Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

SIC laranja, SIC cristal...

(Duas formas de informar à sua escolha.)
A SIC decidiu fazer um inquérito aos portugueses, para saber se estão dispostos a abdicar de parte do seu subsídio de férias para ajudar o país.
Parece um inquérito feito de encomenda, com mandatário conhecido, mas não vou por aí. Prefiro recordar o tempo em que, estando o país mergulhado numa profunda crise, o então ministro do trabalho, Costa Martins, propôs que os portugueses abdicassem de um dia de trabalho para ajudar o país.
Nessa altura viviam-se dias de esperança, mas a direita portuguesa logo reagiu de forma abrupta, ridicularizando a proposta do “ ministro comunista”. O Estado que resolvesse o problema.
Hoje, mergulhados numa crise ainda mais grave, é um canal de televisão privado que lança a proposta que classifico, no mínimo, de indigna e um péssimo contributo para a democracia.Já todos sabemos como reagiram as empresas privadas com participação do Estado, perante a proposta apresentada pelo governo para a redução dos salários milionários dos seus gestores e a eliminação dos prémios: um não rotundo, dos accionistas privados.
A SIC parece não ter percebido e mordeu o isco, lançado por Pedro Passos Coelho, promovendo este inquérito-apelo aos trabalhadores portugueses.
Por mim respondo como os accionistas das empresas privadas com participação do estado:Não!!!!!!
A minha nega a tão esquizofrénica pergunta não se deve apenas ao facto de aqueles que mais ganham fazerem um manguito aos trabalhadores. As razões são mais vastas. Na verdade estaria disposto a abdicar de parte do meu subsídio de férias, ou do subsídio de Natal, se vivesse num país preocupado com a justiça social, onde os vampiros da economia não tivessem lugar. Seria dos primeiros a prescindir de parte dos meus parcos rendimentos mensais, se o governo desse o exemplo. Não peço aos ministros que reduzam os seus vencimentos, mas sim que abdiquem de mordomias de gabinete e, acima de tudo, que revelem lucidez quanto aos investimentos públicos. Enquanto o governo persistir na construção de um novo aeroporto, sem me explicar a razão de o aeroporto de Beja, concluído em Novembro, continuar inoperacional;
Enquanto o governo não me explicar a insistência na construção de uma supérflua terceira travessia rodoviária sobre o Tejo que só vai piorar a vida de quem vive em Lisboa;
Enquanto o governo se recusar a taxar as mais valias bolsistas e insistir em penalizar os salários de quem trabalha;
Enquanto o governo não der mostras de querer erradicar a corrupção;
Enquanto o governo não acabar com os gastos supérfluos da sua gestão;
Enquanto o governo não denunciar o negócio ruinoso com a Mota Engil;
Enquanto o governo mascarado de socialista persistir numa vergonhosa política de direita, penalizando sempre o elo mais fraco e enchendo de prebendas o grande capital…
Não contem com a minha solidariedade. O dinheiro que ganho faz-me falta, não ando a nadar nele como o António Mexia e uma parafernália de parasitas e corruptos que medraram à sombra do Centrão. Se quiserem parte do dinheiro que ganho honestamente, terão que mo roubar. De boa vontade, nunca o terão. Será que na SIC ninguém percebeu isso?

6 comentários:

  1. Eu até nem recebo subsídio de férias, nem 13º mês, mas no que depender de mim, nunca permitirei que o façam aos outros.
    Era muito pequena, mas lembro-me muito bem do que aconteceu quando o Mário Soares o fez. Estarei lá de novo e desta vez não vou ao colo dos meus pais.

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  2. O meu NÃO também e a minha indignação por tudo isto.
    Uma vergonha!
    Abraço

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  3. Carlos,
    Hoje, com este post, relembrou-me os meus objectivos e que deles não devo abdicar. Nem dos princípios que os norteiam.

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  4. Carlos,
    Não, não e não enquanto tudo continuar como está!!!
    Beijo

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  5. Como estou desempregada, nem sequer tenho voto nesta matéria... Nem nesta, nem em nenhuma outra. Os desempregados parecem ser agora os proximos a salvar Portugal e bico calado porque a malta não quer é trabalhar... então admite-se haver por aí tanto trabalho que ninguém aceita? Trabalhos bem bons, com ordenados minimos e a malta antes quer o desemprego que paga uns euros a mais?
    Eu pensava que as pessoas não trabalhavam por desporto, pensava que as condições e valores contavam para a escolha de um trabalho! Até porque o comer paga-se com os euros que se ganham trabalhando, pelo que há que trabalhar antes de mais para pagar contas, ou não?!
    Mas enfim, os empresários estão com um problema: a malta não quer trabalhar pelo ordenado minimo porque o valor do sub. de desemprego é ligeiramente superior! Baixem-se então os subsideos, talvez aí até 300 euros mensais, porque assim é que se ajuda quem precisa - os empresários (que atravessam graves dificuldades). Depois até podiam pagar um bocadinho menos que o ordenado minimo (Isso é que era ajuda). E com a evolução das coisas neste sentido, faltará pouco, para termos de pagar para trabalhar! Porque o que interessa é ter trabalho - a precariedade, os ordenados baixos e coisas assim do género, não interessam nada, porque estamos em crise e temos que ajudar as empresas que precisam muito porque depois serão elas que nos vão dar o trabalho!

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  6. Quem teve esta ideia peregrina não deve sentir a falta do dinheirito.
    Ou então precisa de uma consulta de psiquiatria.

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