segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ainda Cohn Bendit

Há dias escrevi sobre uma intervenção de Cohn- Bendit no Parlamento Europeu, denunciando a hipocrisia da UE face à crise grega. Leitora amiga enviou-me o video da intervenção mas, como continuo analfabeto funcional e não consigo colocar videos no blog, aproveito a boleia de A Carta a Garcia e faço link do video que o Osvaldo Castro lá publicou, pedindo desculpa pelo furto. Ele compreenderá que é por uma boa causa

OBRIGADO!

O CR foi distinguido pelo 2711 como Blog da semana. Uma distinção que muito me honra e incentiva. Um grande abraço a todos os que lá escrevem e um agradecimento especial ao Daniel, fequentador assíduo do Rochedo e responsável pela "nomeação".

Os cafés dos outros (4)

A ematejoca azul fala-nos de um café que, pelo menos do cinema, muitos conhecerão. Ainda ontem, por coincidência, revi esse filme. Adivinhem lá qual é o café e o filme de que fala a Teresa e vão lá confirmar se acertaram.

Esquina da memória (2)

Vive em Aveiro e tem 29 anos. Chama-se André e era desconhecido dos portugueses até há poucos dias. Saiu do anonimato quando foi chamado a substituir Marques Mendes no Parlamento e, deslumbrado, afirmou aquilo que toda a gente sabe: os deputados ganham demais.
André não se ficou pelas palavras. Passou aos actos e decidiu oferecer 10 por cento do seu vencimento a uma instituição de solidariedade social do distrito que o elegeu.Talvez por ser um rapaz genuíno, André pensou que estava a agir bem. Enganou-se. Não previu que os seus colegas de bancada reagissem como abutres a quem estão a roubar a presa. Reunião de emergência do Grupo Parlamentar, duras críticas e a exigência de que pedisse desculpas publicamente. Leram bem. PUBLICAMENTE.
Ao bom estilo de uma "famiglia" calabresa, os deputados quiseram mostrar as regras ao neófito e mostrar o que acontece a quem não cumpre. André foi obrigado a admitir que tinha errado. Apenas por ter dito aquilo que pensava? Não. André talvez não soubesse que os deputados se preparam para duplicar o seu vencimento meio às escondidas. Sem aumentar o vencimento base, mas aumentando as mordomias. As declarações de André tornaram-se, por isso, ainda mais incómodas.Aposto que no meio das críticas houve um deputado que lhe sugeriu que oferecesse o dinheiro ao Partido e uns quantos que o acusaram de ser populista.
Pouco importa para o caso o partido de André, porque os partidos do arco do poder comportam-se todos da mesma maneira. Sob o guarda-chuva da disciplina partidária, tudo se justifica.Imagino a amargura e a desilusão do André. Corromperam-lhe a boa-fé. Impediram-no de sonhar que em política se pode ser genuíno, dizer e fazer o que se quer.Não te percas, André! Sai da política enquanto é tempo...
Publiquei este post em Fevereiro de 2008. Dão-se alvíssaras a quem indicar o paradeiro deste deputado que aqui me pareceu oportuno relembrar hoje.

Maravilhoso mundo novo

Depois da vaga de suicídos na France Telecom, o problema alastra à Ásia. Na China já há empresas a pedir aos trabalhadores que assinem declarações garantindo que não se vão suicidar. Estou encantado com este mundo maravilhoso que os arautos do ultra-liberalismo e do mercado libertino nos prometeram.

Anseio, pois, o momento em que Pedro Passos Coelho assuma o cargo de primeiro-ministro, para que Portugal saia da crise e possa, finalmente, emparceirar com o mundo civilizado, onde os trabalhadores morrerão, gloriosamente, ao serviço dos patrões. Viva a escravatura do século XXI.

Sondagens

Pedro Passos Coelho dizia, ainda há dias, que era preciso deixar o governo governar. Os seus apoiantes na blogosfera apoiavam as suas palavras, porque admitiam que seria melhor deixar Sócrates cair de podre e aproveitar a boa onda pós pico da crise para começar a reclamar eleições.

De repente, tudo mudou. Bastou uma semana de sucessivos revezes para o governo e a publicação de uma sondagem, para os seus apoiantes saírem das tocas e começarem a agitar a ideia de eleições antecipadas. Atraídos pelo cheiro a sangue e inebriados pela oportunidade de finalmente ascenderem aos tachitos, já não querem esperar.
PPC parece querer acalmar as hostes e não entrar em euforias. Há um pormenor que pode precipitar eleições antecipadas. Cavaco Silva tem a imagem fragilizada depois da decisão de não vetar a Lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo e precisa do apoio inequívoco do PSD, depois das críticas que lhe foram feitas por D. José Policarpo.
Se Passos Coelho lhe garantir o apoio incondicional, em troca de eleições antecipadas, Cavaco recorrerá à "bomba atómica". Resta saber se antes, ou depois de ser reeleito.
O futuro de Sócrates depende, pois, de uma aliança Cavaco/Passos Coelho, ainda há pouco tempo declaradamente inimigos.
Como os resultados de uma sondagem podem mudar tudo...

Seis meses é uma eternidade!

A propósito da tragédia provocada pela BP no Golfo do México dizia, entusiasmado, o correspondente da RTP em Washington:

"A mancha negra levou o presidente a alterar toda a política energética dos Estados Unidos. Durante os próximos seis meses não será autorizada a abertura de nenhuma nova plataforma petrolífera".
Não sei porquê, lembrei-me logo da decisão de Sócrates suspender as obras públicas...por seis meses!

Sugestão do dia

Largo das Calhandreiras

domingo, 30 de maio de 2010

Caderneta de cromos (18)


Faz já muito tempo que deixei de comprar e ler a imprensa desportiva. Pelas mesmas razões que não leio o “Povo Livre”, o “Avante” ou qualquer outro jornal partidário. De quando em vez, um adepto do F.C. do Porto, masoquista, que insiste em ler o jornal do Benfica, também conhecido por “A Bola”, azucrina-me com lamúrias sobre o que lá se escreve. Foi o que aconteceu ontem. Indignado, o Rui enviou-me um SMS aconselhando-me a leitura do editorial do Vítor Serpa. Como nesse momento estava no café habitual a ler os matutinos que acabara de comprar, fui ver se havia um exemplar livre, entre os dois ou três que o dono do estabelecimento adquire ao fim de semana para angariar clientela. Estranhamente havia. Os benfiquistas deviam ter ido a banhos ou então, desmotivados com a capa que exibia uma foto do Mourinho – treinador que lhes ficará atravessado na garganta até ao fim da vida- desinteressaram-se da leitura.
Fui ler e, logo em destaque, deparo com esta frase do artigo do Vítor Serpa:“Não deve ser convidado para a Assembleia da República quem, de forma óbvia e reiterada atropele e condicione o direito à informação”.
Depois li a crónica completa que, tal como logo percebi através da leitura do destaque, pretendia ser uma crítica aos deputados que convidaram Pinto da Costa para jantar na AR, como acontece todos os anos.Sem perceber a razão do alerta do Rui, voltei-me novamente para as páginas do “Público” . Ao ler a página 10, fez-se luz. Uma notícia a quatro colunas com o título:“Prisão para 13 arguidos do processo No Name Boys” era a chave do enigma.
Voltei a pedir “A Bola” ao sr. Alberto e, desta vez, percorri todas as páginas para ler o que lá se escrevia sobre as condenações de adeptos da claque benfiquista. Cheguei ao fim do jornal, reli todas as páginas outra vez e nem uma linha sobre esta matéria. Que razões terão levado o director do jornal “A Bola” a omitir a condenação dos adeptos benfiquistas da claque “No Name Boys”, depois de o jornal ter obstinadamente tentado ligar Bruno Pidá a uma claque do F. C. do Porto e ter escrito um sem número de notícias falsas, visando sempre o F.C.do Porto?
Não acredito que se trate de desonestidade de Vítor Serpa e, por isso, as minhas preocupações face a este silêncio são redobradas. No entanto, teria ficado bem ao director do jornal “A Bola”, ter-se abstido de escrever a crónica lamentável que ontem assinou. Uma declaração de ódio a Pinto da Costa, onde o acusa de práticas que ontem mesmo seguiu no seu jornal. É perigoso, a quem tem telhados de vidro, atirar pedras…

Dia de mimos




Ao domingo, costumo publicar os mimos que as leitoras me vão oferecendo. Estes vão um pouco atrasados e sem o desafio, pelo que peço desculpa, mas é que de mèzinhas, não percebo mesmo nada... Apresento, pois as minhas desculpas à Teresa e à Ematejoca que decidiram classificar o Rochedo como um Clássico , bem como à Ava, que considera ser o CR um blog fofo.
Ás três o meu muito obrigado e o renovado pedido de desculpas pelo atraso.

sábado, 29 de maio de 2010

Brincadeiras de criança

Joãozinho chega da escola e vai directo ao frigorífico para comer um sorvete. A mãe entra na cozinha e dá aquela bronca:
- Nada disso, Joãozinho. Agora não é hora de comer sorvete. Está quase na hora do almoço... Vá lá para fora brincar!
- Mas mamã, não tenho ninguém para brincar comigo!
A mãe entra no jogo dele e diz:
- "Tá" bem, então eu vou brincar contigo. A que é que nós vamos brincar?
- Quero brincar ao papá e à mamã.
Tentando não mostrar surpresa ela responde:
- "Tá" certo. O que é que eu devo fazer?
- Vá para o seu quarto, vista o baby-doll e deite-se.
Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas. Joãozinho vai então à sala e pega num velho chapéu do pai. Encontra ainda uma beata num cinzeiro e coloca-a no canto da boca. Sobe as escadas e vai até ao quarto da mãe. Esta, levanta a cabeça e pergunta:
- E o que eu faço agora?
Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:
- Desce imediatamente e dá o sorvete ao miúdo!

