Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

Stress? Não,obrigado!


Tive fases da minha vida em que fui workaholic, mas sempre detestei trabalhar sob stress. Mesmo quando os jornais fechavam às três, quatro ou cinco da manhã e era preciso escrever qualquer coisa de última hora para tapar o buraco de uma notícia cortada pela Censura, não tinha stress. Sentia elevadas doses de adrenalina vagabundear pelo corpo, mas era uma sensação boa.
O stress é uma “doença” dos tempos modernos. Alguém inventou que era preciso trabalhar a 200 à hora e ficar no escritório até de madrugada para ter sucesso e os yuppies "compraram" a ideia, em troca de BMW à porta, cartão de crédito com plafond generoso, férias em locais paradisíacos e uma conta bancária suficiente para satisfazer os caprichos consumistas de toda a família.
Nunca perceberam ( ou preferiram ignorar?) que o objectivo de afogar as pessoas em trabalho era impedirem –nas de pensar, por isso acharam normal passar a pedir tudo para ontem, em vez de ser para o dia seguinte. A maioria das pessoas foi atrás, seduzida pelo estauto yuppie. O problema é que o yuppie é como os espermatozóides. Todos querem lá chegar, mas a maioria fica pelo caminho, reduzido à condição de escravo dos tempos modernos, sem almejar o sucesso reprodutivo na sua conta bancária.
Fica muito bem a expressão " Preciso de isto urgente. Para ontem!" mas não encaixa com a minha maneira de ser. Quando faço uma coisa, gosto de a entender. Não gosto de "encher chouriços", só para ganhar uns cobres.
Sob stress não consigo escrever nada decente. Preciso de estar sereno e tranquilo, ter tempo para reflectir antes de escrever um artigo, fazer uma entrevista ou passar ao papel uma reportagem.
Nos últimos dez meses deixei-me ir na onda. Como “freelancer” a caminhar para o fim da vida activa, com direito a uma reforma de míngua, deixei-me emaranhar no novelo e comecei a aceitar tudo o que me pediam, para acautelar o futuro. Mas que futuro? Sei lá se o meu futuro são 30 anos ou 24 horas?
Lá diz o povo que “depressa e bem há pouco quem” e eu não pertenço a esse reduzido número de eleitos. Desgastei-me sem necessidade. E cheguei ao cúmulo de escrevier alguns posts pouco cuidados, porque confundi o CR com o meu "moleskine", onde tomo notas apressadas. Esqueci que mais de duas centenas de pessoas me lêem diariamente e que, a partir desse momento, o CR deixou de ser apenas meu, para passar a ser, principalmente, dos meus leitores.
Vou regressar ao presente que é onde se está bem porque, como diz o povo, “o futuro a Deus pertence” e os yuppies são coisa do passado. A crise que se dane!
(Li no blog onde roubei esta imagem, que até os ratinhos têm stress, mas isso certamente é culpa nossa, que andamos sempre a martirizá-los com experiências).

8 comentários:

  1. Aplaudo ao seu posto, amigo. O futuro a Deus pertence e nunca devemos contar com aquilo que poderemos não ter. À que seguir o coração e ao nosso próprio ritmo.

    Beijinhos doces, Ava.

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  2. Carlos
    Concordo. A felicidade não se constrói de ter um BMW à porta ou outra coisa assim. Para ser feliz, é preciso tempo e disponibilidade, duas coisas que nos vem sendo retiradas, em nome de um qualquer critério yuppie de sucesso.
    Lá diz uma amiga minha: "Eu não quero ser excelente, quero ser feliz!"
    Bjs

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  3. Como eu o compreendo, cheguei a trabalhar aos fins de semana, feriados e andei anos a fio, sem saber o que eram férias, como fiquei do tipo pilha de nervos, tive de repensar a vida e agora, não há muito dinheiro e, por isso, não há férias, mas é por uma boa causa.
    Esporadicamente ainda experimento uma ou outra situação mais stressante que serve para relembrar a razão porque mudei o meu estilo de vida :D

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  4. Há muita gente convencida que tem que comprar tudo o que está à venda!
    Matam-se a trabalhar não são nada mas Têm tudo!!!
    Há quem goste de viver assim....

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  5. Carlos, também existem aquelas pessoas que trabalham, trabalham, trabalham, mas não têm, nem nunca terão dinheiro para comprar um BMW, como eu :)
    Depois, quando me perguntam se estou disponível, é um pouco difícil dizer que não, quando sei que se quiser até estou. Além de que me sinto lisonjeada, porque se me perguntam, é porque gostam do meu trabalho. Como posso recusar?
    Tenho grande dificuldade em dizer não, tanto a nível profissional, como a nível pessoal, mas após ler o seu post, vou começar a pensar nisso seriamente.

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  6. Também nunca funcionei bem debaixo de stress, mas também nunca desejei ser yuppie ou ter um carrão à porta.

    A vida é para ser vivida, um dia de cada vez, quando a pessoa se deixa emaranhar nessas ambições, a dar o tudo por tudo, muitas vezes dormindo mal, comendo mal, sempre em correrias, normalmente também o corpo acaba por protestar. Às vezes, sem sequer já se conseguir fazer nada para o recuperar...

    E claro que se pode ser activo, sem se ser stressado! :)

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  7. Carlos

    Excelente reflexão!

    O problema é quando a gente percebe estas coisas, já é tarde e assumem-se responsabilides que não se podem largar, sob pena de para evitar o stress nos acontecerem coisas piores. Mas há formas de lidar com essa coisa e uma é tirar uns minutos algumas vezes por dia e ter um computador à mão para ir lendo aquilo que o meu caro nos vai dizendo.
    Abraço

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  8. Carlos, obrigada, acabei de perceber a diferença:
    eu não gosto então de trabalhar sob stress. Eu adoro sim é trabalhar com elevadas doses de adrenalina vagabundeando pelo meu corpo, porque afinal a sensação é mesmo agradável :o)

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