quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quando o telefone toca...

Ontem perdemos num campo de futebol contra os espanhóis e hoje teríamos sofrido nova derrota no campo económico, se Sócrates não tivesse puxado do ás de trunfo e impedido o negócio. Há quem diga - o PSD- que a decisão foi ilegal , mas como há também por aí quem afirme que o golo espanhol foi em fora de jogo, estamos empatados. Não percebo peva de economia, por isso pergunto:

Se o Estado tem uma golden share não é para a uitilizar no momento adequado? Tal como aconteceu ontem no futebol, também há na política- o PSD- quem critique o governo por ter agido, mas criticaria na mesma, caso não tivesse usado a golden share para defender uma empresa nacional e os interesses do país. Parece que agora os espanhóis vão tentar ganhar na secretaria, recorrendo para Bruxelas. Pena que não possamos fazer o memo no futebol. Se o jogo fosse repetido, talvez tivéssemos algumas hipóteses. Sabem que mais? Entre a FIFA e a União Europeia, venha o Diabo e escolha.

O TGV de Isaltino


Ao contrário do que o nome sugere, o SATU não é nenhum serviço de saúde, mas sim um curioso sistema de transportes existente em Oeiras que liga a estação ferroviária a um centro comercial. Lembro-me das duras críticas que foram feitas ao projecto quando Isaltino Morais avançou com a ideia, depois de uma viagem à Austrália onde conheceu este meio de transporte.
Entre outras coisas, a oposição dizia que o SATU seria uma inutilidade e que andaria sempre às moscas. Isaltino, no entanto, não descansou enquanto não teve o brinquedo.
Os prejuízos acumulados de 17 milhões de euros ao longo dos cinco anos de funcionamento do SATU e as escassas receitas ( 293 mil euros em 2009!)demonstram que as críticas eram acertadas. Na verdade, era expectável que podendo as pessoas fazer o mesmo percurso de autocarro, utilizando o passe, não estivessem dispostas a fazer um invetimento extra para utilizar o SATU.
A surpresa, no entanto, é que os prejuízos estão a ser pagos exclusivamente pela Teixeira Duarte – o parceiro privado da CM Oeiras neste empreendimento.
Como não acredito em almoços grátis, gostaria de saber qual a contrapartida que a empresa espera vir a receber da CM Oeiras.

It's magic!

Há um mês, em protesto contra o encerramento nocturno de um centro de saúde, esta gente pendurou bandeiras espanholas nas janelas.
Ontem, depois da derrota com Espanha, apedrejaram os carros de espanhóis que festejavam a vitória. A magia do futebol é uma inesgotável caixinha de surpresas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Encontraram o Cristo, mas continuam a incensar o Judas

Certamente, não faltará por aí quem atire as culpas a Carlos Queiroz pela eliminação frente à Espanha. Deixemo-nos de tretas. A Espanha é campeã da Europa,é melhor do que nós, ganhou justamente e é uma forte candidata a ganhar o Mundial.
Queiroz errou ao tirar Hugo Almeida? Em minha opinião , sim, mas não teve culpa de Cristiano Ronaldo ter estado ausente do jogo, sendo uma nulidade absoluta. Poderia ter tirado CR? Podia, mas se o tivesse feito os abutres tê-lo-iam desancado, por tal ousadia. Queiroz não quis correr esse risco e quanto a mim fez mal, porque os abutres atacaram-no na mesma, explorando à exaustão as lamentáveis declarações de Ronaldo no final do jogo.
CR pode ser o melhor jogador do mundo ( em minha opinião não é) mas falta-lhe crescer para ser um homem. Felizmente, entre os seus colegas não houve nenhum a querer fazer o papel de “majorette”, apoiando as suas declarações. É assim que se fortalece o espírito de grupo. Deixando os cobardes, que vivem da imagem criada na opinião pública, a falar sozinhos.
Foi um triste regresso a Portugal. Em apenas duas horas, reencontrei-me com este país mesquinho, permanentemente preocupado em encontrar culpados que lhe aliviem as frustrações, mas incapaz de assumir as suas responsabilidades. Amanhã, quando ler os jornais e visitar a blogosfera, vou ter certamente mais surpresas. Mas como daqui a três dias voltarei a ausentar-me, vai passar depressa.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"Pas de nouvelles..."

Olho para o tom verde-azulado deste mar imenso à minha frente e deixo-me invadir pela tristeza. Como sempre não consigo ter saudades do meu país mas, desta vez, sinto um grande alívio por estar longe. Por ter escapado aos comentários idiotas de alguns escribas de serviço que não deverão ter deixado escapar a oportunidade de zurzir em Saramago, na hora da sua morte, aproveitando a generosidade de editores e directores acéfalos, que lhes concedem espaço nos jornais para destilar todo o seu ódio anti-comunista.
Um dia depois de atravessar a fronteira, esqueci-me de Portugal. Não quero saber notícias, é-me indiferente o que por aí se tenha passado durante este tempo. É-me indiferente se os jornalistas do costume inventaram mais um escândalo envolvendo Sócrates, se as sondagens perspectivam a vitória de um labrego engravatado, se o governo caiu e se os blogueiros do costume continuam a fazer aquela pergunta idiota e cretina: estamos melhor que há quatro anos? Não estamos? Então a culpa é do Sócrates.
Asseguro-vos que nada há melhor para descansar, do que estar dez dias sem ler jornais e só ligar a televisão para ver jogos de futebol, mas preocupa-me este desinteresse pelo que se passa no mundo em geral. Se bem me lembro, no último fim de semana ter-se-á realizado mais uma cimeira do G-20. Se estivesse em Portugal estaria a escrever sobre o que por lá se passou e sobre a (eventual) incapacidade dos líderes políticos na resolução dos problemas que afectam o mundo. Como não estou em Portugal, nem sei o que se passou em Toronto, sinto um grande alívio e uma indiferença própria dos néscios.
Estou-me marimbando para o que se passa no mundo. Só me interessa este mar imenso à minha frente, o sol que pela manhã invade generosamente o meu quarto, convidando-me a uma longa caminhada pelo areal fronteiro, esta brisa refrescante que sopra ao fim da tarde, o peixe fresco que foi sacrificado para deleite do meu palato.Na varanda do meu quarto, com este imenso mar aos meus pés, despeço-me do sol e dou as boas vindas à lua cheia que me irá fazer companhia durante a noite. O frappé está preparado para receber uma garrafa de vinho branco. Lá fora, no jardim, mãos hábeis aprimoram-se na azáfama da preparação do peixe. Não lhe conheço o nome, mas o cheiro que emana do grelhador provoca-me uma reacção pavloviana , porque já lhe conheço o gosto e a textura.
A ZDF já fez a ligação a um estádio qualquer na África do Sul, onde se vai disputar mais um jogo do mundial. Na marina há veleiros preparados para se fazerem ao mar. Um deles está à minha espera, para me levar ao derradeiro encontro nocturno com a lua cheia, bailando ao ritmo de canções de outros verões.Que se passará pelo mundo?
Se houver alguma coisa importante a registar, a minha companheira da noite não deixará de me comunicar. Até lá continuo a seguir a velha máxima “pas de nouvelles, des bonnes nouvelles”.
Gostava de, pelo menos uma vez na vida, sentir saudades de Portugal e vontade de regressar. Ainda não vai ser desta.

sábado, 26 de junho de 2010

Bêbado, mas não muito...

No Porto, um bêbado estava a passar pelo rio Douro, quando viu um grupo de evangélicos a orar e a cantar. Resolveu perguntar:
- O que se está a passar... hic... aqui?
- Estamos a fazer um baptismo nas Águas. Você também deseja encontrar o Senhor?
- Hic... Eu quero, sim...
Os evangélicos vestiram o bêbado com uma roupa branca e levaram-no para a fila. Numa margem do rio estava um pastor que pegava nos fieis, mergulhava a cabeça deles na água, depois tirava e perguntava:
- Irmão... viste Jesus?
- Ah, eu vi, sim...
E todos os evangélicos diziam:
- Aleluia! Aleluia!
Quando chegou a vez do bêbado, o pastor meteu-lhe a cabeça na água, depois tirou e perguntou-lhe:
- Irmão... viste Jesus? - Não bi! - respondeu o bêbado.
O pastor colocou novamente a cabeça do bêbado na água e deixou-a lá um certo tempo. Depois tirou-a e perguntou:
- E agora, irmão... viste Jesus?
O bêbado já bastante ofegante, lá disse:
- Não , não bi!
O pastor, já nervoso, colocou de novo a cabeça do bêbado debaixo de água e deixou-a lá por uns cinco minutos. Depois puxou o bêbado e perguntou-lhe:
- E agora, irmão... já conseguiste ver Jesus?
O bêbado, já mole e trôpego de tanta água engolir respondeu:
- Fogo, já disse que não! Bocês têm a certeza de que ele caiu aqui????... Não estará no estádio da Luz a treinar o Benfica? ...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Portugal -Brasil em servo-croata?

Hoje interrompi as banhadas e dei um salto à internet , só para agradecer e publicar os vossos comentários e vos dizer que sempre é melhor ver o Portugal -Brasil num canal alemao do que ter de ouvir as vuvuzelas dos comentadores portugueses. Podia tentar o canal local mas nao entendo népia de servo-croata!
Gracas aos vossos comentários fiquei a saber que Cavaco Silva nao foi ao funeral de Saramago. Fez bem. Saramago nao merecia tal afronta
( Nao há til nem cedilhas neste teclado . Sorry!)
Até breve!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ó patego, olhó balão!

Não pensem que lá por esra longe de Portugal, me esqueço que hoje é noite de S. João!
Divirtam-se, mas não abusem do martelinho. Prefiram o alho porro!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Eu gosto é do Verão!

