toneladas de petróleo, em consequência da explosão de um oleoduto. Os patetas da cruzada céptica continuam a dizer que as questões ambientais nada têm a ver com a intervenção do Homem. Perdoai-lhes, Senhor, porque não sabem o que dizem mas, por favor, afastai-os das redacções dos jornais portugueses, antes que morramos todos afogados em petróleo.

Aos amantes das botas


Faz hoje 40 anos. Estava em Londres a estudar, as aulas tinham acabado e fui até ao bar da Universidade, para uma amena cavaqueira com uns colegas sul americanos, antes de mergulhar no estudo, para um exame no dia seguinte. Preparava-me para as despedidas quando entraram dois colegas - um marroquino e outro argelino- visivelmente satisfeitos. Dirigiram-se a mim e abraçaram-me efusivamente, enquanto repetiam:" Congratulations, congratulations!".

Disse-lhes que deviam estar enganados porque não fazia anos, mas eles riram-se e deram-me a notícia: " Salazar is dead, Portugal is free!"

Manifestei-lhes as minhas dúvidas quanto à hipótese de a morte de Salazar significar o regresso imediato da Liberdade a Portugal, mas a crença deles era enorme. Bebemos uma garrafa de champagne, brindamos, falamos muito sobre as ditaduras portuguesa e espanhola e praticamente já não estudei para o exame do dia seguinte. Vá lá, ainda consegui passar...

Quarenta anos depois, há por aí uns animais disfarçados de políticos, ansiosos por calçar as Botas do velho de Santa Comba. Espero que acabem no churrasco, ou esquartejados em arroz malandrinho. Não me vendam é coelho por lebre....

Os vendilhões do Templo

"No meio duma feira, uns poucos de palhaços
andavam a mostrar, em cima dum jumento
um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
exploravam assim a flor do sentimento,
e o monstro arregalava os grandes olhos baços,
uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

eu lembrei-me de vós, funâmbulos da cruz,
que andais pelo universo, há mil e tantos anos,
exibindo, explorando o corpo de Jesus.
( Guerra Junqueiro)
A Igreja Católica pediu aos políticos portugueses cristãos que renunciassem a vinte por cento do seu vencimento, para acudir aos mais necessitados.Não é a ideia da Igreja, de que os problemas se resolvem com caridadezinha- e não com políticas a favor dos mais desfavorecidos - que me encanita. É a hipocrisia de uma instituição que vive num ambiente ignominiosamente faustoso que me provoca repulsa. À memória veio-me imediatamente o filme “As Sandálias do Pescador”. O Papa calça Prada, como se vê na imagem… mas isso é apenas uma gota de água no caudal de hipocrisia desses funâmbulos da cruz.

A nova caixa de Pandora

Quando a UE reconheceu a independência do Kosovo , declarada unilateralmente por Pristina, escrevi : "O Kosovo foi um fósforo que se acendeu, esperemos que não pegue fogo ao rastilho.”
Nos meses seguintes, durante o conflito entre a Rússia e a Geórgia, na sequência da luta dos movimentos separatistas na Ossétia do Sul e na Abecássia, perguntava se a UE não teria aberto uma Caixa de Pandora. ao reconhecer a independência do Kosovo.
Aparentemente, os movimentos independentistas estão numa fase larvar, adormecidos pela crise, mas uma simples centelha pode despoletar a qualquer momento. Na semana passada, a decisão do Tribunal de Haia de considerar legítima a declaração unilateral de independência do Kosovo,veio reacender a discussão. Bem aqui perto a Catalunha terá sentido um novo alento. Ao Tibete não lhe faltarão razões para prosseguir a sua luta. Outros movimentos independentistas poderão sentir-se encorajados. Será desta que Alberto João Jardim, descoroçoado com o novo líder do PSD, declara a independência da Madeira?

Postais de férias (9)

O Pedro está de férias pelo Oriente e enviou-me os primeiros postais daquelas paragens. Fiquei roído de inveja. Vieram logo dois, de dois locais de que muito gosto. Por razões de trabalho, Singapura foi o meu primeiro destino oriental. Gostei imenso, mas creio que o facto de ter sido o meu primeiro encontro asiático, contribuiu bastante para isso.
O outro vem de uma ilha magnífica, num país que adoro. Foi um dos países asiáticos de que mais gostei ( não, não foi a Tailândia...) porque quando lá estive ainda não estava conspurcado pelo turismo de massas. Querem saber qual é? Então vão ver aqui.
Obrigado, amigo, e continuação de boas férias !

Pelo país dos blogs (64)

Isto é uma barbaridade!Nem depois de mortos, os animais escapam à insensatez humana! Vão ler e não deixem de segir o link.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Y Viva España?

Terminou ontem o Tour de France. Mais uma vitória de um espanhol, num ano que em termos desportivos está a correr lindamente a "nuestros hermanos".
Daqui a umas horas têm início, em Barcelona, os Europeus de Atletismo e todas as atenções se voltarão para os nossos vizinhos até final da semana. Quanto a nós, teremos certamente poucas razões para sorrir, já que Nelson Évora- uma medalha garantida- não vai poder estar presente em Barcelona, devido a lesão.
Espanha provoca-nos mesmo alguma azia em termos desportivos...
Depois de termos sido eliminados no Mundial pela Espanha, na semana passada perdemos com os espanhóis no Europeu de sub-19 e no Mundial de Sevens ( Rugby feminino). Quando acaba a malapata espanhola?

Com a verdade m'enganas

Uribe foi aos Estados Unidos exibir mapas que demonstram a actuação de guerrilheiros das FARC na Venezuela, alegadamente sob a protecção de Chavez. Se os mapas forem tão fidedignos como as provas apresentadas por Washington sobre as armas de destruição maciça que “legitimaram” a invasão do Iraque, estamos conversados.

O culpado da crise sou eu!

Depois dos testes de stress aos bancos europeus, todos cantam vitória. Portugueses, espanhóis, franceses, italianos e os restantes parceiros europeus afirmam, orgulhosos, que os seus bancos tiveram resultado positivo no teste e, portanto, não há razões para alarme.
Jornais e jornalistas que apenas há uma semana afirmavam que a Banca portuguesa estava em extertor, baseados em comunicados de um banco inglês, cuja veracidade não se preocuparam em confirmar ( estou sempre a aprender...) fazem títulos a três colunas dizendo exactamente o contrário e enaltecendo o facto de os bancos portugueses terem sido os mais bem classificados nos países do sul da Europa.
Perante tanta euforia cheguei à conclusão que sou burro e não tenho perdão. Acreditei nas noticias que apontavam os bancos como os principais culpados da crise porque, entre outras tropelias, tinham vendido produtos tóxicos.
Acreditei em Obama, quando acusou as instituições financeiras de serem as responsáveis pela crise.
Acreditei na justiça americana que condenou Bernard Madoff a 150 anos de prisão por burla.
Acreitei no condenado, quando assumiu as suas culpas.
Sou uma besta! Afinal era tudo mentira. Os bancos estão todos de boa saúde, é tudo gente honesta e a culpa é dos consumidores que acreditaram nos contos de fadas que os agiotas lhes contaram e cujo protagonista era um heterónimo do Tio Patinhas.

