segunda-feira, 14 de junho de 2010

Facebook: uma comédia de enganos

Durante a última década, os autarcas lisboetas têm estado mais preocupados com interesses imobiliários, do que com a satisfação das necessidades e interesses dos alfacinhas. Daí, que depois da destruição da Feira Popular nenhum pareça preocupado em reerguer um espaço similar em Lisboa, onde as pessoas possam espairecer.
Insatisfeitas com a situação, várias pessoas lançaram um apelo no Facebook para uma manif na antiga Feira Popular. Promovida por cidadãos que, muito justamente, reclamam um espaço de diversão para Lisboa, a manif prometia ser um sucesso, contando os seus promotores com a presença de cerca de 10 mil pessoas, tal foi a adesão manifestada.
No sábado, o telejornal noticiava que apenas tinham comparecido algumas escassas dezenas. Mais um falhanço das redes sociais, na tentativa de mobilização das pessoas. Lembro-me pelo menos de duas “convocatórias” anteriores que resultaram num fracasso e devem ter deixado os seus promotores decepcionados. Pelo menos os realistas, porque é sabido que aqueles que vivem num mundo fictício - que apenas existe nas suas cabecinhas prenhes de tonterias- continuam a pensar que as suas iniciativas foram um alerta importantíssimo e se saldaram num rotundo êxito.
Já aqui escrevi e reitero: o Facebook pode ser importantíssimo para as pessoas trocarem ideias, discutirem, fofocarem, fazerem a divulgação de eventos ou, inconscientemente, promoverem empresas mas, como instrumento de cidadania, não funciona em Portugal. Toda a gente acha as ideias muito giras, mas na altura de levantarem o rabinho da cadeira e saírem para a rua, "cortam-se". Ou porque está calor, ou porque está frio, porque está a chover , ou a ventar, o tuga arranja sempre uma boa desculpa para se baldar.
Não há volta a dar a um povo umbiguista e preguiçoso que adora mandar umas bocas, mas detesta dar a cara. Quando é que vamos aprender a lição?

4 comentários:

  1. Tenho o exemplo contrário, Carlos.
    Os casos do Afonso Couto e do Luís Amorim, nos quais a mobilização através das redes sociais foi fundamental.

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  2. Se fosse só no facebook...
    abraço e boa semana

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  3. Uma coisa é a pessoa participar de mil e uma reivindicações virtuais, outra é engajar-se realmente.Dá trabalho!E isso não é somente aí.
    Aliás, virtualmente a pessoa pode tudo, não é?

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  4. Sorry, mas a culpa não é do FB, mas sim da preguicite aguda que grassa por aí. Todos falam/escrevem muito, mas quando toca a ter trabalho, ir e lutar, "está quieto ó mau"!

    Continuo a achar indecente a forma como a CML fez desaparecer a Feira Popular, com umas negociatas nunca explicadas por trás, mas no vaivém de presidentes e assim, claro que a promessa da nova Feira, algures em Monsanto (?) nunca foi cumprida. E não é porque achasse grande piada, raramente lá ia, só de vez em quando a uma sardinhada e um passeiozito. Mas que o espaço era importante, continuo a achar que sim.

    Como o do Hot Club, que nunca mais soube como ficou...

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