Tango em Lisboa

Começou ontem e termina amanhã o 8º Festival Internacional de Tango de Lisboa, que decorrerá na Voz do Operário.
Se o local escolhido para o certame fosse S. Bento,é óbvio que Sócrates e Pedro Passos Coelho não deixariam de marcar presença. Assim, cada um ficará atomar conta da sua capelinha.

Não me calo!


Os líderes do Centrão pedem que nos calemos, perante as medidas que estão a reduzir os trabalhadores, os desempregados e os mais desfavorecidos, a meros figurantes da ópera bufa do capitalismo selvagem.
Acenam com a ameaça da crise, como noutros tempos os pais ameaçavam as criancinhas, com o "homem do saco". Não podemos ter medo do "homem do saco". Temos é de sair à rua e mostrar que estamos dispostos a enfrentá-lo.

Sugestão do dia

Já foi há dois dias, mas nunca é tarde para dar os parabéns à Dona Redonda que acaba de celebrar o seu terceiro aniversário

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Crónicas de Graça # 12

Comadres e Bisbilhotices

Quando era miúdo, ensinaram-me que a bisbilhotice era uma coisa muito feia, própria de gente sem carácter e metediça, que se comprazia a falar sobre a vida dos outros. Nessa altura, a bisbilhotice encarnava apenas em pessoas como a Menina Emília ou a D. Vitória( personagens da série “Conta-me como foi”) cuja actividade profissional proporcionava o desenvolvimento dessa característica.

Havia, porém, perto de minha casa, uma senhora fina que, sem filhos para cuidar, nem afazeres profissionais, passava os dias atrás de uma persiana * entreaberta para não ser vista, e era o melhor veículo informativo de toda a freguesia de Paranhos . Poderão os leitores perguntar como é que ela sabia a vida toda a gente da freguesia, se não saía da janela de casa. A resposta é bem mais simples do que possam imaginar: não actuava sozinha. Mantinha uma excelente relação com todas as empregadas domésticas da vizinhança, criando assim uma vasta e preciosa rede de informadoras que a punham ao corrente do que se passava nas imediações, em reuniões diárias que decorriam à janela de um dos compartimentos da vivenda, para não perderem pitada.

Não sei qual era o seu horário de trabalho, mas presumo que começasse logo depois da saída do marido e só terminasse quando ele regressava a casa ao fim do dia. Por razões que não vou agora aqui explicar, sei que às vezes também fazia turnos da noite, sendo por isso uma trabalhadora incansável que nunca reclamou quaisquer honorários pelo seu trabalho, nem pagamento de horas extraordinárias, porque agia em prol da “dignidade” do nosso bairro.

Apesar de todos saberem o seu nome, ninguém o utilizava para a identificar, preferindo aplicar-lhe, com desdém, o nickname de “Bisbilhoteira”. Só recentemente vim a descobrir quão errada era esta postura desdenhosa dos seus co-fregueses. Mais concretamente, apenas ontem, quando descobri, em trabalho de pesquisa para esta CG, um estudo de dois autores americanos , publicado no “Journal of Applied Social Psychology” onde os autores sustentam que “A bisbilhotice não é um mau hábito, uma falha de carácter. É puro instinto de sobrevivência e, sem ele, os seres humanos teriam evoluído de outra forma”.

Confesso-vos que fiquei perplexo e preocupado. Mas à surpresa e preocupação, juntou-se um misto de revolta. Perdi os melhores anos da minha vida, por não ter esta informação. Poderia ter sido uma pessoa diferente e um jornalista de méritos reconhecidos, em vez de asumir a figura parda de um freelancer, se tivesse percebido a importância da bisbilhotice pois, como conclui o estudo, “a bisbilhotice e a devassidão da vida dos outros é benéfica numa sociedade de concorrência”. Razão tem o povo que diz “aprender até morrer e morrer sem saber”…

Para me reciclar, pensei que poderia ir mais vezes ao barbeiro, onde há dias ouvi falar de um programa em que os telespectadores falam com mortos. Apeteceu-me logo inscrever-me, para ver se a “Bisbilhoteira”, estava disposta a dar-me umas lições, mas desisti porque deve estar muito desactualizada. A bisbilhotice já não é o que era. Agora não é tarefa exclusivamente reservada às mulheres ociosas, nem se exerce por detrás de um reposteiro. Utilizam-se gravadores e máquinas fotográficas com teleobjectivas potentíssimas, podendo assim captar imagens a longa distância e dar mais credibilidade à notícia.

Agora, à “Bisbilhoteira” já não bastaria esgrimir o argumento da sua palavra. Hoje em dia, quem acredita, sem provas fotográficas, ou escutas telefónicas feitas à má fila, que a Tina do Beto anda “metida” com o Janeca da Bitorina, se não houver provas que confirmem a relação adúltera? Só mesmo gente muito crédula- que apesar de tudo, ainda existe.

A informação recolhida também já não se transmite gratuitamente através do tradicional boca a boca:




-“ Ó Mila, tu pelo amor de Deus e pela saúde dos teus filhos não digas nada a ninguém, mas sabias que a Belinha emprenhou do filho dos Reboredo e foi a Espanha fazer um “desmancho”?”

- “Cala-te lá, mulhere, tu vira-me p’ra lá essa boca, pode lá ser! Como é que aquela estampa foi emprenhar uma lambisgóia quase tísica como a Belinha? Mas quem é que te disse, Glorinha?”

- “Ai filha, isso não te posso dizer, porque eu fiz jura de num contar a ninguém. Só te digo a ti, porque és minha amiga e sei que posso confiar-te um segredo, mas olha, desde que soube que trago aqui um aperto… inda bem que tencontrei pra poder desabafar!”

E a Mila, benzendo-se e proclamando “Louvado seja o Senhor”:

“ Está descansada , Glorinha, sabes que sou como um túmulo” e despede-se à pressa porque tem de ir aviar umas coisas à mercearia do sr Casimiro.

Compras feitas, “quanto é sr Casimiro?” , um olhar à volta para ter a certeza que ninguém a escuta e larga em surdina:

“ Ai. Sr Casimiro, nem imagina o que acabei de saber, até estou agoniada”

(O sr. Casimiro, se estivesse para aí virado, ou desconfiasse tratar-se de informação preciosa, pegava em duas latas de conserva ou numas peças de fruta prestes a apodrecer e avançava):

“ Tome lá, leve esta frutinha para os seus filhos, que só lhe vai fazer bem”

-“ Obrigado sr. Casimiro, o sr. é um santo! Sabe que a Belinha….”

Hoje, a bisbilhotice circula rápida pela Internet, em redes sociais como o Facebook , ou é impressa e depois vendida aos curiosos sob a forma de revista. A sua veracidade é, muitas vezes, tão duvidosa como a vendida pela rede da “Bisbilhoteira” que punha a circular informação falsa, só para se divertir ou vingar de alguém, sem receber nada em troca.

A “Bisbilhoteira” teria hoje uma profissão rentável e seria mais reconhecida socialmente. Poderia ser “ fonte bem informada” ou “paparazzi” e, se quisesse investir numa licenciatura, poderia mesmo tornar-se jornalista da“nova vaga” .

Se optasse pela vida política poderia rivalizar com Pacheco Pereira ( sim, hoje a bisbilhotice também é muito apreciada pelo sexo masculino) na audição de escutas numa qualquer Comissão de Inquérito, mas estaria bem em alguns partidos políticos, onde a bisbilhotice tem muitos adeptos e seguidores.

Se quisesse dedicar-se às novas tecnologias, a “Bisbilhoteira” poderia empregar-se numa daquelas empresas que criam e-mails com informação falsa, que depois põem a circular como sendo verdadeira. Ou então, dedicar-se à colocação de vídeos no You Tube.

Se a “Bisbilhoteira” fosse viva, eu estaria agora a garantir-vos que tinha sido ela a colocar o vídeo do Mourinho a chorar agarrado ao Materrazzi. Não acreditam? Olhem que ela era mulher para isso! E por aqui me fico...

Agora, vão ver o que a minha querida parceira tem para vos dizer. Desconfio que ela tem lá uma convidada especialista na matéria…

• Persiana= estores


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Só?????

Jornalistas condenados por publicarem escutas
( Título de notícia do DN de hoje, sobre a condenação dos jornalistas do SOL)
Se há uns anos eu apresentasse um título destes a um editor, ouvia das boas. E ouvi muitas, felizmente, do meu então director e agora amigo Baptista-Bastos que, ao ler aquilo, me daria uma merecida reprimenda que jamais esqueceria.

Onde andam as cerejas?


Maio é o mês das cerejas. É um fruto que adoro, talvez por ser dos poucos que é difícil ( felizmente) comer fora de época. Digam-me uma coisa: por onde andam este ano as cerejas, que não as consigo ver em lado nenhum?
Não me digam que vou ter de esperar por Junho e ir à Festa da Cereja,no Fundão, para as poder trincar…

Coisas que não entendo lá muito bem...

