Domingo, 2 de Maio de 2010

O preço da negligência

O mais revoltante neste caso é a negligência por parte da empresa. Em primeiro lugar, porque previu a possibilidade do desastre, mas considerou-o improvável, não tendo por isso tomado as precauções necessárias. Em segundo lugar, porque já em 2005 fora responsável por um desastre numa refinaria que custou a vida a 15 pessoas, e quase 200 milhões de dólares à empresa em indemnizações.
A BP vem mais uma vez assumir todas as responsabilidades neste acidente e está disposta a pagar as indemnizações que os tribunais fixarem. No entanto, já sabemos que quem vai pagar essas indemnizações são os consumidores, porque à empresa bastará fazer repercutir esse prejuízo no preço dos produtos petrolíferos, para ressarcir os prejuízos.O que a BP nunca poderá pagar é os danos irreversíveis que a sua negligência provocou na Natureza e nenhuma indemnização atenuará os prejuízos provocados na indústria de pesca e no turismo da região, nem os efeitos em cadeia que a inactividade forçada dessas indústrias causarão no bolso dos consumidores.
Imagino que depois desta catástrofe- de dimensões equiparáveis à do Exxon Valdez em 1989- se reacenda uma vez mais a discussão em torno do nuclear mas, em minha opinião, a negligência que envolveu este acidente fortalece ainda mais os opositores dessa energia pretensamente limpa.

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