sexta-feira, 18 de junho de 2010

O príncipe com mãos de fada ( conclusão)


(Conclusão da história iniciada aqui)


Victoria foi directa ao assunto:
- Quando é que nos casamos e deixamos de viver neste miserável apartamento de 10 assoalhadas em Djurgärden, com vista para o Palácio?
- Adorava fazer-Vos companhia para o resto dos meus dias mas, Alteza, eu não sou chinelo para o Vosso pé!
- Cala-te, Daniel! Não me trates com esses jeitos tão abichanados, que até vejo maiúsculas nas tuas palavras. E quanto a essa história do pé e da chinela lembro-te que o meu pai também casou com uma plebeia e hoje o povo já se esqueceu disso e todos nos admiram e veneram. O povo tem a memória curta, Daniel. Importante é que lhe demos pão e circo. Ah, já me esquecia que nunca foste a Portugal…
Daniel engoliu em seco, permaneceu em silêncio mas, passados uns minutos, já estavam os dois redescobrindo mutuamente os segredos dos seus corpos, que há duas semanas permaneciam castos por força da viagem de Daniel a terras brasileiras.
Quando Victoria anunciou ao pai a intenção de se casar com Daniel, ouviu das boas.
“Quereis ser como os vosso primos ingleses que casaram com plebeias que destruíram o prestígio da Casa Real Inglesa? Não me deis esse desgosto! Lembrai-Vos que sendo Vós a primogénita e não podendo ascender ao trono, meti uma cunha ao governo para alterar a Lei de modo a conceder –Vos o privilégio de chegar ao trono que, por direito legítimo, pertenceria a Vosso Irmão Carl Philip!”
Victoria não se deixou enredar no meléfico jogo de palavras do pai. Empertigou-se e respondeu:
Tereis porventura esquecido, senhor meu pai, que minha mãe também veio de uma classe humilde e hoje é amada e venerada pelo nosso povo? Preferis Vós que eu me case com um nobre para depois fazermos as mesmas figuras que a Camila Parker Bowles e o Carlos de Inglaterra? Ou como a minha irmã Margarida que ainda há semanas desfez o noivado , porque o nobre de quem se enamorou lhe punha uma “Armadura Real”com as nossas súbditas?
Gustavo pigarreou e anunciou que iria pedir uma reunião do governo para analisar o pedido da princesa.
Uma semana depois chamou Victoria e comunicou-lhe que o governo recebera a notícia com muita alegria e dava o seu acordo explícito ao matrimónio. Havia, porém, por imposição do próprio Gustavo, que cumprir algumas formalidades.
E foi assim que o tímido e recatado Daniel se meteu em trabalhos. Começou a ter aulas sobre a História da Suécia e da Família Real, aprendeu a falar diversas línguas, e foi obrigado a enunciar as regras protocolares com a mesma destreza com que cantava a tabuada nos bancos da escola da sua aldeia natal. A sua imagem sofreu tratos de polé. Fizeram-lhe um novo corte de cabelo, penduraram-lhe uns óculos na ponta do nariz e obrigaram-no a trocar o fato de treino por fato e gravata. Como retoque final, foi contratado um famoso genealogista que se encarregou de publicar um livro onde desvenda a ascendência aristocrata sueca e finlandesa do jovem Daniel. ( Ao ler isto, não posso deixar de interrogar-me e pedir a opinião dos leitores sobre uma questão delicada. Lembram-se que logo no início da história, o pai de Daniel perguntou à mãe se o filho era mesmo dele? E lembram-se da resposta dela? Não haveria realmente, na resposta da mãe de Daniel algum toque de pitonisa?)
Oito anos depois da primeira massagem terapêutica e quase quatro após terem juntado os trapinhos, Daniel e Victoria vão casar-se amanhã. Daniel será príncipe consorte, adoptará nome real e passará a ostentar o título de Duque de Västergötland.
Os preparativos para o casamento começaram há um ano e, como alguns estarão lembrados, eu estava em Estocolmo nessa data.Um cartaz gigante no aeroporto de Estocolmo- cidade que este ano ostenta o título de Capital Verde da Europa 2010- anunciava: “Aeroporto Oficial do Amor 2010”. Ainda havia poucos “gadgets” com o casal real, mas por estes dias não escapa nada e Estocolmo está transformada, igualmente, na Capital Mundial do Amor.
Os velhos edifícios de Gamla Stan foram alvo de uma lavagem facial e já não se vêem ruas esburacadas como ano passado. Como a Suécia não foi ao Mundial da África do Sul, as televisões arranjaram um seriado e, todas as semanas, exibem um casamento real.
Para a cerimónia foram acreditados 2300 jornalistas. O jantar estará a cargo do responsável pelos banquetes de entrega dos Prémios Nobel e um dos membros dos ABBA compôs uma canção/ dedicatória ao matrimónio real.
Amanhã, cerca das 16 horas, Victoria Desiree , 32 anos, e Daniel Westling, 36, darão o SIM e ficarão unidos pelo casamento. Como nos Contos de Fadas serão felizes para sempre?
Apenas o futuro poderá confirmar, mas os 12 milhões de euros que os contribuintes suecos entregam todos os anos à família real, para manter os seus luxos, são capazes de ser uma boa ajuda...

8 comentários:

  1. Não sabia!
    Por acaso também vou amanhã a um casamento de plebeus e espero divertir-me mais do que os pobres suecos que terão de pagar essa real boda! :-)

    Abraço

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  2. Ah, coitado do Daniel! De personal trainer a membro da família real, vai um grande passo! Ainda por cima com esse alteração de imagem e dos afazeres dele.

    Mas pronto, essa do felizes para sempre não me convence muito, como já expliquei ontem, até porque montados na massa ("dada" pelos contribuintes ou dos seus negócios de ginásios finos), solicitações não vão faltar, a quem queira dar o golpe do baú (como dizem os brasileiros) e simultaneamente ficar famoso pelo desentendimento do casal. Assim como o ex da Stephanie do Mónaco...

    Mas enfim, é esperar para ver! ;)

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  3. Até amanhã muita tinta vai correr...

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  4. Coitado do Daniel. Triste final dessa história!!! Deixa de ser quem era para agradar um bando de nobres insanos!!
    Abraços.

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  5. Realmente, o pão, o circo e serem esmifradinhos pelas sanguessugas e ainda conseguem convencer o povo de que ele escolhe alguma coisa.

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  6. O dinheiro dá sempre uma mãozinha. mas pronto é uma história de amor

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  7. Esta história eu já ouvi com outro nome; Daniel na cova dos leões.

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