O governo lançou um programa de estágios na função pública destinado a jovens licenciados.
Ao contrário do que acontece em muitas empresas que aceitam estagiários , mas não lhes pagam– nomeadamente na comunicação social, advocacia, arquitectura – estes estágios serão remunerados, recebendo cada estagiário 900€.
Conheço licenciados a trabalhar na banca, com vencimentos de 600€, pelo que o vencimento proposto não me parece desajustado.Acresce que ainda existem licenciados na Administração Pública com vencimentos inferiores aos propostos aos estagiários, porque não conseguiram transitar das carreiras de técnicos operacionais e profissionais, ( carreiras de ingresso na AP, para não licenciados) para a carreira técnica, depois de concluírem uma licenciatura.
Ora, de acordo com uma notícia hoje publicada no Diário Económico, dos seis mil candidatos pré seleccionados , a quem foram enviados convites para integrar esse estágio, apenas 2600 aceitaram . Ainda de acordo com a DE, a recusa deveu-se essencialmente a dois factores:
- A maioria dos candidatos apenas se manifestou interessada em ocupar lugares em Lisboa, Porto e Coimbra;
- A preferência por determinados serviços, como a Direcção Geral de Contribuições e Impostos, também terá levado muitos candidatos a recusar as ofertas.
Deixo os comentários para os leitores, mas faço votos para que o governo finalmente se preocupe com dois aspectos da maior importância, que têm sido sucessivamente ignorados, já que a Lei da Mobilidade não tem sido aplicada como devia:
- A necessidade de integrar todos os licenciados da AP na carreira técnica;
- A reafectação de recursos da AP, permitindo a funcionários sub-aproveitados em determinados serviços,a transição para outros onde possam desempenhar as funções para que estão habilitados.
Desenvolvimento da notícia aqui ( Já agora, se forem ler a notícia, agradecia que me dissessem se é impressão minha, ou se na verdade o título contradiz o que está escrito no texto, iludindo os leitores).

Carta de um funcionário público ao Primeiro Ministro

Exmo. Sr. 1º Ministro,
Vou alterar a minha condição de funcionário público, passando à qualidade de empresa em nome individual (como os taxistas) ou de uma firma do tipo"Jumentos & Consultores Associados Lda." e em vez de vencimento passo a receber contra factura, emitida no fim de cada mês.Ganha o ministro, ganho eu e o país que se lixe!
Ora vejamos:
Ganha o ministro das Finanças porque:
- Fica com um funcionário público a menos.
- Poupa no que teria que pagar a uma empresa externa para avaliar o meu desempenho profissional.
- Ganha um trabalhador mais produtivo porque a iniciativa privada é,por definição, mais produtiva que o funcionalismo público.
- Fica com menos um trabalhador, potencial grevista e reivindicador que por muito que trabalhe será sempre considerado um mandrião.
E ganho eu porque:
- Deixo de pagar na totalidade todos os impostos a que um funcionário público está obrigado, e bem diga-se, pois passo a considerar o salário mínimo para efeitos fiscais e de segurança social.
- Vou comprar fraldas, champôs, papel higiénico, fairy, skip e uma infinidade de outros produtos à Makro que me emite uma factura com a designação genérica de 'artigos de limpeza', pelo que contam como custos para a empresa.
- Deixo de ter subsídio de almoço, mas todas as refeições passam a ser consideradas despesa da firma.
- Já posso arranjar uma residência em Espanha para comprar carro a metade do preço ou compro um BMW em leasing em nome da firma e lanço as facturas do combustível e de manutenção na contabilidade da empresa.
- Promovo a senhora das limpezas lá de casa a auxiliar de limpeza da firma.
- E, se no fim ainda tiver que pagar impostos, não pago, porque três anos depois o Senhor Ministro adopta um perdão fiscal. Nessa ocasiãovou ao banco onde tinha depositada a quantia destinada a impostos,fico com os juros e dou o resto à DGCI.
Mas ainda ganho mais:
- Em vez de pagar contribuições para a CNP, faço aplicaçõesf inanceiras e obtenho benefícios fiscais se é que ainda tenho IRS para pagar.
- Se tiver filhos na universidade eles terão isenção de propinas e direito à bolsa máxima (equivalente ao salário mínimo) e se morar longe da universidade ainda podem beneficiar de um subsídio adicional para alojamento; com essas quantias compro-lhes um carro que, tal como o outro, será adquirido em nome da firma assim como manutenções e combustíveis.
- Se tiver um divórcio litigioso as prestações familiares que o tribunal me condenar já não serão deduzidas directamente na fonte e recebo o ordenado inteiro e só pago se me apetecer...!
Como se pode ver, só teria a ganhar e já podia dizer em público o nome da minha profissão sem parecer uma palavra obscena, afinal, em Portugal ter prejuízo é uma bênção de Deus!
Está visto que ser ultra liberal é o que realmente vale a pena... porque é que os partidos que alternam no poder têm tantos votos?
Atentamente
A. Bivar de Sousa
( recebida por mail)

O rival de Mourinho

Mourinho afinal tinha rival à altura em Itália e podia ter perdido o Calcio. O problema é que o rival estav impedido de acumular cargos e não pôde treinar o Milan.

Ora aponte aí...


Hoje, às 18h30m, na Bertrand do Chiado, o António Manuel Venda vai apresentar o seu novo livro. Sou fã dos livros do António, meu ex-colega de bloga, pessoa que muito prezo e admiro. Vou tentar lá estar, apesar de já ter comprado o livro,mas gosto de ver e ouvir as palavras do António.

Sugestão do dia

Nortadas

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Abram os olhinhos, pá! *

Quando esta manhã li a crónica do Rui Tavares no “Publico”, apeteceu-me de imediato escrever um post e fazer link mas, como não está disponível on line, desisti.
Aproveito, porém, a boleia da Shyznogud e faço um link via Jugular.
Recomendo vivamente a leitura do artigo, para que percebam bem como o jornalismo populista já chegou à secção internacional de alguns jornais. O que se passa de positivo não tem qualquer relevância, mas uma notícia que cheire a escândalo, mesmo sendo falsa, merece logo grandes parangonas e motiva tal agitação nas redacções, que até se dispõem a fazer alguns telefonemas.
Nada que me espante, numa imprensa onde as notícias internacionais se resumem praticamente à tradução de artigos de agência que veiculem opiniões anti comunistas, visando Castro ou Chavez, mas quase sempre omite as barbaridades de Uribe ou dos novos senhores das Honduras, confortavelmente instalados no poder com o apoio dos Estados Unidos.
Conheço alguns jornalistas repimpados no seu cargo que viajam muito, mas devem fazê-lo apenas para carimbar os passaportes, porque continuam a sofrer de estrabismo quando relatam o que se passa no mundo. Um dia destes serão substituídos por máquinas, como os portageiros da Brisa, e parece-me muito bem. Não será por isso que deixará de haver bons jornalistas em Portugal, a trabalhar na investigação e a fazer jornalismo que interessa realmente aos leitores.
* Título da crónica de Rui Tavares no "Público" de hoje

Estátua de David regressa a Florença

Cliquem na imagem para ampliar . Como todos os posts com a etiqueta EMILIOS, esta imagem foi recebida por mail

Table Dance

Lembram-se deste post? Na sequência daquele caso, lembrei-me de um episódio que se passou no último Inverno ( Poderia ter escolhido uma foto mais sugestiva, mas não quero correr o risco de ser novamente coimado e por isso optei por fazero scanner deste poster que tenho à porta do Rochedo. Sempre fica mais barato...)

Por princípio, nunca recuso nada que me ofereçam na rua. Respeito as pessoas que ganham a vida a distribuir publicidade. Detesto que me enfiem publicidade na caixa de correio, mas recebo com um sorriso os exemplares de jornais gratuitos que me estendem todas as manhãs, os anúncios de uma clínica de estética, ou de implantação de próteses mamárias, e até já coleccionei uma apreciável quantidade de papelinhos onde o professor Mamadu enuncia as suas virtuosas capacidades para trabalhos ocultos, na tentativa vã de me atrair ao seu consultório. Claro que com isto já sofri um pequeno dissabor. Foi no Inverno passado.
Um dia, um amigo telefonou-me a dizer que precisava de se encontrar comigo ao fim da tarde, para tratar de um assunto urgente. Lembrei-me que nos últimos dias tinha recebido uma série de papelinhos convidando-me a tomar uma bebida gratuita entre as 18 e as 20 num bar que acabara de ser inaugurado no Centro Comercial City e por isso sugeri que nos encontrássemos à porta. Assim foi.
Quando entrámos fomos de imediato assaltados por duas encorpadas moçoilas de Leste que nos conduziram a uma mesa . Era um bar de alterne, mas como é que eu iria suspeitar disso? É verdade que no panfleto dizia de forma clara “Venha relaxar ao fim da tarde em boa companhia”, mas eu pensei, na minha ingenuidade, que devia ser eu a levar a companhia …
Já imaginaram se em vez de um amigo, tinha levado comigo uma amiga? Ainda me arriscava a que me acontecesse um episódio semelhante a um outro passado em Bangkok nos idos de 80, que talvez aqui conte numa próxima oportunidade.

C'est vraiment trop injuzte!



Eu já vos tinha avisado que a minha cara parceira das Crónicas de Graça e PresidentA do blogobairro não é nada meiga na aplicação das coimas e tem a rédea bastante curta.
No entanto, ser coimado de forma tão brutal, por ter escrito este post, parece-me desajustado e, acima de tudo, injusto.Vocês viram lá fotografias indecorosas? Leram lá algum palavrão? Perscrutaram algum indício pornográfico? Eu também não!
Manifesto por isso a minha veemente repulsa e lavro aqui o meu indignado protesto contra a coima que me foi aplicada pelo facto de ter publicado uma fotografia com o número 22 que alguns denominam por “ patinhos”.
Presumo (pelo teor da sentença que podereis consultar na caixa de comentários) que é a isso que se deve a aplicação da coima, pois o facto de festejar a vitória do Mourinho não pode ser motivo para qualquer pena, mesmo tendo em consideração o benfiquismo da ordenante.
Só uma imaginação prodigiosa poderia ver, naquela canção das Doce, qualquer indício de exortação à luxúria e, quanto à coincidência entre o número do quarto e os acontecimentos ocorridos naquela noite, são fenómenos que só a numerologia poderá explicar.
Por isso, se a pena se vier a confirmar, comunico-vos que responderei como George C. Marshall:
"Os pequenos actos que se executam são melhores que todos aqueles grandes que se planeiam".

O sonho comanda a vida (2)

Lembram-se desta menina? Pois ela e a avó devem estar hoje felicíssimas, porque a menina deu mais um grande passo para a realização do seu sonho. Parabéns às duas!