Dia dos Avós


Assinala-se hoje o Dia dos Avós. Ser avô não significa obrigatoriamente ser velho, mas implica um diálogo intergeracional em que o mais novo reconhece o valor da sabedoria do mais velho.
Os avós agora são idosos. Já não chegam a casa dos filhos carregados de chocolates e rebuçados para os netos, nem ouvem a habitual reprimenda "Oh Mãe! Está sempre a trazer estas porcarias ! Não vê que isto lhes faz mal?"... porque muitas vezes já nem há filhos, noras e netos para visitar. Estão longe, ou vivem em casas separadas. E quando há, em vez das guloseimas, levam na carteira um novo jogo para o computador. Nas vésperas de Natal esfalfam-se numa azáfama para receber a família numa casa alusivamente decorada, a brilhar de luz com a lareira a crepitar, e músicas de Natal em fundo. Mas já não têm a Leopoldina "que fazia umas filhoses deliciosas" para ajudar.
Ser avô/avó, significa dores e afectos dobrados. Não sei o que é ser avô mas, diz a minha mãe, é ser pai duas vezes. Parece-me que tem lógica.
Hoje, por todo o país, vão decorrer centenas de iniciativas para assinalar. Amolecido por estes 40 graus, não consegui preparar uma homenagem a todos os avôs e avós que diariamente me visitam. Deixo-vos apenas esta história de uma avó e de uma neta. Não é uma história feliz, mas é uma história de Vida. Tenham um bom Dia dos Avós!

A fonte das sete bicas

Defensor de Moura -ex presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo- anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Parece que fica encantado, cada vez que vê passar o Cavaco Silva escoltado por dezenas de motos.
“Aquelas luzinhas sempre me fascinaram” – disse o candidato em conversa privada com o CR. Ele poderá desmentir, mas afianço-vos que a conversa está gravada e só não divulgo a gravação, por se ter tratado de uma conversa com uma fonte.

Postais de férias (8)

O primeiro postal da semana vem de Oxford e foi enviado pelo Paulo. O texto- excelente- é sobre (des) encontros. Frequentes, quando remexemos no báu das recordações. Ao ver este postal, também eu tive os meus. Com Oxford e com gente que por lá conheci.
Obrigado, amigo, e boas férias!

Pelo país dos blogs (63)

Para perceber a parvoíce da proposta de revisão constitucional apresentada pelo PSD - com o inegável mérito de ter sido rejeitada por todos os partidos - basta ler este artigo/post da Fernanda.

domingo, 25 de julho de 2010

A razão atendível da Brites

Tenho andado bastante ausente, mas é por uma razão atendível: com o pretexto de umas férias, o Sebastião emigrou para o Brasil e eu sinto-me muito só, triste e abandonada aqui no Rochedo.
Tínhamos as nossas desavenças, é verdade, mas eu já me tinha afeiçoado ao Sebastião. Gostava de voar de asa dada com ele ao domingo, de lhe ouvir a homilia dominical sobre o ambiente,enquanto debicávamos qualquer coisa no parapeito de uma janela e algumas histórias muito curiosas que ele contava quando descansávamos nos ramos de uma árvore.
Ando um bocadinho murcha e triste. Sei que não tenho justa causa para isso, mas não acham que é uma razão atendível ? Se não tiverem opinião formada sobre isso, o Pedrinho da Laranja Mecânica explica-vos. Adiante, que não foi para vos falar de política que vim aqui hoje , mas sim para vos inteirar das razões atendíveis da minha ausência que, apesar de tudo, não me impediram de continuar a frequentar o jet set.
Ainda no último fim de semana voei até ao Alentejo para ir ao casamento do Ricardo Pereira com a Chiquinha Pinto Ribeiro e nem tive coragem para escrever sobre aquilo, tantas foram as saudades que senti do Sebastião. Eu sei que aquilo não foi bem um casamento à moda antiga, com noiva de vestido branco, grinalda e flor de laranjeira, porque os miúdos já viviam juntos há um ror de tempo, mas foi uma festa lindíssima. Estava mais gente do que num comício do Defensor de Moura, aquele tipo que já foi presidente da Câmara de Viana do Castelo e agora decidiu candidatar-se à presidência da República . (Deve pensar que a diferença entre ser PR e presidente da Câmara, é a vantagem de ter um gabinete muito maior).
Bem, mas para além daquele jet set todo reunido- mais de 400 pessoas- o que mais gostei foi da ideia de cada um dos nubentes ter seis padrinhos. Ainda dizem por aí que há crise! Nem o pai da noiva- que desembolsou 150 mil euros para a cerimónia - se queixava, de tão feliz que estava. Este casal, além de simpático, tem as mãos largas. Como convidaram muitos amigos brasileiros que não puderam vir, de que é que se lembraram? Fazer outra festa de casamento no Rio de Janeiro em Setembro, para os amigos brasileiros. Só, quer dizer… eu também vou lá estar. E- quem sabe- não vou e fico por lá como o Sebastião? Poderá não ser por justa causa mas, acreditem, é por uma razão atendível.

No Rochedo não há crise...


Espero que o facto de o Rochedo ser, na opinião da minha querida amiga Turmalina, um Blog de Ouro, não leve o ministro Teixeira dos Santos a incluir-me no grupo de contribuintes sujeitos a uma taxa de 45% de IRS!
Como sabem, desde há muito tempo deixei de citar os 10 blogs da praxe, pois a dificuldade na escolha seria imensa e corria o risco de cometer injustiças. Limito-me, por isso, a agradecer à Turmalina a simpática distinção e dizer-lhe que fiquei muito sensibilizado não só com o prémio, mas também com as suas amabilíssimas palavras.