Como vem sendo habitual aqui no CR, assim que chega o Verão começam os passatempos e os desafios. Este ano, o primeiro desafio que vos lanço durará de 12 de Julho a 22 de Agosto e consiste no seguinte:
Há quanto tempo é que os meus queridos leitores não enviam um postal aos vossos amigos, quando vão de férias? Não me refiro aos postais electrónicos, mas sim àqueles verdadeiros, com selo e carimbo dos correios, que às vezes chegavam ao destinatário depois do nosso regresso, mas enchiam os destinatários de alegria.Pois o que vos proponho é que recuperem , este Verão, esse bom e velho hábito e enviem um postal do vosso local de férias, com um pequeno texto, aqui para o Rochedo.
Mesmo sem carimbo de correios, mas OBRIGATORIAMENTE um postal Fotos não são admitidas).À medida que me forem chegando, irei publicá-los aqui. Se preferirem, podem enviar também postais antigos, de férias que vos marcaram. Valeu?
Só serão publicados entre 12 de Julho e 22 de Agosto, não esqueçam, mas podem começar a enviar os vossos postais a partir de 1 de Julho.
(Aviso: estou fora de Portugal desde sábado.Os posts que aqui têm lido são todos pré agendados e não sei quando poderei publicar os vossos comentários, pois não tenho Internet por perto. Talvez amanhã.)


Há doenças fantásticas, não há?

Manuela Moura Guedes- de baixa médica desde Setembro de 2009- anunciou ao CM que pretende regressar à TVI no próximo mês de Setembro. Um anito a viver à custa do contribuinte não é nada mau, pois não? Ainda por cima, com o "glamour" de ter sido capa de revistas, que a mostravam em animadas festas nocturnas. As melhoras!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A pont(e)apé

Na quinta-feira voltou a ser discutida a eliminação de feriados, proposta pelas deputadas católicas independentes Teresa Venda e Rosário Carneiro.
Continuo a lamentar que as senhoras deputadas não se tenham insurgido contra as tolerâncias de ponto durante a visita do Papa mas, como não vim aqui para lhes pedir coerência, agradecia só que me explicassem uma coisa:se a proposta é “puxar” todos os feriados para sexta ou segunda-feira, incluindo os que calhem ao sábado e domingo, será que o país vai lucrar alguma coisa?
Essa história de acabar com as pontes também não cola, como já aqui expliquei. Exceptuando o caso de algumas autarquias que, no início de cada ano, fixam as pontes a que os funcionários têm direito, a maioria dos trabalhadores que goza ponte tira um dia de férias.
Já agora, se cada feriado custa 37 milhões de euros ao país, porque não acabar também com o encerramento das empresas e dos serviços públicos ao sábado e domingo, como já propôs a DECO, alegando o benefício dos consumidores?
Eu gostava que discutissem esta proposta com honestidade e sem demagogias, mas não me parece possível. Ninguém assume que, "à pala" da crise, estamos a regressar aos tempos da escravatura- mesmo que dissimulada. Seria melhor assumirem-no e fazerem o serviço completo de uma só vez.
Afinal, ainda há pouco tempo, na China, a maioria dos trabalhadores só tinha férias uma semana por ano e gozada, obrigatoriamente, no Ano Novo Chinês. E se nessa altura todo o mundo ocidental criticava a exploração dos trabalhadores chineses, que tal começar agora a aplaudir as políticas ancestrais do governo de Pequim?
Na sexta-feira fui a uma reunião do Portugal Sentado onde se discutiu esta questão. Tentei convencer os meus parceiros a acabarem com o dia de descanso semanal. Ao domingo, quem quiser ir à Missa, terá direito a hora de almoço alargada, mas terá de trazer comprovativo do padre que lá esteve.
A maioria dos presentes não gostou da ideia, mas contei com o apoio de um ancião ( cuja cara não me era estranha) que considerou ser uma proposta com visão de futuro. Na opinião dele, porém, ao domingo só deveria trabalhar-se a meio tempo. Os homens de manhã ( para poderem ir à tarde ver a bola) e as mulheres à tarde ( depois de terem feito o almoço, lavado a loiça e arrumado a casa).
Mas o que este ancião gosta mesmo na proposta das deputadas, é a possibilidade de poder celebrar o o 25 de Abril a 24!

Ou sim, ou sopas...

Hoje, não há margem para erro. Ou vencemos a Coreia, ou despedimo-nos da África do Sul.

domingo, 20 de junho de 2010

Os alemães são apátridas?

"Foram acreditados 2300 jornaistas, dos quais 277 estrangeiros e 70 alemães"
(Lido na "Pública", num texto sobre este evento)

Campanhas Humanitárias: O lado B(om) do Mundial 2010

O futebol não desperta apenas as emoções dos adeptos. Sendo hoje uma indústria global como poucas outras, movimenta multidões e muito dinheiro. No entanto, eventos como os Campeonatos da Europa e do Mundo são normalmente aproveitados por diversas organizações para desenvolverem, em conjunto com a UEFA ou a FIFA campanhas humanitárias. O Mundial 2010 não constitui excepção. Entre as campanhas em preparação, destaca-se uma promovida pela própria FIFA, com o apoio de várias ONG.
O objectivo é construir, em 2010,20 centros comunitários "Football for Hope" na África do Sul, Mali, Gana, Quênia, Ruanda e Namíbia. Os centros estarão vocacionados para dar resposta aos problemas sociais em áreas desfavorecidas, melhorando os serviços de educação e saúde oferecidos aos jovens. Terão salas para atendimento de saúde e educação informal, espaços comerciais, salões de uso comum para reuniões da comunidade e um campo de futebol com relva sintética. A FIFA se comprometeu-se a contribuir para a melhoria da educação no continente africano, promovendo a consciencialização sobre os problemas sociais que mais afectam os países africanos, deixando um legado que permaneça após o derradeiro apito do árbitro nos relvados da África do Sul.
Ex- jogadores como Gary Lineker participarão nesta campanha denominada “1 GOAL for Africa” lançada oficialmente no Estádio de Wembley, em Londres, com a presença da rainha Rania da Jordânia.

sábado, 19 de junho de 2010

Quem disse que as loiras são burras?

- Conheço uma maneira de conseguir uns dias de folga . - diz o empregado à sua colega loira.
- E como é que vais fazer isso? - pergunta a loira.
- Já vais ver .
Passados uns minutos sobe por uma viga, e pendura-se de cabeça para baixo no tecto.
Quando, pouco depois, o chefe entra e vê o empregado pendurado no tecto pergunta:
- Que diabo está aí a fazer?
- Sou uma lâmpada - respondeu o empregado.
- Hummm... acho que você precisa de uns dias de folga. Vá pra casa.
Ouvindo isto, o homem desceu da viga e dirigiu-se para a porta. A loira preparou-se imediatamente para sair também. O chefe puxou-a pelo braço e perguntou-lhe:
- Onde você pensa que vai?
- Eu ? Vou pra casa. Não consigo trabalhar às escuras...!!!

Ainda a morte de Saramago

Sousa Lara não era subsecretário de estado da cultura , quando Cavaco Silva era PM? E Cavaco não o segurou no lugar, quando ele proibiu o Evangelho Segundo Jesus Cristo de concorrer a um prémio literário europeu? Então para quê estas palavras, na hora da morte de Saramago?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Isto é de loucos...

Quem haveria de dizer que a Sérvia, derrotada na primeira jornada pelo Gana ia vencer a Alemanha, invicta durante a fase de qualificação? O espectáculo deste mundial é medíocre, mas as surpresas abundam. O melhor mesmo, é seguir os conselhos do João Pinto e só fazer prognósticos no final...

O príncipe com mãos de fada ( conclusão)


(Conclusão da história iniciada aqui)


Victoria foi directa ao assunto:
- Quando é que nos casamos e deixamos de viver neste miserável apartamento de 10 assoalhadas em Djurgärden, com vista para o Palácio?
- Adorava fazer-Vos companhia para o resto dos meus dias mas, Alteza, eu não sou chinelo para o Vosso pé!
- Cala-te, Daniel! Não me trates com esses jeitos tão abichanados, que até vejo maiúsculas nas tuas palavras. E quanto a essa história do pé e da chinela lembro-te que o meu pai também casou com uma plebeia e hoje o povo já se esqueceu disso e todos nos admiram e veneram. O povo tem a memória curta, Daniel. Importante é que lhe demos pão e circo. Ah, já me esquecia que nunca foste a Portugal…
Daniel engoliu em seco, permaneceu em silêncio mas, passados uns minutos, já estavam os dois redescobrindo mutuamente os segredos dos seus corpos, que há duas semanas permaneciam castos por força da viagem de Daniel a terras brasileiras.
Quando Victoria anunciou ao pai a intenção de se casar com Daniel, ouviu das boas.
“Quereis ser como os vosso primos ingleses que casaram com plebeias que destruíram o prestígio da Casa Real Inglesa? Não me deis esse desgosto! Lembrai-Vos que sendo Vós a primogénita e não podendo ascender ao trono, meti uma cunha ao governo para alterar a Lei de modo a conceder –Vos o privilégio de chegar ao trono que, por direito legítimo, pertenceria a Vosso Irmão Carl Philip!”
Victoria não se deixou enredar no meléfico jogo de palavras do pai. Empertigou-se e respondeu:
Tereis porventura esquecido, senhor meu pai, que minha mãe também veio de uma classe humilde e hoje é amada e venerada pelo nosso povo? Preferis Vós que eu me case com um nobre para depois fazermos as mesmas figuras que a Camila Parker Bowles e o Carlos de Inglaterra? Ou como a minha irmã Margarida que ainda há semanas desfez o noivado , porque o nobre de quem se enamorou lhe punha uma “Armadura Real”com as nossas súbditas?
Gustavo pigarreou e anunciou que iria pedir uma reunião do governo para analisar o pedido da princesa.
Uma semana depois chamou Victoria e comunicou-lhe que o governo recebera a notícia com muita alegria e dava o seu acordo explícito ao matrimónio. Havia, porém, por imposição do próprio Gustavo, que cumprir algumas formalidades.
E foi assim que o tímido e recatado Daniel se meteu em trabalhos. Começou a ter aulas sobre a História da Suécia e da Família Real, aprendeu a falar diversas línguas, e foi obrigado a enunciar as regras protocolares com a mesma destreza com que cantava a tabuada nos bancos da escola da sua aldeia natal. A sua imagem sofreu tratos de polé. Fizeram-lhe um novo corte de cabelo, penduraram-lhe uns óculos na ponta do nariz e obrigaram-no a trocar o fato de treino por fato e gravata. Como retoque final, foi contratado um famoso genealogista que se encarregou de publicar um livro onde desvenda a ascendência aristocrata sueca e finlandesa do jovem Daniel. ( Ao ler isto, não posso deixar de interrogar-me e pedir a opinião dos leitores sobre uma questão delicada. Lembram-se que logo no início da história, o pai de Daniel perguntou à mãe se o filho era mesmo dele? E lembram-se da resposta dela? Não haveria realmente, na resposta da mãe de Daniel algum toque de pitonisa?)
Oito anos depois da primeira massagem terapêutica e quase quatro após terem juntado os trapinhos, Daniel e Victoria vão casar-se amanhã. Daniel será príncipe consorte, adoptará nome real e passará a ostentar o título de Duque de Västergötland.
Os preparativos para o casamento começaram há um ano e, como alguns estarão lembrados, eu estava em Estocolmo nessa data.Um cartaz gigante no aeroporto de Estocolmo- cidade que este ano ostenta o título de Capital Verde da Europa 2010- anunciava: “Aeroporto Oficial do Amor 2010”. Ainda havia poucos “gadgets” com o casal real, mas por estes dias não escapa nada e Estocolmo está transformada, igualmente, na Capital Mundial do Amor.
Os velhos edifícios de Gamla Stan foram alvo de uma lavagem facial e já não se vêem ruas esburacadas como ano passado. Como a Suécia não foi ao Mundial da África do Sul, as televisões arranjaram um seriado e, todas as semanas, exibem um casamento real.
Para a cerimónia foram acreditados 2300 jornalistas. O jantar estará a cargo do responsável pelos banquetes de entrega dos Prémios Nobel e um dos membros dos ABBA compôs uma canção/ dedicatória ao matrimónio real.
Amanhã, cerca das 16 horas, Victoria Desiree , 32 anos, e Daniel Westling, 36, darão o SIM e ficarão unidos pelo casamento. Como nos Contos de Fadas serão felizes para sempre?
Apenas o futuro poderá confirmar, mas os 12 milhões de euros que os contribuintes suecos entregam todos os anos à família real, para manter os seus luxos, são capazes de ser uma boa ajuda...