Sugestão do dia

Tomilho, Menta e Hipericão. A Violeta está de volta.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Please be quiet, mr President!

Cavaco Silva disse há dias que Portugal , mais do que nunca, precisva dos empresários e das empresas para sair da crise.
A Brisa foi a primeira a querer colaborar. Vai substituir os portageiros por máquinas, e mandar mais de 300 pessoas para o desemprego.

Lição de Tango

Tangueros na Plaza San Telmo (Buenos Aires)
Por cada dia que passa se percebe melhor o que pretendeu Sócrates dizer quando se referiu à necessidade de ter um parceiro para dançar o Tango. O que ele precisava não era de uma parceira estrábica em termos políticos. Incapaz de lhe acompanhar o ritmo, MFL passou o tempo a dar-lhe calcadelas, sem fazer a mínima intenção de aprender a dançar. Interpretou o tango à moda de um bordel de La Boca e foi-lhe dirigindo insultos, em vez de tentar acompanhar-lhe o passo do tango exibido em espectáculo para turistas.
Passos Coelho é ( na opinião de Sócrates) o par perfeito para dançar o tango. Tal como MFL, também não gosta do parceiro, mas comporta-se como a prostituta do Camiñito do livro de Alícia OrtizMulher da Cor do Tango”. ( Para quem leu o livro, basta substituir o nome de Sócrates pelo do tallhante Raul e o de PPC pela prostituta Mireille).
Sempre que Sócrates dá um passo errado, em vez de o corrigir, PPC diz-lhe “ Estoy contigo, cariño mio” , enquanto pisca o olho para a plateia mostrando o seu desdém pelo desajeitado parceiro. Demonstrando ter aprendido com a vida de Mireille que o comerciante de carnes (Raul) levou de Paris para a Argentina para se prostituir em bordéis tangueros, PPC vai-se aproveitando de Sócrates, dando-lhe a sensação de lhe ser submisso , mas vai dando sinais para a plateia de que o final da história será bastante diferente do que as pessoas estão a imaginar. Evita que a plateia apupe Sócrates antes do passo final. Estimula até os espectadores para que o aplaudam porque, no último acorde, libertar-se-á dos seus braços e espezinhá-lo-á no solo, para gáudio dos seus fãs.
Até lá, vai deixar que o deslumbrado e vaidoso Sócrates se convença que a plateia aprecia a sua arte e vai-o encorajando a cometer erros ingratos, com repetidos “Fuerza, cariño, qué fuego! Acercate más”.
No final, ao contrário do que acontece no Tango do Rio de La Plata, não será a prostituta a sofrer a punição, mas sim o galanteador, que verá Mireille instalar-se em S. Bento e aí criar uma escola de tango onde certamente terá como parceiro Paulo Portas.
A multidão, ululante, aplaudirá o novo par, mas não tardará a perceber que afinal passou o tempo todo a ser enganado, por aquele ar dengoso copiado de Mireille.

Não há almoços grátis


Foi no início dos anos 70, na militância cooperativa, que comecei a interessar-me pelos movimentos de defesa dos direitos dos consumidores que tinham emergido nos Estados Unidos na década anterior, fruto da luta de Ralph Nader e da proclamação de John Kennedy em 15 de Março de 1962.
Cooperativista e sergiano convicto, sempre olhei para as associações de consumidores com alguma desconfiança . Não por temer a sua concorrência, mas por descrer da sua função em prol da defesa dos consumidores. Os testes comparativos sempre me pareceram de escasso interesse, por várias razões. Destinavam-se essencialmente à classe média , poderiam ser facilmente manipuláveis pelos interesses económicos, não respondiam às carências dos mais desfavorecidos e, acima de tudo, menosprezavam o vampirismo do circuito da distribuição, onde os intermediários absorviam a grande fatia do custo final, sem proveito para os produtores e com grande prejuízo para os consumidores.
Foi por isso, sem grande entusiasmo, que acolhi o aparecimento da DECO em 1974, mas me interessei pelo parecer da Câmara Corporativa, redigido por Maria de Lurdes Pintassilgo , sobre a Lei de Defesa do Consumidor que deveria ter sido votada na Assembleia Nacional no dia 25 de Abril de 1974.
Nos anos 80, quando a sociedade de consumo assentou arraiais em Portugal, escrevi diversos artigos reclamando uma maior atenção para o papel das cooperativas de consumo- que estiveram na génese do movimento consumerista, no século XIX- e alertando para a importância de dar prioridade à análise sociológica dos fenómenos do consumo e do consumismo, em detrimento da vertente economicista. Sempre me insurgi, também, contra a importância conferida aos testes comparativos e defendi que as associações de consumidores deveriam ter, para além de um papel mediador na resolução de conflitos, um papel formativo e informativo , esclarecendo os consumidores acerca das questões levantadas pelo consumo ético, o consumo sustentável e a responsabilidade social das empresas. Obviamente, poucos me deram ouvidos. A palavra de ordem era consumir , pelo que a defesa do consumidor deveria ser “ensinar” os consumidores a consumir melhor, evitando os "malandros" dos publicitários e os produtores e prestadores de serviços sem escrúpulos. Combater a iliteracia consumerista reduzia-se à missão de ensinar a ler os rótulos dos produtos e pouco mais. Deu no que deu.
Agora o que eu não esperava era , depois de ver a DECO enveredar por técnicas agressivas de marketing, ainda vir a ler isto, a propósito de um PPR:
Não tenham ilusões, porque não há almoços grátis…

Tugas à beira mar


Durante o último fim de semana morreram várias pessoas nas praias portuguesas. A falta de vigilância ( além, obviamente, da incúria tuga) parece ter sido uma das causas apontadas para essas mortes.
Desde que me conheço, as praias só são vigiadas durante a época balnear - com início a 1 de Junho e término a 30 de Setembro. Em 2004, o Governo fez publicar uma Lei em que atribui às Câmaras Municipais competências para definir a época balnear , de acordo com as características de sazonalidade específica de cada concelho. Foi uma medida de elementar bom senso. No entanto, precavendo a incúria autárquica, a Lei estabelece que cada autarquia seja obrigada a definir a época balnear no seu concelho através de uma Portaria, a ser publicada até 31 de Janeiro de cada ano. Nos casos em que as autarquias não definam a época balnear nas praias dos seus concelhos, a Lei 19/2004 estabelece que o prazo da época balnear se fixa entre 1 de Junho e 30 de Setembro.
Ao bom estilo tuga, a maioria das autarquias aproveitou logo para diminuir os prazos da época balnear, fixando-os entre 1 de Junho e 15 de Setembro, como foi o caso em toda a Região Norte e no concelho de Setúbal.
No Algarve, por exemplo, onde há turistas todo o ano, a época balnear , na maioria das praias, continua a ser fixada entre 1 de Junho e 30 de Setembro. (Só três praias do concelho de Vila do Bispo - Salema, Burgau e Mareta- e as praias dos concelhos de Albufeira alargaram generosamente a época balnear entre 1 de Abril/ 15 de Maio e 17/ 31 de Outubro. As praias do concelho de Portimão mantêm o início da época balnear a 1 de Junho, mas prolongam-na até 31 de Outubro).
Na maioria dos casos a época balnear é definida em função de razões economicistas, pouco tendo a ver com a realidade de um país que já não vai apenas a banhos no Verão.
A maioria dos autarcas ainda não terá percebido que as alterações climáticas são uma realidade e que a tendência para fazer turismo fora das épocas altas se acentua de ano para ano.
A maioria das pessoas continua a culpar o governo, ignorando que a responsabilidade da inexistência de vigilância nas praias fora da época alta se deve às autarquias.
A Marinha veio propor que a vigilância das praias, fora da época balnear , seja feita pelos pescadores. Pretenderá com esta proposta reconverter a nossa frota pesqueira em brigadas de salvamento?
Atendendo que há já vários anos se discute esta questão, não seria aconselhável que, pelo menos ao fim de semana , as praias de todo o país tivessem vigilância obrigatória entre 1 de Abril e 31 de Outubro? Talvez assim se evitassem algumas mortes no futuro.
Claro que o governo, em vez de lavar as mãos como Pilatos responsabilizando as autarquias por não cumprirem o seu dever, poderia impôr essa obrigação mas, se o fizesse, lá viria a Associação Nacional de Municípios protestar contra a ingerência e acusá-lo de sobrecarregar as autarquias com encargos que a crise não lhes permite suportar.
Como é previsível que esta discussão se prolongue nos próximos anos, o melhor mesmo é cada cidadão consciencializar-se dos cuidados a ter quando se aventura a um banho no mar. É que há situações em que nenhum nadador –salvador pode valer.
A propósito: tenho uma sugestão a fazer às autarquias. Os tugas barafustam muito , mas não souberam crescer em democracia. Do que realmente gostam é de quem lhes ponha o freio nos dentes e os trate com chicote. Com falinhas mansas, não vão lá. Por isso, obriguem os nadadores salvadores a aplicar as multas previstas na Lei de cada vez que um banhista desrespeite a bandeira vermelha e vão ver como arrecadam receitas suficientes para pagar os seus serviços. Pelo menos até que o povo português esteja um bocadinho mais educado e se liberte do efeito pavloviano da chicotada que os torna cumpridores das mais elementares regras cívicas.

Esquina da memória (1)

A OCDE içou o alerta amarelo em relação à globalização. Começa por avisar os Governos que as preocupações das pessoas estão a crescer e que isso se pode reflectir em votos eleitorais de protesto que condicionarão o desenvolvimento das políticas globais. Prossegue, reconhecendo que as políticas laborais têm afectados os direitos dos trabalhadores, reduzido os salários e aumentado a insegurança. E conclui admitindo que a globalização aumentou o fosso entre ricos e pobres. Nada que não se soubesse, mas que dito pela OCDE ganha mais força.
Principalmente, se nos lembrarmos que faz parte de um relatório de...2006!

