
Fenómeno curioso, este da bola! Ao mesmo tempo que é motivo de alegria para milhões de crianças em todo o mundo que a podem pontapear, é também causa de condições duras trabalho, para milhares de crianças que ajudam ao seu fabrico.
Sempre que se realizam eventos desportivos de grande dimensão, o tema é recorrente: organizações não governamentais alertam os consumidores para as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam de forma despudorada as normas mais elementares da Organização Internacional do Trabalho ( OIT), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a declaração dos Direitos da Criança.
Sempre que se realizam eventos desportivos de grande dimensão, o tema é recorrente: organizações não governamentais alertam os consumidores para as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam de forma despudorada as normas mais elementares da Organização Internacional do Trabalho ( OIT), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a declaração dos Direitos da Criança.
A maioria dos adeptos que exulta quando a bola se anicha nas redes da equipa adversária, desconhece que aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu fabrico. Como desconhece que os sapatos desportivos de marca que leva calçados, o cachecol ou a camisola que identificam a sua simpatia por uma das equipas, podem ter sido fabricados à custa de trabalho infantil e trabalho escravo, em países como a China, Índia, Paquistão ou México, ( para apenas citar alguns) .
Alertada para este facto por várias organizações internacionais, a FIFA adoptou, em 1996, um Código de Conduta em que assume a total responsabilidade sobre as condições laborais dos trabalhadores envolvidos na produção dos bens por ela licenciados, procurando desta forma credibilizar os seus produtos junto dos consumidores. Os principais parâmetros deste Código de Conduta assentam na garantia dada aos consumidores de que nos produtos licenciados pela FIFA não há recurso ao trabalho infantil, nem ao trabalho escravo, há liberdade de associação sindical por parte dos trabalhadores, são pagos salários justos, a semana de trabalho não excede as 48 horas e que são garantidos os requisitos de segurança e higiene nos locais de trabalho.
Este Código de Conduta foi adoptado pela UEFA durante a realização do Euro 2000 na Bélgica e Holanda ( curiosamente foi na Holanda que nasceu a Campanha Roupas Limpas e foi na Bélgica que reuniu, em 1998, o Tribunal Permanente dos Povos para condenar o desrespeito pelos consumidores, manifestado por algumas das empresas mais conhecidas da área da distribuição e da produção de material desportivo).
A questão que se coloca é saber se o Código de Conduta está a ser cumprido.Lembro aos leitores que - pouco depois de ter sido eleito para presidente da FIFA- o sr. Blatter se mostrava chocado com a existência de trabalho infantil na confecção das bolas de futebol e afirmava estar a tomar previdências junto da UNICEF para evitar que estas situações se repetissem no futuro. No entanto não se esqueceu de proferir esta frase lapidar ( muito aplaudida, aliás, por alguns jornalistas portugueses):
"Não sabemos se, radicalizando estas situações, não estamos a conduzir essas crianças, em paises de fracos recursos económicos, para caminhos menos correctos, tornando-as vítimas dos vícios que assolam a sociedade".
O Presidente da FIFA referia-se, claro, aos caminhos do furto e da droga, ameaças que podem cair sobre as crianças que não ocupem os seus tempos livres a trabalhar ajudando a engordar os chorudos lucros da indústria do vestuário, do calçado e até do ramo alimentar. O argumento, além de obsceno, é fácil de desmontar, mas deixarei isso para outro dia.
Então o que se deve fazer. Parar os eventos desportivos em que entra a bola?
ResponderEliminarSe essas situações existem e não dúvido,a culpa é desses países.
Cumprimentos.
"Cada macaco no seu galho", quero eu dizer: a FiFA que trate de resolver o que lhe diz respeito e a nós cabe-nos ir fazendo o que pudermos e estiver ao nosso alcance, o que, também muitas vezes não fazemos!
ResponderEliminarCoisas simples como um click, uma chamada, um Cd, etc, etc, para muitos não custa nada e para alguns é muita coisa.
A responsabilidade é de todos.
Ah, essa frase lapidar diz muito sobre a mentalidade de quem a proferiu...
ResponderEliminarEntão para escaparem a esses malefícios das sociedades modernas, em países com dificuldades económicas (povo incluído), a solução das crianças é a de trabalharem como escravas?!
Cambada!!!
CarlosII- Obrigado pela visita
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