Reviver o passado em Santa Comba

Fantástica a programação da RTP 1 na noite de sábado. Ora vejam:
20:12- Futebol
22:14- Tourada
1:22- Vinha a calhar uma procissão de velas directamente do Santuário de Fátima. Mas ( azar!) hoje não é dia 13 e a RTP teve de se contentar com a série "Sangue Fresco". Uma série sobre Vampiros. Pensando bem, numa altura em que os abutres pretos voltaram a nidificar em Portugal, parece-me uma boa escolha...

sábado, 24 de julho de 2010

Humor fim de semana

Um polícia interroga 3 loiras, que treinam num curso para a PJ.
Para testar se elas reconheceriam um suspeito, mostrou à primeira loira uma foto durante 5 segundos:
- Este é o seu suspeito, como é que você o reconheceria?
A primeira loira responde:
- Fácil, reconhecê-lo-ia porque ele só tem um olho.
O polícia diz:
- Bem...é que...a foto mostra-o de perfil.
Chateado pela resposta ridícula, mostra a foto à segunda loira durante 5 segundos e pergunta:
- Este é o seu suspeito, como é que o reconheceria?
A segunda loira dá um sorrisinho maroto, sacode os cabelos pro lado e diz:
- Ah! Isso é fácil!!! Ele só tem uma orelha!!!
O polícia, furioso, responde:
- O que se passa com vocês as duas? Claro que a foto só mostra um olho e uma orelha, porque ele está de perfil! Essa é a melhor resposta que vocês me podem dar?
Já sem paciência, mostra a foto à terceira loira e pergunta, grosseiramente:
- Este é o seu suspeito, como é que você o reconheceria? Pense bem, antes de me dar uma resposta imbecil.
A loira olha atentamente a foto, por um momento, e diz:
-Hummmmm... O suspeito usa lentes de contacto.
O polícia fica surpreendido, porque nem ele sabia se o suspeito usava lentes de contacto ou não.
- Bem, é uma resposta no mínimo interessante... Aguardem um momento, vou verificar o perfil do suspeito e já volto.
Deixa a sala, vai ao escritório verificar a ficha do suspeito no computador, e volta com um sorriso de satisfeito.
- Fantástico, não dá para acreditar! É VERDADE! O suspeito usa, de facto, lentes de contato. Belo trabalho! Como conseguiu chegar a essa conclusão?
- Fácil! - responde a loira . Ele não pode usar óculos, porque só tem um olho e uma orelha!

Serei bruxo?


O governo - alegando que a medida pode criar mais cinco mil empregos num ano- decidiu autorizar a abertura dos hipermercados ao domingo e alargar o seu horário de funcionamento das 6 da manhã até à meia noite. Caberá no entanto às autarquias decidir.
Quando li a notícia deixei ecapar um sorriso triunfal. É que em Março de 2008 já eu previra que isto iria acontecer e elencava as "vantagens" (????) desta medida. Só me enganei em relação ao horário de abertura....

Pelo país dos blogs (62)

A Somália é um dos raros países que conheço onde jurei nunca mais voltar. Hoje, a Ana Paula Fitas, recordou esta notícia de um acto horrendo praticado naquele país. Mas, como diz a Ana Paula, vale a pena ler. Quando o jornalismo é sério, as notícias - mesmo que relatem cenas escabrosas e macabras- merecem ser lidas. Porque o bom jornalismo tem memória.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quem tem amigos não morre na cadeia...

A Igreja Católica chilena pediu um indulto para os presos condenados por participação nos crimes durante a ditadura de Pinochet. Quem é amigo, quem é?

Chá de sabão macaco?


Entro no carro e preparo-me para sair do estacionamento em espinha. Um Beetle preto,daqueles descapotáveis que chegaram ao mercado numa onda revivalista dos velhos “Carochas”,pára mesmo atrás de mim. Buzino. Como resposta vejo acenderem-se os quatro piscas, equipamento muito utilizado por quem estaciona em qualquer lado, marimbando-se para os outros.
Uma jovem loiraça com botas de montar sai do carro e dirige-se, em passo de corrida, para a mercearia. Digo-lhe que quero sair e que me está a atravancar o caminho
“ Ah, desculpe, não vi que ia sair”- diz-me com aquele ar afectado de tia da Lapa, deslocada do seu habitat.
“Não faz mal”- respondo com enfado. Importa-se de tirar o carro para eu sair?
“ Vou só ali à mercearia. Não demoro nem cinco minutos” . E arrancou disparada…Fiquei a ferver e a desejar que em vez de uma tia, daquele Carocha tivesse saído um “bimbo”, porque a reacção teria sido bem diferente.
Decidi aguentar . Dez minutos depois a dondoca continuava lá dentro! Entrei na mercearia e …explodi! Fui grosso, confesso. Virei Barata, em competição com a proprietária do Carocha. Quando vi as chaves do carro no cestinho de compras ainda meio cheio, saquei-lhas e encaminhei-me para o carro, disposto a tirar o Carocha do meu caminho.
A mulher veio atrás de mim aos gritos. “ Devolva-me já as chaves, seu grande ordinário!"
Não a contrariei. Tinha sido mesmo ordinário, ao chamar-lhe Dondoca do Conde Redondo. Apenas perguntei:“Tira o carro, ou chamo a Polícia?”
Meia dúzia de mirones rapidamente se juntaram para desfrutar a cena. Nenhum deles assistira a nada, mas já todos tinham tomado partido. Obviamente, os meus adeptos eram minoritários. Havia também um - certamente imparcial- que ronronava baixinho para outro “Se fosse comigo convidava-a para jantar e depois dava-lhe uma boa queca”.
Uma velha com barba de três dias desfrutava a cena com enlevo, mas sem dizer palavra. A loira acabou por arrancar, sem voltar a entrar na mercearia. Fiz-me também ao caminho. Enquanto rebobinava a cena, lembrei-me que tinha lido algures, durante a manhã, que o chá verde era excelente para eliminar as adiposidades da barriguinha. Interroguei-me se não haverá um chá para eliminar as adiposidades que algumas pessoas têm no cérebro. Talvez "chá de sabão macaco", sei lá...

As lágrimas de Lula


Corre-me nas veias sangue brasileiro. Conheço o Brasil desde miúdo, porque em minha casa sempre se falou do Brasil como segunda - ou mesmo primeira- pátria. Comecei a conhecer o Brasil “fisicamente” há mais de 30 anos e tenho acompanhado com algum interesse a sua evolução política, social e económica, principalmente através dos relatos de familiares que lá residem.
Entre eles há os que adoram Lula -porque deu um novo rumo ao país e combateu a pobreza- e os que o detestam porque, embora reconhecendo a projecção internacional que deu ao Brasil, garantem que, actualmente, vivem pior. Há ainda quem considere que Lula traiu os seus eleitores, cedendo aos interesses do grande capital. Não posso assegurar quais deles têm razão mas, relacionando o estilo e as condições de vida de uns e de outros, com as suas opiniões, faço uma ideia…
Vem isto a propósito da entrevista que Lula, em final de mandato, deu à TV Record. Emocinou-se e chorou. Uns dirão que foi fita, outros reconhecerão a sua sinceridade. Alinho com os segundos. Não porque tenha razões concretas que justifiquem a minha opção. Apenas por isto.