Pelo país dos blogs (52)

Gostei de ler Estas Vidas

Sugestão do dia

Arrastão, com os meus parabéns pelo quarto aniversário

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Viva o Rei!


Em entrevista ao DN, D. Duarte Pio disse:
“Tornar obrigatória a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade”.
Porque nutro grande simpatia por D. Duarte, é com satisfação que constato que a sua linguagem está cada vez mais plebeia, mas espero nunca o ver candidatar-se a presidente da República.
Lamento é que Sua Majestade, apesar da sua provecta idade, ainda não tenha percebido que o objectivo da educação sexual nas escolas é exactamente o inverso do que ele pensa.
As pessoas- incluindo os jovens- já fornicam à vontade, mesmo entre a nobreza. O objectivo da educação sexual é precisamente explicar que a fornicação deve ser um acto responsável. Se nem ele nem a sua digníssima esposa perceberam isto, então pode acontecer que um dia destes tenham uma surpresa lá em casa.

Sem comentários

Ler isto logo pela manhã é apanhar um soco no estômago.

Explicação dos mercados financeiros

Uma vez, num lugarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por €10 cada. Os aldeões, sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a €10 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça.
Então o homem anunciou que passaria a pagar €20 por cada macaco. Os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça.
a partir de determinada altura os macacos foram rareando e os aldeões diminuíram a intensidade da busca.
A oferta aumentou para €25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por €50! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria o seu assistente cuidando da compra dos macacos.
Na ausência do homem, o assistente disse aos aldeões:
"Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou! Eu posso vender-vos por €35 e, quando o homem voltar da cidade, vocês podem vender-lhe por €50 cada."
Os aldeões, entusiasmados com o lucro fácil , pegaram nas suas economias e compraram todos os macacos do assistente.
Nunca mais viram o homem ou o seu assistente, somente macacos por todos os lados.
Estão a perceber como funcionam os mercados financeiros?

22: coincidências e contradições



Acabara de assistir à final da Liga dos Campeões Europeus e deixei-me contagiar pela euforia reinante à minha volta. Mourinho acabara de mostrar ao mundo que é realmente ímpar, calando as vozes de alguns detractores.
A primeira reacção foi comemorar com uma garrafa de Brunelo di Montalcino e enviar a factura a Mourinho mas, na perspectiva de me ver confrontado com a devolução da conta, optei por um vinho modesto que a minha bolsa pudesse pagar. Ao meu lado alguém comentou:
“ A magia do 22”.
“ Desculpe, não percebi…”
“ Hoje é dia 22, o marcador dos dois golos do Inter foi Diego Milito que joga com o número 22”- esclareceu a minha interlocutora deixando escapar um sorriso mesclado de malandrice e sabedoria.
A observação pareceu-me muito pertinente e fez-me lembrar os tempos em que me dedicava ao estudo da numerologia. Quando percebi que também na numerologia a sorte de uns era o azar de outros, desinteressei-me. Expliquei-lhe isso e ela olhou-me com indiferença. Até, talvez, algum desdém. A televisão veio em meu socorro. Numa das muitas reposições dos golos, filmou Butt a tentar voar para defender o remate que daria o segundo golo do Inter. No dorsal do guarda-redes alemão estava estampado o nº 22!
Et voilá”- rematei com um toque de superioridade.
Ela encolheu os ombros e fez menção de retirar-se. Ofereci-lhe um copo do meu vinho. Pareceu-me deliciada, o que me deixou constrangido. Ninguém se delicia com um modesto Côtes du Rhone. Ao fim do terceiro copo caiu-me do bolso a chave do quarto do hotel. Ficámos os dois a olhar para o número do quarto: 222.
Et voilá! Às duas da manhã, o som das Doce parecia ecoar entre as quatro paredes do quarto 222:
“Uma da manhã

Sugestão do dia

Machina Speculatrix

domingo, 23 de maio de 2010

Festival de Cannes 2010: c'est fini


Desceu o pano sobre o 63º Festival de Cannes. Sem favoritos à partida, a conclusão é que no cinema o mundo também parece estar a mudar. Ora vejam lá:
A Palma de Ouro foi para um filme tailandês, (“O Meu tio”). O prémio do Júri foi atribuído a um filme do Chade (“ Um homem não acredita que um urso dance”) e o melhor guião para um filme sul –coreano (“Poetry”).
Juliette Binoche recebeu o prémio para a melhor actriz ( “Copie Conforme” do realizador iraniano Abbas Kiarostami) e Javier Bardem- que foi ao palco para receber o prémio de melhor actor pela sua interpretação em “Biutiful” - aproveitou a onda para manifestar o seu amor por Penélope Cruz , deixando-me um bocadinho irritado. Mas Bardem vai ter que partilhar o prémio com o italiano Elio Germano, distinguido pela sua actuação em “ La Nostra Vita”.
O prémio “ Un Certain Regard" para o melhor filme foi atribuído a outro filme sul-coreano ( “Hahaha”) e três actrizes argentinas (Adela Sanchez, Eva Bianco e Victoria Raposo) receberam o prémio de interpretação pelo filme “Los Lábios”.
Para o ano há mais.

Pronúncia do Norte (29)

ORELHAS= = PALMIER

sábado, 22 de maio de 2010

Brites na manif do Facebook

Não me estão a conhecer? Sou a Brites, pessoal! Decidi aderir à manif do luto nacional para protestar contra qualquer coisa que não sei bem o que é, mas senti-me na obrigação de participar, porque agora também já pertenço à classe média alta e ao Facebook. Embora continue aqui por Cannes, ansiosa por saber quem é o vencedor, quero marcar a minha posição.
Eu sei que o Carlos é contra esta manif, mas como o CR é um blog plural, ele não corta o pio a quem manfesta discordância pelas suas opiniões. Até já tenho um slogan e tudo:
"Não queremos medidas de austeridade, queremos é autoridade! Força para os patrões, porrada para os mandriões "
Mandei fazer uma t-shirt preta com estas frases e voei todo o dia pela Croisette com ela vestida. O Carlos diz que estou muito patusca. E vocês que acham?
Agora vou torcer pelo Mourinho e amanhã talvez venha aqui contar como foi a noite!

Lei da Concorrência

O marido está em casa a ver um jogo de futebol, quando a mulher lhe comunica que vai sair. Volta logo a seguir, e diz-lhe:
- Querido, podes arranjar o meu carro? Ele parou de funcionar assim que saiu da garagem...
- Consertar o teu carro? Estás a ver Fiat escrito na minha testa?
A mulher volta à carga:
- Então podes arranjar a porta do frigorífico? Ela não está a fechar bem...
E ele respondeu:
- Arranjar a porta do frigorífico? Estás a ver Siemens escrito na minha testa?
- Está bem - disse ela. Então podes pelo menos trocar a lâmpada da porta da frente? Ela está queimada há semanas.
E o marido:
- Trocar a lâmpada da porta da frente? Estás a ver Philipps escrito na minha testa? Eu não te aguento mais! Vou para o bar beber umas cervejas!
Assim fez e bebeu durante algumas horas. Entretanto, começou a sentir-se culpado pela forma como tinha tratado a mulher e decidiu voltar para casa e ajudá-la. Ao chegar a casa viu que o carro já estava na garagem e a luz da porta de entrada já funcionava.
Dirigiu-se ao frigorífico em busca de uma cerveja e percebeu que a porta do mesmo também tinha sido arranjada.
- Querida - perguntou ele - como é que todas estas coisas foram arranjadas?
- Bem, quando tu saíste, eu sentei-me lá fora e estava a chorar. Então, apareceu um jovem muito simpático, que me perguntou o que é que me tinha acontecido e eu contei-lhe. Ele ofereceu-se para arranjar tudo, e eu só tinha que escolher entre ir para a cama com ele ou fazer-lhe um bolo.
- Então, que tipo de bolo é que lhe fizeste, meu amor?
- Tu estás a ver 'DANCAKE' escrito na minha testa?
Moral da história:
Marca que não dá assistência... Abre espaço à concorrência.

Sugestão do dia

Hoje Há Conquilhas

sexta-feira, 21 de maio de 2010

SMS

À hora do almoço recebi um SMS de uma amiga:
PPC diz Estado corre risco não pagar salários funcionários. Tou tramada”
Respondi:
“ PPC anunciou 1ª medida qdo for PM. Reduzir salários FP. Inscreve-te PSD”

Monopoly Games

Quando era miúdo detestava jogar “Monopólio”. Irritava-me aquele jogo em que as pessoas ganhavam graças à conjuntura da sorte dos dados e de alguma estratégia( que me parecia) gananciosa, levando os restantes parceiros à falência. A minha ira aumentava quando, à roda do tabuleiro, aparecia o R. filho de um médico muito conhecido no Porto. Ruivo e sardento, as lentes grossas conferiam-lhe um ar patusco, mas a frieza com que jogava ( não só o Monopólio, como qualquer outro jogo) retirava-me o prazer de com ele participar em qualquer actividade lúdica. Lia nos seus olhos uma vontade indómita de vencer, mas o que mais me encanitava era o ar displicente com que encarava a vitória. Para ele, vencer era o resultado natural de qualquer jogo em que participasse. Talvez por isso – e por só confiar nas suas próprias capacidades- não gostava de participar em jogos de equipa. Sempre que o fazia, se visse que a vitória lhe podia fugir, armava uma zaragata com os parceiros e retirava-se.
Aos 12 ou 13 anos eu não percebia rigorosamente nada de política. Sabia, porém, que não gostaria de viver num mundo em que os vencedores fossem os mais sortudos e vivaços, ou tivessem a frieza e o calculismo do R.
Não imaginava, na altura, que o mundo dos adultos era mesmo assim. Acreditava que os mais honestos e trabalhadores seriam recompensados, pois era isso que me ensinavam em casa e na catequese.
Na Faculdade comecei a perceber que afinal o mundo não era nada daquilo que imaginara, mas foi só no final dos anos 80 que comecei a acreditar que o mundo poderia vir a ser ainda pior.Em 1991 escrevi um artigo na “Tribuna de Macau” sobre a globalização que mereceu diversas críticas jocosas, pelo tom catastrofista que ressaltava do texto. Resumindo, em poucas palavras, punha em causa a bondade da globalização e manifestava a minha preocupação quanto ao resultado final, que admiti poder ser o aumento das desigualdades e a tentativa de imposição do pensamento único. Nesse artigo usei precisamente o exemplo do “Monopólio” e a personalidade do R., para sustentar a minha teoria, na qual eu próprio não queria acreditar.
Enquanto houve prosperidade económica, muito se falou da solidariedade mundial, especialmente entre os europeus, que falavam de uma Europa unida por objectivos comuns. Quando os sinos tocaram a rebate, alertando para o caos financeiro, fruto de muitas actividades especulativas, começaram a baixar as expectativas e cada jogador deste “Monopólio” em que se transformou o mundo começou a tratar da sua vidinha, defendendo os seus interesses.
Merkel sugeriu à Grécia a venda de algumas das suas ilhas

