Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Tugas à beira mar


Durante o último fim de semana morreram várias pessoas nas praias portuguesas. A falta de vigilância ( além, obviamente, da incúria tuga) parece ter sido uma das causas apontadas para essas mortes.
Desde que me conheço, as praias só são vigiadas durante a época balnear - com início a 1 de Junho e término a 30 de Setembro. Em 2004, o Governo fez publicar uma Lei em que atribui às Câmaras Municipais competências para definir a época balnear , de acordo com as características de sazonalidade específica de cada concelho. Foi uma medida de elementar bom senso. No entanto, precavendo a incúria autárquica, a Lei estabelece que cada autarquia seja obrigada a definir a época balnear no seu concelho através de uma Portaria, a ser publicada até 31 de Janeiro de cada ano. Nos casos em que as autarquias não definam a época balnear nas praias dos seus concelhos, a Lei 19/2004 estabelece que o prazo da época balnear se fixa entre 1 de Junho e 30 de Setembro.
Ao bom estilo tuga, a maioria das autarquias aproveitou logo para diminuir os prazos da época balnear, fixando-os entre 1 de Junho e 15 de Setembro, como foi o caso em toda a Região Norte e no concelho de Setúbal.
No Algarve, por exemplo, onde há turistas todo o ano, a época balnear , na maioria das praias, continua a ser fixada entre 1 de Junho e 30 de Setembro. (Só três praias do concelho de Vila do Bispo - Salema, Burgau e Mareta- e as praias dos concelhos de Albufeira alargaram generosamente a época balnear entre 1 de Abril/ 15 de Maio e 17/ 31 de Outubro. As praias do concelho de Portimão mantêm o início da época balnear a 1 de Junho, mas prolongam-na até 31 de Outubro).
Na maioria dos casos a época balnear é definida em função de razões economicistas, pouco tendo a ver com a realidade de um país que já não vai apenas a banhos no Verão.
A maioria dos autarcas ainda não terá percebido que as alterações climáticas são uma realidade e que a tendência para fazer turismo fora das épocas altas se acentua de ano para ano.
A maioria das pessoas continua a culpar o governo, ignorando que a responsabilidade da inexistência de vigilância nas praias fora da época alta se deve às autarquias.
A Marinha veio propor que a vigilância das praias, fora da época balnear , seja feita pelos pescadores. Pretenderá com esta proposta reconverter a nossa frota pesqueira em brigadas de salvamento?
Atendendo que há já vários anos se discute esta questão, não seria aconselhável que, pelo menos ao fim de semana , as praias de todo o país tivessem vigilância obrigatória entre 1 de Abril e 31 de Outubro? Talvez assim se evitassem algumas mortes no futuro.
Claro que o governo, em vez de lavar as mãos como Pilatos responsabilizando as autarquias por não cumprirem o seu dever, poderia impôr essa obrigação mas, se o fizesse, lá viria a Associação Nacional de Municípios protestar contra a ingerência e acusá-lo de sobrecarregar as autarquias com encargos que a crise não lhes permite suportar.
Como é previsível que esta discussão se prolongue nos próximos anos, o melhor mesmo é cada cidadão consciencializar-se dos cuidados a ter quando se aventura a um banho no mar. É que há situações em que nenhum nadador –salvador pode valer.
A propósito: tenho uma sugestão a fazer às autarquias. Os tugas barafustam muito , mas não souberam crescer em democracia. Do que realmente gostam é de quem lhes ponha o freio nos dentes e os trate com chicote. Com falinhas mansas, não vão lá. Por isso, obriguem os nadadores salvadores a aplicar as multas previstas na Lei de cada vez que um banhista desrespeite a bandeira vermelha e vão ver como arrecadam receitas suficientes para pagar os seus serviços. Pelo menos até que o povo português esteja um bocadinho mais educado e se liberte do efeito pavloviano da chicotada que os torna cumpridores das mais elementares regras cívicas.

10 comentários:

  1. "... mas não souberam crescer em democracia." Isto resume tudo.

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  2. O "rebanho" nunca tem culpa de nada ! ...
    As ovelhas fogem para a boca do lobo e a culpa é sempre do cão ?!
    ... e se proibido,... quanto mais proibido, melhor :)))
    .

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  3. Marram, perdão, esbracejam até morrer e dão por isso!

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  4. Não sei se isso bastaria. Há sempre os incautos, os que se julgam super-heróis...

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  5. É verdade, os tugas reclamam muito em liberdade, mas quando lhes põe a pata em cima são mansos como cordeirinhos!

    E parece que todos têm dois critérios para o civismo: um para si próprios, bastante permissivo; outro para o resto da humanidade, que deve ser duramente castigada face a qualquer mínima prevaricação.

    Esta das praias então não se entende: a falta de vigilância não impede que as pessoas vão à praia e até molhem os pezinhos, mas mais que isso é arriscar a própria vida. E depois das lamentáveis mortes virem acusar o governo ou as autarquias é, no mínimo, rídículo!

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  6. Mas sem banderia asteada para desrespeitar, quem é que vai convencer os tugas que o mar é traiçoeiro. Mais consciência seria bem necessária.

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  7. apesar da não existência de meios fora da época, seria necessário, conforme escreveu no texto, uma consciencialização para as normas básicas de conduta numa praia... no caso respeitar o mar.

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  8. Com os dias que estiveram, não foi nada que eu já não tivesse pensado.
    E as culpas como refere, vêm de ambos os lados.

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