Morreu José Saramago


Morreu hoje, em Lanzarote, o nosso Prémio Nobel José Saramago. Estou sem palavras. A minha opinião sobre ele, deixei-a expressa nesta Crónica de Graça que muitos não terão lido e me permito recomendar.
Por agora, remeto-me ao silêncio, recordando a conversa que tive com ele no dia 15 de Junho de 2009.

Se bem me lembro...

Pedro Passos Coelho disse, numa entrevista, que se ficasse provado na Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI que Sócrates tinha mentido à AR, o PSD avançaria com uma moção de censura. Não sei quantas vezes PPC se terá arrependido das suas palavras, mas tenho a certeza que hoje respirará de alívio. É que o relatório, apesar de insistir na tese de que Sócrates sabia do negócio, não fala nunca de "mentira".

O texto final - elaborado pelo deputado bloquista João Semedo- permite assim a PPC prosseguir a sua estratégia:continuar a desgatar Sócrates, até que ele caia de podre e ganhar as eleições por desgaste do adversário e não por mérito próprio. Um dia destes, talvez seja notícia um almoço secreto entre PPC e João Semedo. Ficaremos é sem saber quem pagou a conta, mas não é difícil adivinhar.

Eu só queria entender...

Uma das críticas recorrentes dos defensores da privatização da RTP é o custo que ela representa para os contribuintes. Mas se assim é, qual a razão que leva esses críticos a aplaudir a decisão do governo de reduzir a publicidade do canal púbico para seis minutos por hora, enquanto os canais privados podem continuar a ter 12 minutos?
Ah… esperem aí, esta parece que já percebi.
Então aqui vai outra. As televisões privadas contribuíram para a melhoria da programação? Então qual é o interesse de privatizar a RTP? Será para termos mais um canal de lixo?

Torcedor

Começo a torcer por uma final Alemanha- Argentina.

Sugestão do dia

Ao contrário do habitual, a sugestão do dia vai hoje para um blogue que se despede. Conheci-o só em Março, mas foi amor à primera vista. Completa hoje um ano de vida e diz-nos adeus. Todos os que visitavam The Big Chill vão sentir a sua falta e torcer para que volte em breve.
Obrigado, Eva, pelos bons momentos que me proporcionou.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mundial 2010: vencer sem entrar em campo

O Mundial constituirá uma oportunidade de negócio para as empresas patrocinadoras, mas o evento propicia igualmente o aparecimento de novas empresas cuja actividade está intimamente ligada ao evento.
Nestes certames, um dos negócios mais lucrativos é, porventura, o merchandising. Cerca de duas centenas de produtos alusivos ao evento ( incluído as inefáveis vuvuzelas)estão já a ser comercializados. Bolas de futebol, t-shirts, camisolas, cachecóis, bonés, esferográficas, postais ilustrados, copos, sacos, isqueiros, ou porta-chaves são alguns dos exemplos, entre uma variada parafernália de produtos destinados a satisfazer os gostos mais exigentes, que compõem a equipa do merchandising, uma vencedora antecipada do Mundial 2010.
Sem ter de pisar os relvados, fazendo entradas à margem da lei sem o risco de ser admoestada pelo árbitro, esta é uma equipa sempre em jogo, utilizando a imbatível táctica do chamariz consumista.
Para além da venda directa ao público, em locais devidamente licenciados pela FIFA, estes produtos são protagonistas de uma variada, mas nem sempre imaginativa, gama de concursos. Os preços são variados, inflacionados, aproveitando a febre consumista dos adeptos que não querem perder a oportunidade de adquirir um souvenir, testemunho da sua presença no evento, cujo “prazo de validade” se esgota após o último pontapé na bola e a consagração dos vencedores.
Dias depois de terminado o torneio, os objectos “desvalorizam-se”, passando a constituir para uns, uma recordação eterna aliada ao sucesso da equipa vencedora, ou a algum episódio rocambolesco vivido em terras sul-africanas, e para outros um mero ícone sem importância que cai no esquecimento e acaba os seus dias a repousar na montra do desperdício.

Dicionário de estrangeirês (9)

O leitor está no Japão e alguém que meteu conversa consigo está a tentar explicar-lhe o que faz na vida.
No meio de uma frase mesclada de inglês e japonês ouve-o dizer : Ro-Ba Ka- Si Tu- Do.
Esteja descansado, porque o seu interlocutor não é um gatuno que está prestes a assaltá-lo. Trata-se apenas de um político.

O príncipe com mãos de fada



Aviso prévio:
Apesar de alguns toques ficcionais, esta é uma histórai real.

Há muitos anos, numa pequena aldeia de um reino do norte da Europa, onde os camponeses têm assento no Parlamento e os reis se revoltam contra a aristocracia, pondo-se ao lado do Povo, vivia um casal humilde.
Ele trabalhava no Estado e ela era funcionária dos correios. Quando um dia chegou a casa e disse ao marido que estava grávida, este perguntou-lhe:
- E o filho é mesmo meu?
A mulher, contendo as lágrimas que a indignidade da pergunta fizera libertar, respondeu com altivez:
“ Deus é meu juiz”.
Alguns meses depois nasceu uma criança que, por comum acordo entre os cônjuges, recebeu o nome de Daniel ( em Hebraico, Daniel significa “Deus é meu juiz”).
Correram os anos entre invernos gelados e estios amenos. Daniel cresceu. Cumpridos os serviços mínimos nos estudos fez-se à vida e rumou à capital. Arranjou emprego num ginásio com boa reputação e tornou-se um personal trainer.
Sucederam-se os dias e as noites. Com muito empenho, Daniel foi-se tornando conhecido na cidade, pelo seu profissionalismo e dedicação.
Um dia uma jovem que sofria de anorexia tocou à campainha. Queria inscrever-se no ginásio, por recomendação da irmã. Daniel foi chamado pelo proprietário para ser o seu personal trainer. Assim que a viu, teve a sensação de a conhecer de qualquer lado mas, mantendo a sua discrição habitual, nada disse.
À noite, no quarto de banho do seu modesto apartamento, Daniel gritou: “Eureka!” Acabara de descobrir quem era a sua nova cliente. Nada menos do que uma princesa. Olhou uma vez mais para a fotografia da família real, colocada na parede sobre a sanita ( Não é “boutade”, na Suécia, as famílias têm, por tradição, a fotografia da família real no quarto de banho) e não teve quelaquer dúvida. Era mesmo a princesa Victoria!
No dia seguinte, o discreto Daniel não revelou a descoberta à sua nova cliente mas, conta a lenda, que lhe terá feito uma massagem mais aplicada depois dos exercícios do dia. Durante dois anos, foi frutificando uma relação de amizade entre o personal trainer e a princesa, mas nenhum ousava dar o primeiro passo. Não se sabe, inclusive , de quem foi a iniciativa de convidar o outro para uma ida ao cinema, mas disse-me fonte bem informada que a ideia surgiu enquanto resolviam palavras cruzadas no bar do ginásio. O enunciado da Vertical 2 era “ primeiro nome do realizador de Morangos Silvestres”. Percebendo que Daniel não sabia a solução, Victoria alvitrou:
- Olha lá, Daniel. Acabei de ler há bocadinho no “What’s on Stockholm” que o “Morangos Silvestres” está em reposição no Röda Kvarn. Não queres ir ver?
Daniel sentiu o coração a saltar-lhe dentro do peito. A primeira reacção foi inventar uma desculpa e recusar, mas Cupido deu-lhe um safanão e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Estás armado em parvo ou quê? Vai lá ao cinema com a rapariga! Não vês que ela está mais derretida que um esquimó nos trópicos? E vê lá se perdes a timidez e deixas de te comportar como um iceberg, parvalhão!
Daniel gostaria de ter dito a Cupido que estava enganado e se sentia mais parecido com aquele vulcão dos vizinhos islandeses, do que com um iceberg, pois há dois anos reprimia a torrente de amor que lhe percorria as entranhas como lava incandescente, mas calou-se.
Timidamente, quase em surdina, ainda perguntou a Victoria:
- E se nos vêem, Alteza? O que vão escrever os tablóides como o Expressen e o Aftonbladet? Quantas calúnias não irão lançar sobre Vossa virtude?
Victoria encolheu os ombros e perguntou:
-Nunca estiveste em Portugal, pois não?
-Não, Alteza…
-Havemos de ir lá um dia, quando aprenderes a falar português, para veres o que é um tablóide de má lingua, Daniel. Olha, vamos amanhã à sessão das quatro e deixa o resto comigo.
E foram…
Abrevie-se a história, para que os leitores não comecem a torcer-se na cadeira e vão a correr ler o final.
Deixemos de lado os pormenores pós cinema, as primeiras carícias, o primeiro beijo, a primeira… e retomemos o fio à meada três anos depois. Por essa altura já Daniel vivia com Victoria num apartamento, abrira três ginásios chiques em Estocolmo e mostrara a sua veia empreendedora expandindo o negócio para o Brasil.
Estava uma daquelas gélidas noites de Inverno e Daniel regressava de uma viagem de negócios , precisamente ao Brasil. O rosto tisnado do Sol disfarçava-lhe o ar campónio, tornando-o ainda mais atraente aos olhos de Victoria.
( A história conclui amanhã. Não quero abusar da vossa paciência.)