É claro que, como acontece frequentemente nos jogos de “Monopólio”, alguns adversários uniram-se em acordos pontuais para tentar evitar que o crónico vencedor, detentor dos títulos “tóxicos” alcançasse mais uma vitória. Porém, a coligação financeira europeia rapidamente tremeu, perante a fragilidade de alguns parceiros, como a Grécia, Espanha e Portugal.
A Alemanha foi a primeira a dar indícios de pretender abandonar a coligação europeia. Começou por dizer à Grécia que, se precisava de dinheiro, vendesse algumas das suas ilhas. Depois, a muito custo, lá acedeu a emprestar uns euritos mas, em contrapartida, quer exigir que os países que recorram ao Fundo Europeu, submetam os seus orçamentos à aprovação prévia do Parlamento alemão! Esta tentativa de ingerência na autonomia de países soberanos não é só intolerável. É, acima de tudo, uma aberração!
Felizmente para a Europa, Sarkozy parece ter os alqueires mais bem medidos do que o senhor Schäuble (o ministro que gere as finanças do país da srª Merkel) e perante as exigências alemãs terá ameaçado abandonar o jogo.
Entretanto, com os povos dos países do sul da Europa condenados a viver à míngua, os jogadores peritos em especulação nos mercados financeiros continuam a exigir medidas mais drásticas. Já não se trata, porém, de tentar vencer este jogo de Monopólio do Euro. Eles já sabem que essa vitória está garantida e o seu próximo passo é asfixiar os países europeus governados por partidos socialistas, obrigando-os a capitular. A vitória que falta à Internacional da Finança, é a vitória da sua ideologia, de molde a impor o pensamento único. À Banca já não lhe basta conduzir as políticas económicas. Quer, também, impor a sua ideologia e assim governar o Mundo, sem ter de pagar o ónus dos políticos, nem ter de se submeter a eleições.
Desgraçadamente, tem o apoio da srª Merkel que procura comandar o jogo europeu, impondo as condições e as regras. Ora nós já sabemos como acabou a história quando, no século passado, a Alemanha tentou por duas vezes impor a sua hegemonia no espaço europeu. Esperemos que a cena não se repita mas, confesso-vos, não estou nada optimista.

Conversas com o Papalagui (49)

-Vais aderir ao luto nacional no fim de semana, tuga?
-Claro que não. Quando quero manifestar-me vou para a rua. Participo e protesto, não me limito a vestir uma camisa de determinada cor , porque alguém se lembrou que era uma “forma gira de protesto”.
-São as manifs dos tempos modernos, tuga. As pessoas não têm tempo de ir para a rua aos berros.
-Não é uma questão de tempo, Pa! É falta de pachorra.É preguiça e comodismo da geração da Play station. Olha lá, sabes quem promove a manif?
-Não. Serão os mesmos que fizeram aquela de branco, em defesa da liberdade de expressão?
-Talvez. Pelo que li os “participantes” nesta também pertencem à classe média alta. Talvez só tenham mudado a cor da farda para o horário de Verão.
-Então não percebo. Quando é que esses patuscos têm coragem de vir para a rua bater nas panelas e tachos e gritar vivas ao Salazar? Afinal já têm mais de 20 mil assinaturas no Facebook, faziam uma barulheira do caraças!
-Não te esqueças que a manif dos patuscos também recolheu 10 mil assinaturas num só dia, mas à hora da manif não estavam nem 100 à porta da AR.
-E tu não te esqueças que aquilo foi à hora do almoço, tuga!
-Ah, pois… A essa hora, a classe média alta só costuma manifestar –se à mesa do Gambrinus.

Sugestão do dia

Doce ou Travessura Está a celebrar o primeiro aniversário e merece que lhes cantemos os parabéns, seguidos de uma salva de palmas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brites no Festival de cinema de Cannes

Olá !
Aqui estou eu na Croisette, esvoaçando de um lado para o outro, a ver as celebridades que por cá vão passando.
Nunca vi tanto jet set junto e ao vivo! Depois destes dias aqui em Cannes, ler as revistas não vai ser a mesma coisa. Espero aparecer em algumas, porque tirei fotografias com tudo quanto é finaço…Ainda há bocado estive quase a poisar nos braços do Javier Bardem, mas um segurança veio furioso em direcção a mim , com tanta energia, que me pisguei num bater de asas.
O Carlos está a fazer uma entrevista à Penélope Cruz. Nem imaginam como o coração dele bate desde ontem de manhã. Até parece que nunca veio a Cannes! Hoje de manhã, enquanto eu tomava o pequeno almoço, vi-o a apinocar-se. Parecia que ia para um encontro amoroso. Pôs tanto perfume, que creio que a pobre da Penélope vai fugir assustada quando ele se aproximar dela. Coitado, não se enxerga. Quanto mais velho, mais trolaró fica, mas parece que isso acontece com todos os homens e é por isso que alguns, quando as mulheres chegam aos 50 anos, a trocam por duas de 25.
Parece que há dias houve aqui um temporal tão grande, que fez “O Pesadelo em Elm Street” parecer um musical da Broadway, mas acho isto muito bonito, apesar de uma cotovia espanhola que encontrei ontem à tarde me ter dito que só vale a pena cá vir durante o Festival. Sabem o que é que a marada me disse? Que fora desta época Cannes parece a Quarteira! Deve ser parva…
Voltando ao Festival, devo dizer-vos que nos bastidores se discute mais política do que cinema. Desde um ministro italiano a tentar proibir a exibição de um filme, até à greve de fome que o realizador iraniano Jafar Panahi decidiu fazer depois de ter sido preso em Teerão, tudo é motivo de conversa . O Godard também resolveu meter a colherada. Depois de ter defendido que a Suiça devia desaparecer como País, deixou os jornalistas pendurados e não apareceu na sala de imprensa, após a exibição do seu filme “Socialism”. Mas como é que ele podia aparecer se decidiu não vir a Cannes? Mandou um fax ( ele tem 79 anos, se calhar ainda não sabe que existem e-mails e telemóveis) a dizer que “problemas do tipo grego” o impediam de estar presente porque, embora para estar em Cannes estivesse disposto a ir até à morte, não queria dar nem um passo mais para além disso. Não perde o humor este magano!
Eu consegui ver o filme escondida nas penas do chapéu de uma velhota muito pintada, mas cheia de glamour, que deve ter entrado de penetra . Gostei muito. Aqueles dois papagaios de cabeleira vermelha que entram no filme, são umas brasas, só vos digo! As pessoas riram-se muito durante o filme, mas eu não consegui perceber onde estava a graça. Até me pareceu um filme bastante triste, devo confessar, porque também entravam dois gatos e eu estive sempre à espera do momento em que eles iam filar os papagaios. Quando contei isto ao Carlos ele riu-se e disse que eu não tinha percebido nada do filme, mas eu não liguei, porque ele tem a mania que só ele é que é inteligente.
Só para terminar, quero dizer-vos que ouvi umas conversas sobre o filme do Manoel Oliveira que foi aplaudido de pé, mas quem deixou a população masculina cheia de torcicolos foi a nossa ministra da cultura. No restaurante do Majestic, ouvi dizer que este ano não passou por lá ninguém com tanto glamour como Gabriela Canavilhas. Com uma ministra assim, ninguém de perfeito juízo se atreve a propor o fim do ministério da cultura!
Agora tenho de me ir embora, porque a Internet está cara e já gastei parte dos créditos do Carlos. Espero que ele não repare, senão lá me vai ameaçar mais uma vez, de que um dia acabo no tacho. Mas quem é que gosta de carne de cotovia? Bem , vou-me pirar, porque vem ali um laverca em voo picado e eu hoje não estou para essas coisas. Passem bem, até ao meu regresso, e não estranhem se o Carlos não vos visitar nos próximos dias, porque ele anda muito entusiasmado com o jet set. Ontem garantia que tinha visto a Angelina Jolie. Só quando o vi a ler “O Monge Negro” do Tchekov é que percebi que estava com alucinações.