E se pensassemos um pouco mais sobre este assunto? (2)

O preço de um computador nos Estados Unidos corresponde ao rendimento que um cidadão médio aufere no Bangladesh durante oito anos

Postais de férias (7)

Quando recebi este postal da Reflexos, fui remexer no meu baú. Tinha a certeza de ter um igualzinho. E tinha. Barcelona é uma das cidades europeias de que mais gosto e este postal trouxe-me à memória belos momentos passados em Barcelona, a cidade que na minha juventude eu considerava a porta de entrada na Europa.
Obrigado, amiga, e boas férias!

Pelo país dos blogs (62)

Depois de ter dado fartas gargalhadas, quando li que Oliveira e Costa ( aquele do BPN, lembram-se?) pedira assistência judiciária para se defender no processo em que é acusado, gostei de ler esta chamada de atenção.
O Vítor Dias desmonta bem o cinismo da proposta de revisão constitucional apresentadas pelo PSD, que pretende extinguir o Serviço Nacional de Saúde.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sigam o cherne...

A Patrícia Fonseca escreve hoje um artigo na Visão, sobre o salmão transgénico, cuja leitura recomendo vivamente. No entanto, houve uma coisa que me deixou a pensar. Diz ela que o salmão é o primeiro animal transgénico para consumo humano, o que para mim foi uma surpresa. Estava convencido que já havia um cherne, que alimentou a cobiça de Bush, Blair e Aznar, a viver num aquário em Bruxelas!

Pecadilhos consumistas

Não sou consumista. Nunca corro atrás das novidades, não faço fila para ser o primeiro a adquirir o último sucesso de um escritor ou de um músico, só compro roupa por necessidade, não compro por impulso excepto... quando entro numa livraria. Tenho a casa cheia de livros que ainda não li, não sei se algum dia chegarei a ler, mas não resisti a comprar.

Tenho, no entanto, os meus pecadilhos consumistas. Sou vidrado em relógios ( de pulso e de parede) e tarado por canetas. Não sou coleccionador- longe disso- mas tenho uma razoáve colecção de relógios, cuja maioria foi adquirida em mercados de rua na Tailândia. Ao olhar de não especialistas na matéria- que é o meu caso- estes relógios contrafeitos ombreiam condignamente com relógios de marcas conceituadas. Não valem nada, mas dão-me prazer à vista.

Diferente é o caso das canetas, cuja "colecção" foi construída graças a amigos e familiares. Nunca comprei uma caneta de contrafação, por isso, a maioria das vezes limito-me a olhar para elas com ar embevecido, sem coragem para pagar umas largas centenas de euros por um objecto que quase já não uso. Ontem, estive quase a comprar uma belíssima Pelikan mas perguntei-me quantas vezes teria a oportunidade de a usar. Acabei por deixá-la na montra e quando regressei a casa escrevi este post directamente no computador. Ao contrário do que seria desejável, não fiquei satisfeito por ter resistido à tentação. Fiquei triste pelo facto de as canetas serem um objecto em vias de extinção.

Vá, confessem lá... quais são os vossos pecadilhos consumistas?

Há coisas que me irritam, pá!

(Na sequência deste post, lembrei-me de um episódio passado comigo nos anos 90 que ilustra bem a forma como os bancos incitavam - e quase obrigavam- as pessoas ao endividamento)
Quando comprei casa não pedi nenhum empréstimo, nem recorri ao crédito bancário. Antes de fazer a escritura, foi-me pedida uma declaração do banco, comprovando que o dinheiro não era proveniente de actos ilícitos. Abri a boca de espanto. Esclareci que tinha vivido durante vários anos no estrangeiro, até tinha uma conta-poupança emigrante, vivia dos meus salários.
No banco disseram-me que o melhor era pedir um empréstimo, pois assim deixava de ter quaisquer problemas. Além disso, podia aproveitar as vantagens da minha condição de emigrante. Agradeci a oferta, mas recusei. Embora não tenha o dinheiro debaixo do colchão, reduzo ao mínimo possível a minha relação com os bancos. Fazem-me urticária e tenho sempre a sensação de estar a ser roubado.
Não tinha outra alternativa, senão pedir às várias instituições onde trabalhei que me enviassem as folhas de salários, pois essa seria a única forma de comprovar os meus rendimentos anuais. O funcionário a quem alvitrei a hipótese torceu repetidamente o nariz, indicando que essa informação poderia não ser de todo fiável. Foi quando perdi as estribeiras e perguntei o que é que queriam: se a confirmação das entidades patronais não era credível, o que queriam? uma declaração de Cavaco ( então PM)?

O funcionário sorriu e mandou-me voltar no dia seguinte.Quando cheguei ao banco ( Pinto e Sotto Mayor), fui atendido por um "graduado" que, depois de fazer a apologia do recurso ao crédito durante uma boa meia hora, sem me conseguir demover, acabou por me dizer que podia estar descansado. O banco passaria a declaração de que não havia razão para duvidar da proveniência do meu dinheiro. Respirei fundo. Da noite para o dia passara de potencial corrupto a homem honesto.
Foi nesse dia que percebi que em breve ia regressar a um país, onde cada cidadão corre o risco de ser considerado corrupto, por não se querer endividar, mas muitos dos que vivem à conta do crédito bancário pavoneiam-se descontraidamente pelos lugares mais “in” do país e estrangeiro. Não sei se compraram as suas casas com recurso a crédito bancário, ou se o seu ar de credibilidade lhes serviu de aval.

Depois deste episódio estive a pensar durante cinco anos se devia regressar definitivamente a Portugal. Pensei demais e, hoje em dia, penso que decidi mal. Nada que não se resolva com uma nova partida. É que não gosto de viver num país onde um normal cidadão fica sob suspeita, pelo simples facto de não querer endividar-se, e os trafulhas que nos atiraram para esta situação, continuam a ser apaparicados pelo governo. Mas isso ainda seria o menos mau. Há coisas bem piores que me aconselham a olhar para este país - e para a Europa em geral- apenas como um eventual destino de férias.