Ponto da situação

Ao fim da primeira jornada do Mundial, apesar de ter visto poucos jogos ( mas vi os resumos de quase todos...) parece-me que Portugal pode não estar tão mal como pintam. Empatámos com a Costa do Marfim, é certo, mas a Inglaterra também empatou com os EUA, a Grécia perdeu com a Coreia do Sul e a favorita Espanha ( campeã europeia em título, é bom não esquecer...) perdeu com a modestíssima Suiça.

Sinceramente, o que me parece é que o clima que se vive na selecção ( ainda espero ver explicada a lesão do Nani, em versão não oficial) é semelhante a Saltillo. E, se assim for, não há vlta a dar-lhe. No dia 26, cada um regressa a suas casas para umas férias relaxadas, porque os clubes que lhes pagam não os querem lesionados.

Pelo país dos blogs (54)

Estou totalmente de acodo com o que escreve aqui o meu amigo Arnaldo Gonçalves. Lá longe, pelo Oriente, vê de forma bem clara o que muitos aqui perto se recusam a admitir.

Sugestão do dia

O Puma

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mundial 2010: Chile joga à defesa, Lula prefere o ataque.

Vários países, nomeadamente latino-americanos, aprovaram legislação visando a protecção do espectador e do espectáculo. No Chile, por exemplo, há um movimento que exige a devolução do bilhete quando o jogo não presta. No entanto o SERNAC ( Serviço Nacional do Consumidor do Chile) não foi tão longe e limitou-se a emitir uma recomendação sobre o assunto. Aí se salienta que “a pessoa que paga para assistir a um espectáculo desportivo, é um consumidor ou utilizador de um serviço de lazer e, enquanto tal, tem certos direitos que devem ser respeitados e que a Lei de Defesa do Consumidor em vigor reconhece e tutela".
A recomendação acusa a imprensa desportiva e os próprios organizadores dos jogos de “encenar de forma exacerbada uma atmosfera de paixão clubística, distorcendo o sentido da sua missão informativa e gerando um clima propício à exaltação o que resultou, por mais de uma vez, em conflitos ou manifestações incorrectas por parte de algum público, e pondo em risco a segurança dos espectadores.”
Nesse intuito, o SERNAC apela à imprensa desportiva para “assumir um papel de moderadora e ser mais objectiva na sua tarefa de informar, que claramente a diferencie das atitudes próprias de adeptos fervorosos” e aos dirigentes, para que “se abstenham de proferir declarações que contribuam para inflamar os ânimos ou desvirtuem de qualquer modo o espírito do espectáculo”.
Mais incisiva é a Lei nº 10671 do Congresso Nacional do Brasil, aprovada em Maio de 2003, que define o “Estatuto do Torcedor” .Trata-se de um documento com cerca de 50 artigos, onde se estabelecem os direitos do consumidor de espectáculos desportivos, dos quais respiguei algumas passagens.
Começando por garantir ao “torcedor” o direito “ à transparência na organização das competições administradas pelas Ligas” o diploma obriga aquelas entidades a nomear um Ouvidor da Competição ( equivalente ao nosso Provedor) a quem compete “ recolher as sugestões, propostas e reclamações que receber dos torcedores, examiná-las e propor as medidas necessárias (...) ao benefício do torcedor".
Saliente-se que todas as sugestões e respectivas respostas são obrigatoriamente publicitadas num site da Internet.Por outro lado, a Lei confere ao “torcedor” uma vasta gama de direitos, de que destaco os seguintes:
- Manifestar a sua opinião acerca dos Regulamentos;
- Direito à segurança nos locais onde são realizados os eventos desportivos antes, durante e após as partidas;
- O acesso a transporte seguro e organizado, especialmente quando se trate de pessoas com deficiência.
Existem, porém, dois aspectos que a serem aplicados em Portugal constituiriam uma perfeita revolução. É que para além de ser conferido ao torcedor o direito ao sorteio dos árbitros ( que em Portugal é considerado um direito dos clubes) a Lei estabelece que “ não correm em segredo de Justiça os processos em curso perante a Justiça Desportiva - a qual está também obrigada a agir de forma célere e a publicitar as suas decisões, sob pena de serem consideradas nulas.

Dicionário de estrangeirês (8)

Se está na China e foi assaltado, não comece a gritar por socorro, porque é inútil.
Grite antes: Agarra que é ladrão!
(Agala Ke Fin-To-Xui)

Em português nos entendemos?

Exames do 12º ano
76 mil alunos são hoje "expremidos" em português

Este título vem na primeira página do Global de hoje e suscitou-me um comentário. Infelizmente, quem escreveu e autorizou a publicação deste título não foi espremido. Nem nos exames de português do 12º ano, nem na Universidade. Foi pena.Podíamos ter ganho pelo menos dois jornalistas que soubessem escrever em português.

Um detective na AR. Moi-même!

Ontem, à hora do jogo Portugal- Costa do Marfim, 24 deputados e o secretário de estado do desporto discutiam não sei o quê na Comissão de Educação da Assembleia da República. Digo que não sei o que discutiam, porque a única coisa que os jornais escrevem sobre a reunião da dita Comissão tem a ver com a polémica gerada em torno da marcação da reunião para a hora do jogo. Fiquei sem saber a razão da presença do secretário de estado do desporto naquela sala mas, pelos vistos, isso também não tinha qualquer interesse para os jornalistas. O importante era mesmo encontrar uma explicação para a hora da audição.
Fiquei então a saber que a reunião fora marcada em Novembro de 2009. Não li isto em nenhum jornal, nem ouvi na rádio ou televisão, mas inferi das declarações do deputado José Rodrigues, do CDS que só podia ter sido essa a data. Perguntarão os leitores como descobri. Simples. De acordo com o deputado “ a reunião foi marcada antes de se saber em que dias Portugal jogava”. Ora, como as datas são conhecidas desde Dezembro, altura em que se realizou o sorteio, a reunião teve de ser marcada antes dessa data. E porquê em Novembro? Porque houve eleições em Outubro e só na véspera de o governo ter tomado posse se ficou a saber quem era o secretário de estado do desporto.
Esclarecido este mistério, havia outro para desvendar. Porque é que, mesmo assim, não foi alterada a hora da audição?
Isso já os jornais explicam, mas apenas parcialmente. O resto “vi” nos telejornais. De acordo com o presidente da comissão- o deputado Luís Fagundes Duarte- houve uma tentativa de adiar a reunião para as 17 horas. Acontece, porém, que essa tentativa foi feita através de um telefonema. Ora o secretário de estado anuiu no adiamento mas, como não nasceu ontem, pediu ao deputado Fagundes para comunicar essa alteração por escrito.O deputado Fagundes não esteve para isso.
Deduzo que não o terá feito, porque viu uma janela de oportunidade para mais um momento de má língua. Se Laurentino Dias tivesse concordado com o adiamento, sem uma confirmação por escrito, o deputado Fagundes poderia sempre dizer aos jornalistas que o adiamento foi feito a pedido do secretário de estado e no dia seguinte lá teríamos os jornais a criar mais um caso, noticiando:
“ Secretário de estado do desporto obriga a adiar reunião da comissão de educação da AR”.
De nada valeria a Laurentino Dias dizer que o adiamento foi feito de comum acordo, a pedido dos deputados. Alguns jornais não hesitariam em levantar a suspeita de que o membro do governo estava a mentir. Só que Laurentino Dias não anda a dormir e quis precaver-se. Como Fagundes deveria estra mais interessado em polémica, ou não gosta de futebol, a reunião realizou-se à hora marcada, apesar dos protestos dos deputados e os lamentos de Laurentino.
O que lá se discutiu, os jornais ( que li) não dizem. Talvez nem seja notícia. O importante foi o “fait divers”. Mas a isso também já estamos habituados… Quem quiser saber o que se passa na AR,que leia o Diário das Sessões, ou veja a TV da AR, que ontem deve ter estragdo as audiências da RTP à hora do jogo.

As confusões de Fernando Nobre

Tenho em grande apreço Fernando Nobre, pelo trabalho que desenvolveu à frente da AMI, mas tive uma grande decepção quando ele anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Não vejo Fernando Nobre com perfil para exercer o cargo, por diversas razões que não cabe agra aqui enunciar.Ontem, o candidato apoiado por Mário Soares encarregou-se de demonstrar as minhas suspeitas.
Ao afirmar «Se o primeiro-ministro ferir os altos interesses da nação, e se ele pisar o risco, ele é demitido. Obviamente demito-o», demonstrou desconhecer os poderes do Presidente da República que em circunstância alguma pode demitir o governo.

Pelo país dos blogs (53)

Gostei de ler este post da Ana Paula. E já agora, vejam também o video.

Afinal há ruídos piores do que o das Vuvuzelas

Chama-se José Manuel Freitas e esteve a comentar (??????) o Brasil - Coreia do Norte

Sugestão do dia

Coisas da Fonte

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dicionário de Estrangeirês (7)

Está a passar férias no Dubai e não sabe como perguntar onde é o elevador do Hotel? Simples...