Martinha escreve a Pedro Passos Coelho


Olá Cualhinho do meu coração!
Não sei se me conheces, eu sou a Martinha que vem aqui às vezes e podes conhecer-me melhor se fizeres clique no meu nome ( Percebeste o trocadilho?).
Eu sou chinesa, venho daquele país que já foi comunista e não sei se ainda é, porque agora dizem que é um país e dois sistemas, coisa que eu não percebi ainda muito bem como funciona, mas para mim e para a minha mamã funcionou mal. Aquilo dos dois sistemas deve ser mais ou menos assim: os gajos do graveto que andam de Lexus ( uma espécie de BMW mas em bom) têm um porradão de casas e passam os fins de semana a jogar nos casinos de Macau devem viver no sistema bom e as tipas como eu a minha mamã e muitos milhões de chineses que andamos a pedantes, de bicicleta motorizada e tivemos de emigrar para sobreviver, ficámos com a parte má. Azares! Mas cada um é para o que nasce, como tu sabes, por isso não me vou pôr aqui a choramingar que isso é próprio dos fracos e os fracos não têm lugar no país da livre iniciativa dos teus sonhos.
O que te quero dizer é que eu e a minha mamã somos grandes admiradores tuas e sonhamos com o dia em que tu chegues ao poder, porque a continuar assim, um dia o Sócrates ainda nacionaliza a nossa loja na Lapa e lá vamos nós ter de emigrar para outro país onde a iniciativa privada seja bem acolhida e nos deixem trabalhar à vontade.
Como estava a dizer somos grandes admiradoras tuas, mas ontem tivemos um grande desgosto. Um amigo da mamã deu entrada num hospital para ser operado ao braço esquerdo e quando acordou da operação reparou naquilo que escapou ao médico: o braço esquerdo estava tal qual como quando ele tinha entrado mas o direito , que estava bom quando ele lá chegou, estava todo entrapado porque o médico se enganou e fez a operação no braço errado.
Claro que o meu amigo perguntou logo a que é que o operaram, se o braço direito estava bom, mas o médico esbugalhou os olhos, pediu desculpa pelo engano ( deve ser teu apoiante, porque tu também pediste desculpa aos militantes do PSD que te elegeram por os teres enganado) e virou as costas.
O meu amigo decidiu apresentar queixa dos médicos e divulgar o caso nos jornais. Já te estou a imaginar a dizer “e fez ele muito bem, porque o Estado tem de assumir as suas responsabilidades”.Desculpa desiludir-te, mas não é assim tão fácil. Aqueles tipos que cegaram no Hospital de Santa Maria tiveram logo os jornais e televisões à perna e receberam uma indemnização do Estado, mas o amigo da mamã não teve a mesma sorte( se é que ficar sem um olho é sorte, mas enfim…). É que ele foi operado num hospital privado e agora vai ter de esperar que a Justiça funcione rápido, para reparar o erro. Além disso, quando foi dar a notícia aos jornais, dois deles não deram importância nenhuma à situação e, quanto às televisões, não mandaram sequer um gravador de cassettes, quanto mais um repórter e um cameramen!
O amigo da mamã , que apesar de viver em Portugal é simpatizante do Partido Comunista Chinês, diz que isto acontece porque os privados se protegem uns aos outros e os interesses económicos falam mais alto. (Eu não sabia que a economia falava , mas estou sempre a aprender).
O que eu queria dizer-te, meu crido Cualhinho, é que eu e a mamã agora estamos um bocadinho mais desconfiadas e começamos a pôr em dúvida a bondade do teu sonho. Gostava muito que me respondesses mas se não fizeres, certamente é porque foste com o Pai Natal ao circo ou estás a pedir ao Miguel Frasquilho que te explique qual é realmente a opinião dele acerca da situação económica e financeira em Portugal.( Se ele te esclarecer diz alguma coisa, porqeu nós aqui em casa também gostávamos de perceber).
Olha, se puderes e te ficar em caminho, passa lá pela nossa loja na Lapa que fazemos-te um chazinho para a azia e outras maleitas que costumam afectar os políticos quando entram em campanha eleitoral. Também fazemos descontos em bandeirinhas, autocolantes e outros gadgets para campanhas e para ti, teremos uma atenção especial.
Recebe um beijo descomprometido da (ainda) tua admiradora

Com Gingko Biloba isso passa...

Gingko Biloba foi a primeira planta a brotar do solo, depois da destruição de Hiroshima. É utilizada no tratamento de várias doenças e aconselhada para travar a perda de memória
A proposta das deputadas independentes eleitas nas listas do PS, Rosário Carneiro e Teresa Venda, em relação aos feriados, carece de bom senso. Acabar com o feriado de 1 de Dezembro é querer apagar a História, mas propor a eliminação do feriado de 5 de Outubro no ano em que se comemora o centenário da República é (peço desculpa minhas senhoras) uma idiotice!
Querer deslocar o 25 de Abril e o 1º de Maio para dias úteis mais próximos do fim de semana e a Terça feira de Carnaval ( que não é feriado, mas sim uma tolerância de ponto) para a segunda feira a seguir ao Domingo Gordo revela uma falta de senso, que as senhoras deputadas não deviam desconhecer, porque já o primeiro ministro Cavaco Silva ensaiou essa ideia e deu-se mal .
Não sei se os fundamentos da proposta ( possibilidade de aumentar o salário mínimo) são credíveis, mas há uma coisa que sei muito bem: deslocar os feriados todos para dias úteis permitiria ao governo poupar dinheiro no pagamento dos subsídios de almoço aos funcionários públicos. Será esse o objectivo escamoteado pelas deputadas?
Não deixa de ser curioso que a proposta de acabar ( ou no caso do 25 de Abril minimizar) com feriados que representam datas emblemáticas da nossa História venha de deputadas de um Movimento denominado Humanismo e Democracia.
Razão tinha o Jorge Coelho quando dizia que os deputados independentes são muito imprevisíveis…

Será este o sonho dos ultra-liberais ?

Ao recorrer aos princípios da pena de Talião, George Bush não legitimou apenas Guantánamo e a tortura, fez retroceder os Estados Unidos ao tempo em que era apenas a "América". Não faltou quem aplaudisse e justificasse as medidas próprias de um bárbaro, alegando o princípio da legítima defesa.
Transposta a pena de Talião como regra a aplicar nas sociedades modernas, talvez um dia vejamos pessoas a defender que será legítima aplicação da tortura a criminosos que inflingiram sevícias às suas vítimas, sonho acalentado por muitos conservadores que vêem no liberalismo a salvação da Humanidade.
Quando o sonho dos liberais se realizar e ao Estado não restar outra função que não seja alimentar os vícios privados a vida será assim.
Regressemos então à barbárie na era das novas tecnologias e, presos os meliantes, apliquemos-lhes como pena, em vez da prisão, sevícia idêntica à que eles aplicaram às suas vítimas. Vamos todos ser muito mais felizes, não acham?

Pelo país dos blogs (52)

Gostava de ter escrito isto.
Uma análise muito lúcida sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a dsmistificação dos alarmismos da Drª Isilda.

Sugestão do dia

Exílio de Andarilho

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Mundo pula, mas não avança



Depois do quase fracasso da Cimeira de Copenhague, as esperanças de alcançar um acordo que estabeleça as metas pós- Quioto , viraram-se para o México, onde se realizará nova Cimeira em Julho. Com a crise financeira global, são poucas as esperanças na concretização desse acordo. Os mais optimistas admitem que no próximo ano na África do Sul,ou o mais tardar em 2012, no Brasil, seja possível o mundo adoptar regras que permitam reduzir os danos que temos vindo a provocar no Planeta.

Acredito que em 2012 seja possível chegar a uma plataforma de acordos mínimos, mas não mais do que isso. A crise económica e financeira não estará ainda resolvida em 2012 e os senhores que governam o mundo continuarão a privilegiar o desenvolvimento económico em detrimento da sustentabilidade do Planeta.

Um dia- talvez não muito distante- as gerações mais jovens vão cobrar a esta geração de políticos acéfalos a sua incúria com a preservação da nossa casa comum e perguntarão para que serviu garantir a sustentabilidade económica e financeira, se a vida na Terra se tornou insustentável mas, muito provavelmente, a maioria dos responsáveis pela degradação das condições ambientais, não estarão cá para lhes responder.

A nova Arca de Noé


A propósito deste catálogo, lembrei-me de uma notícia que li há dis no Público:
Nos anos 80, Kim Il Sung apoiou Robert Mugabe na luta contra Joshua Nkomo, mandando homens para treinar a Brigada do Exército do Zimbawe.
Trinta anos depois, o ditador zambiano decidiu finalmente agradecer ao seu congénere norte coreano, entretanto falecido, de uma forma original.
Mandou enviar a Kim Jung-Il ( que assumiu o poder depois da morte d pai) um casal de cada uma das espécies existentes no Parque Nacional Hwange , para enriquecer a biodiversidade do Jardim Zoológico de Pyongyang.
Os ditadores têm uma forma peculiar de agraciar os seus amigos e congéneres. Depois de matar mais de 20 mil apoiantes do seu rival, Joshua Nkomo, Mugabe vai condenar à morte dezenas de animais. Uns não sobreviverão à viagem e outros não se adaptarão às condições climatéricas da Coreia do Norte.

O herdeiro dos irmãos Metralha


“ O dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. E bater na parede significa , por exemplo, a intervenção do FMI. Lamento mas o país tem de saber a verdade”
Estas palavras não foram proferidas por um político… são da autoria do presidente de um banco que, depois de ter ajudado a saquear o país, vem dar conselhos, como se não tivesse nada a ver com o assunto.
Fernando Ulrich fez-me lembrar um bandido que depois de assaltar a casa, avisa os donos :“Deixei a porta do frigorífico aberta. Cuidado, não se magoem!”

A Ética segundo Marques Guedes

No sector laranja da Assembleia da República, a Ética anda pelas ruas da amargura. Considerar isto censura é próprio de quem vê a imprensa como alfobre onde a escumalha despeitada pode verter os seus ódios e as suas vinganças.