Onda laranja

É porque está frio, ou faz calor; é porque chove ou a terra arde; é porque está vento ou troveja; é porque há risco de incêndios ou inundações. De há uns tempos para cá, Portugal cobre-se, quase diariamente,de alertas. Normalmente são laranja, primeiro nível de risco, que requer redobrados cuidados e atenções.
Não me admira que, com tanto alerta laranja, os portugueses comecem a pensar votar no PSD, mas parece-me que anda por aí mãozinha de Pedro Passos Coelho, que deve ter um patrocínio da Meteorologia para promover a sua candidatura.

Postais de férias (6)

Quando recebi este postal pareceu-me, à primeira vista, ser de uma paisagem portuguesa. Foi enviado pela Isa GT e está relacionado com a história de uma família de emigrantes.
A Isa GT já se queixou que este passatempo a levou a remexer na arca das recordações em busca de outros postais antigos, que decidu também partilhar connosco. Vale a pena ir lá ver tudo o que ela tem para nos mostrar e que, acredito, não vai ficar por aqui.
Obrigado, amiga, e boas férias!

Pelo país dos blogs (61)

Hilariante o último número do "Imprensa Falsa"

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Tinha graça...

Rui Pedro Soares foi apontado na comunicação social como o barço armado de uma conspiração do governo para acabar com a liberdade de expressão em Portugal. Não sei se a sentença decretada pela comunicação social- particularmente pelo Sol- arruinando-o como pessoa, destruindo-lhe a carreira e enxovalhando o seu nome em praça pública será confirmada pelos tribunais. Isso até pode acontecer para gáudio de uma certa comunicação social, freneticamente apoiada por um grupo de blogueiros que não se cansaram de fazer chacota e lançar o anátema sobre Rui Pedro Soares.
Não conheço o homem de lado nenhum, não o defendo nem lincho, com base em notícias de jornais. Nem mesmo quando um semanário, violando o segredo da justiça e uma providência cautelar, publicou escutas telefónicas descontextualizadas. Não duvido é que Rui Pedro Soares - independentemente das culpas que tenha no cartório- foi apanhado por uma fúria da comunicação social que, empenhada em destruir Sócrates a qualquer preço, o exibiu em praça pública como troféu de caça.
Sabe-se agora que o preço vai ser elevado. Além das pesadas coimas aplicadas a vários jornalistas e ao director do Sol, a sociedade proprietária do jornal foi condenada a pagar indemnizações de 1 milhão e meio de euros a Rui Pedro Soares e ao Estado.
José António Saraiva, director do jornal, disse à Lusa acreditar na capacidade financeira para pagar a indemnização ( não pode haver mais recursos da sentença). No entanto, se não tiver , Rui Pedro Soares já veio dizer que está disposto a ficar com o jornal como forma de pagamento.
Não deixaria de ter graça esta "vingança do chinês". Não só pela história mas - principalmente- pelos jogos de cintura que alguns jornalistas blogueiros terão de ensaiar para evitar cair nas más graças do "novo patrão da comunicação social".
Infelizmente, no meio disto tudo, quem sai a perder é o jornalismo. Uma vez mais.

E se pensássemos um pouco mais sobre este assunto? (1)

"80 por cento dos "sites" da Internet estão escritos em inglês, mas apenas uma em cada 10 pessoas no mundo fala inglês."

Lembras-te?


Quando eu cerrava os dentes para não comer a sopa e tu fazias força com a colher, até me enfiares a sopa pela boca abaixo? Um dia, obriguei-te a fazer tanta força, que as minhas gengivas sangraram. Desatei num pranto de criança mimada e fui dizer à Mãe que me tinhas batido. Depois tive vergonha, porque sabia já nessa altura que me vias como um filho e não merecias a minha traição. Tu, já uma senhora, namoradeira, e eu de cueiros a fazer cenas…
Desde esse dia, passei a comer a sopa sem oferecer grande resistência mas, a cada colher que me enfiavas pela goela abaixo, eu ameaçava:“Um dia apanho-te a dormir e faço-te o mesmo”.
Nunca cumpri a promessa. Nunca mais me lembrei das ameaças. Até hoje.
Deitada na cama do hospital, sem forças, pediste-me, com a voz sumida, que te desse a sopa. Olhei para ti e voltei a ver a cena, na casa do Porto onde fomos felizes. Os papéis inverteram-se, mas não olhei para ti como a Mãe que eras para mim naquela altura. O tempo encurtou distâncias entre os muitos anos que nos separam. A morte do irmãos que existiam entre nós aproximou-nos ainda mais. Na idade e nos afectos.
Sinto as mãos tremerem enquanto percorrem a distância do prato até à tua boca. Olho-te nos olhos e pressinto que estás a pensar o mesmo que eu. Espero que não te tenhas lembrado das minhas ameaças.
Onde está a expressão dos teus olhos castanhos que te conferiam uma beleza cobiçada por todos os teus amigos? Só vejo um olhar triste, quase suplicante. Adivinho que pedes à Morte que te leve quanto antes, porque estás farta de sofrer. Não faças isso. A Morte é uma cabra que nunca aparece quando chamamos por ela. Aparece sem ser convidada, a puta. Ceifa vidas que ainda têm muito para dar e prolonga o sofrimento de quem reclama a sua presença. Ignora-a. Despreza-a. Suplica-lhe que te prolongue a vida.
Coragem, mana! Estou ao pé de ti. Quando a cabra chegar não sei como vou dizer à nossa Mãe que tu partiste sem lhe dizer um último adeus. Ela sabe que tu já te despediste dela há mais de um ano mas, mesmo assim, imagino-lhe o sofrimento e antevejo-lhe as lágrimas. As mesmas que há muitos anos correm por aquele rosto hoje sulcado de rugas cavadas por rios de lágrimas que nunca mais deixaram de correr desde que os nossos irmãos partiram. Jovens, cheios de projectos e vontade de viver. Como vês, a grande cabra só aparece quando não a queremos por perto. Por isso, mana, te peço, não chames por essa puta. Faz um esforço e finge que estás interessada em viver e ainda esperas muito da Vida. A cabra, ciumenta, talvez te venha buscar.

Porreiro, pá!

A polícia perseguiu uma carrinha durante vários quilómetros, na Via do Infante. Lá dentro iam três criminosos com cadastro acusados, entre outras coisas, de estarem envolvidos na morte de um graduado da polícia. A carrinha acabaria por se despistar e os fugitivos, depois de assistidos no hospital, foram presentes a Tribunal que lhes aplicou o termo de identidade e residência. A justificação da Procuradora para uma medida de coacção tão branda terá sido ( de acordo com a TVI) que os arguidos afirmaram não ter cadastro.
Ora, a ser verdade, pode concluir-se que a palavra de criminoso é sagrada e nem vale a pena mandar investigar. Manda-se para casa e pronto.
Ora bolas! As séries policiais americanas sempre têm mais emoção. Pelo menos as Procuradoras não são tão ingénuas...