ALI CI MA VAI

À margem do Mundial: vestuário desportivo

A Consumers International (CI) realizou um estudo sobre o comportamento das principais marcas de vestuário desportivo, com o objectivo de analisar o impacto ambiental do fabrico de calçado desportivo e o comportamento ético das empresas nas relações laborais, nomeadamente quanto aos salários e às condições de trabalho.
Contando com o apoio de 11 organizações de consumidores, a CI visitou fábricas que fornecem as diversas componentes para a produção de algumas das marcas mais conhecidas no fabrico de calçado desportivo. Foram também analisadas as condições em que vivem os trabalhadores dessas fábricas, maioritariamente mulheres imigrantes entre os 20 e os 30 anos.
Embora reconhecendo algumas melhorias por parte da Adidas, Reebok e Puma, no concernente às práticas laborais, a CI conclui que apesar de algumas empresas pagarem o salário mínimo legal, estes ainda estão muito abaixo do desejável, representando apenas 0,4 por cento do custo de um par de sapatos. Os salários pagos aos trabalhadores- afirma a CI- estão normalmente muito abaixo do que seria desejável, para proporcionar aos trabalhadores condições de vida condignas.
A CI detectou também casos de assédio sexual, violação de direitos sindicais, horários de trabalho excessivos, redução dos salários como medida repressiva e recurso ao insulto verbal e à violência física, como medidas disciplinares.
De realçar, que as fábricas visitadas reconheceram as suas próprias responsabilidades nestas práticas e declararam que estão a tomar medidas, no sentido de as minimizar…
No estudo realizado, a CI realça o facto de a maioria das multinacionais do calçado – que até há bem pouco tempo estavam maioritariamente instaladas no sul da China- se estarem a deslocalizar para outros países asiáticos, como o Vietname ou a Indonésia, onde os custos laborais são mais baixos e as exigências ambientais mais permissivas.
Entretanto, a Adidas anunciou que vai iniciar ainda este ano, no Bangladesh, a produção de um modelo de sapato que será vendido a 1 euro. Com esta iniciativa, a Adidas pretende melhorar a sua imagem junto dos consumidores e envolver-se em projectos sociais geradores de emprego, nas zonas do globo onde tem as suas fábricas.
A CI convidou as 10 maiores empresas de calçado desportivo a participar neste estudo, mas apenas a Adidas, Reebok, Puma, New Balance e Mizuno aceitaram submeter as suas fábricas, na China, ao escrutínio.
Nike, Asics, Brooks, Saucony e Kahru recusaram participar no estudo.

Erros meus, má fortuna...


Quando, aos 12 minutos, Cristiano Ronaldo atirou uma bomba ao poste da baliza dos marfinenses, percebi que Portugal não ganharia o jogo. Como é normal nos portugueses, demoram muito tempo a digerir a falta de sorte e, em vez de partirem para a luta, ficam a lamentar-se. Foi o que aconteceu hoje. Nada está perdido, mas a ambição de irmos longe neste mundial, sofreu um forte revés. Dia 21 há mais.

Está na hora!


Entrei em estágio. O jogo só começa às 15 mas o melhor é começar a "prepará-lo" com tempo. As unhas estão grandes, vou começar já a roê-las para estarem decentes à hora do jogo.
Força, cambada!

O fim do mundo em cuecas


Não sou grande apreciador do CSI e séries similares, onde as novas tecnologias ajudam a descobrir os crimes mais intrincados. Continuo a preferir a capacidade argumentativa de Perry Mason, a subtileza de Poirot ou a perspicácia do inspector Columbo, cujas únicas armas eram a inteligência. Dirão que sou cota e provavelmente têm razão.
Ontem, a notícia de capa do gratuito “ Metro” rezava:
“Eles desconfiam das cuecas delas” .
Ainda ensonado e um pouco surpreso com o título, corri até à página 4 para ler a notícia. Fiquei então a saber que há maridos que roubam as cuecas às mulheres e mandam analisá-las no laboratório, para saberem se a mulher lhes está a ser infiel. Ao que parece, o método de investigação adoptado pelos “machos” portugueses foi induzido pela série policial CSI, o que permite inferir que os tugas vêem mais televisão do que se pensa. No entanto, parece haver outros machos que preferem recorrer a métodos artesanais e compram kits na Internet que permitem detectar a existência de sémen nas cuecas da consorte.Outros, mais sofisticados, preferem armar-se em detectives privados e compram o “Spy GPS”. Pela módica quantia de 379 euros , passam a controlar todos os movimentos da mulher e ainda têm, como bónus, direito a escutar as conversas do cônjuge.
As novas tecnologias prometem transformar os portugueses em “cuscas” profissionais. Incapazes de usar a inteligência, os tugas preferem a electrónica para se certificarem se são “cornos”. Não era mais fácil utilizarem os instrumentos que a Mãe Natureza lhes deu à nascença?
Pronto, está bem, não se zanguem, mas eu disse, logo no início do post, que preferia o Poirot e o Columbo ao CSI.

Subtilezas da língua portuguesa


Em Portugal, quando uma pessoa enriquece ou ganha fama, costuma dizer-se que pode sentar-se à sombra de uma Bananeira.
Scolari, aconchegado com a indemnização recebida do Chelsea, os salários chorudos ( 35 mil euros/mensais) auferidos enquanto esteve à frente da selecção portuguesa e a fama granjeada com o título de campeão no competitivo campeonato do Uzebequistão, regressa ao Brasil para treinar o… Palmeiras.
Diferenças de pormenor da língua portuguesa de aquém e além –mar.

Sugestão do dia

Terra Longínqua. Um blog do Joaquim Lucas que sucede ao Cartório Mental, mantendo a qualidade a que nos habituou. Boa sorte no novo endereço!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Futebol no Convento


A meio da tarde, enquanto escrevia um artigo sobre a mancha negra provocada pela BP, o telemóvel trauteou o aviso da chegada de uma mensagem. Fui ver. Era da LUSA. Leio o título: “FREIRA”.
Alguma evolução no caso da freira assassinada em Vila Nova de Gaia, cujo alegado autor foi absolvido há dias por falta de provas? Fui ler o texto:
“ Freira doida pela bola promete transformar o convento onde vive , em Viana do Castelo, num mini-estádio de futebol, com vuvuzelas e tudo, para dar força à Selecção no Mundial da África do Sul”.
Grande notícia, pá!Seria mais uma vítima da info-exclusão se a Lusa não me tivesse dado esta preciosa informação.

Dicionário de Estrangeirês (6)

Está numa praia no Japão e quer saber se pode fazer "top less"? Muito fácil...


Pergunte simplesmente a uma banhista:
Aki po - de Sakare Ateta?

Mundial 2010: O outro lado de uma bola de futebol


Fenómeno curioso, este da bola! Ao mesmo tempo que é motivo de alegria para milhões de crianças em todo o mundo que a podem pontapear, é também causa de condições duras trabalho, para milhares de crianças que ajudam ao seu fabrico.
Sempre que se realizam eventos desportivos de grande dimensão, o tema é recorrente: organizações não governamentais alertam os consumidores para as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam de forma despudorada as normas mais elementares da Organização Internacional do Trabalho ( OIT), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a declaração dos Direitos da Criança.
A maioria dos adeptos que exulta quando a bola se anicha nas redes da equipa adversária, desconhece que aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu fabrico. Como desconhece que os sapatos desportivos de marca que leva calçados, o cachecol ou a camisola que identificam a sua simpatia por uma das equipas, podem ter sido fabricados à custa de trabalho infantil e trabalho escravo, em países como a China, Índia, Paquistão ou México, ( para apenas citar alguns) .
Alertada para este facto por várias organizações internacionais, a FIFA adoptou, em 1996, um Código de Conduta em que assume a total responsabilidade sobre as condições laborais dos trabalhadores envolvidos na produção dos bens por ela licenciados, procurando desta forma credibilizar os seus produtos junto dos consumidores. Os principais parâmetros deste Código de Conduta assentam na garantia dada aos consumidores de que nos produtos licenciados pela FIFA não há recurso ao trabalho infantil, nem ao trabalho escravo, há liberdade de associação sindical por parte dos trabalhadores, são pagos salários justos, a semana de trabalho não excede as 48 horas e que são garantidos os requisitos de segurança e higiene nos locais de trabalho.
Este Código de Conduta foi adoptado pela UEFA durante a realização do Euro 2000 na Bélgica e Holanda ( curiosamente foi na Holanda que nasceu a Campanha Roupas Limpas e foi na Bélgica que reuniu, em 1998, o Tribunal Permanente dos Povos para condenar o desrespeito pelos consumidores, manifestado por algumas das empresas mais conhecidas da área da distribuição e da produção de material desportivo).
A questão que se coloca é saber se o Código de Conduta está a ser cumprido.Lembro aos leitores que - pouco depois de ter sido eleito para presidente da FIFA- o sr. Blatter se mostrava chocado com a existência de trabalho infantil na confecção das bolas de futebol e afirmava estar a tomar previdências junto da UNICEF para evitar que estas situações se repetissem no futuro. No entanto não se esqueceu de proferir esta frase lapidar ( muito aplaudida, aliás, por alguns jornalistas portugueses):
"Não sabemos se, radicalizando estas situações, não estamos a conduzir essas crianças, em paises de fracos recursos económicos, para caminhos menos correctos, tornando-as vítimas dos vícios que assolam a sociedade".
O Presidente da FIFA referia-se, claro, aos caminhos do furto e da droga, ameaças que podem cair sobre as crianças que não ocupem os seus tempos livres a trabalhar ajudando a engordar os chorudos lucros da indústria do vestuário, do calçado e até do ramo alimentar. O argumento, além de obsceno, é fácil de desmontar, mas deixarei isso para outro dia.

