Ontem, à hora do jogo Portugal- Costa do Marfim, 24 deputados e o secretário de estado do desporto discutiam não sei o quê na Comissão de Educação da Assembleia da República. Digo que não sei o que discutiam, porque a única coisa que os jornais escrevem sobre a reunião da dita Comissão tem a ver com a polémica gerada em torno da marcação da reunião para a hora do jogo. Fiquei sem saber a razão da presença do secretário de estado do desporto naquela sala mas, pelos vistos, isso também não tinha qualquer interesse para os jornalistas. O importante era mesmo encontrar uma explicação para a hora da audição.Fiquei então a saber que a reunião fora marcada em Novembro de 2009. Não li isto em nenhum jornal, nem ouvi na rádio ou televisão, mas inferi das declarações do deputado José Rodrigues, do CDS que só podia ter sido essa a data. Perguntarão os leitores como descobri. Simples. De acordo com o deputado “ a reunião foi marcada antes de se saber em que dias Portugal jogava”. Ora, como as datas são conhecidas desde Dezembro, altura em que se realizou o sorteio, a reunião teve de ser marcada antes dessa data. E porquê em Novembro? Porque houve eleições em Outubro e só na véspera de o governo ter tomado posse se ficou a saber quem era o secretário de estado do desporto.
Esclarecido este mistério, havia outro para desvendar. Porque é que, mesmo assim, não foi alterada a hora da audição?
Isso já os jornais explicam, mas apenas parcialmente. O resto “vi” nos telejornais. De acordo com o presidente da comissão- o deputado Luís Fagundes Duarte- houve uma tentativa de adiar a reunião para as 17 horas. Acontece, porém, que essa tentativa foi feita através de um telefonema. Ora o secretário de estado anuiu no adiamento mas, como não nasceu ontem, pediu ao deputado Fagundes para comunicar essa alteração por escrito.O deputado Fagundes não esteve para isso.
Deduzo que não o terá feito, porque viu uma janela de oportunidade para mais um momento de má língua. Se Laurentino Dias tivesse concordado com o adiamento, sem uma confirmação por escrito, o deputado Fagundes poderia sempre dizer aos jornalistas que o adiamento foi feito a pedido do secretário de estado e no dia seguinte lá teríamos os jornais a criar mais um caso, noticiando:“ Secretário de estado do desporto obriga a adiar reunião da comissão de educação da AR”.
De nada valeria a Laurentino Dias dizer que o adiamento foi feito de comum acordo, a pedido dos deputados. Alguns jornais não hesitariam em levantar a suspeita de que o membro do governo estava a mentir. Só que Laurentino Dias não anda a dormir e quis precaver-se. Como Fagundes deveria estra mais interessado em polémica, ou não gosta de futebol, a reunião realizou-se à hora marcada, apesar dos protestos dos deputados e os lamentos de Laurentino.
O que lá se discutiu, os jornais ( que li) não dizem. Talvez nem seja notícia. O importante foi o “fait divers”. Mas a isso também já estamos habituados… Quem quiser saber o que se passa na AR,que leia o Diário das Sessões, ou veja a TV da AR, que ontem deve ter estragdo as audiências da RTP à hora do jogo.
Um verdadeiro Poirot lol
ResponderEliminarTambém assisti a esse momento de tristeza por não terem assistido ao jogo...
ResponderEliminarNeste caso é que aplica a frase:
"PRESO POR TER CÃO E PRESO POR NÃO TER"
Estas falsas polémicas só ajudam a dar uma péssima imagem da AR. Isto quando em muitas empresas foi permitido o visionamento do jogo durante o horário de serviço...
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