Postais de férias (5)

Um belíssimo postal do Porto, cuja Praça eu ainda conheci assim, foi a escolha da MagyMay para este passatempo. Além da imagem, este postal traz consigo uma bela história que vale a pena conhecer no Trivialidades e Croquetes.
Obrigado, amiga, e boas férias!

Pelo país dos blogs (60)

Há já algumas décadas que as minhas férias de praia são passadas em Espanha. Conheço, há muito, a cretinice da polícia espanhola, de que também já fui vítima. Não devia, por isso, espantar-me com este relato mas quando acabei de ler o texto tinha os olhos embaciados. Pela indignação e pela revolta, mas também pelo conforto que é saber da existência de portugueses como estes.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mistérios...

Há dias lamentava-me por não conseguir desvendar este mistério. Não é que hoje, para minha grande surpresa, eles apareceram todos ( incluindo alguns de Abril)...

Crise? Qual crise?

É evidente que o país está em crise, mas é também um facto que apenas afecta quem vive do seu trabalho. Como se constata pelo crescimento da venda de artigos de luxo, com especial para o recorde alcançado pela Porsche este ano em Portugal

Aprender com o exemplo irlandês


Antes da crise, Paulo Portas passava a vida a citar a Irlanda como um exemplo a seguir. Quando a crise atingiu os irlandeses, o país foi prudentemente retirado do mapa das citações da direita portuguesa.
Passaram-se uns meses até Portugal começar a apertar o cinto, por força de um PEC com efeitos dietéticos mais céleres e eficazes do que qualquer dieta de emagrecimento. Descontentes com as exigências impostas aos trabalhadores, a direita – onde agora se inclui o antigo Partido Social Democrata que Manuela Ferreira Leite desacreditou e Pedro Passos Coelho está empenhado em conseguir fazer ultrapassar o CDS pela direita– voltou a apontar a Irlanda como exemplo a propósito da redução dos salários dos funcionários públicos. Vozes entusiasmadas reclamavam do governo que seguisse o exemplo da Irlanda cortando os salários dos funcionários do Estado, para reduzir a despesa, acalmar os mercados e as agências de rating.
Ontem , a Moody’s “recompensou” os esforços dos irlandeses , reduzindo-lhes o rating. De nada valeram os cortes salariais, o aumento dos impostos ou as medidas de austeridade adoptadas pelo governo irlandês, apontado como pioneiro no combate à crise e exemplo a seguir pela entusiasmada direita europeia. Bastou uma agência de rating declarar que não confia na recuperação do país, para os irlandeses perceberem que de nada valeram os seus sacrifícios.
Portugal parece estar longe de uma crise tão profunda como a da Irlanda, da Grécia, ou mesmo da Espanha. O governo – apesar das medidas de austeridade impostas- tem feito ouvidos de mercador aos apelos mais drásticos da direita ultra-liberal que quer pôr os portugueses a pão e água, destruir o Estado Social, desmantelar o Serviço Nacional de Saúde, liberalizar os despedimentos, rasgar a Constituição e fazer o país regredir 30 anos.
Muitos portugueses – compreensivelmente- estão saturados de Sócrates e dispostos a dar uma oportunidade a Passos Coelho, na expectativa de que as suas propostas contribuam para os tirar da crise.É bom, no entanto, que antes de o fazerem, pensem- AGORA SIM! no exemplo da Irlanda. Os sacrifícios pedidos aos irlandeses resultaram em nada ( ou talvez na exigência de mais sacrifícios…) e a escolha de PPC para liderar o país pode significar apenas a passagem de um cheque em branco a alguém que não tem outra ideia para o país, que não seja recompensar o mercado que o conduziu ao Poder.
O dandy da Porcalhota é um mero boneco nas mãos dos mercados. Comporta-se como um autómato obediente, seguindo as directrizes dos patrões da alta finança. Ou seja, daqueles que não conhecem a crise, porque basta-lhes despedir 50 trabalhadores para comprar um Porsche, mais 15 para adquirir jóias e vestidos de alta costura para as mulheres, ou encerrar uma fábrica e colocar o dinheiro a bom recato num “off shore”.
Era bom que os portugueses pensassem um bocadinho antes de entregarem o destino do país a um homem cuja única ideologia é o favorecimento do grande capital. E, para começar, o ideal seria que negassem o seu voto a Cavaco Silva nas presidenciais que se avizinham. A eleição de Manuel Alegre seria um rude golpe nas expectativas desta direita que nos caiu em sorte. Sem um PR que a apaparique, a direita não afiará tanto os dentes.
Já agora, Sócrates podia dar uma ajuda. Saindo discretamente de cena e ajudando a criar condições para que uma figura credível dentro do PS, sem ligações à actual estrutura dirigente, vá a votos nas eleições de Outono de 2011.

In memoriam

"A velhice é uma ladra. Rouba-nos tudo." Ouvi esta frase muitas vezes a um amigo dos meus pais, na curva descendente da vida. Hoje lembro-me dela pelas piores razões.

Postais de férias (4)


Muito criativo e com uma grande dose de humor este postal enviado pelo Rogério, com GPS incluído. Nada melhor para começar o dia, do que ir ler o delicioso texto no Conversa Avinagrada.
Obrigado, amigo, e boas férias!
Aviso: Vários leitores me perguntam como podem participar neste passatempo. Aqui está a resposta. Fico à espera dos vossos contributos, que antecipadamente agradeço.

Pelo país dos blogs (59)

São momentos como este que me fazem sentir que a blogosfera vale mesmo a pena! Só um grande espírito de partilha justifica tento empenho e generosidade!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O verso e o reverso

Não divulgar as fontes é um dos princípios básicos do jornalismo, mas não é sério publicar uma conversa com a fonte, como se de uma entrevista se tratasse.
Se a fonte reage insultando o jornalista e negando o conteúdo da conversa, o jornal tem obrigação de defender o jornalista. Limitar-se a dizer que a conversa está gravada, não a publicando, lança forçosamente a dúvida sobre a idoneidade do jornalista. Dúvida agravada, quando o jornal divulgou escutas telefóncas ( supostamente truncadas...) recorrendo a métodos pouco éticos e ignorando uma providência cautelar.
O resto é poeira que alguns escribas de serviço tentam atirar-nos para os olhos, sabe-se lá com que insondáveis interesses...

O Mundo mudou...