Esquina da Memória (5)

As jornalistas Célia Rosa e Isabel Stilwell, da Notícias Magazine, foram condenadas por um tribunal de Braga. Não por terem escrito um artigo difamatório ( o tribunal reconheceu que os factos eram verdadeiros), mas sim porque o juiz considerou que o artigo violava os “princípios da adequação e da proporcionalidade”.
Confusos? Então tomem lá mais esta. José Manuel Fernandes e o “Público” foram também condenados pelo STJ a pagar uma indemnização de 75 mil € ao Sporting, por terem noticiado que o clube devia ao Estado, desde 1996, 460 mil contos.
E foram condenados porquê? Porque a notícia era falsa? Não! Mais uma vez o tribunal reconheceu a veracidade da notícia mas considerou esse facto irrelevante!.A razão da condenação ficou a dever-se ao facto de os juízes terem considerado que a notícia punha em causa o bom nome e reputação do Sporting.
Como jornalista, confesso que estou a pensar seriamente em mudar de profissão, pois não estou disposto a ser obrigado a ter de consultar um juiz, antes de publicar uma notícia, para lhe perguntar se está de acordo com ela, ou se no seu douto entendimento, apesar de ser verdadeira, prejudica alguém. Assim vai Portugal, país democrático e com liberdade de expressão. O facto de uma notícia ser verdadeira não interessa nada, o importante é que não prejudique ninguém!
Ressalve-se, porém, que tanto o tribunal de 1ª instância, como o Tribunal da Relação tinham, anteriormente, negado provimento à queixa apresentada pelo Sporting, dando razão ao “Público”.
( Estes factos ocorreram em 2007,mas na altura ninguém se lembrou de convocar manifs em defesa da liberdade de expressão)

Facebook: uma comédia de enganos

Durante a última década, os autarcas lisboetas têm estado mais preocupados com interesses imobiliários, do que com a satisfação das necessidades e interesses dos alfacinhas. Daí, que depois da destruição da Feira Popular nenhum pareça preocupado em reerguer um espaço similar em Lisboa, onde as pessoas possam espairecer.
Insatisfeitas com a situação, várias pessoas lançaram um apelo no Facebook para uma manif na antiga Feira Popular. Promovida por cidadãos que, muito justamente, reclamam um espaço de diversão para Lisboa, a manif prometia ser um sucesso, contando os seus promotores com a presença de cerca de 10 mil pessoas, tal foi a adesão manifestada.
No sábado, o telejornal noticiava que apenas tinham comparecido algumas escassas dezenas. Mais um falhanço das redes sociais, na tentativa de mobilização das pessoas. Lembro-me pelo menos de duas “convocatórias” anteriores que resultaram num fracasso e devem ter deixado os seus promotores decepcionados. Pelo menos os realistas, porque é sabido que aqueles que vivem num mundo fictício - que apenas existe nas suas cabecinhas prenhes de tonterias- continuam a pensar que as suas iniciativas foram um alerta importantíssimo e se saldaram num rotundo êxito.
Já aqui escrevi e reitero: o Facebook pode ser importantíssimo para as pessoas trocarem ideias, discutirem, fofocarem, fazerem a divulgação de eventos ou, inconscientemente, promoverem empresas mas, como instrumento de cidadania, não funciona em Portugal. Toda a gente acha as ideias muito giras, mas na altura de levantarem o rabinho da cadeira e saírem para a rua, "cortam-se". Ou porque está calor, ou porque está frio, porque está a chover , ou a ventar, o tuga arranja sempre uma boa desculpa para se baldar.
Não há volta a dar a um povo umbiguista e preguiçoso que adora mandar umas bocas, mas detesta dar a cara. Quando é que vamos aprender a lição?

Caderneta de cromos (19)



No país das alcoviteiras e dos bisbilhoteiros, Pacheco Pereira pretendeu assumir o papel de alcoviteiro do reino. Sabendo que não escaparia ao epíteto tentou do marcar a diferença, mas saiu-lhe o tiro pela culatra.

Ao esgrimir o argumento de que a não divulgação das escutas é uma violação da democracia e que a Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI não respeita as regras democráticas, Pacheco Pereira apenas mostrou que o seu passado estalinista ainda permanece bem vivo. Quem não concordar com as suas opiniões e não lhe satisfizer os caprichos, não é democrata.

Não tenho dúvidas de que, mais tarde ou mais cedo, as escutas serão divulgadas por um qualquer órgão de comunicação social que utilizará igualmente os argumentos da democracia para vender papel e, durante uns dias, fazer tiragens reforçadas explorando a curiosidade dos portugueses.

Nesse momento, Pacheco Pereira terá de esgrimir fortes argumentos para nos convencer que não foi ele o fornecedor da informação. É com democratas desta estirpe, que a democracia vai perdendo credibilidade mas, ciosos de protagonismo, eles não se enxergam.

Que grande sarilho!

No próximo dia 1 de Julho a Bélgica assume a presidência ( do Conselho)da União Europeia. Com um país ingovernável há três anos, os belgas foram ontem a votos e a vitória do partido flamengo que preconiza a independência da Flandres e a dissolução da Bélgica, não augura grandes mudanças no futuro. Até porque , na região francófona, os vencedores foram os socialistas,que preconizam a manutenção da união de Flandres e Valónia.
O mais provável é que o impasse se mantenha. Nada melhor do que um país em crise para presidir aos destinos da União Europeia no próximo semestre.

Sugestão do dia

Murcon

domingo, 13 de junho de 2010

Que tédio!

Até agora apenas vi um jogo do Mundial- o Inglaterra – Estados Unidos. Espectáculo decepcionante, mas que não terá fugido à regra, a avaliar pelos resumos e pelos resultados.O futebol contido, onde a táctica e o calculismo se sobrepõem ao risco, perde beleza e torna-se num espectáculo entediante. Não penso perder muito tempo diante da pantalha durante esta fase de grupos.
O primeiro Mundial de Futebol realizado em África merece, porém, ser visto para além dos relvados. É uma boa oportunidade para mostrar ao mundo uma parte da realidade do continente africano. Independentemente de quem ganhe, o importante era que a partir de 12 de Julho o mundo olhasse para África de uma forma mais solidária e não com aquele espírito predador que caracteriza a sociedade ocidental que se desenvolveu, em boa parte, à custa da exploração dos povos daquele continente.
Amanhã, começarei a publicar alguns posts sobre o Lado B do Mundial. Entretanto, lembro aos leitores que continuam abertas as apostas até à meia noite. Aqui

Santos Populares: a cada um seu paladar


Nunca fui grande fã das noites de Santo António. Quando cheguei a Lisboa, com apenas 17 anos, a primeira noite de Santo António foi uma grande desilusão.Durante muitos anos carreguei com o estigma de ser vítima de um bairrismo que não me permitia assumir o Santo António. O tempo demonstrou quão errado era o juízo dos que pensavam assim.
Levei muitos amigos lisboetas ao S. João do Porto. Num ano - já longínquo - aluguei um autocarro e levei 40 amigos lisboetas para viverem, in loco, uma noite de S. João. Começámos com o alho porro e o irritante martelinho nas ruas da cidade e terminámos, madrugada alta, com uma cabritada e caldo verde no jardim da minha casa.
Obviamente que não faltaram os típicos balões sãojoaninos- que os deixou a olhar para o ar como pategos- e o “cachaporrão” que lhes conferiu o direito a uma valente ressaca. No dia seguinte ninguém sentiu a falta das sardinhas nem das marchas populares, mas alguns perceberam, depois de uma volta pela cidade às primeiras alvoradas, a razão de o mês de Março ter sido, durante muitos anos, o mês de maior natalidade no distrito do Porto.
Os tempos mudaram e o S. João perdeu o seu encanto, mas tenho amigos lisboetas que ainda hoje recordam aquela noite de S. João e alguns, sempre que o calendário o permite, rumam ao Porto para recordar.
Tenho algumas boas recordações das noites de S. João, mas de Stº António, apenas uma.
Sou fanático do S. João? Encontram a resposta aqui.

Ó meu rico Santo António!


Hoje é noite de sardinhadas, manjericos, marchas populares e arraiais. Confesso que a noite de Santo António nunca me atraiu mas, quando acordarem, venham até cá que eu explico porquê.

sábado, 12 de junho de 2010

Assalto no Alentejo

Dois alentejanos assaltaram um banco, fugiram de carro e, quando se julgaram a salvo, pararam numa estrada secundária a descansar.
Diz um:
- Atão, aproveitamos para contar o dinhêro?
Responde o outro:
- “Nan vale a pena essa trabalhêra, logo no telejornal dizem quanto é!”

Mundial 2010: pontapé de saída e prognósticos

Começou ontem a “Festa do Futebol”. Foi um início triste. Nelson Mandela, o homem que tanto lutou para que se realizasse um Mundial de Futebol em África, não esteve presente na cerimónia inaugural, porque uma bisneta morreu num acidente de viação. Dupla tristeza, para um homem que teve uma vida madrasta e merecia ter o direito a presenciar a concretização do seu sonho. A Fortuna assim não quis.
Já se realizaram dois jogos, com o mesmo desfecho: dois empates. Vou por isso ainda a tempo de deixar aqui os meus prognósticos.

Não sendo especialista na matéria, decidi arriscar. Quem vai ultrapassar a fase de grupos?
Aqui fica o meu palpite, convidando-vos a fazer os vossos na caixa de comentários, até à meia noite de segunda-feira:

Grupo A
África do Sul , Uruguai
México e França
Grupo B
Argentina, Coreia do Sul

Nigéria e Grécia
Grupo C
Inglaterra, Eslovénia,

Argélia e Estados Unidos
Grupo D
Alemanha, Sérvia
Austrália e Gana
Grupo E
Holanda, Dinamarca
Japão e Camarões
Grupo F
Itália, Paraguai
Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo G
Brasil, Portugal
Costa do Marfim e Coreia do Norte
Grupo H
Espanha, Chile
Suíça e Honduras
Os nomes das equipas que acredito passem à segunda fase estão a bold

A Insustentável Leveza do Ser

O discurso de Cavaco Silva no 10 de Junho, trouxe-me à memória este livro de Kundera.

Pelas más razões. Se Cavaco Silva diz que já tinha avisado qual seria a situação do país, porque razão ficou quietinho este tempo todo? À espera que a sua profecia se concretizasse, para depois poder dizer " estão a ver? eu já tinha avisado!"

Que lucrou o país com o aviso de Cavaco, se ele optou pela inação? Em 2006 os portugueses votaram em Cavaco para PR ou para pitonisa?

