Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

A corda quase a partir...

“ A retroactividade ( fiscal) é um princípio protegido na Constituição mas não é um princípio absoluto que se sobreponha ao bem público e ao carácter imprescindível e de emergência”
Estas palavras foram proferidas pelo ministro da Economia, depois de a Comissão Eventual de Revisão da Constituição ter considerado a retroactividade do novo imposto inconstitucional.
Recorde-se que Sócrates afirmou, repetidas vezes, que não havia retroactividade, contrariando as palavras do secretário de Estado do Tesouro, mas isso não é o mais grave.
Embora não se saiba ainda se o Tribunal Constitucional terá a mesma opinião da Comissão Eventual, preocupante e de uma gravidade extrema são os seguintes factos:
- Que uma Lei inconstitucional seja aprovada na AR pela maioria PS /PSD;
- Que o ministro das finanças se marimbe para a Constituição, alegando o interesse nacional;
-Que o líder da oposição se marimbe para Constituição alegando que está a proteger os interesses do país;
- Que PS e PSD tenham optado por ignorar a Constituição, em vez de encontrar alternativas que poderiam ser menos danosas para os mais desfavorecidos;
- Qe o PSD siga a máxima do "quanto pior melhor" , apoiando medidas gravosas, para mais rapidamenet chegar ao poder.
Se o Tribunal Constitucional vier a considerar a Lei ilegal e PS e PSD insistirem na violação cria-se um precedente gravíssimo que poderá pôr em causa, a breve prazo, a própria Democracia. Quando MFL falou em suspender a Democracia por seis meses toda a gente a criticou (e bem) O que agora o PS e o PSD propõem, ao adoptar esta medida, é suspendê-la por tempo indeterminado.
Eu sei que a situação que o país atravessa é gravíssima e se não fossem tomadas medidas drásticas, correríamos sérios riscos de bancarrota, com consequências imprevisíveis, mas não posso deixar de me indignar pela forma displicente como Teixeira dos Santos e o PSD encaram a violação constitucional.
Pode abrir-se aqui um precedente grave que permita no futuro, a qualquer governo, invocar o interesse nacional para violar a Constituição.
Numa altura em que - como lembrou Boaventura Sousa Santos- se assiste a um feroz ataque do capital financeiro, ao trabalho, a violação displicente do texto constitucional pode abrir uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis.
É difícil calar a revolta num momento como este. A corda um dia rebenta… É preciso que os portugueses, quando forem de novo chamados às urnas, não esqueçam que PS e PSD têm igual quinhão de responsabilidade na situação que atravessamos e não se deixem iludir pela postua hipócrita de Passos Coelho, quando ele vier dizer que não queria nenhuma destas medidas, mas teve de apoiar o governo , em deesa do interesse nacional

10 comentários:

  1. Mas fico sempre espantada em dia de eleições, parece que anda tudo cego e insistem em não variar muito.

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  2. Neste momento sinto-me,um pouco, um "brinquedo" nas mãos da democracia(?).

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  3. É gravíssimo o que se está a passar.
    Corremos o risco de o povo começar a pedir um "salvador da pátria" com todos os riscos que a democracia pode correr!

    Abraço

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  4. Gostaria de saber por onde anda o senhor cavaco Silva?

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  5. Pedro Passsos Coelho, é aquele que tinha solução sem aumentar os impostos?

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  6. Carlos,

    É por isso que a minha deusa grega verte lágrimas, dramáticas lágrimas...

    (por este post já mereceu um selo meu)

    http://conversavinagrada.blogspot.com/2010/06/tire-um-selo-e-faca-por-merece-lo.html

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  7. A corda estará quase a partir, mas eles já têm outra de reserva e vão continuar a esticar(-nos).

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  8. Boa reflexão.
    Já não é a primeira vez que alguém dos governos de Sócrates viola frontalmente a lei. Lembro pelo menos duas vezes que a comunicação social fez eco de condenações judiciais e, ainda assim, só quando o próprio ministro foi confrontado com a cominação do pagamento pessoal de multa diária, é que recuou.
    Neste caso, como refere, começou-se por dizer que não era inconstitucional, para terminar o MF a dizer um disparate maior, que se reconduz a que nem o governo, nem a assembleia estão sujeitos a qualquer lei, justificando que em nome de qualquer oportunidade se pode derrogar e contrariar a Lei Fundamental da República.
    Se se pensar que o princípio da irretroactividade, a par do da igualdade, são os dois mais propalados na nossa sociedade, estas constantes vilações só podem fazer aumentar a deconfiança no sistema.
    Peço desculpa, por ter sido prolixo, e não queria sê-lo.

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  9. A crer no sr. ministro das finanças, tudo poderá ser legislado sem restrições algumas. Não há lei fundamental que balize sequer as competências dos órgãos de soberania, leia-se governo e assembleia.
    A ser assim, pouco resta da cosntituição, pois os princpios da não retroactividade e da igualdade são os mais emblemáticos para o cidadão, soçobrando estes, o que ficaria?

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  10. Zé Parafuso e Manuel Afonso: obrigado pelas vossas visitas ao CR. Irei retribuir muito em breve.

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