... e os bancos são o espelho dessa mudança. Ainda há pouco mais de um ano gastavam verbas volumosas em publicidade, incitando os portugueses a endividarem-se, anunciando spreads de 0% , oferecendo prémios a quem se endividasse e prometendo facilidades no acesso ao crédito que levaram os portugueses a acreditar que o crédito era fácil, barato e ainda dava prémios, como o Euromilhões.
Hoje, além de dificultarem o acesso ao crédito, tornando-o quase inacesível à maioria dos portugueses, os bancos canalizaram as verbas destinadas à publicidade para pedir aos portugueses que lhes emprestem dinheiro, subscrevendo os seus produtos de poupança.

Crónicas de um país pimba (3)

Conjunto Musical Ponto Fixo no "Praça da Alegria"

Noite de sábado.
Regresso ao Porto, depois de um passeio à beira mar, ao fim da tarde, para apanhar um pouco de ar fresco e fazer uma refeição leve. Faço um percurso diferente do habitual para voltar a casa, entrando pelo Carvalhido. Perto da Igreja , iluminações despertam-me a curiosidade. À medida que me aproximo, um grande volume de decibéis invade o meu carro, entrando em conflito com a voz de Natasha St Pier que escolhera como companhia.
Há gente na rua ouvindo um conjunto que se esforça por animar a noite. Há pares de mulheres dançando no meio da rua. À minha frente um carro avança com esforço, a passo de caracol, por entre a multidão. Penso inverter a marcha mas, atrás de mim, já há dois carros e outros vêm em sentido contrário, tacteando o asfalto a medo. O condutor de um desses carros faz um comentário que não compreendo e de imediato é atacado por um galifão que salta de entre a populaça. Alguns populares agarram-no. O carro que segue à minha frente é mimoseado com vários murros no tejadilho. Viajo num descapotável e começo a temer o pior. No meio da multidão vejo um tipo esbracejar, tentando aproximar-se. Lança-me uns impropérios. “Bai p’rá discoteca, filho da p…! Isto aqui é pró pobo, num benhas chatear que ainda te f…. os cornos.”
Mantenho-me em silêncio, fingindo nada perceber . Respondo aos insultos com sorrisos e acenos. “ Oporto very nice!”Depois, com sotaque “ Muito bonito festa. Enjoy”. Os cabelos loiros e os olhos claros da minha companheira de viagem levam-nos a confundir-nos com turistas. A populaça diz ao murcon para se acalmar, porque somos turistas.“ Bai p´rá tua terra, cabrom! Podes deixar cá a garina c’a gente amassa-a bem” Ouço gargalhadas e vozes de reprovação. Um par de garinas põe-se a dançar acintosamente à frente do carro, impedindo a passagem. Vendo que não reajo à provocação, acabam por se afastar. Em boa hora, o carro atrás de mim lança uma buzinadela de protesto. As atenções voltam-se para ele e eu passo incólume. O conjunto musical continua a debitar decibéis.
Refeito do susto, confirmo que estou na segunda cidade do país, mas acabei de presenciar um episódio digno de uma aldeia de província. Não havia um polícia a regular o trânsito, não havia um aviso da festa, nem um cartaz a aconselhar um percurso alternativo. Quando cheguei a casa perguntei à minha mãe que festa era aquela. Disse-me tratar-se de uma homenagem a uma fonte de onde brota uma água milagrosa. Na manhã seguinte, pessoa avalizada em matéria canónica afiançou-me que se celebrava a festa do Senhor do Padrão (seja lá o que isso for).
Certo, certo, é que, depois de uma consulta internáutica fiquei a saber que ontem a festa foi abrilhantada pela actuação do conjunto musical Ponto Fixo. A avaliar pelas pernocas do elenco feminino, deve ter provocado um engarrafamento ainda mais problemático. E como não sou egoísta, aqui vos deixo com uma actuação deste reputado conjunto musical. ( Cabritinha)

O Estado da Nação

Do debate sobre o Estado da Nação fiquei a saber que Paulo Portas tem uma curiosa interpretação da democracia: o partido que vence pode formar governo, mas a oposição nomeia o Primeiro Ministro!
Pedro Passos Coelho prefere outro método: os portugueses votam e o Presidente da República decide quem forma governo.
Não sei se ria, se chore, com tanta imbecilidade!

Viva a coerência

Em alguns blogs oficiosos de apoio a Passos Coelho já há quem rejubile com as propostas do amado líder para a sua governança. Diminuir o vencimento dos funcionários públicos e pensionistas do Estado em 20 a 30 por cento, merece aplausos de pé.

Menos aplaudida, mas também muito aclamada, é a proposta de extinguir organismos públicos imprestáveis, cuja razão de existir não é descortinável ( proposta que aliás, muito antes de Passos Coelho eu aqui apresentei, embora não com o objectivo de ver funcionários públicos no desemprego, mas sim de os redistribuir por outros organismos que têm escassez de quadros).

O curioso em tudo isto é que alguns dos que apoiam freneticamente estas medidas, vivem (ou viveram) durante muitos anos à custa do orçamento de Estado. Viva a coerência!

Postais de férias (3)

Este postal foi enviado do Brasil mas, como é óbvio, refere-se a umas férias na Europa. A Turmalina tem lá mais uns belos exemplares, mas só chegou cá este.Vão lá ver os outros e perceber a razão da escolha deste tema.
Obrigado, amiga, e boas férias.

Pelo país dos blogs (58)

Eu ia escrever sobre A Coisa, mas desisti depois de ler este post, porque está lá tudo e corria o risco de me repetir.

domingo, 18 de julho de 2010

A esquina da memória (8)