Já agora, quando ele anunciar a sua candidatura a novo mandato, lembrem-lhe isto, por favor

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Crónicas de Graça #13

Mundial de Futebol
- Diário de um Fanático
Um dia alguém perguntou à escritora Dorothee Sölle como explicaria a uma criança o que é a felicidade e ela respondeu:
“Não explicava. Dava-lhe uma bola de futebol”.
No dia em que começa o Mundial de Futebol na África do Sul a pergunta pode ser formulada de outra maneira. Como é que um governo pode aliviar a pressão provocada pela opinião pública e pela comunicação social, em tempo de crise? Ou ainda: como fazer feliz o povo de um país em crise?
A resposta é óbvia: “Oferecendo-lhes um Mundial de Futebol”
Durante os próximos dias, milhões de pessoas em todo o mundo vão passar, diariamente, horas diante da pantalha vendo os jogos da selecção do seu país e os dos adversários, fascinados com os seus ídolos, correndo atrás de uma bola que gira sobre um tapete verde.
Quem não gosta de futebol não percebe o fascínio de um jogo em que vinte jogadores correm atrás de uma bola, para a introduzir entre três paus colocados dentro de um rectângulo branco, tentando iludir a vigilância de outros dois que defendem aquele espaço como guardiões do Templo. Por isso, será tentado a parafrasear Juca Chaves e perguntar "por que razão não oferecem uma bola a cada um, para acabar com aquele espectáculo tão sem graça?"
Se não é amante de futebol, nunca faça essa pergunta a um fanático da bola. O fanático faz parte da essência do futebol. Não só apoia a selecção do seu país, como não perde nenhum dos jogos que envolva selecções de outros países. Não se pense, porém, que a actividade do fanático se resume a ver os três ou quatro jogos que a televisão lhe oferece diariamente – o que equivale a oito horas de trabalho. O dia de um fanático, é muito mais do que isso.

O Aquecimento
O verdadeiro fanático iniciou o período de aquecimento quando as televisões começaram a fazer programas especiais dedicados ao evento e deu dinheiro ao filho para comprar a primeira carteira de cromos para a caderneta, mas será nos próximos 30 dias que estará mais atarefado. Muitos, incapazes de aguentar a pressão, metem férias, porque os dias de um fanático da bola, durante o Mundial, são sobrecarregados.
O dia começa cedo, com a leitura dos jornais desportivos que relatam as ocorrências dos jogos da véspera- que já viu, mas quer confirmar se não lhe escapou nada. É que às vezes, um lance que viu e reviu mais de 20 vezes e confirmou com os seus próprios olhos que não era falta, pode ser analisado de uma forma diferente por um jornalista especializado na matéria.
Se o fanático pertencer ao sub-grupo dos fanáticos gregários, esta informação pode ser importantíssima, porque uma vez na posse dela estará habilitado a discutir com o grupo uma nova visão do lance. Além do mais, o fanático gosta de saber as opiniões dos comentadores sobre as exibições dos jogadores de cada equipa e ler as declarações dos que não foram ao “flash interview” depois do jogo. E há ainda aqueles pormenores de bastidores relatados nos jornais, que só leitores apaixonados pelo futebol estão habilitados a descodificar.
Como já perceberam, é de extraordinária importância, para o fanático do sub-grupo gregário, recolher uma vasta quantidade de informação antes de reunir com os outros elementos do grupo. A hora do encontro e a ordem de trabalho são variáveis. Depende do interesse dos jogos do dia. No entanto, haverá sempre um ponto prévio para confrontar os prognósticos dos jogos da véspera e fazer as apostas para os jogos do dia. Só depois deste período é que se entra na Ordem do Dia.



Primeira Parte
Nos dias em que a selecção do seu país entra em campo a reunião começará, pelo menos, duas horas antes do jogo e haverá dose reforçada de “bejecas” acompanhadas por camarão de Espinho e uns salgadinhos para aconchegar o estômago ou ajudar à digestão, consoante a hora do jogo. O importante, é que no momento em que o árbitro apite para o início da “contenda”, os fanáticos já estejam “quentinhos”.
Após os primeiros minutos , vistos em religioso silêncio, com os olhos fixos no ecrã,um dos elementos do grupo protesta contra uma falta mal assinalada pelo árbitro a favor da selecção adversária. A partir deste momento vale tudo, dependendo das ocorrências, da evolução do jogo e do resultado, o tom do discurso entre os presentes. Quando a bola faz balançar as redes, as reacções variam de acordo com o “véu da noiva”que foi violado. Se foi o da equipa adversária, todos se erguem em festejos, trocam beijos e abraços e alguns mais facilmente emocionáveis deixam escapar uma lágrima furtiva. Se foi o da “sua” selecção, rostos de desânimo misturar-se-ão com impropérios ao guarda-redes, que passará de imediato a ser conhecido como “nabo” ou “filho da p…”.
Terminado o jogo, o treinador também não escapará às invectivas dos fanáticos que de imediato exigem a sua demissão, havendo um mais afoito que depois de lhe chamar todos os nomes que a sua enciclopédica memória insultuosa armazenou, sugere que se faça uma petição nesse sentido, a apresentar ao presidente da Federação e ao membro do governo com a pasta do Desporto.
Um fanático mais ponderado sugere que se espere pelo jogo seguinte e pede mais uma “rodada de bejecas” para aliviar a tensão e a dor. Incapazes de suportar o desgosto, alguns dos elementos dispersam, prometendo voltar no dia seguinte. Cada um vai para sua casa descarregar a ira na mulher que, ao vê-lo entrar, olha para o relógio e nem pergunta o resultado, receosa de uma reacção intempestiva que a obrigue a inventar uma história para contar às colegas do serviço no dia seguinte, quando uma delas perguntar “onde fizeste essa nódoa negra?”.
Se a selecção do fanático ganha, o grupo prolonga as comemorações noite dentro, acompanhadas de muitos vivas e doses generosa de álcool. Quando chega a casa, já a mulher está a dormir e no dia seguinte ele nem dará pela sua saída, pois só se levantará uns minutos antes de nova reunião , onde todos irão discutir as incidências do jogo e preparar mais uma jornada de trabalho diante da pantalha.


Segunda Parte
Nem todo o fanático é gregário. Há também o fanático solitário, que prefere ver o jogo em casa, na companhia do filho mais novo. Normalmente só vê os jogos da sua selecção e um ou outro que considera mais importante. No entanto, o fanático solitário não dispensa o cachecol, a bejeca e comidinha a tempo e horas, se o jogo cai em cima da hora do jantar.
Alguns equipam-se a preceito, mas os que não o fazem, incitam o filho a fazê-lo e a empunhar uma bandeira. O fanático solitário também não dispensa alguns rituais. Uma hora antes de começar o jogo já está sentado no sofá a ver “o lançamento do jogo” com uma cerveja na mão e uns aperitivos na mesa de apoio comprada no IKEA para estas ocasiões.
Consciente das suas funções de educador, pede ao filho a caderneta de cromos que começou a coleccionar no mês anterior e indaga se já sabe o nome dos 640 jogadores. Ao terceiro falhanço, diz “assim não vais lá Joãozinho, tens de estudar mais”, devolve-lhe a caderneta de cromos, bebe mais uma golada de cerveja, engole uns amendoins que estavam em promoção no Continente e olhando a garrafa vazia manda o filho ir buscar outra ao frigorífico.
As reacções durante o jogo são em tudo idênticas às do fanático gregário, mas menos estridentes. A gestualidade pode ser mais contida ( como se vê na foto acima), mas quando se trata de pedir reforço de “bejeca” e aperitivos, em vez de estalar os dedos e puxar pela carteira, o fanático solitário grita "Maria, traz mais uma bejeca!". Quando ela chega à sala, acedendo ao pedido , acrescenta "podias ter trazido mais uns aperitivos que estes estão a acabar”.
O solitário, mais concentrado que o gregário, faz jogo de cintura e de pés durante a partida, no esforço inglório de encaminhar a bola para o sítio que mais lhe interessa, ou desviá-la dos adversários, o que proporciona belíssimos espectáculos a observadores posicionados fora do seu ângulo de visão.
O fanático solitário também é menos violento que o seu congénere. Quer dizer… não bate na mulher nem faz distúrbios em casa, mas quando ela passa durante um milésimo de segundo diante do televisor, porque teve de ir à sala buscar alguma coisa, é impulsionado por uma mola e grita “ sai da frente, que não me deixas ver o jogo, carago!!!!” Se a sua selecção perde, pode muito bem acontecer que perca o apetite...

O Prolongamento
Durante os próximos dias, muitos governantes em todo o mundo ansiarão que as selecções dos seus países cheguem à final. Serão pelo menos 30 dias de descanso, graças ao precioso contributo de jornais, rádios e televisões que, com a sua overdose diária de “informação desportiva”, alimentam os fanáticos e aqueles que, não o sendo, vibram intensamente com as vitórias da selecção do seu país, transformando um jogo de futebol num problema nacional.
Não sou fanático porque não gosto de bejecas, nem me equipo a rigor, mas não perco um jogo da nossa selecção. E claro que vibro com vitórias e esmoreço no momento da derrota.
Conheço várias mulheres fanáticas. Não é o caso da minha parceira, mas tenho a certeza que ela tem uma história muito interessante para vos contar sobre a vida das mulheres durante o Mundial de Futebol. Bora lá ler?




quinta-feira, 10 de junho de 2010

Finalmente, chegou!


E pronto, cá está ela, a terceira condecoração do dia. Chegou aqui mais tarde, porque fui recebê-la a Dusseldorf , das mãos da Teresa.
Sem desafio, como é já habitual aqui na casa, mas com o sentido agradecimento embevecido.

Homenagem à língua portuguesa

No Dia de Portugal um exemplo das dificuldades e riquezas da língua portuguesa

O marido, ao chegar em casa, no final da noite, diz à mulher que já estava deitada :
- Querida, eu quero amá-la.
A mulher, que estava dormindo, com a voz embolada, responde:
- A mala... ah não sei onde está, não! Use a mochila que está no maleiro doquarto de visitas.
- Não é isso querida, hoje vou amar-te.
- Por mim, pode ir até a Júpiter, Saturno ou onde quiser, desde que me deixe dormir em paz...

