Terça-feira, 1 de Junho de 2010

A "guerra" dos OGM

Há dias, no Algarve, enquanto saboreava um delicioso arroz de lingueirão, lembrei-me de uma notícia que tinha lido pouco antes no Washington Post. A Bayer foi condenada nos Estados Unidos pela terceira vez, em poucos meses, a pagar uma indemnização a produtores de arroz cujas culturas foram contaminadas pelo arroz transgénicoLL 62, comercializado pela Bayer Crop.
A empresa – que até agora já pagou três milhões de dólares em indemnizações- terá de enfrentar mais de 500 processos em que é acusada de contaminação, mas continua a defender a sua inocência, reiterando o seu empenho em provar que a biotecnologia é a única solução para matar a fome no mundo e manifestando a sua discordância com aqueles que denunciam os riscos para a saúde humana e para a biodiversidade resultantes dos produtos transgénicos (OGM).
No início de Maio a Monsanto, uma das maiores empresas mundiais de produção de OGM contaminou 82 000 hectares de terras de agricultores sul-africanos, com uma semente transgénica deficientemente fertilizada em laboratório. Consequência: a maioria dos agricultores afectados perdeu 80% das suas colheitas.
A MONSANTO disponibilizou-se para ressarcir as perdas, mas culpa o fracasso das três variedades de milho plantadas nesta quintas, em três províncias sul-africanas, com alegados “processos de sub-fertilização no laboratório” e alega que menos de 25% de três variedades de milho foram afectadas.
A activista ambiental Marian Mayet, Directora do Centro de Biosegurança em
Joanesburgo, não acredita nas alegações da Monsanto e exigiu uma investigação governamental rigorosa e uma interdição imediata sobre todos os alimentos contendo OGM's, alegando não ser admissível que se cometa o mesmo erro com três variedades de milho diferente,
Numa manifestação de solidariedade com a catástrofe do Haiti , a Monsanto acaba de demonstrar a sua “generosidade”, oferecendo aos agricultores do Haiti 475 toneladas de sementes de OGM. è o que se chama um presente envenenado...
Entretanto, a UE autorizou a comercialização de arroz e batata transgénica, perante o protesto de agricultores e associações de consumidores. Estranhamente – ou talvez não- as notícias sobre os protestos que vão ocorrendo um pouco por toda a Europa, não chegam à comunicação social portuguesa. Será apenas por distracção?
Há ainda muito por esclarecer em torno dos transgénicos, mas amanhã trarei aqui alguns factos que espero vos ajudem a perceber como o negócio da indústria alimentar promete tornar-se, a muito breve prazo, um tema de debate ainda mais aceso no seio da União Europeia.

5 comentários:

  1. Um assunto que me interessa saber mais , fico à espera de mais desenvolvimentos por aqui.
    Um abraço

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  2. A super poderosa e criminosa Monsanto, só o nome já me causa arrepios.

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  3. Já é a segunda vez que o vejo falar do arroz de lingueirão, quase que estou tentado a prová-lo... Lingueirão para mim sempre foi isco para o robalo.

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  4. Ao contrário do que refere, a Comissão Europeia NÃO autorizou o arroz transgénico (ainda). Para mais informações veja o site da Plataforma Transgénicos Fora, em http://www.stopogm.net/ ou mais exactamente em http://www.stopogm.net/node/709
    E aproveite para mandar um email ao Ministro da Agricultura, a ver se ele vota contra o arroz transgénico!

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  5. MSILVA: Obrigado pelo alerta. Tem toda a razão, por agora apenas as batatas forma autorizadas, embora não tarde muito até vir o arroz.
    Obrigado também pelo envio do link, que já está nos meus favoritos.

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