Repórteres de Verão
O Verão não traz apenas calor, férias e praia. Traz também incêndios e, com eles, notícias espantosas veiculadas por repórteres televisivos dotados de grande imaginação. Os jornais das 20 horas, da última terça- feira, foram pródigos em surpresas. Na RTP , uma ofegante ( apesar de estar parada) repórter dava notícias de um incêndio a lavrar na serra de Aire. Depois de enaltecer a acção dos bombeiros, invocou a providência divina que, aliada ao esforço dos bombeiros, “impediu que as chamas entrassem no distrito de Ourém”. Desculpe lá, Ana Rita Freitas, mas essa de Ourém ter sido promovida a distrito deve ter sido milagre dos pastorinhos, ainda ufanos com a beatificação!
Melhor ainda esteve a TVI. Numa notícia sobre o incêndio em Castilla La Mancha ( imediatamente traduzido para Castela a Mancha!!!!) uma voz off , masculina, afirmava de forma peremptória, mas levemente emocionada: “Próximo de Guadalajara , as chamas fizeram 11 mortos, todos voluntários...”
Eu já sabia que em Espanha há gente para tudo, mas voluntários para a morte é que nunca me ocorrera!Admito que as intervenções destes dois repórteres tenham sido fortemente influencidas pela conferência que Mark Kramer proferiu há dias na Escola Superior de Comunicação Social. Advogando que a crise do jornalismo de imprensa- sentida em todo o mundo- pode ser ultrapassada com uma forma de escrever que esteja mais perto dos leitores, Kramer defendeu a ideia de um jornalismo narrativo que “prenda” os leitores à notícia.
Mas caramba, senhores repórteres, também não é preciso exagerar! Jornalismo narrativo não é sinónimo de “criativo” ou “inventivo”! Por isso, o melhor mesmo, é reconduzir Ourém à sua condição de concelho e esclarecer os espectadores de que os 11 mortos de Guadalajara eram efectivamente voluntários, mas apenas enquanto bombeiros! Tanto quanto julgo saber, voluntários para a morte, apenas alguns radicais da Al –Qaeda ou organizações similares. Pelo menos para já!....
( Em 2005, foi assim. Este ano, como será?)

sábado, 17 de julho de 2010

Humor fim de semana

Num pedido de divórcio, o juiz pergunta à requerente:- A senhora tem a certeza do que está a pedir? A senhora quer o divórcio por COMPATIBILIDADE DE FEITIOS?-Não será o contrário?
A mulher responde:
- Não Sr. Dr. Juiz! É mesmo por COMPATIBILIDADE.
Eu gosto de cinema, o meu marido também!
Eu gosto de ir à praia, ele também!
Eu gosto de ir ao teatro, ele também!
Eu gosto de homens e ele também!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Crónicas de Graça #15

A Escrita
Quando, em miúdo, comecei a viajar na companhia dos meus pais, levava sempre comigo um caderninho de apontamentos onde registava as minhas impressões diárias. Funcionava como uma espécie de máquina fotográfica pessoal, cujas fotografias só eu podia ver.
Esse hábito de hoje em dia andar sempre acompanhado de um pequeno bloco de notas – a que uma amiga chama “o teu observatório”- remonta a uma idade em que eu ainda mal sabia alinhar as palavras. Essas páginas onde aponto aquilo que diariamente observo armazenam um manancial de informação que me é preciosa e, por vezes, passo a escritos mais elaborados- vulgo crónicas.
Chego a esta idade sem, todavia, saber explicar se escrever é para mim, vício, prazer, catarse ou apenas uma necessidade orgânica tão natural como matar a sede. Apenas vos sei dizer que não consigo adormecer sem escrever umas linhas. Muitas vezes, o que escrevo antes de me deitar não chega a ver a luz do dia mas, só confortado com a oração intimista da escrita consigo dormir tranquilamente as cinco ou seis horas que me ajudam a retemperar forças.
Ao contrário do que acontece com algumas pessoas , a escrita raras vezes me surge como uma tarefa penosa, sofrida, arrancada a fórceps das entranhas do cérebro, como se cada texto fosse um parto sofrido. É certo que já senti, várias vezes, a angústia da folha de papel em branco, já passei por aqueles momentos desconfortáveis em que olho para o teclado e só vejo letras que sou incapaz de articular em palavras. Nesses momentos tenho a sensação que desaprendi de falar, mas nunca entro em pânico, receoso de não conseguir entregar um qualquer trabalho a tempo. Sei que o bloqueio se resolve com oxigenação.
Levanto-me da secretária, vou até à varanda ou desço à rua, olho à minha volta e, de repente, sinto as palavras chegarem até mim, desprendendo-se dos ramos de uma árvore, ou soltando-se de uma nuvem no horizonte. Outras vezes, vou dar com elas refasteladas num banco de jardim ou simplesmente a insinuarem-se num diálogo de rua. Regresso a casa, volto a sentar-me à secretária, alinho-as no teclado e componho o texto.
Seja por exigências profissionais, seja apenas por lazer, a escrita para mim é tão importante como respirar. Foi por isso que, há quase três anos, criei este blog. Numa fase menos boa da minha vida profissional, ditada pelo encerramento da revista de que era editor e com alguma dificuldade em encontrar quem desse guarida aos meus projectos, comecei a escrever umas crónicas que guardava numa pasta do computador. Era uma forma de ter um novo olhar sobre as coisas. Um dia lembrei-me de criar um blog para as arrancar da solidão. Foi assim que nasceu o Crónicas do Rochedo.
Pensava, na altura, que o blog seria apenas a versão electrónica do caderninho de apontamentos de que vos falei no início. Um DAZIBAO quase clandestino. Ciente de que alguns passantes viriam a ler o que escrevia, mas longe de imaginar que esse número chegasse a atingir as três centenas diárias. Muito menos pensei na possibilidade de um blog me vir a proporcionar o prazer de um convívio diário tão agradável com tantas pessoas.
Descobri o fascínio de escrever num blog quando começaram a chegar os primeiros comentários. A início esporádicos, depois mais numerosos e persistentes. Na caixa de comentários estão gravados diálogos riquíssimos entre os leitores, nalguns dos quais também participei.O blog deu-me uma nova perspectiva sobre a partilha da escrita. A possibilidade de diálogo, quase imediata, entre quem lê e escreve , o feedback de quem nos lê. É gratificante constatar como a escrita pode criar elos entre as pessoas. Foi o que aconteceu com estas Crónicas de Graça. Eu não conhecia a minha querida parceira, mas os comentários que ela ia deixando e os posts que ia lendo lá no Ares levaram-me a lançar-lhe o desafio para esta parceria, iniciada em Outubro do ano passado. Tem sido, para mim, uma experiência muito rica este diálogo quinzenal, onde a escrita, mais do que um acto solitário é partilha.
Mas não só as séries de televisão e as telenovelas que chegam ao fim. A minha querida parceira vai de férias e as CG ficam-se por aqui. Quero agradecer-lhe esta parceria que, sem falsas modéstias, creio ter sido inovadora na blogosfera e proveitosa e agradável para os dois. A avaliar pelos comentários que foram chegando às nossas caixas de correio, acredito que também muitos leitores partilharam connosco esse prazer.
Aprendi, na minha vida de andarilho, a nunca dizer adeus . Não gosto de despedidas. Mesmo num destino longínquo podemos encontrar o ponto de regresso. As CG ficam por aqui… mas quem sabe se um dia não encontram o ponto de regresso noutras paragens?
Não é verdade, minha querida parceira?