Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Não há almoços grátis


Foi no início dos anos 70, na militância cooperativa, que comecei a interessar-me pelos movimentos de defesa dos direitos dos consumidores que tinham emergido nos Estados Unidos na década anterior, fruto da luta de Ralph Nader e da proclamação de John Kennedy em 15 de Março de 1962.
Cooperativista e sergiano convicto, sempre olhei para as associações de consumidores com alguma desconfiança . Não por temer a sua concorrência, mas por descrer da sua função em prol da defesa dos consumidores. Os testes comparativos sempre me pareceram de escasso interesse, por várias razões. Destinavam-se essencialmente à classe média , poderiam ser facilmente manipuláveis pelos interesses económicos, não respondiam às carências dos mais desfavorecidos e, acima de tudo, menosprezavam o vampirismo do circuito da distribuição, onde os intermediários absorviam a grande fatia do custo final, sem proveito para os produtores e com grande prejuízo para os consumidores.
Foi por isso, sem grande entusiasmo, que acolhi o aparecimento da DECO em 1974, mas me interessei pelo parecer da Câmara Corporativa, redigido por Maria de Lurdes Pintassilgo , sobre a Lei de Defesa do Consumidor que deveria ter sido votada na Assembleia Nacional no dia 25 de Abril de 1974.
Nos anos 80, quando a sociedade de consumo assentou arraiais em Portugal, escrevi diversos artigos reclamando uma maior atenção para o papel das cooperativas de consumo- que estiveram na génese do movimento consumerista, no século XIX- e alertando para a importância de dar prioridade à análise sociológica dos fenómenos do consumo e do consumismo, em detrimento da vertente economicista. Sempre me insurgi, também, contra a importância conferida aos testes comparativos e defendi que as associações de consumidores deveriam ter, para além de um papel mediador na resolução de conflitos, um papel formativo e informativo , esclarecendo os consumidores acerca das questões levantadas pelo consumo ético, o consumo sustentável e a responsabilidade social das empresas. Obviamente, poucos me deram ouvidos. A palavra de ordem era consumir , pelo que a defesa do consumidor deveria ser “ensinar” os consumidores a consumir melhor, evitando os "malandros" dos publicitários e os produtores e prestadores de serviços sem escrúpulos. Combater a iliteracia consumerista reduzia-se à missão de ensinar a ler os rótulos dos produtos e pouco mais. Deu no que deu.
Agora o que eu não esperava era , depois de ver a DECO enveredar por técnicas agressivas de marketing, ainda vir a ler isto, a propósito de um PPR:
Não tenham ilusões, porque não há almoços grátis…

7 comentários:

  1. Desta também não estava à espera.

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  2. hehehehe!
    Chama-se a isso um paradoxo, ou um oximoro...
    hasta luego!

    novo post em

    http://forcanamaionese.blogspot.com/

    aparece!

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  3. Continuo a defender que HÁ almoços grátis, mas seguramente não são oferecidos pela DECO. Já fui sócia, mas desisti depois de confirmar para que realmente servia a associação...

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  4. E o consumidor é um mero objecto decorativo!

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  5. Eu
    De espirito cooperativista
    De formação sergiana
    Nunca aderi à Deco, sem razão
    Apenas por intuição
    Fico surpreendido com esta subversão dos valores da defesa do consumidor...

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  6. Mas afinal o que é a DECO?

    Certamente que nada tem a ver com a DECO de Beja Santos.
    Essa DECO com certeza não seria dirigida por Belgas (ou holandeses).
    Essa DECO com certeza que, ao analisar um produto, não comparava modelos topos de gama com modelos de gama baixa.
    Essa DECO de certeza não fabricava um sites de "petições públicas" que mais não é que um caça-endereços de correio electrónico, para fazer SPAM à propria DECO (A quem nos vamos queixar!!!!)

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  7. Vou DECOrar para continuar na minha memória e, também, para memória futura.

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