Café Monte Carlo ( Lisboa)Nunca tive um café certo em Lisboa mas, quando vim para cá viver, o meu primeiro poiso foi a Granfina , em Entrecampos, que nada tem a ver com a actual. Morava então no Pio XII e encontrava-me na esplanada ao princípio da tarde com amigos e amigas do Porto, depois do almoço. Por ali iniciei namoros enquanto fazíamos palavras cruzadas, construí sonhos e vivi alguns pesadelos, planeei noitadas que naquele tempo terminavam cedo.
Ao final da tarde, ou princípio da noite, ia muitas vezes ao Vavá , outro descaracterizado de que tenho saudades, principalmente pelas pessoas que por lá conheci, como o meu saudoso amigo Zé Calvário.
Ao sábado à tarde ia à Colombo ou à Versailles. Mas o café que marcou uma boa parte da minha vida em Lisboa, não foi nenhum destes. Foi o Monte Carlo, hoje desaparecido, para dar lugar à Zara, ali na Fontes Pereira de Melo, onde conheci alguns dos grandes nomes da nossa vida cultural, especialmente no campo das Letras.
O Monte Carlo era considerado por muitos “a catedral” dos cafés. Naquele imenso corredor cruzavam-se jornalistas, escritores, estudantes actores de teatro e actrizes de revista, numa autêntica Babilónia. Havia muita gente que não ia ao Monte Carlo. Vivia lá, desde a manhã até à noite. Tertuliava, lia, comia, bebericava, jogava bilhar , damas ou xadrez, pregava partidas a partir de uma cabine telefónica que lá estava instalada ( ficou célebre a "estória" de alguém a chamar o Humberto Delgado ao telefone) e até cortava o cabelo!
Só quando regressei a Portugal soube que o Monte Carlo tinha desaparecido. Senti uma revolta ainda maior do que quando vi a Colombo transformada em Mc Donalds. Só quem conheceu de perto o Monte Carlo, percebe a enorme perda que o seu desaparecimento significou na vida de Lisboa.
É como no Porto: o Palladium é FNAC e o Imperial é McDonalds... enfim!
ResponderEliminarQue saudades da Granfina e das palavras cruzadas do Diário de Lisboa ao fim da tarde. E como se chamava a discoteca, onde invariavelmente aterrávamos?
ResponderEliminarAi essas mudanças, essas perdas apra grandes empresas....
ResponderEliminarEu sou dos cafés do Chiado: Bénard, Ferrari, Brasileira...
Este Monte Carlo nunca conheci, o Vavá, o Colombo e a Versailles, sim.
ResponderEliminarMas eram cafés onde ia esporadicamente, assim lanchar depois de ir ao cinema Roma ou Monumental.
O "meu" café era aquele quase leitaria bairro, em Benfica conhecia-os todos - nessa altura não tinha carro, portanto só frequentava outros (como o Roma ou a Mexicana) quando existiam combinações específicas... :)
E o "Paulistana"onde se juntavam os meninos com carros descapotaveis?:)Lembra-se ? logo do outro lado da rua , quase em frente do Monte Carlo .
ResponderEliminarAlguem se lembra da sobrevivente Mexicana , o unico de varios cafés da praça de Londres?.
Isto não é saudosismo , é reparar que a cidade não tem pontos de encontro e aqui estamos nós escrevendo nos blogs....
Sim.Lembro-me bem da Paulistana,para onde ia fazer as palavras cruzadas do Diário de Lisboa,engraixar os sapatos com o tio Manel e sentado ao lado de António Ramos Rosa, que quase diariamente escrevia naquele café.Tinha eu 20 anos e estava a cumprir o serviço militar.Que feliz fui nessa época...
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