Condecorações do 10 de Junho

Hoje não fui condecorado pelo professor mas, como já há poucos portugueses que ainda não receberam essa honra, deve estar a chegar a minha vez. Temo, no entanto, que antes de mim ainda venha a ser condecorada a MFL. Ah , já foi? Então devo estar a seguir ao Sócrates.
Mas se não recebi nenhuma daquelas Ordens, fui distinguido ao longo destes dois anos e meio de Rochedo com muitas condecorações de leitores. E, ao contrário do que acontece com os distintos homenageados do 10 de Junho, não tive de pagar nenhuma delas.
Algumas estão expostas na barra lateral, as restantes podem apreciá-las aqui. A todos muito obrigado.
Entretanto, hoje mesmo recebi mais duas distinções que, como todas as outras , me encheram de orgulho e passo a apresentar:

Este é da Ordem do Pinguinho de Gente e foi oferecido pela Rosa Carioca

O Rogério, por sua vez, condecorou-me com este selo da Ordem da deusa Thémis.
Aos dois muito obrigado
De acordo com fonte normalmente bem informada, ainda vou receber mais uma condecoração hoje. Tenho de a ir buscar à Alemanha, mas ainda não sei o local onde me será entregue.

10 de Junho

Hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, como todos sabem. Todos, é como quem diz, em 2008 Cavaco Silva ainda se referia a este dia como o Dia da Raça. Como terão oportunidade de ler aqui mais logo, também fui condecorado hoje. E esta hein?

Sugestão do dia

Made in Portugal

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Recordações da Gripe A

No Outono escrevi que o alarmismo em torno dos perigos da gripe A, gerado por alertas da OMS, visava beneficiar a indústria farmacêutica.Agora, o British Medical Journal vem confirmar:
Recomendações da OMS sobre uso de anti-virais, foram preparadas por consultores pagos por laboratórios”.
Só quem não se lembra do escândalo provocado nos anos 60 pelos relatórios falsos sobre alimentos para bebés, visando beneficiar a Nestlé, é que se espanta com esta conclusão.

Stress? Não,obrigado!


Tive fases da minha vida em que fui workaholic, mas sempre detestei trabalhar sob stress. Mesmo quando os jornais fechavam às três, quatro ou cinco da manhã e era preciso escrever qualquer coisa de última hora para tapar o buraco de uma notícia cortada pela Censura, não tinha stress. Sentia elevadas doses de adrenalina vagabundear pelo corpo, mas era uma sensação boa.
O stress é uma “doença” dos tempos modernos. Alguém inventou que era preciso trabalhar a 200 à hora e ficar no escritório até de madrugada para ter sucesso e os yuppies "compraram" a ideia, em troca de BMW à porta, cartão de crédito com plafond generoso, férias em locais paradisíacos e uma conta bancária suficiente para satisfazer os caprichos consumistas de toda a família.
Nunca perceberam ( ou preferiram ignorar?) que o objectivo de afogar as pessoas em trabalho era impedirem –nas de pensar, por isso acharam normal passar a pedir tudo para ontem, em vez de ser para o dia seguinte. A maioria das pessoas foi atrás, seduzida pelo estauto yuppie. O problema é que o yuppie é como os espermatozóides. Todos querem lá chegar, mas a maioria fica pelo caminho, reduzido à condição de escravo dos tempos modernos, sem almejar o sucesso reprodutivo na sua conta bancária.
Fica muito bem a expressão " Preciso de isto urgente. Para ontem!" mas não encaixa com a minha maneira de ser. Quando faço uma coisa, gosto de a entender. Não gosto de "encher chouriços", só para ganhar uns cobres.
Sob stress não consigo escrever nada decente. Preciso de estar sereno e tranquilo, ter tempo para reflectir antes de escrever um artigo, fazer uma entrevista ou passar ao papel uma reportagem.
Nos últimos dez meses deixei-me ir na onda. Como “freelancer” a caminhar para o fim da vida activa, com direito a uma reforma de míngua, deixei-me emaranhar no novelo e comecei a aceitar tudo o que me pediam, para acautelar o futuro. Mas que futuro? Sei lá se o meu futuro são 30 anos ou 24 horas?
Lá diz o povo que “depressa e bem há pouco quem” e eu não pertenço a esse reduzido número de eleitos. Desgastei-me sem necessidade. E cheguei ao cúmulo de escrevier alguns posts pouco cuidados, porque confundi o CR com o meu "moleskine", onde tomo notas apressadas. Esqueci que mais de duas centenas de pessoas me lêem diariamente e que, a partir desse momento, o CR deixou de ser apenas meu, para passar a ser, principalmente, dos meus leitores.
Vou regressar ao presente que é onde se está bem porque, como diz o povo, “o futuro a Deus pertence” e os yuppies são coisa do passado. A crise que se dane!
(Li no blog onde roubei esta imagem, que até os ratinhos têm stress, mas isso certamente é culpa nossa, que andamos sempre a martirizá-los com experiências).

As tontices de Catalina


Há dias, enquanto viajava, ouvi um programa na Antena1, onde se debatia o bárbaro ataque de Israel a um navio turco que alegadamente transportava ajuda humanitária para Gaza.
As reacções de alguns ouvintes foram de uma violência verbal extrema, tendo um chegado a preconizar o desejo de que um qualquer país tivesse coragem para destruir Israel.
Li, posteriormente, reacções indignadas na blogosfera afirmando que “aquilo” era o retrato do povo português. Concordei... sob reserva. E tinha razão, como adiante se verá.
Ontem, li no “Público” que Catalina Pestana – ex-provedora da Casa Pia- afirmou numa sessão pública que se um neto dela fosse vítima de abusos sexuais, actuaria pelas próprias mãos em vez de recorrer aos tribunais.
Esta afirmação, proferida por alguém que já teve responsabilidades públicas e cuja figura foi mediatizada até à exaustão, já é de extrema gravidade. Pior ainda, porém, foi a receita que ela publicamente preconizou para resolver o problema. Pois a ex-provedora anunciou perante a assistência que a ouvia na instituição “Meninos de Oiro”, que caparia os agressores com as próprias mãos.
Quando uma senhora que foi responsável de uma instituição para crianças não se coíbe de fazer uma afirmação destas, numa outra instituição para crianças, ficamos a perceber um bocadinho melhor os bons exemplos que ela terá dado ao longo da sua vida, pelas instituições por onde passou.
Mas não resistimos a lembrar aqueles que viram nas declarações dos ouvintes aos microfones da Antena 1 o retrato do "povo português" e aproveitaram para propagandear a doutrina de Passos Coelho, peconizando a privatização da estação pública, que o "povo português" se revê nos exemplos e comportamentos das figuras públicas.

De boas intenções...


Embora os 27 ainda não tenham chegado a um consenso sobre a definição de pobreza, a União Europeia quer tirar 20 milhões de cidadãos dessa condição nos próximos dez anos. Parece-me extraordinário querer acabar com uma coisa que não se consegue definir, mas a determinação em cumprir o objectivo é garantia de sucesso.
Se seguirem as receitas da senhora Merkl, das agências financeiras e do FMI vai ser fácil atingir o objectivo. Morrem todos de fome.

Para memória futura

Gostava que me explicassem uma coisinha que a minha inteligência não me permite perceber. Então é assim: Pedro Passos Coelho estabeleceu um acordo com Sócrates para fornicar os portugueses.
No dia seguinte, mandou o seu grupo parlamentar criticar Sócrates pelas medidas tomadas, cuja aplicação consentira 24 horas antes. Isto demonstra bem o carácter de Pedro Passos Coelho e não precisa de explicações.
O que eu não percebo é outra coisa. Depois de ter feito um acordo com Sócrates, Pedro Passos Coelho começou a anunciar, diariamente, a exigir que o governo tome medidas, ameaçando veladamente com eleições antecipadas. A mais recente, foi a proposta de estabelecer um tecto máximo para as pensões e limitar a sua acumulação. Ora eu já propus essa medida aqui há mais de um ano, pelo que ( modéstia à parte...)PPC não propõe nada de inovador. Mas fico na dúvida: se PPC até está de acordo, por que razão não propôs ( ou exigiu) a Sócrates que incluísse essa medida no PEC?
O que me parece é que PPC atira para o ar com medidas do mais elementar bom senso, para angariar simpatias e votos, mas não acredita nelas e nunca as implantará. Ora, salvo melhor opinião, o que PPC está a fazer é exactamente o mesmo que Sócrates tem feito nos últimos anos: fazer promessas que nunca irá cumprir. O que significa que, mesmo que as moscas mudem...
De qualquer modo, vou começar a coleccionar as promessas de PPC para memória futura.

I've got a feelling

Eu cá não sou de intrigas, mas cheira-me que a lesão do Nani na clavícula e a tristeza de Ronaldo , que tanto intrigou os jornalistas no fim de semana, estão relacionadas com umas pelejas de ping-pong que têm acalorado o estágio de ambos.

Sugestão do dia

Biodivers(c)idade

terça-feira, 8 de junho de 2010

Na Índia também brincam à justiça


Muitos se lembrarão do desastre numa fábrica de pesticidas em Bhopal, em 1984. A fuga de gás venenoso de uma fábrica americana de produtos químicos -a Carbide- matou milhares de pessoas ( entre quatro mil estimados pelo governo indiano e 25 mil anunciados pela Amnistia Internacional) e afectou mais de 200 mil ( números governamentais) que ficaram cegas, ou sofrem de doenças renais e hepáticas irrecuperáveis. Na altura, a empresa americana garantiu que pagaria indemnizações idênticas às que paga aos cidadãos americanos.

Em vésperas do Dia Mundial do Ambiente, de 2010, um tribunal indiano proferiu finalmente a sentença, condenando sete antigos responsáveis da empresa a dois anos de prisão ( saíram sob fiança) e ao pagamento de uma multa de 2100 dólares. A Carbide - que em 1989 pagou ao governo indiano 470 milhões de dólares -foi condenada a pagar cerca de 10 mil dólares, mas o seu então presidente- o americano Warren Anderson- que estava entre os acusados não sofreu qualquer pena, pois o governo americano recusou a sua extradição.

A história não acaba aqui. O dinheiro pago pela Caribe em 1989 deveria ter sido distribuído pelas vítimas, mas muitas delas nunca viram a cor do dinheiro e, ainda hoje, se registam inúmeros casos de doenças cancerígenas, respiratórias neurológicas e de visão que afectam não só os residentes em Bhopal, naquela época, como crianças que nasceram posteriormente.

Perante a realidade da justiça num país que cresce a um ritmo vertiginoso, não nos devemos admirar que o governo português tome medidas como esta em tempo de crise.