Rua dos Cafés (5)

Café Greco (Roma)













Ir a Roma e não visitar o Café Greco, na via Condotti , é ainda mais grave do que não ver o Papa. Talvez por isso, nas diversas vezes que estive em Roma nunca vi o Papa, mas nunca falhei uma visita ao Greco.
Fundado por um grego no século XVIII (1760) foi local de tertúlias e ponto de encontro obrigatório para os estrangeiros que viviam em Roma, durante os séculos XVIII e XIX. Por lá tertuliavam personagens tão diversas como Goethe ou Buffalo Bill, e compuseram alguns dos seus mais belos trechos musicais, Lizt ou Wagner.
Ao longo do século XX o Greco foi perdendo influência, passando a constar dos roteiros turísticos. Estive lá pela última vez ano passado com a Martinha e impressionou-me a sua decadência. Afiançaram-me que ia fechar para dar lugar a uma gelataria de uma multinacional. Pessoa amiga disse-me, há dias, que o Greco efectivamente está encerrado desde Janeiro, mas deverá voltar a abrir as suas portas ainda este mês. Se forem lá em breve, confirmem. O Greco fica bem perto da Piazza di Spagna e, se as suas características se mantiverem, merece bem uma visita, apesar dos preços escandalosos que lá se praticam.

Sócrates só quer o nosso bem

Durante a entrevista , Judite de Sousa perguntou várias vezes ao PM porque não pedia desculpa aos portugueses, como fez Passos Coelho. Sócrates lá justificou como pôde a recusa em ir ao "Perdoa-me". No entanto, a sua humildade impediu-o de dizer toda a verdade. Afinal, a verdadeira explicação está aqui.

Conversas com o Papalagui (48)

-Olha lá,tuga, não achas que o Sócrates foi inoportuno ao dizer ontem, em Madrid, que são precisos dois para dançar o tango?
-Qual é o problema?
-Ele já podia ter dançado com a Manuela Ferreira Leite…
- Ela passava a vida a insultá-lo. O Passos Coelho é mais civilizado.
-Tens razão, mas podia ter escolhido outro dia…
-Porquê?
-Não foi ontem que o Cavaco Silva promulgou a Lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
-Mas ontem também foi o Dia Internacional contra a Homofobia, Pa . Perdeste um boa oportunidade de ficar calado, em vez de tentares fazer piadas ordinarotas!
-Fui eu e o Cavaco. Não há dias perfeitos, que é que queres?

Sugestão do dia

AVOGI, com os meus parabéns pelo primeiro aniversário.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Gato escondido...


A redução dos salários dos políticos, proposta por Pedro Passos Coelho e aceite por José Sócrates é demagógica, hipócrita e tem um objectivo escondido.
É demagógica, porque enquanto se reduziram os salários, aumentaram 3,4% as despesas de funcionamento dos gabinetes em sede do Orçamento de Estado.
É hipócrita, porque essa redução pode ser compensada por outras vias, como a utilização dos cartões de crédito, as despesas de representação e outras mordomias.
Tem um objectivo escondido, que é justificar mais cortes nos salários dos trabalhadores a curto prazo.
Sócrates decidiu vergar-se reverencialmente perante Bruxelas e apoiar as reivindicações de Passos Coelho. Provavelmente não teria outro remédio, em virtude da posição alemã, pouco consentânea com o espírito europeu, mas preparem-se para o que aí vem a seguir.
Para já, segundo o Diário Económico, Bruxelas vai pedir mais restrições. Era expectável. Lá diz o povo que “quanto mais um tipo se baixa …”

Brites na Nature com Cinha e Pimpinha Jardim?

Ó meus queridos!
Estou cheia de saudades vossas, mas não tenho tido tempo para vir até aqui contar-vos as histórias que vou sabendo do nosso “jet set”.
Vou revelar-vos um segredo: fui contratada para posar para a revista “Nature” que é assim uma espécie de Playboy dos temas ambientais, porque põe os problemas da Natureza todos a nu. Convidaram-me porque, segundo eles dizem, a minha espécie está em vias de extinção. Creio que eles se enganaram, porque as cotovias não estão em vias de extinção, a moda do chapéu na nossa espécie é que já teve melhores dias. Bem, ma isso agora não interessa nada. Fiquei radiante e tenho-me fartado de viajar para ser fotografada em muitos locais.
O Sebastião é que ficou cheio de ciúmes, coitado, porque queria ser ele a estar no meu lugar. Tenho de reconhecer que ele tem razão, porque os mochos estão mais ameaçados que nós, mas a culpa é dele. Se tratasse melhor as pessoas do jet set e lesse mais revistas onde elas aparecem, em vez de se andar a perder na leitura de livros científicos que são chatos e sem interesse nenhum, também já tinha sido convidado! É que, como ouvi dizer a um jornalista amigo do Carlos, aqui há uns dias, quem não aparece, esquece!
Pronto(s) mas não é para vos falar da minha vida que aqui venho. O que pretendo é manifestar a minha indignação pelo que andam a fazer à Bruna. Não me refiro à Bruna que punha a cabeça do Agildo Ribeiro a andar à roda no Planeta dos Homens, mas sim àquela professora de Mirandela que pôs a cabeça à roda das mulheres transmontanas que correram a comprar a Playboy onde a mocinha posou nua. Não há direito que tenham posto a rapariga no arquivo. Já dizia não sei quem que o que é bom é para se ver, não é para guardar nos arquivos.!Quem decidiu enfiar com ela numa sala esconsa deve ser muito egoísta. Quer ser o único a poder olhar para ela, enquanto vê as fotografias da revista, camuflada no livro do Marcel Proust “ Em busca do tempo perdido”.
Alguém me explica a razão de tanta gente ter ficado indignada? Aposto que muitas daquelas mãezinhas, receosas que a rapariga corrompesse os seus rebentos, não faz a mínima ideia do que os filhos andam a ver na Internet!
Sabem que mais? Ainda bem que essas pessoas não se indignaram quando a minha querida Pimpinha Jardim decidiu posar em lingerie para uma revista destinada ao público masculino.
Realmente, não tinham razões nenhumas para se indignar, porque e miúda até levou a mãe com ela e posaram as duas juntas. Só vos digo que quando o Sebastião viu as fotografias, sacou-me logo a revista e quando ma devolveu vinha com um ar muito afogueado. Na altura não reparei, mas o safado tinha arrancado as páginas onde vinham as fotografias. Tive por isso de recorrer a um mail que uma amiga do Rochedo enviou, com uma crónica do Ricardo Araújo Pereira, na ”Visão”, para vos poder mostrar algumas dessas fotografias.


Espero que o Sebastião perceba, finalmente, a importância de pertencer ao jet set. Se a Pimpinha fosse filha da Bruna e posassem as duas juntas, o escândalo tinha sido maior. Ou se calhar, não, porque as fotografias foram tiradas em 2008 e em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países, as mentalidades, em vez de se tornarem mais abertas, parece que vão regredindo à medida que o tempo passa.


Pronto(s). Espero que apreciem as fotografias, mas não façam como o Sebastião. Deixem ficar as fotos aqui que elaas não fogem. Mas também não vale sujar o ecrã com beijoquices, seus depravados!
Adeus, até um dia destes. Amanhã vou até Cannes e vou esforçar-me por mandar notícias daquele jet set cheio de glamour.


Caderneta de cromos (17)

Miguel Frasquilho

Miguel Frasquilho, vice-presidente da bancada do PSD, tem sido um dos mais ferozes críticos da política financeira do governo Sócrates, sendo as suas intervenções na AR marcadas pela acutilância dos ataques que desfere e pela aparente solidez do seu argumentário, frequentes vezes sustentado na declamação de números e relatórios.
Numa recente intervenção, comparou Jorge Lacão ao célebre ministro da Propaganda de Sadam Hussein que se recusou a admitir a derrota na guerra, memo depois de o presidente iraquiano ter sido derrubado.
Como diz o povo, “pela boca morre o peixe” e foi isso que aconteceu a Frasquilho, quando o deputado do PS, João Galamba , divulgou o relatório da Espírito Santo Research “A Economia Portuguesa- Maio 2010” assinado pelo deputado laranja. Nesse relatório, destinado a investidores estrangeiros, Frasquilho manifesta a sua confiança no crescimento económico português, impulsionado pelas reformas estruturais levadas a cabo pelo governo ( que ele tanto tem criticado na AR) e conclui que a situação económico-financeira “ não justifica preocupações dos mercados”.
Apanhado na contradição, afirmou ao DN que subscreve integralmente o relatório que assinou ( vá lá, já não é mau de todo) e não lhe parece que “ nesta altura de crise que o país atravessa devesse usar os mesmos argumentos da arena política”.Ora assim sendo, das duas uma: ou Frasquilho optou por uma mentira piedosa para não afugentar os investidores, ou está a mentir quando exibe os seus argumentos na AR. Em ambos os casos fica mal na fotografia.
Se mentiu num relatório que se presume não tenha assinado gratuitamente, ludibriando os investidores e o Espírito Santo, deveria pedir desculpa e devolver o dinheiro. Se não mentiu no relatório, então está a mentir aos portugueses, quando desfere os ataques ao governo no Parlamento e, nesse caso, devia demitir-se e devolver o dinheiro com que os portugueses contribuem para lhe garantir parte do sustento como deputado da Nação.
Lembro aos leitores que este preclaro social democrata foi secretário de Estado do Tesouro de Manuela Ferreira Leite, a mulher que defendia a “Política de Verdade” e, hoje em dia, é um apoiante entusiasta de Pedro Passos Coelho, pelo que a sua inclusão nesta Caderneta de Cromos é perfeitamente merecida. No entanto, também é justo que tenha a companhia de uns quantos cromos apoiantes de PPC que na blogosfera se esforçam por desvalorizar esta contradição de Miguel Frasquilho, chegando ao ridículo de acusar os que criticaram a célebre intervenção de Paulo Rangel no Parlamento Europeu, sobre a falta de liberdade de imprensa em Portugal, de estarem a cair em contradição. Ou seja, para alguns coelhistas a mentira só é relevante quando belisca os seus interesses.